segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"O AMIGO SUBLIME"


          "É sempre o amigo sublime.
          Educa sem ferir-nos.
          Diverte, edificando-nos o caráter.
          Revela-nos o passado e prepara0-nos, diante do porvir.
          Repete-nos o que Sócrates ensinou nas praças de Atenas.
          Descobre-nos ao olhar maravilhado as civilizações que passaram. O Egito resplandecente dos faraós, a Grécia dos filósofos e artistas, a Jerusalém dos hebreus, desfilam ante a nossa imaginação, ao seu toque espiritual.
          Conta-nos o que realizou Moisés, o grande legislador.
          Lembra-nos a palavra de Platão e Aristóteles.
          Junto dele, aprendemos quanto sofreram nossos antepassados, na conquista do bem-estar de que gozamos presentemente.
          Descreve-nos a inutilidade das guerras nascidas do ódio que devastaram o mundo. Aconselha-nos quanto a sementeira de tranquilidade e alegria. Ajuda-nos no entendimento de nós mesmos e na compreensão de nossos vizinhos. Dá-nos coragem para o trabalho, e humildade no caminho da experiência.
          Sem ele, perderíamos as mais belas notícias de nossos avós e a obra da vida não alcançaria a necessária significação; passaríamos na Terra, em pleno desconhecimento uns dos outros, e a lição preciosa dos homens mais velhos não chegaria aos ouvidos dos mais novos; a religião e a ciência provavelmente não surgiriam à luz da realidade; os mais elevados ideais do espírito humano morreriam sem eco; a indústria, o comércio e a navegação não possuiriam pontos de apoio.
          É o traço de união, entre os que ensinam e aprendem, entre os milênios que já se foram e o dia que vivemos agora.
          É, ainda, a esse amigo abençoado que devemos a coleção de notícias e ensinamentos de Jesus, que renovam a Terra para o Reino Divino.
          Esse inesquecível benfeitor do mundo é o livro edificante. Por isto, não nos esqueçamos de que todo livro consagrado ao bem é um companheiro iluminado de nossa vida, merecendo a estima e o respeito universal.
(“Alvorada Cristã”,  Neio Lúcio/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 9 de agosto de 2015

"PEDACINHO DE GENTE"

        "Colore o rosto com a luz do júbilo e fite desassombrado a criança que busca agasalho nos braços do seu coração. Ela necessita de você.
        Não se esquive de acarinhá-la, apresentando como justificativa os problemas que se complicam no seu mundo íntimo.
        Esse bloco de argila frágil, onde se guarda uma fagulha eterna, confia nos recursos da sua eficiência de oleiro experiente.
        Não lhe atire pedrouços nem lhe arremesse dardos pontiagudos que lhe enfraqueçam a resistência.
        Você embelezará a própria alma, buscando a alma dos pequeninos do seu caminho.
-0-
        Antes, dizia-se que a criança era “um homem em miniatura” e crivavam-na com os espinhos da indiferença, perseguindo-a com o sarcasmo. Ainda hoje não faltam aqueles que a hostilizam, exigindo entendimento sem desejarem entender...
        E nessa luta da brutalidade contra a fraqueza desses pedacinhos de gente sucumbe o amanhã, porque as aflições e os receios que agora lhes povoam as mentes se transformarão em fantasmas vitoriosos mais tarde.
        No seu calendário, a Civilização oferece uma Semana da Criança, com hinos de alegria e músicas festivas...
        Dê porém, todo dia, o melhor do seu melhor sentimento, a esse pequenino rei.
        Ajude-o com bondade, mas ofereça-lhe exemplos de dignificação humana.
        Muitos pais desatentos, por excessivo carinho, tem convertido esses reizinhos do amor em títeres da paz.
        Faça diferente deles.
        Descerre-lhes os olhos ao discernimento para o culto do dever e ensine-os a colher as flores passageiras da infância, com aproveitamento para o futuro.
        Uma infância malsinada significa uma existência perdida.
        Abra os braços e receba, também, as crianças da rua, maltrapilhas e sofredoras, que alguns precipitados chamam “filhos de ninguém” e ensine-as a orar, se outra coisa você não puder ou não quiser fazer.
        Não se situe, porém, longe deles.
        A criança espera por você.
        Avance na sua direção e ame-a.
        Enquanto na Manjedoura Jesus era uma criança indefesa a sorrir. Todavia, ali estava na furna humílima o futuro herói da Cruz e Sublime Embaixador do Céu, convertido momentaneamente em um pedacinho de gente aguardando a estrela fulgurante do Reino Celestial."

(Amélia Rodrigues, na obra  “Crestomatia da Imortalidade”, Espíritos Diversos/ Divaldo Pereira Franco)

sábado, 8 de agosto de 2015

"PONTE SUSPENSA"


"Dedica-te  a  estreitar
A  distância  entre  os  outros.

Promove  o  entendimento
Das  partes  em  conflito.

Não  instigues  ninguém
A  maior  desavença.


Se  o  bem  se  lhe  impõe
O  mal  não  se  propaga.

Sê  um  traço de  luz
Onde  a  treva  se  estende...

Uma  ponte  suspensa
Entre  as  margens  do  abismo."

(Pão da Alma", Irmão José/Carlos A. Baccelli)

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

"REALIDADE E NÓS"

"Aspiras a união com Jesus e, consequentemente, à vitória da paz em ti mesmo.
Para conseguir semelhante realização, será preciso, porém, penetrar mais profundamente no significado das palavras do Cristo: “e aquele que quiser vir em meus passos, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.
A fim de que os liames inferiores da personalidade sejam desatados, de modo a empreendermos a marcha na direção do Senhor, é necessário, entretanto, desarraigá-los de nossa realidade e não da realidade dos outros.
Por isso mesmo, se nos propomos renovar-nos, é imperioso deixar que os demais livremente se renovam.
-o-
Não tiveste o pai que desejarias e nem a progenitora que esperavas? Ama-os, tais quais se revelam, e abençoa-os pelo bem que te fizeram, trazendo-te à escola humana.
-o-
Não achaste o esposo ou a esposa, na altura de teus ideais? Aceita o companheiro ou a companheira que a vida te deu, exercendo a tolerância e o amor, observando que todos somos ainda espíritos incompletos, na oficina da evolução.
-o-
Não possuis nos filhos os seres afins com que sonhavas? Acolhe-os como são e dá-lhes a melhor ternura da própria alma, na certeza de que também eles estão a caminho da perfeição que para nós todos ainda vem muito longe.
-o-
Não vês nos irmãos e nos amigo os gênios de bondade e abnegação que supunhas? Abraça-os, qual se mostram e oferece-lhes o apoio fraterno que se te faça possível, sem algemá-los a pontos de vista.
-o-
Cada criatura vive na realidade que lhe é característica. Em toda parte, cada um de nós em sua luta, em sua dificuldade, em sua prova, em seu problema.
Enquanto nos pomos a censurar, não conseguimos entender.
Enquanto exigimos, não aprendemos a auxiliar.
-o-
Deixemos cada companheiro ou companheira de caminho, na realidade que lhes toca e, amando e abençoando a todos, atendamos à realidade que nos diga respeito, reconhecendo que não nos achamos no educandário da experiência para dar as lições outras que, pelas aulas do dia-a-dia, a própria vida confere a nós."

(“Mãos Unidas”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

"RECANTO DE PAZ"

"Há quem pergunte como servir à causa da paz.
        Semelhante tarefa não será privativa daqueles que se encarregam da direção do Mundo?
        A paz do Mundo, no entanto, é a soma de todos os esforços das criaturas, nos domínios da pacificação.
        Reflitamos nisso e atendamos à nossa parte, quanto se nos faça possível.
        Deixa que a fonte do amor se te desate do coração.
        Acende no cérebro a luz do pensamento reto.
        Transforma o trabalho de cada dia num cântico de bênçãos.
        Observa os compromissos assumidos por leis da própria consciência.
        Transita nas vias do bem aos semelhantes.
        Respeito o tipo de existência que os outros escolheram para si mesmos,  como desejas que a tua própria vida seja respeitada.
        Ergue em ti um sinal vermelho para os comentários infelizes.
        Hospitaliza agressores e maldizentes em tua clínica de orações.
        Não desperdices a riqueza do tempo, comprando remorso com queixas inúteis.
        Veste a armadura da paciência para que consigas agir e reagir construtivamente, onde te encontres.
        Instala a boa palavra nas estruturas verbais que te manifestam.
        Ouve com atenção, aguardando sem  pressa a tua vez de falar.
        Não desconsideres pessoa alguma.
        Resguarda no arquivo da prece os obstáculos e problemas que te desagradam, a fim de que não te destaques por motivo de aflição nas estradas alheias.
        Aceitas os outros tais quais são, sem o propósito de corrigi-los ou aperfeiçoá-los à força.
        Aprende com modéstia e ensina sem exigência.
        Auxilia sem cobrança.
        Não solenizes as provações de que necessitas para melhorar o próprio caminho.
        Diante das ofensas, imuniza-te na terapêutica do perdão.
        Espera o momento propício destinado a esclarecer o ponto difícil que haja surgido em teu relacionamento com os demais.
        Não exijas do próximo aquilo que o próximo ainda não possui para dar.
        Não mentalizes o mal com inquietações imaginárias, e sim colabora na construção do melhor que deve acontecer.
        Serve sem dependurar algemas nos pulsos de teus irmãos.
        E, prosseguindo adiante, converter-te-ás em coluna da segurança geral.
        Em verdade, a Divina Providência não pede para que te transformes, de imediato, numa estrela que dissipe as sombras da perturbação onde assombras da perturbação estejam dormindo na Terra. O Céu espera sejas, ainda hoje, onde estiveres, um recanto vivo da paz."

(Emmanuel, na obra  “Diálogo dos Vivos”, Espíritos Diversos/ Francisco Cândido Xavier e  J. Herculano Pires)

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

"COMO LÊS?"

“E Ele lhe disse:- Que está escrito na Lei? Como lês?” – Lucas, 10:26.


          "A interrogação do Mestre ao doutor de Jerusalém dá ideia do interesse de Jesus pela nossa maneira de penetração da leitura.
*
          Sem nos referirmos ao círculo vasto de pessoas ainda indiferentes às lições do Evangelho, podemos reconhecer, mesmo entre os aprendizes, as mais diversas tendências no que se refere ao problema dos livros.
*
          Os leitores distanciam-se uns dos outros pelas expressões mais heterogêneas.
          Uns pedem consolação, outros procuram recreio.
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          Há os que buscam motivos tristes por cultivar a dor, tanto quanto os que se arvoram em caçadores de gargalhadas.
*
          Surgem os que reclamam tóxicos intelectuais, os que andam em busca de fantasias, os que insistem por incentivos à polêmica envenenada.
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          Raros leitores pedem iluminação.
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          Sem isto, entretanto, podem ler muito, saturando o pensamento de teorias as mais estranhas. Chega o dia em que reconhecem a pouca substancialidade de seus esforços, porque, sem luz, o conforto pode induzir à preguiça, ao entretenimento, à ventura menos digna, à tristeza, ao isolamento, ao riso e ao deboche.
*
          Com a iluminação espiritual, todavia, cada cousa permanece em seu lugar, orientada no sentido próprio de utilidade justa.
*
          Lembra que quando te aproximes de um livro estás sempre pedindo alguma cousa. Repara, com atenção, o que fazes.
*
          Que procuras? Emoções, consolo, entretenimento? Não olvides que o Mestre pode também interrogar-te:- “Como lês?”
(“Alma e Luz”, Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

"CONCORDAR EM DISCORDAR, SEM BRIGAR"


        "Eis uma fórmula de se viver em paz; concordar em discordar sem brigar.
        Quando concordarmos em que as pessoas discordem de nós, e aceitamos ouvir com naturalidade os motivos que as levam a não estarem de acordo conosco, é bem possível que aprendamos muita coisa. Podemos também ensinar, pois quando duas pessoas se dispõem a conversar, falando e ouvindo, com isenção de ânimo, naturalmente, dessa troca de opiniões e experiências, muita luz se fará para ambas as partes.
        Convenhamos que não damos um passo à frente, quando nos fixamos num ponto e ali permanecemos obstinados, não admitindo que possamos estar errados.
        Da troca de ideias com outros, poderíamos reformular nossos pontos de vista, ou reafirmá-los na convicção de que estamos certos.
        Não cristalizemos nossos conhecimentos!
        Através do diálogo amigo, racional, educado e sem pretensão, melhoraríamos nossa visão da vida e das coisas, e também ajudaríamos a enriquecer o patrimônio de outrem.
        Aquele que se fecha e não admite o diálogo de pontos de vista, revidando ofensivamente qualquer aproximação, qualquer discordância relativa a seu modo de pensar, ainda não se capacitou de que ninguém evolui sozinho; não compreendeu a própria observação consciente dos desequilíbrios, que nos leva ao esforço retificador e promove o reequilíbrio. Portanto, sejamos compreensivos e não esperemos que batam palmas a tudo o que fizermos ou dissermos. Aceitemos como amigos os que discordarem de nós, amigos que nos vêm oferecer algo muito valioso — a oportunidade de entendermos que todos têm sua maneira particular de ser e cada pessoa é a mensagem de sua vida, e que tudo é válido, entre acertos e desacertos, no concerto de valores.
        Procuremos ser simples, humildes, autênticos e deixemos que os outros também ajam da mesma forma, dizendo o que pensam das nossas palavras e dos nossos atos.
        Não mudaremos o nosso modo de ser, não trocaremos nossa personalidade; mas poderemos aprimorar o que somos e o que sabemos, se concordarmos em discordar sem brigar."
(“Conversa com a vida”, Cenyra Pinto)