"Todos somos irmãos, constituindo uma família só, perante
o Senhor; mas, até alcançarmos a fraternidade suprema, estagiaremos, através de
grupos diversos, de aprendizado em aprendizado, de reencarnação a
reencarnação.
Temos, assim, no cotidiano, a companhia daquelas
criaturas que mais estranhamente se nos associam ao trabalho, chamem-se esposo
ou esposa, pais ou filhos, parentes ou companheiros. E, por muito se nos
impessoalizem os sentimentos, somos defrontados em família pelas ocasiões de
prova ou de crises, em que nos inquietamos, gastando tempo e energia para vê-los
na trilha que consideramos como sendo a mais certa. Se já conquistamos, porém,
mais amplas experiências, é forçoso, a fim de ajudá-los, cultivar a bondade e a
paciência com que, noutro tempo, fomos auxiliados por
outros.
Suportamos dificuldades e desacertos para atingir
determinados conhecimentos, atravessamos tentações aflitivas e, em alguns casos,
sofremos queda imprevista, da qual nos levantamos somente à custa do amparo
daqueles que fizeram da virtude não uma alavanca de fogo, mas sim um braço
amigo, capaz de compreender e de sustentar.
Lembremo-nos, sobretudo, de que os nossos entes amados
são consciências livres, quais nós mesmos. Se errados, não será lançando
condenações que poderemos reajustá-los; se fracos, não é aguardando deles
espetáculos de força que lhe conferiremos valor; se ignorantes, não é lícito
pedir-lhes entendimento, sem administrar-lhes educação; e, se doentes, não é
justo esperar testemunhem comportamento igual ao da criatura sadia, sem, antes,
suprimir-lhes a enfermidade.
Em qualquer circunstância, é necessário observar e
observar sempre que fomos transitoriamente colocados em regime de intimidade, a
fim de aprendermos uns com os outros e amparar-nos
reciprocamente.
À vista disso, quando o mal se nos intrometa na seara
doméstica, evitemos desespero, irritação, desânimo e ressentimento, que não
oferecem proveito algum, e sim recorramos à prece, rogando à Providência Divina
nos conduza e inspire por seus emissários; isso para que venhamos a agir, não
conforme os nossos caprichos, e sim de conformidade com o amor que a
vida nos preceitua, a fim de fazermos o bem que nos compete
fazer."
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