segunda-feira, 15 de junho de 2015

"LIXO E LUXO"




"Às vezes, dizes: “Trabalho
 É carroção que não puxo.”
 E avanças devagarinho
 Para a gaiola do luxo.
 Lá dentro, acabas suando,
 Qual estudante no espicho,
 Aprendendo, muito tarde,
 Que o ócio é cama de lixo.

 Entornas grandes promessas
 Em fala, sonho, debuxo,
 No entanto, buscas, primeiro,
 Conforto, destaque, luxo...
 Consomes a força e o tempo
 Em sono, prato, cochicho,
 E, um dia, clamas debalde
 No escuro montão do lixo.

 Anseias dinheiro a rodo,
 Cheque e cheque em papelucho,
 Regalo de toda espécie,
 Caminho talhado em luxo...
 Mas, depois de tanto fausto,
 Tanto enfeite, tanto nicho,
 Mergulhas além da morte
 Na grande maré do lixo.

 Não conserves a existência
 Por tesouro no cartucho.
 Muita gente afunda e morre
 No antigo atascal do luxo.
 O bem de todos é a lei
 Que a vida guarda a capricho.
 Repara que todo excesso
 Vem do luxo e cai no lixo."


 ( "Antologia dos Imortais", Erasmo Junior/Francisco Cândido Xavier) 

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