"Era músico
integralmente consagrado à arte divina.
Apaixonado pelo estudo.
Engolfado nos exercícios.
Clarinetista respeitado.
Afinador exímio.
Certa feita, contudo, num grande concerto, embevecido na
partitura, tocou sem qualquer propósito e absolutamente distante do papel
musical que lhe competia, como se toda a música lhe
pertencesse.
Convidado pelo maestro a abandonar o conjunto, indagou
pela causa da pena que lhe era assim aplicada, recebendo esta
resposta:
— O
senhor está destruindo a peça por não respeitar as pausas e perturbar
consequentemente a execução do trabalho indicado aos demais
companheiros.
*
Não
nos esqueçamos de que, em qualquer tarefa espiritual tanto quanto na orquestra,
todos estamos interligados na disciplina. Cada qual de nós é instrumento com
objetivos determinados.
Se
você deseja realmente servir ao conjunto, aprenda a observar as notas e as
pausas que lhe competem, a fim de que você não perturbe a parte dos
outros."
(“Bem-aventurados os simples”, Valérium/Waldo Vieira)
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