segunda-feira, 15 de setembro de 2014

"INTERCESSÃO"



“Irmãos, orai por nós.”
Paulo (I Tessalonicenses, 5:25)


"Muitas criaturas sorriem ironicamente quando se lhes fala das orações intercessórias.
O homem habituou-se tanto ao automatismo teatral que encontra certa
dificuldade no entendimento das mais profundas manifestações de espiritualidade. A prece intercessória, todavia, prossegue espalhando benefícios com os seus valores inalterados.
Não é justo acreditar seja essa oração o incenso bajulatório a derramar-se na presença de um monarca terrestre a fim de obtermos certos favores.
A súplica da intercessão é dos mais belos atos de fraternidade e constitui a emissão de forças benéficas e iluminativas que, partindo do espírito sincero, vão ao objetivo visado por abençoada contribuição de conforto e energia. Isso não acontece,
porém, a pretexto de obséquio, mas em conseqüência de leis justas. O homem custa a crer na influenciação das ondas invisíveis do pensamento, contudo, o espaço que o cerca está cheio de sons que os seus ouvidos materiais não registram; só admite o auxilio tangível, no entanto, na própria natureza física vêem.se árvores venerandas
que protegem e conservam ervas e arbustos, a lhes receberem as bênçãos da vida, sem lhes tocarem jamais as raízes e os troncos.
Não olvides os bens da intercessão.
Jesus orou por seus discípulos e seguidores, nas horas supremas."
("Pão Nosso",  Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 14 de setembro de 2014

"A CARTA DO MUNDO"

"Em todos os departamentos da Terra, reconhecemos a cooperação dos grandes missionários com a Sabedoria Divina.

De época a época, de civilização a civilização, vemo-los, à maneira de abelhas laboriosas e felizes, retirando o mel da ciência nas flores maravilhosas da vida, esparsas no campo infinito da Natureza.

O mundo sofria as calamidades mefíticas, mas a Medicina respeitável saneou o pântano e continua vencendo a enfermidade e a morte.

Vagueava a fome entre populações exaustas; todavia, o comércio esclarecido solucionou o problema doloroso.

Os perigos do mar afligiam os continentes, dificultando as comunicações; entretanto, o navio rápido venceu o dorso do abismo.

As sombras noturnas invadiam as cidades e os campos, desafiando as lanternas bruxuleantes; contudo, a lâmpada de Edison resplandeceu, expulsando as trevas.

Moviam-se as máquinas primitivas, pesadamente, extorquindo copioso suor dos servos cativos; no entanto, a energia elétrica diminuiu os sacrifícios do braço escravizado.

Questões difíceis dos povos atormentavam as administrações nas metrópoles distantes entre si; mas o avião, qual poderosa ave metálica, cortou os céus, eliminando a separação.

A cultura exigia canais para beneficiar as mais diversas regiões do Planeta e o rádio respondeu às reclamações, unindo os países uns aos outros.

Corações apartados no plano material padeciam angústias, sequiosos de intercâmbio, e o telefone, de algum modo, curou semelhante ansiedade.

Nos hospitais e nos lares, a dor física torturava milhões de sofredores; a anestesia, porém, aliviou-lhes o padecimento.

Em todos os ângulos da evolução terrestre, observamos o concurso dos apóstolos humanos nas edificações divinas. Transitam nas artes ë nas ciências, no comércio e na indústria, no solo e nas águas, construindo, colaborando e melhorando, sob os desígnios superiores que nos assinalam os destinos.

Para quase todos os flagelos que atormentam a Humanidade, encontraram lenitivo e socorro.

Todavia, para um deles, todo o esforço tem sido vão. Monstro de mil tentáculos, envolve as criaturas desde o sílex, rastejando entre as nações cultas de hoje, como se arrastava entre as tribos selvagens de ontem. Envenena as fontes da mais adiantada cultura, turva a mente dos pensadores mais nobres, obscurece o sentimento dos mais fiéis mordomos da economia terrestre, investe as posições mais simples, tanto quanto as situações mais altas. Não reconhece a inteligência, nem a sensibilidade; alimenta-se de ódio e ruínas, mastiga violência e morte em todas as latitudes do Globo. Derruba templos e oficinas, lares e escolas, pratica ignominiosos crimes com assombrosa indiferença. Ri-se das lágrimas, espezinha ideais, tritura esperanças...

Esse é o monstro da guerra que asfixia a Europa e a América com a mesma força com que constringia a garganta do Egito e da Babilônia.

Por cercear-lhe a ação esmagadora, organizam-se ligas e cruzadas, tratados e alianças em todos os tempos; improvisam-se conferências em Londres e Paris. Em Washington e Moscou, renova-se a geografia e modificam-se os sistemas políticos.

O flagelo, contudo, prossegue dominando, destruindo, esfrangalhando, matando...

Para extinguir-lhe a existência nefasta, só existe um recurso infalível – a aplicação dos princípios curativos e regeneradores do Médico Divino. Esses princípios começam na humildade da manjedoura, com escalas pelo serviço ativo do Reino de Deus, com o auxilio fraterno aos semelhantes, com a adaptação à simplicidade e à verdade, com o perdão aos outros, com a cruz dos testemunhos pessoais, com a ressurreição do espírito, com o prosseguimento da obra redentora através da abnegação e da renúncia, da longanimidade e da perseverança no bem até ao fim da luta, terminando na Jerusalém libertada, símbolo da Humanidade redimida.

Será, todavia, remédio das nações, quando as almas houverem experimentado a sua essência divina.

Não é receituário atuando, problematicamente, de fora para dentro. É medicação viva, renovando de dentro para fora.

Não é demagogia religiosa. É vida permanente.

Não se trata de plataforma verbalista e, sim, de transformação substancial.

Jesus encontrou os discípulos, um por um.

O indivíduo é coluna sagrada no templo do Cristianismo.

Negue cada qual a si mesmo – disse-nos o Mestre –, tome a sua cruz e siga-me.

Eis por que o Evangelho é a Carta do Mundo que glorificará a paz na Terra, depois de impressa no Coração do Homem."


("Pontos e Contos", Irmão X/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 13 de setembro de 2014

"PARA SER FELIZ"

“E não nos cansemos de fazer o bem, porque há seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido”. – PAULO. (Gálatas, 6.9).


"Confia em Deus.

Aceita no dever de cada dia a vontade do Senhor para as horas de hoje.

Não fujas da simplicidade.

Conserva a mente interessada no trabalho edificante.

Detém-te no “lado bom” das pessoas, das situações e das coisas.

Guarda o coração sem ressentimento.

Cria esperança e otimismo onde estiveres.

Reflete nas necessidades alheias, buscando suprimi-las ou atenua-las.

Faze todo o bem que puderes, em favor dos outros sem pedir remuneração.

Auxilia muito.

Espera pouco.

Serve sempre.

Espalha a felicidade no caminho alheio, quanto seja possível.

Experimentemos semelhantes conceitos na vida prática e adquiriremos a luminosa ciência de ser feliz."



(Emmanuel, na obra "Caminho Espírita", Autores Diversos/ Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

"ANTE A FAMÍLIA MAIOR"



       "Se podes transportar as dificuldades que te afligem num corpo robusto e razoavelmente nutrido, reflete naqueles nossos irmãos da família maior que a penúria vergasta.
       Diante deles, não permitas que considerações da natureza inferior te cerrem as portas do sentimento.
       Se algo possuis para dar, não atrases a obra do bem e nem te baseies nas aparências para sonegar-lhes cooperação.
       Aceitemo-los como sendo tutores paternais ou filhos inesquecíveis largados no mar alto da experiência terrestre e que a maré da provação nos devolve, qual se fossemos para eles o cais da esperança.
       Muitos chegam agressivos; entretanto, não julgues sejam eles especuladores da violência. Impacientaram-se na expectativa de um socorro que se lhes afigurava impossível e deixaram que a exasperação os enceguecesse.
       Outros se apresentam marcados por hábitos lastimáveis; todavia, não admitas estejam na posição de escravos irresgatáveis do vício. Atravessaram longas trilhas de sombra, e, desenganados quanto à chegada de alguém que lhes fizesse luz no caminho, tombaram desprevenidos nos precipícios da margem.
       Surpreendemos os que aparecem exteriormente bem-postos e aqueles que dão a ideia de criaturas destituídas de qualquer noção de higiene, mas não creias, por isso, vivam acomodados à impostura e ao relaxamento. Um a um, carregam desdita e enfermidade, tristeza e desilusão.
       Não duvidamos que  existam, em alguns raros deles, orgulho e sovinice; no entanto, isso nunca sucede no tamanho e na extensão da avareza e da vaidade que se ocultam em nós, os companheiros indicados a estender-lhes as mãos.
       Se rogam auxílio não poderiam ostentar maior credencial de necessidade que a dor de pedir.
       Sobretudo, convém acrescentar que nenhum deles espera possamos resolver-lhes todos os problemas cruciais do destino. Solicitam somente essa ou aquela migalha de amor, à feição do peregrino sedento que suplica um copo d’água para ganhar energia e seguir adiante.
       Esse pede uma frase de bênção, aquele um sorriso de apoio, outro mendiga um gesto de brandura ou um pedaço de pão...
       Abençoa-os e faze, em favor deles, quanto possas, se te esqueceres de que o Eterno Amigo nos segue os passos, em divino silêncio, após haver dito  cada um de nós, na acústica dos séculos:
       — “Em verdade, tudo aquilo que fizerdes ao menor dos pequeninos é a mim que o fizestes.”

(Emmanuel, na obra “Estude e viva”, Emmanuel e André Luiz/ Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

"ANTES, PORÉM"


"Você pede melhoras de saúde.
Antes, porém, socorra o enfermo em condições mais graves.
Você pede em favor do seu filho.
Antes, porém, proteja a criança alheia em necessidade maior.
Você pede providência determinada.
Antes, porém, alivie a preocupação de outra pessoa, em prova mais contundente que a sua.
Você pede concurso fraterno contra a obsessão que o persegue.
Antes, porém, estenda as mãos ao obsidiado que sofre sem os recursos de que você já dispõe.
Você pede perdão pela falta cometida.
Antes, porém, desculpe incondicionalmente aqueles que lhe feriram o coração.
Você pede apoio à existência.
Antes, porém, seja consolo e refúgio para o irmão que chora em seu caminho.
Você pede felicidade.
Antes, porém, semeie nalgum gesto simples de amor a alegria do próximo.
Você pede solução a esse ou aquele problema.
Antes, porém, busque suprimir essa ou aquela pequenina dificuldade dos semelhantes.
Você pede cooperação.
Antes, porém, colabore a benefício dos que suam e gemem na retaguarda.
Você pede a assistência dos bons espíritos.
Antes, porém, seja você mesmo um espírito bom, ajudando aos outros.
Toda solicitação assemelha-se, de algum modo, à ordem de pagamento, que, para ser atendida, reclama crédito.
A casa não se equilibra sem alicerce.
Uma fonte ampara outra.
Se queremos auxílio, aprendamos a auxiliar."

(André Luiz, na obra “Ideal Espírita”, Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"DE CORAÇÃO PURO"

 

"Amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro." - (I PEDRO, 1:22.)




"Espíritos levianos, em todas as ocasiões, deram preferência às interpretações maliciosas dos textos sagrados.
O "amai-vos uns aos outros" não escapou ao sistema depreciativo. A esfera superior, entretanto, sempre observa a ironia à conta de ignorância ou infantilidade espiritual das criaturas humanas.
A sublime exortação constitui poderosa síntese das teorias de fraternidade.
O entendimento e a aplicação do "amai-vos" é a meta luminosa das lutas na Terra.
E a quantos experimentam dificuldade para interpretar a recomendação divina temos o providencial apontamento de Pedro, quando se reporta ao coração puro.
Conhecem os homens alguns raios do amor que não passam de réstias fugidias, a luzirem através das muralhas dos interesses egoísticos, porque a maioria das aproximações de criaturas, na Crosta da Terra, inspiram-se em móveis obscuros e mesquinhos, no terreno dos prazeres fáceis ou das associações que se dirigem para o lucro imediatista.
O amor a que se refere o Evangelho é antes a divina disposição de servir com alegria, na execução da Vontade do Pai, em qualquer região onde permaneçamos.
Muita gente afirma que ama, contudo, logo que surjam circunstâncias contra os seus caprichos, passa a detestar.
Gestos que aparentavam dedicação convertem-se em atitudes do interesse inferior.
Relativamente ao assunto, porém, o apóstolo fornece a nota dominante da lição.
Amemo-nos uns aos outros, ardentemente, mas guardemos o coração elevado e puro."
("Vinha de Luz", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

"VISÕES - O IDIOTA DE LYON"



= "Revista Espírita", Janeiro de 1858 =

"- Lê-se no Courrier de Lyon:
"Na noite de 27 para 28 de agosto de 1857, um caso singular de visão intuitiva, produziu-se na Croix-Rousse, nas circunstâncias seguintes:
"Há três meses mais ou menos, o casal B...., honestos operários tecelões, movidos por um sentimento de louvável comiseração, recolheram em sua casa, na qualidade de doméstica, uma jovem um pouco idiota e que habita os arredores de Bourgoing.
"No último domingo, entre duas e três horas da manhã, o casal B.... foi despertado em sobressalto pelos gritos agudos, produzidos pela sua doméstica, que dormia num sótão contíguo ao seu quarto.
"A senhora B.... acendendo uma lâmpada, sobe para o sótão e encontra a sua criada que, derretida em lágrimas, e" num estado de exaltação de espírito, difícil de descrever, chamava, contorcendo os braços em terríveis convulsões, sua mãe que ela acabava de ver morrer, dizia ela, diante de seus olhos.
"Depois de consolar a jovem, o melhor possível, a senhora B.... retorna ao seu quarto. Esse incidente estava quase esquecido quando, ontem, terça-feira, antes do meio-dia, um carteiro do correio entrega ao senhor B.... uma carta do tutor da jovem, que informava, a este último, que, na noite de domingo para segunda feira, entre duas e três horas da manhã, sua
mãe tinha morrido em conseqüência de uma queda que sofreu, caindo do alto de uma escada.
"A pobre idiota partiu ontem mesmo, pela manhã, para Bourgoing, acompanhada pelo senhor
B.....seu patrão, para ali recolher a parte de sucessão que lhe cabia na herança de sua mãe, da qual havia visto, tão tristemente, em sonho, o fim deplorável."
Os fatos desta natureza não são raros, e, freqüentemente, tivemos ocasião de narrá-los, cujamautenticidade não poderia ser contestada. Eles se produzem, algumas vezes, durante o sono no estado de sonho; ora, como os sonhos não são outra coisa do que um estado de sonambulismo natural incompleto, designaremos as visões, que ocorrem nesse estado, sob o nome de visões sonambúlicas, para distingui-las das que ocorrem no estado de vigília e que chamaremos visões pela dupla vista. Chamaremos, enfim, visões extáticas, aquelas que ocorrem no êxtase; elas têm, geralmente, por objeto os seres e as coisas do mundo
incorpóreo. O fato seguinte pertence à segunda categoria.
Um armador, nosso conhecido, morando em Paris, nos contou, há poucos dias, o que segue:
"No último mês de abril, estando um pouco doente, fui passear em Tuileries com meu sócio.
Fazia um tempo soberbo; o jardim estava cheio de gente. De repente, a multidão desapareceu aos meus olhos; não senti mais o meu corpo, fui como que transportado, e vi, distintamente, um navio entrando no porto de Havre. Eu o reconheci como sendo o Clémence, que esperávamos das Antilhas; eu o vi atracar no cais, distinguindo claramente os
mastros, as velas, os marinheiros e todos os mais minuciosos detalhes, como se estivesse  nesses lugares. Voltando para minha casa, me entregaram um telegrama. Antes de tomar conhecimento dele, disse: É o anúncio da chegada do Clémence, que entrou no Havre, às três
horas. O telegrama confirmava, com efeito, essa entrada na hora em que eu a havia visto em Tuileries."
Quando as visões têm por objeto os seres do mundo incorpóreo, poder-se-ia, com alguma
aparência de razão, levá-las à conta da imaginação, e qualificá-las de alucinações. Porque nada pode demonstrar a sua exatidão; mas, nos dois fatos que acabamos de narrar, é a realidade, a mais material e a mais positiva, que se evidencia. Desafiamos todos os
fisiologistas e todos os filósofos para explicá-los pelos sistemas ordinários. 

Só a Doutrina Espírita pode deles dar conta pelo fenômeno e a emancipação da alma que, escapando, momentaneamente de suas faixas materiais, se transporta para fora da esfera da atividade corporal. No primeiro fato acima, é provável que a alma da mãe veio procurar a filha para adverti-la da sua morte; mas, no segundo, é certo que não foi o navio que veio procurar o armador em Tuileries; é preciso, pois, que tenha sido a alma deste que foi procurá-lo em Havre."