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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

"LUTADORES INCOMPREENDIDOS"

  "Ampliando os horizontes da vida, na Terra, muitas vezes tombaram, em plena tarefa, os vanguardeiros do progresso humano.
        Inspirados obreiros dos ideais superiores sofreram escárnio e zombaria, caindo, quase sempre, sob o fardo de aflições superlativas.
        Nicolau Copérnico, depois de demonstrar o duplo movimento dos planetas sobre si mesmos e à volta do Sol, desencarna, humilhado, após impiedosas acusações.
        Lucílio Venini, expendendo nobres e avançados conceitos sobre a vida, deixa queimar-se vivo em Tolosa, condenado por crimes de ateísmo, magia e astrologia...
        ...E o Jesuíta Fabre, Galileu, Dáscoli, Lavoisier, Fulton, experimentaram calúnias e perseguições, penetrados pelas farpas da inveja e queimados no ácido do despeito dos contemporâneos pela audácia de penetrarem horizontes ainda não vislumbrados.
        Artistas e poetas, pensadores e filósofos, cientistas e pesquisadores para atestarem a elevação dos postulados em que criam, renunciaram a todo prazer, ligados ao ideal superior que os sustentavam, sem desânimo nem rancor.
        Entre eles, os lutadores incompreendidos, Allan Kardec, o inolvidável Codificador da Doutrina Espírita, teve o coração sitiado pela ofensa gratuita, enquanto trabalhava para oferecer à Humanidade a bênção da Revelação dos Espíritos, atestando que a glória da imortalidade se faz precedida de lutas acerbas e sem limites.
        Recordando, igualmente, a figura incomparável do Embaixador Celeste que aportou em Nazaré, há dois mil anos, afirmamos que a Doutrina Espírita, que hoje no-Lo desvela, é o cisne feito de luz, que veio dos Céus à Terra, cantando a glória da Vida Imperecível para que os homens emerjam da Terra aos Céus, na semeadura do verdadeiro amor..
        Espírita! Enquanto ruge a tormenta, exulte!
        Aqueles que o apedrejam não o podem atingir.
        Os que o perseguem são benfeitores ignorados.
        Tenha fé, tenha ânimo, porque as ideias combatidas pela violência se farão triunfadoras pelos seus exemplos e renúncias.
        E, firmado no exemplo de Jesus, o Vencedor invencível, e no estoicismo de Kardec, o Codificador inesquecível, leve a Bandeira da Doutrina Espírita a todas as gentes, mesmo que, aparentemente, os seus dias se tornem pardacentos e o Sol não mais fulgure, tão turvada esteja a paisagem pelas sombras da maldade. Erga-se e entoe o hino de fé com que o Espiritismo conclama todas as criaturas ultrajadas da Terra, que aguardam os Céus o Consolador que já está com você, há cem anos, para a arrancada final da grande luta, no campo íntimo de cada alma!"

"Eurípedes Barsanulfo, na obra “Crestomatia da Imortalidade”, de Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos)

domingo, 9 de agosto de 2015

"PEDACINHO DE GENTE"

        "Colore o rosto com a luz do júbilo e fite desassombrado a criança que busca agasalho nos braços do seu coração. Ela necessita de você.
        Não se esquive de acarinhá-la, apresentando como justificativa os problemas que se complicam no seu mundo íntimo.
        Esse bloco de argila frágil, onde se guarda uma fagulha eterna, confia nos recursos da sua eficiência de oleiro experiente.
        Não lhe atire pedrouços nem lhe arremesse dardos pontiagudos que lhe enfraqueçam a resistência.
        Você embelezará a própria alma, buscando a alma dos pequeninos do seu caminho.
-0-
        Antes, dizia-se que a criança era “um homem em miniatura” e crivavam-na com os espinhos da indiferença, perseguindo-a com o sarcasmo. Ainda hoje não faltam aqueles que a hostilizam, exigindo entendimento sem desejarem entender...
        E nessa luta da brutalidade contra a fraqueza desses pedacinhos de gente sucumbe o amanhã, porque as aflições e os receios que agora lhes povoam as mentes se transformarão em fantasmas vitoriosos mais tarde.
        No seu calendário, a Civilização oferece uma Semana da Criança, com hinos de alegria e músicas festivas...
        Dê porém, todo dia, o melhor do seu melhor sentimento, a esse pequenino rei.
        Ajude-o com bondade, mas ofereça-lhe exemplos de dignificação humana.
        Muitos pais desatentos, por excessivo carinho, tem convertido esses reizinhos do amor em títeres da paz.
        Faça diferente deles.
        Descerre-lhes os olhos ao discernimento para o culto do dever e ensine-os a colher as flores passageiras da infância, com aproveitamento para o futuro.
        Uma infância malsinada significa uma existência perdida.
        Abra os braços e receba, também, as crianças da rua, maltrapilhas e sofredoras, que alguns precipitados chamam “filhos de ninguém” e ensine-as a orar, se outra coisa você não puder ou não quiser fazer.
        Não se situe, porém, longe deles.
        A criança espera por você.
        Avance na sua direção e ame-a.
        Enquanto na Manjedoura Jesus era uma criança indefesa a sorrir. Todavia, ali estava na furna humílima o futuro herói da Cruz e Sublime Embaixador do Céu, convertido momentaneamente em um pedacinho de gente aguardando a estrela fulgurante do Reino Celestial."

(Amélia Rodrigues, na obra  “Crestomatia da Imortalidade”, Espíritos Diversos/ Divaldo Pereira Franco)