terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"SACRIFÍCIO DE MÃE"

"Guardo-te, Mãe, a voz suave e mansa:
“Fala o nome de Deus, minha querida! ”
Repete: “Deus é a luz de nossa vida! ”
Como choro ao rever-te na lembrança!

Beijavas-me, depondo-me na rede...
Depois corrias ao fogão de brasa.
Sopa era o pão de sempre em nossa casa
E eu te olhava a chorar, com febre e sede.

Mandaste-me ao estudo com mesada,
Pedias mais serviço aos teus clientes
E nunca vi teus braços doentes
De tanto costurar na madrugada.

Entrei no clima da cidade grande...
Quanta humildade no que me escrevias,
Narrando-me tristezas e agonias,
Entretanto, a secura se me expande.

Vieste ver-me e comentando a viagem,
Reprovei-te o roupão de seriguilha...
Eu vestida de seda — tua filha —
Corrigia-te os erros de linguagem.

Ficaste triste, andando a passo lento,
E regressaste logo ao teu recanto.
Notando que saías, vi-me em pranto,
Alma ralada no arrependimento...

Hoje, Mãe, quero ouvir o teu perdão! ...
E por mais que te chame, chore e brade,
Só vejo em mim a sombra da saudade
Que me oprime e retalha o coração!..."


(“Senda para Deus”, Maria Barreto/Francisco Cândido

Xavier)

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