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sexta-feira, 29 de abril de 2016

"EM FAMÍLIA"

"A família consanguínea é a lavoura de luz da alma, dentro da qual triunfam somente aqueles que se revestem de paciência, renúncia e boa vontade.

De quando a quando, o amor nos congrega, em pleno campo da vida, regenerando-nos a sementeira do destino.

Geralmente, não se reúnem a nós os companheiros que já demandaram à esfera superior, dignamente areolados por vencedores, e sim afeiçoados menos estimáveis de outras épocas, para restaurarmos o tecido da fraternidade, indispensável ao agasalho de nossa alma, na jornada para os cimos da vida.

Muitas vezes, na condição de pais e filhos, cônjuges ou parentes, não passamos de devedores em resgate de antigos compromissos

 

Se és pai, não abandones teus filhos aos processos evolutivos da natureza animal, qual se fora menos digno de atenção que a hortaliça da tua casa.

A criança é um "trato de terra espiritual” que devolverá o que aprende, invariavelmente, de acordo com a sementeira recebida.

Se és filho, não desprezes teus pais, relegando-os ao esquecimento e subestimando-lhes os corações, como se estivessem em desacordo com os teus ideais de elevação e nobreza, porque também, um dia, precisarás da alheia compreensão para que se  te aperfeiçoe na individualidade a região presentemente menos burilada e menos atendida.

A criatura no acaso da existência é o espelho do teu próprio futuro na Terra.

Aprende a usar a bondade, em doses intensivas, ajustando-a ao entendimento e à vigilância para que a tua experiência em família não desapareça no tempo, sem proveito para o caminho a trilhar.

Quem não auxilia a alguns, não se acha habilitado ao socorro de muitos.

Quem não tolera o pequeno desgosto doméstico, sabendo sacrificar-se com espontaneidade e alegria, a benefício do companheiro de tarefa ou de lar, debalde se erguerá por salvador de criaturas e situações que ele mesmo desconhece.

Cultiva o trabalho constante, o silêncio oportuno, a generosidade sadia e conquistarás o respeito dos outros, sem o qual ninguém consegue ausentar-se do mundo em paz consigo mesmo.

Se não praticas no grupo familiar ou no esforço isolado a comunhão com Jesus, não te demores a buscar-lhe a vizinhança. a inspiração e a diretriz.

Não percas o tesouro das horas em reclamações improfícuas ou destrutivas.

Procura entender e auxiliar a todos em casa, para que todos em casa te entendam e auxiliem na luta cotidiana, tanto quanto lhe seja possível.

O lar é o porto de onde a alma se retira para o mar alto do mundo, e quem não transporta no coração o lastro da experiência dificilmente escapará ao naufrágio parcial ou total.

Procura a paz com os outros ou a sós.


Recorda que todo dia é dia de começar."


("Família", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 7 de junho de 2015

"A LIÇÃO DO ESQUECIMENTO"

    "Não fosse o olvido temporário que assegura o refazimento da alma, na reencarnação, segundo a misericórdia do Senhor que lhe orienta a reta justiça, decerto teríamos no mundo, ao invés da escola redentora, a jaula escura e extensa, onde os homens se converteriam em feras a se degladiarem indefinidamente.
       Não fosse o dom do esquecimento que envolve o berço terrestre e o ódio viveria eternizado, transformando a Terra em purgatório angustioso e terrível, onde nada mais faríamos que chorar e lamentar, acusar e gemer.
       A Divina Bondade, contudo, em cada romagem do espírito no campo do mundo, confere-lhe no corpo físico o arado novo, suscetível de valorizar-lhe a replantação do destino, no rumo do porvir.
       De existência a existência, o Senhor vela-nos caridosamente a memória, a fim de que saibamos metamorfosear espinhos em flores e aversões em laços divinos.
       O Pai, no entanto, com semelhante medida, não somente nos ampara com a providencial anestesia das chagas interiores, em favor do nosso êxito em novos compromissos.
       Com essa dádiva, Ele que nos reforma o empréstimo do ensejo de trabalho, de experiência a experiência, nos induz à verdadeira fraternidade, para o esquecimento de nossas faltas recíprocas, dia a dia.
       Aprendamos a olvidar as úlceras e as cicatrizes, as deformidades e os defeitos do irmão de jornada, se nos propomos efetivamente a avançar para diante, em busca de renovadores caminhos.
       Cada dia é como que a “reencarnação da oportunidade”, em que nos cabe aprender com o bem, redimindo o passado e elevando o presente, para que o nosso futuro não mais se obscureça.
       Nas tarefas de redenção, mais vale esquecer que lembrar, a fim de que saibamos mentalizar com segurança e eficiência a sublimação pessoal que nos cabe atingir.
       O Senhor nos avaliza os débitos, para que possamos adquirir os recursos destinados ao nosso próprio reajustamento à frente da Lei.
       Recordemos o exemplo do Céu, destruindo os resíduos de sombra que, em forma de lamentação e de queixa, emergem ainda à tona de nossa personalidade, derramando-se em angústia e doença, através do pensamento e da palavra, da voz e da atitude.
       Exaltemos o bem, dilatemo-lo e consagremo-lo nos menores gestos e em nossas mínimas tarefas, a cada instante da vida, e, somente assim, aprenderemos com o Senhor a olvidar a noite do pretérito, no rumo da alvorada que nos espera no fulgor do amanhã."

(Emmanuel, na obra  “Família”, Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

"CORRIJAMOS AGORA"

 "Em plena vida espiritual, além do caminho estreito da carne, sempre realizamos o inventário de nossas aquisições no mundo.
          Em semelhantes ocasiões, invariavelmente nos escandalizamos à frente de nós mesmos e rogamos, então, à Divina Providência, a graça do retorno à matéria mais densa, sem as vantagens terrestres que nos serviram de perda.
          É por isso que renascemos no mundo com singulares inibições congeniais.
          Aqui é um cego que pediu a medicação da sombra para curar antigos desvarios da visão.
          Ali, é um surdo que solicitou o silêncio nos ouvidos, como bênção de reajuste da própria alma.
          Mais além, somos defrontados pelo leproso que implorou do Céu a vestimenta de feridas e aflições, como remédio purificador da personalidade transviada do verdadeiro bem.
          Mais adiante, encontramos o aleijado de nascença, que suplicou a mutilação natural por serviço valioso de auto corrigenda.
          Doenças e amarguras, dificuldades e dores são meios de que nos valemos para a justa reparação de nossa vida, em nós ou fora de nós.
          Atendamos ao aviso do Evangelho, no passo em que nos adverte o Senhor: “Caminhai, enquanto tendes luz”.
          Enquanto se vos concede no mundo a felicidade de permanência no corpo físico — templo de formação das nossas asas espirituais para a vida eterna — não procureis o escândalo, a distância de vosso círculo individual!
          Escandalizemos conosco, quando a nossa conduta estiver contrária aos princípios superiores que abraçamos.
          Estranhemos nossos pensamentos, nossas palavras e nossos atos, quando não se afinem com o Mestre da Cruz, cujo modele procuramos, e, assim, amanhã não teremos a lamentar maiores faltas, alcançando a vitória sobre nós mesmos, em paz com a nossa própria consciência, em plena Vida Imperecível que nos espera ante o Mestre e Senhor."

(Emmanuel, na obra “Família”, Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

"ANTES DO BERÇO"


       "Antes do berço, quase sempre, conhece a alma humana, plenamente desperta, grande parte dos débitos que lhe induzem o coração a mergulhar nas forças do Plano Físico.
       Muitas vezes, como o auxílio dos benfeitores que lhe endossam as novas experiências, contempla o quadro de provações em que testemunhará humildade e renúncia.
       Muitos candidatos ao recomeço  aprendizagem na Terra, em semelhantes visões do limiar, tremem e choram, debatendo-se em clamoroso receio, acovardados à última hora, quando já não podem recuar nas decisões assumidas.
       É então que o afeto dos pais lhes confere doce refúgio.
       No clima nutriente do lar, aquietam as próprias ânsias, refazendo-se à luz do entendimento e da prece, para combate consigo mesmo na estrada redentora.
       Entretanto, se pais e mães, nessa hora, surgem moralmente inabilitados, entre a indiferença e a discórdia, desajustes e enfermidades poderão sobrevir na grande passagem, porquanto o aborto e o desequilíbrio aparecerão, aflitivos, sobrecarregando o nascituro de pesados gravames que, em muitas ocasiões, só a morte inesperada conseguirá reprimir.
       Pais amigos, guardai convosco, ante o berço terrestre, a oração e o carinho, a caridade e a paz, porque sois responsáveis, na luz da reencarnação, por aquele que volta, em nome do Senhor, a rogar-vos abrigo, a fim de burilar-se e servir, ofertando-vos ao mesmo tempo, as mais nobre oportunidades de salvação!..."


(Emmanuel, na obra “Família”, Autores Diversos/ Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 7 de março de 2013

"APTIDÃO E HABILITAÇÃO"

"Aptidão é a capacidade do espírito para executar essa ou aquela tarefa no plano evolutivo em que se vê situado.

Por isso mesmo, aptidão aplicada é acesso do homem a níveis mais altos, de conformidade com a Lei Divina que retribui a cada um, segundo as obras que realiza.

A Terra é vasto campo de oportunidades ao desenvolvimento de nossos recursos potenciais.

Com o fim de aperfeiçoá-los, distribui a Bondade Eterna as habilitações humanas, de acordo com as nossas petições e desejos.

Entretanto, não bastará obtê-las para que a alma se honorifique com o triunfo indispensável nesse ou naquele círculo de ação.

Deus concede os títulos, cabendo ao homem o justo dever de usá-los e enobrecê-los.

Aqui vemos um médico, dignamente formado para o sacerdócio da cura, no entanto, se o esculápio, com diploma de mérito, não suporta os enfermos, debalde receberá beneplácito da escola de medicina.

Além, anotamos um professor devidamente preparado à frente do magistério, mas se lhe falta amor para com os aprendizes, em vão terá recolhido as bênçãos da cultura.

E, em toda parte, vemos operários convocados ao trabalho, desprezando a oficina que os acolheu; mães que se ausentam do templo doméstico, hostilizando a nobre missão que o Céu lhes conferiu, e pais que desertam do lar. Fugindo deliberadamente ao apostolado afetivo que lhes poderia preparar no presente de trabalho e futuro iluminado de amor.

Segundo é fácil perceber, somos depositórios felizes de preciosas habilitações na Terra que muitas vezes menosprezamos em prejuízo próprio, esquecendo que todos possuímos aptidões para concretizar o melhor em nosso próprio caminho.

Se já podes compreender a verdade, aproveita os títulos que te foram emprestados pelo Senhor na pauta das convenções terrestres, na certeza de que, com eles, deténs contigo as mais amplas oportunidades de servir aos semelhantes e crescer para Deus.

Recorda que a enxada mais rica é simples candidata à ferrugem quando não atende à habilitação a que se destina e, fazendo da própria vida o teu instrumento de trabalho e de estudo, sem que percebas, o mundo conferir-te-á outros talentos e outros valores, armando-te de novos recursos para a conquista de novas e mais belas experiências."


("Emmanuel, na obra "Família", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

"PÁGINA AOS PAIS"


"Por maiores que sejam os compromissos que te prendam a obrigações dilatadas, na esfera dos negócios ou na vida social, consagrarás à família as atenções necessárias.

Lembrar-te-ás de que o lar não é tão somente refúgio que o arquiteto te planeou, baseando estudos e cálculos nos recursos do solo.

Encontrarás nele o templo de corações, em que as Leis de Deus te situam transitoriamente o Espírito, a fim de que aprendas as ciências da alma no internato doméstico.

"Honrarás teu pai e tua mãe..." proclama a Escritura e daí se subentende que precisamos também  dignificar nossos filhos.

Ainda mesmo se eles, depois de adultos, não nos puderem compreender, nada impede venhamos a entendê-los e auxiliá-los, tanto quanto nos seja possível, sem que por isso necessitemos coartar os planos superiores de serviço que nos alimentou o coração.

Reconhecendo o débito irresgatável para com os teus pais, os benfeitores que te entreteceram no mundo  a felicidade do berço, darás aos teus filhos, com a luz do exemplo  no dever cumprido, a devida oportunidade para a  troca de impressões e de experiências.

Se ainda não consegues oferta-lhes o culto do Evangelho em casa, asserenando-lhes as perguntas e ansiedades, com os ensinamentos do Cristo, não te esqueças do encontro sistemático em família, pelo menos semanalmente, a fim de atender-lhes as necessidades da alma.

Detém-te a registrar-lhes as indagações infanto-juvenis, louva-lhes os projetos edificantes e estimula-lhes o ânimo à pratica do bem.

Não abandones teus filhos à onda perigosa das paixões insofreadas, sob o pretexto de garantir-lhes personalidade e emancipação.

Ajuda-os e habilita-os espiritualmente para a vida de hoje e de amanhã.

Sobretudo, não adies o momento de falar-lhes e de ouvi-los, pois a hora da tormenta de provações, na viagem da Terra, se abate, mais dia menos dia, sobre a fronte de cada um, por teste de resistência moral, na obra de melhoria e resgate, elevação e aprimoramento em que nos achamos empenhados.

Preserve no aviso e na instrução, no carinho e na advertência, enquanto o ensejo te favorece, porquanto, muito dificilmente conseguimos escutar-nos uns aos outros por ocasião de tumulto ou tempestade, e ainda porque ensinar equilíbrio, quando o desequilíbrio já se instalou, significa, na maioria das vezes, trabalho fora do tempo ou auxílio tarde demais."
(Emmanuel, na obra “Família”, Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 21 de julho de 2012

"ANTES DO BERÇO"

"Antes do berço, quase sempre, conhece a alma humana, plenamente desperta, grande
parte dos débitos que lhe induzem o coração a remergulhar nas forças do Plano Físico.
Muitas vezes com o auxílio dos benfeitores que endossam as novas experiências,
contempla o quadro de provações em que testemunhará humildade e renuncia.
Muitos candidatos ao recomeço da aprendizagem na Terra, em semelhantes visões do
limiar, tremem e choram, debatendo-se em clamoroso receio, acovardados à última hora.
É então que o afeto dos pais lhes confere doce refúgio.
No clima nutriente do lar, aquietam as próprias ânsias, refazendo-se à luz do
entendimento e da prece, para o combate consigo mesmo na estrada redentora.
Entretanto, se pais e mães, nessa hora, surgem moralmente inabilitados, entre a
indiferença e a discórdia, desajustes e enfermidades poderão sobrevir na grande
passagem, porquanto o aborto e o desequilíbrio aparecerão aflitivos, sobrecarregando o
nascituro de pesados gravames que, em muitas ocasiões, só a morte inesperada
conseguirá reprimir.
Pais amigos, guardai convosco, ante o berço terrestre, a oração e o carinho, a caridade e
a paz, porque sois responsáveis, na luz da reencarnação, por aquele que volta, em nome
do Senhor, a rogar-vos abrigo, a fim de burilar-se e servir, ofertando-vos, ao mesmo
tempo, as mais nobres oportunidades de elevação...."

("Família", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"AMBIENTE CASEIRO"

       "A casa não é apenas um refúgio de madeira ou alvenaria, é o lar onde a união e o companheirismo se desenvolvem.
*
       A paisagem social da Terra se transformaria imediatamente para melhor se todos nós, quando na condição de espíritos encarnados, nos tratássemos, dentro de casa, pelo menos com a cortesia que dispensamos aos nossos amigos.
*
       Respeite a higiene, mas não transfigure a limpeza em assunto de obsessão.
*
       Enfeite o seu lar com os recursos da gentileza e do bom-humor.
*
       Colabore no trabalho caseiro, tanto quanto possível.
*
       Sem organização de horário e previsão de tarefas é impossível conservar a ordem e a tranquilidade dentro de casa.
*
       Recorde que você precisa tanto de seus parentes quanto seus parentes precisam de você.
*
       Os pequeninos sacrifícios em família formam a base da felicidade no lar."
(“Sinal Verde”, André Luiz/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 14 de maio de 2011

"DRAMA DE PAI"


"O pensamento agoniado de Paulo Silva nos buscava de longe...Antes de nossa
desencarnação, conhecêramos nele um menino terno e amigo.


Esperava-nos, na vizinhança, pela manhã, para dar-nos abraço enternecedor.

Agora, tanto tempo escoado, seria um homem maduro.

Sim, ao revê-lo, no limiar dos cinqüenta de idade, espantávamo-nos ao identificar-lhe os cabelos brancos, o corpo em terrível abatimento, o olhar embaciado de lágrimas, os gritos de louco...

Que teria ocorrido para motivar-lhe a tragédia?

A resposta vinha em grosso diário paterno, carinhosamente guardado em mesa próxima, do qual respingamos tão somente alguns tópicos mais importantes e que alinhamos aqui, a título de estudo:

18/11/1950 – Sou pai, como sou feliz!...
Recebi meu filho hoje nos braços... Meu filho!... Combinei com minha mulher,
concordamos em que terá o meu nome. Será chamado Paulo Junior.

20/02/1954 – Minha mãe julga que Cecília e eu devemos encomendar mais filhos.
Não quero. Conservarei apenas meu Paulinho, meu ídolo. Terá ele tudo o que a vida não
me deu...

05/03/1957 – Que felicidade ver Paulinho na escola! Uma inteligência!... Comprei
hoje, em nome dele, duzentas ações de uma companhia respeitável, investimento valioso
na industria.

18/11/1958 – Aniversário de meu filho. Adquiri para ele uma gleba de vinte mil
metros quadrados em Jacarepaguá. Terreno de grande futuro.

11/05/1960 – Aproveitei a situação de dois amigos que estavam com a corda no pescoço e comprei para meu filho duas casas em ótimo ponto da Tijuca. Negócio de ocasião.

14/08/1960 – Sonhei com meu pai, morto há vinte anos. Coisa esquisita! Pedia-me pensar nas crianças abandonadas, nos filhos sem ninguém, nos pequenos ao desamparo.

Acrescentava que eu posso e devo amar meu filho, mas sem esquecer que todos somos
filhos de Deus e que o mundo está repleto de criaturas necessitadas a suplicarem
socorro...

Despertei assustado.
Isso tudo, porém, é bobagem. Os mortos estão mortos. Preciso cuidar de meu filho e de nada mais.

15/04/1961 – Viva a boa sorte!... Duas viúvas em aperto venderam-me as residências por ninharia. Verdadeiras mansões! Escrituras lavradas em nome de Paulinho. Meu filho será um grande proprietário.

17/06/1962 – Mais terrenos para meu filho. Duas glebas em Teresópolis.

19/07/1962 – Adquiri quatrocentas ações, em nome de Paulinho, de industrias têxteis do interior de Minas Gerais.

20/01/1963 – Freiras de um asilo vieram pedir-me socorro, em favor de meninos órfãos. Não dei coisa alguma e nem dou. Meu filho não será prejudicado por desfalques de caridade.

22/02/1964 – Os espíritas que constroem em abrigo para crianças vadias chegaram em comissão, rogando auxílio. Achei-lhes uma graça! Minha resposta foi não, como sempre. Tudo o que me vier às mãos será de Paulinho.

18/11/1965 – Quinze anos. Bolo e feliz aniversário de meu filho! Adquiri para ele,
hoje à tarde, boa fazenda no interior fluminense.

20/11/1965 – Sonhei novamente com meu pai, dizendo-me para não esquecer do ensinamento evangélico que indica na caridade a força capaz de cobrir as nossas faltas e renovar o nosso destino. Lembro-me perfeitamente das palavras dele, afirmando que é preciso ajudar aos que sofrem na Terra para receber o auxílio dos que moram no Céu.

Tolices!... Acredito que a conversa dos espíritas, anteontem, me influenciou negativamente.

31/12/1965 – Adquiri mais duas casa para meu filho. Pechincha com que eu não contava.

04/03/1967 – Paulinho brilhando nos estudos secundários. Que carreira seguirá?

Acima de tudo, quero que seja um homem rico. Não acredito em poder superior ao poder do dinheiro.

06/04/1967 – Comprei dois carros para o meu filho, um para a cidade, outro para a fazenda. Os quatro automóveis de que dispomos em família já não me pareciam dignos
dele.

18/11/1967 – Novo aniversário de Paulinho. Adquiri quatro apartamentos em nome dele. Quero meu filho cada vez mais rico, sempre mais rico.

30/01/1968 – A fortuna de meu filho, conforme o balanço último, já ultrapassa de um bilhão de cruzeiros velhos, segundo as anotações de meu contabilista.

19/04/1968 – Meus tios Arlindo e Antonio pediram-me auxílio, declarando-se em penúria. Neguei. Tenho meu filho para cuidar.

22/01/1970 – Meu Deus!... Paulinho está no hospital em estado grave!...

Aqui terminava as anotações. O resto era a provação à frente de nossos olhos.

Paulo Silva que concentrava no filho único imensa fortuna, e que, por isso mesmo,

se negava a atender a quaisquer apelos da beneficência ou da cooperação fraternal,

profundamente desequilibrado assistia, junto de nós à saída do filho morto, que

desencarnara, em plena juventude, vitimado pela hepatite."


(Irmão X, na obra "Família", Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

"DO CÉU À TERRA"


"Junto às Portas Celestiais assomam almas da Terra todos os dias. Sublimadas na


abnegação e na dor, assemelham-se a anjos nascituros que o flagelo da retaguarda


deixou sem nome...


Agora, as cruzes do trabalho destacam-se-lhes dos ombros, à feição de asas alvíssimas,


com que aspiram aos supremos vôos no rumo da Eternidade...


Enlevadas, auscultam constelações distantes, lares suspensos da Criação que lhes


sugerem, enfim, a ventura perfeita, e ouvem, extáticas, a musica das esferas, convidandoas


à luz da divina ascensão...


Todavia, na fronteira de sol, gritos de expiação alcançam-lhes o seio...


Partem da Terra escura em que a noite domina. Traduzem desespero, agonia e aflição...


Trazem pragas atrozes, notas de tempestade e soluços pungentes...


São lágrimas e anseios daqueles que fizeram no abismo da saudade, entre a grade de


trevas e o martírio da prova...


São filhos que padecem, amigos que pranteiam, companheiros em sombra e amores sob


algemas...


É então que os redimidos, quase sempre despertam para Cristo Imortal e, ao invés da


subida ao fulgor das estrelas, volvem à matéria obscura, retomam-na, apressados,


sofrendo o berço pobre em chagas de amargura, acendendo, de novo, o lume da alegria,


onde a angustia corveja, ensinando a bondade em silêncio e renúncia, indicando o


caminho ao resplendor da Altura e morrendo em louvor da Bondade Sublime,


aprendendo, com Cristo, que a virtude do amor é cessar todo ódio e que a graça do Céu é


converter o inferno de procedência humana em templo redentor de trabalho e esperança


para o Reino de Deus."


(Emmanuel, na obra "Família", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)