"Guardo-te, Mãe, a voz suave
e mansa:
“Fala o nome de Deus, minha
querida! ”
Repete: “Deus é a luz de
nossa vida! ”
Como choro ao rever-te na
lembrança!
Beijavas-me, depondo-me na
rede...
Depois corrias ao fogão de
brasa.
Sopa era o pão de sempre em
nossa casa
E eu te olhava a chorar, com
febre e sede.
Mandaste-me ao estudo com
mesada,
Pedias mais serviço aos teus
clientes
E nunca vi teus braços
doentes
De tanto costurar na
madrugada.
Entrei no clima da cidade
grande...
Quanta humildade no que me
escrevias,
Narrando-me tristezas e
agonias,
Entretanto, a secura se me
expande.
Vieste ver-me e comentando a
viagem,
Reprovei-te o roupão de
seriguilha...
Eu vestida de seda — tua
filha —
Corrigia-te os erros de
linguagem.
Ficaste triste, andando a
passo lento,
E regressaste logo ao teu
recanto.
Notando que saías, vi-me em
pranto,
Alma ralada no
arrependimento...
Hoje, Mãe, quero ouvir o teu
perdão! ...
E por mais que te chame,
chore e brade,
Só vejo em mim a sombra da
saudade
Que me oprime e retalha o
coração!..."
(“Senda para Deus”, Maria Barreto/Francisco Cândido
Xavier)
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