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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

"PROCESSOS OBSESSIVOS"

"Afirmamos que os processos obsessivos são meticulosamente planejados e que, na
trama dos acontecimentos humanos, sempre há a acção das mentes desencarnadas; a
que protegem e guiam a Humanidade, como aquelas que conspiram contra o bem estar
do homem. Não restam dúvidas quanto à vitória final dos construtores dos povos e
do homem integral, pela vinculação mantida com a Divindade que os inspira e, a
seu turno, os conduz.

Os outros, os que ainda se estribam na violência, recebem, igualmente, os
nobres impulsos para a perfeição, demorando-se nos propósitos inferiores,
enquanto lapidam as arestas e adquirem as experiências da razão e da intuição,
liberando-se das altas cargas das sensações e paixões animalizantes, que os
asselvajam.

Lamentável é  a falta de siso dos espiritualistas e geral e de alguns
espiritistas em particular, porque, informados da sobrevivência fio Espírito ao
túmulo, bem como da sua preexistência ao berço e das naturais interferências que
consegue nas actividades humanas, não se consciencializam em definitivo,
assumindo uma atitude mental e moral que os precate, os imunize contra a
agressão desses infelizes espirituais, cuja psicosfera que produzem de par com
as emanações dos seus obsessos, gera a poluição mental que vem vitimando milhões
de incautos em trânsito pelo mundo.

Nos seus variados processos- de perseguição, utilizam-se das horas do repouso
físico aos seus desafectos do passado ou antagonistas do presente, a fim de os
surpreenderem, no parcial desdobramento pelo sono, atemorizando-os, quando não
os conseguem conduzir aos antros de sombra onde vivem, exaurindo-lhes as
resistências pela insidiosa e constante vigilância, mediante absorção
vampirizante, com que impossibilitam o repouso necessário ao equilíbrio físico e
à harmonia mental.

Aparecem-lhes com aspecto pavoroso, assumindo personificações bizarras de
demónios com figurações além das mais férteis imaginações, produzem hipnoses de
profundidade, instalam matrizes nos centros cerebrais - onde se encontram os
registros psíquicos das dívidas e erros -, que desconectam a pouco e pouco,
mediante pertinaz perseverança...

...E os pesadelos atormentam os futuros obsessos, infligindo-lhes pavores à
hora do sono. desanimando-os nos processos de paz.

Somente as acções da beneficência, a vigilância nos actos morais, a prece ungida
de fervor constituem antídotos a tais estratégias do mal, por situarem o
espírito que se enobrece em faixa vibratória superior, inacessível às suas
interferências, proporcionando uma sintonia com as mentes engrandecidas dos
Instrutores e Guardiães da criatura humana.

Enquanto não se consiga uma conscientização geral, através da educação
espiritual do ser, feita nas bases e métodos da razão, do esclarecimento e do
amor, a Terra e a sua quase totalidade de habitantes sofrerão os revezes da
própria incúria. até quando ao Senhor aprouver mudar as estruturas vigentes
através de metodologias outras que nos escapam ao entendimento."

("Calvário da Libertação", Victor Hugo/ Divaldo Franco)


segunda-feira, 15 de julho de 2013

"O ALCOOLISMO"


 "Sem nos determos no exame dos fatores sócio-psicológicos causais do alcoolismo generalizado, de duas ordens são as engrenagens que o desencadeiam, - observado o problema do ponto de vista espiritual.

Antigos viciados e dependentes do álcool, em desencarnando não se liberam do hábito, antes sofrendo-lhe mais rude imposição.

Prosseguindo a vida, embora a ausência do corpo, os vícios continuam vigorosos, jungindo os que a eles se aferraram a uma necessidade enlouquecedora. Atônitos e sedentos, alcoólatras desencarnados se vinculam às  mentes irresponsáveis, de que se utilizam para dar larga à continuação do falso prazer, empurrando-os, a pouco e pouco, do aperitivo tido como inocente ao lamentável estado de embriaguez.

Os que lhes caem nas malhas, tornam-se, por isso mesmo, verdadeiros recipientes por meio dos quais absorvem os vapores deletérios, caindo, também, em total desequilíbrio, até quando a morte advém à vítima, ou as Soberanas Leis os recambiam à matéria, que padecerá das dolorosas injunções constritoras que lhe impõe o corpo perispiritual...

Normalmente, quando reencarnados, os antigos viciados recomeçam a atividade mórbida, servindo, a seu turno, de instrumento do gozo infeliz, para os que se demoram na Erraticidade inferior...
Outras vezes, os adversários espirituais, na execução de uma programática de desforço pelo ódio, induzem os seus antigos desafetos à iniciação alcoólica, mediante pequenas doses, com as quais no transcurso do tempo os conduzem à obsessão, desorganizando-lhes a aparelhagem físio-psíquica e dominando-os totalmente.

No estado de alcoolismo faz-se muito difícil a recomposição do paciente, dele exigindo um esforço muito grande para a recuperação da sanidade.

Não se afastando a causa espiritual, torna-se menos provável a libertação, desde que, cessados os efeitos de quaisquer terapêuticas acadêmicas, a influência psíquica se manifesta, insidiosa, repetindo-se a lamentável façanha destruidora...

A obsessão, através do alcoolismo, é mais generalizada do que parece.

Num contexto social permissivo, o vício da ingestão de alcoólicos torna-se expressão de status, atestando a decadência de um período histórico que passa lento e doído.

Pelos idos de 1851, porque enxameassem os problemas derivados da alcoolofilia, Magno Huss realizou, por vez primeira, um estudo acurado da questão, promovendo um levantamento dos danos causados no indivíduo e alertando as autoridades para as conseqüências que produz na sociedade.
Os que tombam na urdidura alcoólica, justificam-lhe o estranho prazer, que de início lhes aguça a inteligência, faculta-lhes sensações agradáveis, liberando-os dos traumas e receios, sem se darem conta de que tal estado é fruto das excitações produzidas no aparelho circulatório, respiratório com elevação da temperatura para, logo mais produzir o nublar da lucidez, a alucinação, o desaparecimento do equilíbrio normal dos movimentos...

Inevitavelmente, o viciado sofre uma congestão cerebral intensa ou experimenta os dolorosos estados convulsivos, que se tornam perfeitos delírios epilépticos, dando margem a distúrbios outros: digestivos, circulatórios, nervosos que podem produzir lesões irreversíveis, graves.
A dependência e continuidade do vício conduz ao delirium tremens, resultante da cronicidade do alcoolismo, gerando psicoses, alucinações várias que culminam no suicídio, no homicídio, na loucura irrecuperável.

Mesmo em tal caso, a constrição obsessiva segue o seu curso lamentável, já que, não obstante destrambelhadas as aparelhagens do corpo, o espírito encarnado continua a ser dominado pelos seus algozes impenitentes em justas de difícil narração...

Além dos danos sociais que o alcoolismo produz, engendrando a perturbação da ordem, a queda da natalidade, a incidência de crimes vários, a decadência econômica e moral, é enfermidade espiritual que o vero Cristianismo erradicará da Terra, quando a moral evangélica legítima substituir a débil moral social, conveniente e torpe.

Ao Espiritismo cumpre o dever de realizar a psicoterapia valiosa junto a tais enfermos e, principalmente, a medida preventiva pelos ensinos corretos de como viver-se em atitude consentânea com as diretrizes da Vida Maior."



("Calvário de Libertação", Victor Hugo/ Divaldo Franco)