segunda-feira, 5 de março de 2012

"O FUNILEIRO"





"Gaudencia era um homem robusto que, desde a primeira juventude, procurava aprimorar a si mesmo, através dos estudos, entretanto, a escola se fizera inacessível aos seus recursos.
Sequioso de trabalho bateu às portas de um funileiro amigo.
Admirava-lhe a assiduidade no trabalho. Recolheu-lhe os ensinamentos e adotou-lhe a profissão.
Gaudencia organizou a própria oficina, na própria casa de moradia, alugando a casa modesta em que passou a residir com a própria família, na periferia de grande cidade, na qual para logo conquistou excelente clientela.
Entretanto, um obstáculo apareceu.
A vizinhança não se conformava com as batidas do funileiro, sobre chapas de ferro e peças de funilaria.
Às seis horas da manhã de cada dia, começava a barulhada.
Gaudencia empunhava o martelo e moldava, com mestria, peças de utilidade doméstica ou consertava-as com habilidade e bom gosto.
Os vizinhos, principalmente dois deles, reclamavam constantemente, Como agüentar aquela festa de pancadas, todas a manhãs? Não seria conveniente chamar o funileiro e pedir-lhe o controle das horas, para aquelas exibições de batidas? Aquele trecho de rua possuía doentes numerosos, incluindo crianças vítimas de insônia e nervosismo. Não seria compreensível recorrer à proteção policial?
A situação prosseguia quando o sistema hidráulico das residências dos amigos a que nos reportamos apresentou desequilíbrio que requisitava a competência de um encanador habilitado a sana-lo.
Canos de água se desgovernavam e os esgotos estavam longe de cumprir a própria função.
Lembraram Gaudencia.
Não era ele o profissional indicado ao reajuste preciso?
O conhecido funileiro aceitou a incumbência e por seis dias de trabalho caprichoso, recompôs a rede de águas, amparando-lhe os processos de ação.
No dia em que os dois amigos lhe pediram o preço dos serviços com as horas extras que despendera espontaneamente, Gaudencia lhes respondeu:
-Não pensem nisso,. Prometi a Deus que todo o meu trabalho seria gratuito para os amigos, especialmente para os necessitados.
Ambos os amigos se entreolharam boquiabertos já que o trabalho realizado valia verdadeira fortuna e, desde aquele dia, Gaudencia ganhou dois amigos que lhe ampararam toda a vida."
("A Semente de Mostarda", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

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