domingo, 7 de julho de 2013

"A PARTE DOS OUTROS"

  "Era músico integralmente consagrado à arte divina.
        Apaixonado pelo estudo.
        Engolfado nos exercícios.
        Clarinetista respeitado.
        Afinador exímio.
        Certa feita, contudo, num grande concerto, embevecido na partitura, tocou sem qualquer propósito e absolutamente distante do papel musical que lhe competia, como se toda a música lhe pertencesse.
        Convidado pelo maestro a abandonar o conjunto, indagou pela causa da pena que lhe era assim aplicada, recebendo esta resposta:
        — O senhor está destruindo a peça por não respeitar as pausas e perturbar consequentemente a execução do trabalho indicado aos demais companheiros.
*
        Não nos esqueçamos de que, em qualquer tarefa espiritual tanto quanto na orquestra, todos estamos interligados na disciplina. Cada qual de nós é instrumento com objetivos determinados.
        Se você deseja realmente servir ao conjunto, aprenda a observar as notas e as pausas que lhe competem, a fim de que você não perturbe a parte dos outros."
(“Bem-aventurados os simples”, Valérium/Waldo Vieira)

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