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terça-feira, 8 de novembro de 2016

"COM A VIDA POR UM FIO"

"Falávamos ao Chico, de criaturas enfermas que anseiam por vê-lo e abraçá-lo e de outras que, para o mesmo fim, têm logrado vê-lo e realizam sacrifícios indescritíveis jogando com a própria vida e quase desencarnam em plena sessão do LUIZ GONZAGA...
E o psicógrafo de PARNASO DE ALÉM-TÜMULO conta-nos:
Há tempos, numa sessão do LUIZ GONZAGA, quando estávamos psicografando e na fase final, observei que um irmão na assistência trazia o coração por um fio. Tratava-se de alguém, residente em Belo Horizonte, que viera ver-me, se bem que se achasse gravemente enfermo. Apelei para o bondoso Emmanuel para que não deixasse o querido companheiro desencarnar ali, em plena sessão, o que iria trazer certa emoção para os presentes e, talvez, motivos para os adversários do Espiritismo culparem-no como o causador de tudo... Observei que os caros Mentores, à frente meu Guia, começaram a medicar o irmão enfermado. Terminada a reunião, foi o mesmo amparado pelos companheiros da Terra e do Espaço para a gare da Estação local.
Quando lhe transpunha a roleta, caiu fulminado por uma síncope cardíaca e desencarnou. Os irmãos do Alto deram-lhe assistência e evitaram-nos possíveis e graves complicações."

("Lindos Casos de Chico Xavier", Ramiro Gama")

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

"MÃE CIDÁLIA"

"Assim se chamara na Terra a segunda Mãe de Chico Xavier, a criatura amorosa e boa, que dissera ao seu noivo João Cândido:
— Somente me casarei com você se permitir que ajunte, em nos­so lar, para os criarmos, os filhos de sua primeira mulher, nossa santa irmã Maria João de Deus, os quais vivem por aí distribuidos e criados ao léu da vida...
O Sr. João Cândido, homem cordato e bom, aquiesceu. Casou-se e, graças à Mãe Cidália, voltaram as aves ao ninho antigo, saudosas, alegres, felizes.
Foi essa Mãe por vocação, missionária do Amor, que ensinou o Chico a orar, que o encaminhou na vida, que lhe orvalhou a alma do­rida e pura de ensinamentos cristãos e que realizou, com ele e seus de­mais irmãos, Neuza, Luíza, Lucília, Geralda, Gina, José Raimundo e outros, uma Tarefa educacional.
Mas o que é bom dura tão pouco!
Sua vida foi curta, como curtos eram seus débitos. Mas mesmo assim realizou muito, algo que comove. Desencarnou, deixando uma funda tristeza, uma enorme saudade nos corações dos filhos de sua alma.
Antes, chamara o Chico à beira de seu leito e lhe dissera entre lágrimas e num misto de saudade e consolação:
— Sei que vou morrer, meu querido filho. Mas, antes, desejo que me prometas uma coisa: que não permitirás que teus irmãos sejam, de novo, distribuidos, semeados por aí, entregues a terceiros. Desejo que tomes conta da casa, que ajudes teu pai, que veles por todos, co­mo fiz. Lá de Cima, ajudar-te-ei sob as Bênçãos da Divina Mãe, a fim de que triunfes da Missão grandiosa que tens e que agora vai ser iniciada! O Chico prometeu-lhe atender, entre saudades e prantos. E, num halo de angelitude, respeito e proteção espiritual, mãe Cidália desencarnou feliz!
Alguns anos passaram. Todos viviam no mesmo lugar, numa casinha pobre e cheia de Paz, tendo o humilde Médium por mentor, Amigo e Irmão dedicado. O pouco que recebia, como caixeiro de uma venda humilde dava para as despesas, porque era UM POUCO COM DEUS. E, assim, entrou Chico na posse de sua Missão maior. A fonte mediúnica rebentara e uma torrente de luz beneficiava toda Pedro Leopoldo. E admirava-se por não ver entre as comunicações recebidas e nas aparições de Espíritos Amigos, seus valiosos colabo­radores, a de Mãe Cidália.
Numa noite, entretanto, numa sessão íntima, realizada em casa de um parente, sob sua surpresa, vê, em plena sala, o Espírito lumino­so de Mãe Cidália. Parecia-lhe mais linda. Comove-se e chora de contentamento pela auspiciosa ocorrência. Amorosa, como dantes, o Espírito chegou-se-lhe ao pé e lhe diz confidencialmente:
—         Custei a aparecer, meu caro filho, porque meus trabalhos são muitos. Mas, vejo-te sempre protegido e me alegro. Esforcei-me, hoje, para vir até aqui, porque há um justo motivo...
—         Justo motivo, tartamudeia o bondoso Médium...
— Sim. Preparem-se, pois um de vocês vai partir daí para aqui. Obtive a permissão para ficar perto de vocês, por alguns dias, a fim de receber o que foi escolhido.
Abraçou e abençoou seu filho e desapareceu. Acabada a Sessão, o Chico contou o que vira e ouvira aos seus caros entes familiares. Uma das irmãs pensou em seu pai João Cândido, portador de grave pielite e de uma hérnia ameaçando estrangular-se, caso não a operas­se. E cada ente familiar pensou em alguém do lar.
Dias se passaram. O Sr. João Cândido foi operado e estava fora de perigo.
Então, quem seria? Cada um perguntava a si mesmo.
Nesta conjetura, recebem a notícia de que a irmã Neuza, resi­dente em Sete Lagoas, adoecera. E, não obstante o cunhado, esposo de Neuza, afirmar ser uma enfermidade leve, o Chico pede para a traze­rem para Pedro Leopoldo, porque sentia que era grave o seu estado. Era a escolhida para partir. Mãe Cidália vinha buscá-la.
E Neusa vem e fica sob os cuidados dos irmãos, inclusive do Chi­co. O Médium lhe sente o desencarne próximo.
Numa tarde, depois da prece costumeira, feita pelo Chico, sob surpresa dos presentes, pétalas de rosas chovem sobre o leito da enfer­ma, O fenômeno, revelando o mérito de Neuza e seu desencarne iminente, comove a todos e os prepara para o golpe que se avizinhava.
E, na manhã seguinte, como um pássaro, o Espírito de Neuza, es­clarecido e bondoso, deixa a gaiola da carne e sobe à Espiritualidade do Lar Maior.
Mãe Cidália aparece ao Chico e diz-lhe:
— Foi este o Anjo escolhido. Fique em Paz. Vou acompanhar a Ave libertada e feliz. Adeus!
Uma parente do Chico nos contou este lindo Caso, comovendo-se e comovendo-nos. Dá-nos uma bela lição, revelando-nos o que es­pera, na hora libertadora, os que sabem viver bem, com e por Jesus. Depois, sem nada dizer-nos, foi ao seu quarto e de lá nos trouxe duas pétalas, já murchas e perfumadas, das que caíram sobre o leito de Neu­za. O presente nos emocionou, sobremodo. E o guardamos na car­teira, junto ao coração.
De quando em quando, junto com a prezada esposa, contempla­mos as duas pétalas. E lembramo-nos de Neuza e sentimo-la como uma Estrela, que ganhou os cinco raios, e vive, radiante e feliz, num Tra­balho Maior, junto à Grande Estrela, que é Maria Santíssima, na Constelação de Jesus!
E achamos nossa cruz leve, nossa prova, tão fácil de ser vencida e vontade imensa de sermos melhores!

Que Jesus possa abençoar, hoje e sempre, os Espíritos queridos de Mãe Cidália e de Neuza!"
("Lindos casos de Chico Xavier", Ramigo Gama)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

"O PRESTÌGIO DO CHICO"


"O professor Lauro Pastor e sua digna esposa, D. Dayse, e o Professor Pastorino passaram uns dias em Pedro Leopoldo.
Numa tarde, dia de sessão, acompanhados do Chico, dirigiam-se ao LUIZ GONZAGA.
Na rua principal, esquina do Centro, esbarraram com um rapaz embriagado. O Chico, ao vê-lo:
— Como vai, meu amigo? Fique com Deus!
— Vai também com Deus, Chico, que eu não sei com quem vou...
Terminada a sessão, o Professor Pastor, sua esposa e o Professor Pastorino, agora desacompanhados do Chico, caminhavam para o Hotel, onde se achavam hospedados, quando veem o moço, agora bem pior, xingando a todos os que lhe passavam perto.
Receosos de serem molestados, passaram de mansinho, para não serem percebidos. Mas foram por ele vistos e reconhecidos.
E, ante a surpresa dos que o rodeavam, do Professor Pastorino e do próprio casal, o moço ébrio fez um grande gesto para abrir caminho e exclamou bem alto:
— Abram alas, companheiros. Deixem estes passar, isto é gente do Chico!"


("Lindos Casos de Chico Xavier" Ramiro Gama)

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

"GRATIDÃO"

"Chico levantara-se cedo e, ao sair de charrete para a fazenda, encontra-se no caminho com o Flaviano que lhe diz: - Sabe quem morreu?
- Não!...
- O Juca, seu ex-patrão. Morreu na miséria, Chico,
sem ter nem o que comer...
- Coitado! E Chico tira do bolso o lenço e enxuga os olhos.
- A que horas é o enterro?
- Creio que vão enterrá-lo a qualquer hora, como indigente,
no caixão da Prefeitura, isto é, no rabecão...
Chico medita, emocionado, e pede: - Flaviano, faça-me um favor:
vá a casa onde ele desencarnou e peça para esperarem um pouco.
Vou ver se lhe arranjo um caixão, mesmo barato.
Flaviano despede-se e parte.
Chico desce da charrete. Manda um recado para seu chefe.
Recorda seu ex-patrão, figura humilde de bom servidor, que tanto
bem lhe fizera. E ali mesmo, no caminho, envia uma prece a Jesus:
"Senhor, trata-se do meu ex-patrão, a quem tanto devo; que me socorreu nos momentos mais angustiosos, que me deu emprego com o qual socorri minha família; que tanto sofreu por minha causa.
Que eu lhe pague, em parte, a gratidão que lhe devo.
Ajude-me, Senhor".
E, tirando o chapéu da cabeça e virando-o de copa para baixo,
à guisa de sacola, foi bater de porta em porta, pedindo uma
esmola para comprar um caixão para enterrar o extinto amigo.
Daí a pouco, toda Pedro Leopoldo sabia do sucedido e estava perplexa, senão comovida com o ato do Chico.
Seu pai soube e veio ao seu encontro,
tentando demovê-lo daquele peditório...
- Não, meu pai, não posso deixar de pagar tão grande dívida
a quem tanto colaborou conosco.
Um pobre cego, muito conhecido em Pedro Leopoldo, é inteirado
da nobre ação do Chico, a quem estima. Esbarra com ele:
- Por que tanta pressa, Chico?
- Meu Nego, estou pedindo esmolas para enterrar meu ex-patrão.
- Seu Juca!? Já soube. Coitado, tão bom! Espere aí, Chico. Tenho aqui algum dinheiro que me deram de esmolas ontem e hoje.
E despejou no chapéu do Chico tudo o que havia arrecadado...
Chico olhou-lhe os olhos mortos e sem luz.
Viu-os cheios de lágrimas. Comoveu-se mais.
- Obrigado, meu Nego! Que Jesus lhe pague o sacrifício.
Comprou, com o dinheiro esmolado, o caixão.
Providenciou o enterro. Acompanhou-o até o cemitério.
E, já tarde, regressou à casa. Tinha vivido um grande dia.
Sentou-se à entrada da porta. Lá dentro,
os irmãos e o pai observam-no comovidos.
Em prece muda, agradeceu a Jesus.
Emmanuel lhe aparece e lhe sorri. O sorriso do seu bondoso
guia lhe diz tudo. Chico o entende.
Ganhara o dia, pagara uma dívida e dera de si um testemunho
de humildade, de gratidão e de amor ao Divino Mestre."

("Lindos Casos de Chico Xavier", Ramiro Gama)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

"UMA DÍVIDA PAGA PELO ALTO"


"José, o irmão de Chico, que fora por muito tempo seu orientador e dirigia as sessões do Luiz Gonzaga, adoece gravemente, e, sob a surpresa de seus caros antes familiares, desencarna, deixando ao irmão o encargo de lhe amparar a família.

Dias depois, o Chico verifica que o Jose lhe deixara também uma divida, pois se esquecera de pagar a conta da luz, na importância de onze cruzeiros.

Isto era muito para o pobre médium, pois no fim de cada mês nada lhe sobrava do ordenado.

Pensativo, sentou-se á soleira da porta de sua casinha rústica e abençoada.

Emmanuel lhe diz: - Não se apoquente, confie e espere...

Horas depois alguém lhe bate a porta... Vai ver. Era um senhor da roça.

- O senhor é o seu Chico Xavier? – Sim. Ás suas ordens, meu irmão.

- Soube que seu irmão Jose morreu. E vim aqui pagar-lhe uma bainha de faca que ele me fez há tempos.

E aqui está a importância combinada. Chico agradeceu-lhe.

E ficando a sós, abriu o envelope. Dentro estavam onze cruzeiros... Para pagar a luz.

Sorriu, descansado, livre de um peso.

E conclui para nós: “Que bela lição ganhei”.

E nós: - Também para os que sabem olhar para os lírios dos campos, que não temem o amanhã, porque sabem que ele pertence a Deus."

("Lindos casos de Chico Xavier", Ramiro Gama)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

"MÃE CIDÁLIA"

"Assim se chamara na Terra a segunda Mãe de Chico Xavier, a criatura amorosa e boa, que dissera ao seu noivo João Cândido:
— Somente me casarei com você se permitir que ajunte, em nos­so lar, para os criarmos, os filhos de sua primeira mulher, nossa santa irmã Maria João de Deus, os quais vivem por aí distribuidos e criados ao léu da vida...
O Sr. João Cândido, homem cordato e bom, aquiesceu. Casou-se e, graças à Mãe Cidália, voltaram as aves ao ninho antigo, saudosas, alegres, felizes.
Foi essa Mãe por vocação, missionária do Amor, que ensinou o Chico a orar, que o encaminhou na vida, que lhe orvalhou a alma do­rida e pura de ensinamentos cristãos e que realizou, com ele e seus de­mais irmãos, Neuza, Luíza, Lucília, Geralda, Gina, José Raimundo e outros, uma Tarefa educacional.
Mas o que é bom dura tão pouco!
Sua vida foi curta, como curtos eram seus débitos. Mas mesmo assim realizou muito, algo que comove. Desencarnou, deixando uma funda tristeza, uma enorme saudade nos corações dos filhos de sua alma.
Antes, chamara o Chico à beira de seu leito e lhe dissera entre lágrimas e num misto de saudade e consolação:
— Sei que vou morrer, meu querido filho. Mas, antes, desejo que me prometas uma coisa: que não permitirás que teus irmãos sejam, de novo, distribuidos, semeados por aí, entregues a terceiros. Desejo que tomes conta da casa, que ajudes teu pai, que veles por todos, co­mo fiz. Lá de Cima, ajudar-te-ei sob as Bênçãos da Divina Mãe, a fim de que triunfes da Missão grandiosa que tens e que agora vai ser iniciada! O Chico prometeu-lhe atender, entre saudades e prantos. E, num halo de angelitude, respeito e proteção espiritual, mãe Cidália desencarnou feliz!
Alguns anos passaram. Todos viviam no mesmo lugar, numa casinha pobre e cheia de Paz, tendo o humilde Médium por mentor, Amigo e Irmão dedicado. O pouco que recebia, como caixeiro de uma venda humilde dava para as despesas, porque era UM POUCO COM DEUS. E, assim, entrou Chico na posse de sua Missão maior. A fonte mediúnica rebentara e uma torrente de luz beneficiava toda Pedro Leopoldo. E admirava-se por não ver entre as comunicações recebidas e nas aparições de Espíritos Amigos, seus valiosos colabo­radores, a de Mãe Cidália.
Numa noite, entretanto, numa sessão íntima, realizada em casa de um parente, sob sua surpresa, vê, em plena sala, o Espírito lumino­so de Mãe Cidália. Parecia-lhe mais linda. Comove-se e chora de contentamento pela auspiciosa ocorrência. Amorosa, como dantes, o Espírito chegou-se-lhe ao pé e lhe diz confidencialmente:
—         Custei a aparecer, meu caro filho, porque meus trabalhos são muitos. Mas, vejo-te sempre protegido e me alegro. Esforcei-me, hoje, para vir até aqui, porque há um justo motivo...
—         Justo motivo, tartamudeia o bondoso Médium...
— Sim. Preparem-se, pois um de vocês vai partir daí para aqui. Obtive a permissão para ficar perto de vocês, por alguns dias, a fim de receber o que foi escolhido.
Abraçou e abençoou seu filho e desapareceu. Acabada a Sessão, o Chico contou o que vira e ouvira aos seus caros entes familiares. Uma das irmãs pensou em seu pai João Cândido, portador de grave pielite e de uma hérnia ameaçando estrangular-se, caso não a operas­se. E cada ente familiar pensou em alguém do lar.
Dias se passaram. O Sr. João Cândido foi operado e estava fora de perigo.
Então, quem seria? Cada um perguntava a si mesmo.
Nesta conjetura, recebem a notícia de que a irmã Neuza, resi­dente em Sete Lagoas, adoecera. E, não obstante o cunhado, esposo de Neuza, afirmar ser uma enfermidade leve, o Chico pede para a traze­rem para Pedro Leopoldo, porque sentia que era grave o seu estado. Era a escolhida para partir. Mãe Cidália vinha buscá-la.
E Neusa vem e fica sob os cuidados dos irmãos, inclusive do Chi­co. O Médium lhe sente o desencarne próximo.
Numa tarde, depois da prece costumeira, feita pelo Chico, sob surpresa dos presentes, pétalas de rosas chovem sobre o leito da enfer­ma, O fenômeno, revelando o mérito de Neuza e seu desencarne iminente, comove a todos e os prepara para o golpe que se avizinhava.
E, na manhã seguinte, como um pássaro, o Espírito de Neuza, es­clarecido e bondoso, deixa a gaiola da carne e sobe à Espiritualidade do Lar Maior.
Mãe Cidália aparece ao Chico e diz-lhe:
— Foi este o Anjo escolhido. Fique em Paz. Vou acompanhar a Ave libertada e feliz. Adeus!
Uma parente do Chico nos contou este lindo Caso, comovendo-se e comovendo-nos. Dá-nos uma bela lição, revelando-nos o que es­pera, na hora libertadora, os que sabem viver bem, com e por Jesus. Depois, sem nada dizer-nos, foi ao seu quarto e de lá nos trouxe duas pétalas, já murchas e perfumadas, das que caíram sobre o leito de Neu­za. O presente nos emocionou, sobremodo. E o guardamos na car­teira, junto ao coração.
De quando em quando, junto com a prezada esposa, contempla­mos as duas pétalas. E lembramo-nos de Neuza e sentimo-la como uma Estrela, que ganhou os cinco raios, e vive, radiante e feliz, num Tra­balho Maior, junto à Grande Estrela, que é Maria Santíssima, na Constelação de Jesus!
E achamos nossa cruz leve, nossa prova, tão fácil de ser vencida e vontade imensa de sermos melhores!
Que Jesus possa abençoar, hoje e sempre, os Espíritos queridos de Mãe Cidália e de Neuza!"
("Lindos Casos de Chico Xavier", Ramiro Gama)

terça-feira, 24 de abril de 2012

"A ÁGUA DA PAZ"

"Em torno da mediunidade, improvisam-se, ao redor do Chico, acesas discussões.
É, não é. Viu, não viu.
E o médium sofria, por vezes, longas irritações, a fim de explicar sem ser compreendido.
Por isso, à hora da prece, achava-se quase sempre, desanimado e aflito.
Certa feita, o Espírito de Dona Maria João de Deus compa­receu e aconselhou-lhe:
—        Meu filho, para curar essas inquietações você deve usar a Água da Paz.
O Médium, satisfeito, procurou o medicamento em todas as far­mácias de Pedro Leopoldo.
Não o encontrou. Recorreu a Belo Horizonte. Nada.
Ao fim de duas semanas, comunicou à progenitora desencarnada o fracasso da busca.
Dona Maria sorriu e informou:

— Não precisa viajar em semelhante procura.
Você poderá obter o remédio em casa mesmo.
A Água da Paz pode ser a água do pote.
Quando alguém lhe trouxer provocações com a palavra, beba um pouco de água pura e conserve-a na boca. 
Não a lance fora, nem a engula. Enquanto perdurar a tentação de responder, guarde a água da paz, banhando a língua.

O Médium baixou, então, os olhos, desapontado.
Compreendera que a mãezinha lhe chamava o espírito à lição da humildade e do silêncio.""

("Lindos Casos de Chico Xavier", Ramiro Gama)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"O ANJO BOM"





"Dois anos de surras incessantes.
Dois anos vivera o Chico junto da madrinha.
Numa tarde muito fria, quando entrou em colóquio com Dona Maria João
de Deus, Chico implorou:
— Mamãe, se a senhora vem nos ver, porque não me retira daqui?
O Espírito carinhoso afagou-o e perguntou:
— Por que está você tão aflito? Tudo, no mundo, obedece àvontade de
Deus.
— Mas a senhora sabe que nos faz muita falta...
A Mãezinha consolou-o e explicou:
— Não perca a paciência. Pedi a Jesus para enviar um anjo bom que tome
conta de vocês todos.
E sempre que revia a progenitora, o menino indagava:
— Mamãe, quando é que o anjo chegará?
— Espere, meu filho! — era a resposta de sempre.
Decorridos dois meses, o Sr. João Cândido Xavier resolveu casar-se em
segundas núpcias.
E Dona Cidália Batista, a segunda esposa, reclamou os filhos de Dona
Maria João de Deus, que se achavam espalhados em casas diversas.
Foi assim que a nobre senhora mandou buscar também o Chico. Quando
a criança voltou ao antigo lar contemplou a madrasta
que lhe estendia as mãos.
Dona Cidália abraçou-o e beijou-o com ternura e perguntou:
— Meu Deus, onde estava este menino com a barriga deste jeito?
Chico, encorajado com o carinho dela, abraçou-a também, como o
pássaro que sentia saudades do ninho perdido.
A madrasta bondosa fitou-o bem nos olhos e indagou:
— Você sabe quem sou, meu filho?
— Sei sim. A senhora é o anjo bom de que minha mãe já falou...
E, desde então, entre os dois, brilhou o amor puro com que o Chico seguiu
a segunda mãe, até à morte."
("Lindos Casos de Chico Xavier", Ramiro Gama)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

"TENHA PACIÊNCIA, MEU FILHO!"





"Quando Dona Maria João de Deus desencarnou, em 29 de setembro de
1915, Chico Xavier, um de seus nove filhos, foi entregue aos cuidados de Dona
Rita de Cássia, velha amiga e madrinha da criança.
Dona Rita, porém, era obsidiada e, por qualquer bagatela, se
destemperava, irritadiça.
Assim é que o Chico passou a suportar, por dia, várias surras de varas de
marmeleiro, recebendo, ainda, a penetração de pontas de garfos no ventre,
porque a neurastênica e perversa senhora inventara esse estranho processo
de torturar.
O garoto chorava muito, permanecendo horas e horas, com os garfos
dependurados na carne sanguinolenta e corria para o quintal, a fim de
desabafar e, porque a madrinha repetia, nervosa:
— Este menino tem o diabo no corpo.
Um dia, lembrou-se a criança de que a Mãezinha orava sempre, todos os
dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que
não encontrava em seu novo lar.
Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso
que aprendera dos lábios maternais.
Quando terminou, oh! maravilha!
Sua progenitora, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao
seu lado.
Chico, que ainda não lidara com as negações e dúvidas dos homens, nem
por um instante pensou que a Mãezinha tivesse partido para as sombras da
morte.
Abraçou-a, feliz, e gritou:
— Mamãe, não me deixe aqui... Carregue-me com a senhora...
— Não posso, — disse a entidade, triste.
— Estou apanhando muito, mamãe!
Dona Maria acariciou-o e explicou:
— Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o
trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar.
— Mas, — tornou a criança — minha madrinha diz que eu estou com o
diabo no corpo.
— Que tem isso? Não se incomode. Tudo passa e se você não mais
reclamar, se você tiver paciência, Jesus ajudará para que estejamos sempre
juntos.
Em seguida, desapareceu.
O pequeno, aflito, chamou-a em vão.
Desde esse dia, no entanto, passou a receber o contato de varas e garfos
sem revolta e sem lágrimas.
— Chico é tão cínico — dizia Dona Rita, exasperada, — que não chora,
nem mesmo a pescoção.
Porque a criança explicava ter a alegria de ver sua mãe, sempre que
recebia as surras, sem chorar, o pessoal doméstico passou a dizer que ele era
um “menino aluado”.
E, diariamente, à tarde, com os vergões na pele e com o sangue a correrlhe
em pequeninos filetes do ventre o pequeno seguia, de olhos enxutos e
brilhantes, para o quintal, a fim de reencontrar a mãezinha querida, sob as
velhas árvores, vendo-a e ouvindo-a, depois da oração.
Assim começou a luta espiritual do médium extraordinário que
conhecemos."
("Lindos Casos de Chico Xavier", Ramiro Gama)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"UMA BOA LIÇÃO"

"Adoecera um dos irmãos do grupo.

Reumatismo complicado e renitente.

Um amigo ensinou a aplicação de uma erva que somente se desenvolve em cavernas do subsolo.

Chico e José Xavier, tendo por acompanhante um belo cão que lhes pertencia, de nome Lorde, vão a uma grande lapa, das muitas que existem nas cercanias de Pedro Leopoldo; em caminho começam a conversar.

Falavam a respeito de certos amigos e comentavam:

- Beltrano não serve.

- Fulano é muito esquisito.

- Sicrano é imprestável.

Quando as críticas iam inflamadas, o Espírito de Dona Maria João de Deus aparece ao Chico e aconselha: Vocês não devem falar mal de ninguém. Todos necessitamos uns dos outros. Julgar pelas aparências é péssimo hábito. Sempre chega um momento na vida em que precisamos de amparo de criaturas que supomos desprezíveis.

O Médium transmitiu ao irmão quanto ouvira e calaram-se ambos.

Chegaram à caverna e José, segurando Lorde por uma corda, desceu à frente.

Depois de longa busca, encontraram a erva medicinal.

Contudo, quando se voltavam para o retorno, perderam a noção do caminho sob as grandes abóbadas de pedra.

De vela acesa, procuraram debalde a saída.

Gritaram, mas receberam o eco da própria voz.

Quando a luz se mostrava quase extinta, recordaram-se da prece.

Oraram.

Dona Maria João de Deus apareceu ao Médium e considerou:

- Temos agora a prática do ensinamento a que nos reportamos na estrada.

Vocês podem saber muita coisa, mas agora precisam do cão. Soltem o Lorde e sigam-lhe os passos. Ele sabe o caminho da volta.

Assim fizeram. E acompanhando o animal, venceram o labirinto em alguns minutos.

Lá fora, à luz do dia, entreolharam-se surpresos, meditaram na lição recebida e renderam graças a Deus."

(’Lindos Casos de Chico Xavier’’, Ramiro Gama)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"A MEDICAÇÃO PELA FÉ"



"A moça abatida, num acesso de tosse, chegara ao “Luiz Gonza­ga” com a receita médica.
Estava tuberculosa.
Duas hemoptises já haviam surgido como horrível prenúncio.
O doutor indicara remédios, entretanto...
— Chico, — disse a doente — o médico me atendeu e acon­selhou-me a usar esta receita por trinta dias...
Mas, não tenho dinheiro. Você poderia arranjar-me uns cobres?
O Médium respondeu com boa vontade:
— Minha filha, hoje não tenho... E meu pagamento no ser­viço ainda está longe...
— Que devo fazer? Estou desarvorada...
Chico pensou, pensou, e disse-lhe:
— Você peça à nossa Mãe Santíssima socorro e o socorro não lhe faltará. A que horas você deve fazer a medicação?
— De manhã e à noite.
— Então você corte a receita em sessenta pedacinhos.
Deixe um copo de água pura na mesa, em sua casa e, no mo­mento de usar o remédio, rogue a proteção de Maria Santíssima.
Tome um pedacinho da receita com a água abençoada em memória dela e repetindo isso duas vezes por dia, no horário determinado, sem dúvida, pela fé, você terá usado a receita.
A enferma agradeceu e saiu.
Passado um mês, a moça surgiu no Centro, corada e refeita.
— Oh! é você? — disse o Médium.
— Sim, Chico, sou eu. Pedi o socorro de Nossa Mãe Santís­sima. Engoli os pedacinhos do papel da receita e estou perfeitamen­te boa.
— Então, minha filha, vamos render graças a Deus. E passaram os dois à oração."
("Lindos Casos de Chico Xavier", Ramiro Gama)