quarta-feira, 16 de julho de 2014

"APATIA ESPIRITUAL"


"Se te sentes envolver por um processo de apatia espiritual que te consome as melhores energias, fazendo-te desalentar diante das obrigações cotidianas, não te entregues a semelhante estado d’alma na expectativa de que alguém possa subtrair-te a ele sem contar com o teu esforço.
       Quem se rende à depressão sem lutar contra ele dificilmente conseguirá libertar-se de seus tentáculos.
       Para que uma força se anule, é necessário que se lhe oponha uma força contrária, da mesma intensidade.
       Se desejas combater a tristeza, alegra-te.
       Se queres vencer os pensamentos sombrios que te povoam a mente, ocupa o teu cérebro com ideias nobres.
       O único remédio de prescrição eficaz contra a apatia espiritual é o trabalho, especialmente o trabalho desinteressado em favor dos semelhantes.
       Não esperes pelo fortalecimento físico a fim de te fortaleceres moralmente, porque, não raro, o abatimento orgânico é consequência de tua prostração espiritual diante da vida.
       Levanta-te em espírito e, contigo, o teu corpo haverá de soerguer-se.
       Os outros poderão sempre orientar-te e estender-te as mãos, mas, se não manejares a tua própria vontade no âmago do ser, permanecerás no chão a que, voluntariamente, te arrojaste, vencido pelo peso imaginário de tuas aflições.
       Ora e confia em Deus mas, sobretudo, derrama o suor do trabalho digno, desentorpecendo a alma na alegria de ser útil à vida que espera, em toda parte, pelo concurso de tuas mãos."

(Irmão José, na obra  “Irmãos do Caminho”, Espíritos Diversos/Carlos A. Baccelli)

terça-feira, 15 de julho de 2014

"DESPERDÍCIOS"

"Há muito desperdício no mundo, fomentando larga faixa de miséria entre os homens.
       O que abunda em tua mesa falta em muitos lares.
       O excesso nas tuas mãos é escassez em inúmeras famílias.
       O que te sobra e atiras fora, produz ausência em outros lugares.
       O desperdício é fator expressivo de ruína na comunidade.
       O homem, desejando fugir das realidades transcendentes da vida, afoga-se na fantasia, engendrando as “indústrias da inutilidade, abarrotando-se com os acúmulos, padecendo sob o peso constritor da irresponsabilidade, em que sucumbe por fim.
       A vida é simples nas suas exigências quase ascetas.
       Muitos cristãos distraídos, porém, ataviam-se, complicam os deveres, sobrecarregam-se do dispensável, desperdiçam valores, tempo e oportunidade edificante para o próprio burilamento.
*
       Desperdiçam palavras, amontoando-as em verbalismo inútil a fim de esconderem as verdades;
       desperdiçam tempo em repousos e férias demorados, que anestesiam os centros combativos da ação da alma encarnada;
       desperdiçam alimentos em banquetes, recepções, festas extravagantes com que disputam vaidades;
       desperdiçam medicamentos em prateleiras empoeiradas, aguardando, no lar, doenças que não chegarão, ou, em se apresentando, encontram-nos ultrapassados;
       desperdiçam trajes e agasalhos em armários fechados, que não voltarão a usar;
       desperdiçam moedas irrecuperáveis em jogos e abusos de todo gênero, sem qualquer recato ou zelo;
       desperdiçam a saúde nas volúpias do desejo e nas inquietações da posse com sofreguidão;
       desperdiçam a inteligência, a beleza, a cultura, a arte nos espetáculos do absurdo e da incoerência, a fim de fazerem a viagem da recuperação do que estragaram, em alucinada correria para lugar nenhum...
       Não se recupera a malbaratada oportunidade.
       Ninguém volta ao passado, na busca de refazê-lo, encaminhá-lo noutro rumo.
       O desperdício alucina o extravagante e exaure o necessitado que se lhe faz vítima.
       Há, sim, muito e incompreensível desperdício na Terra.
*
       Reparte a tua fartura com a escassez do teu próximo.
       Divide os teus recursos, tuas conquistas e vê-los-ás multiplicados em mil mãos que se erguerão louvando e abençoando as tuas generosas mãos.
       Passarás pelo mundo queiras ou não. Os teus feitos ficarão aguardando o teu retorno.
       Como semeares, assim recolherás.
       O que desperdiçares hoje, faltar-te-á amanhã, não o duvides.
       Sê pródigo sem ser perdulário, generoso sem ser desperdiçador e o que conseguires será crédito ou débito na contabilidade da tua vida perene."
(“LEIS MORAIS DA VIDA”, Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

"CONVERSÃO"


"E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos.” — JESUS. (Lucas, 22:32)

        "Não é fácil a conversão do homem, quanto afirmam os portadores de convicções apressadas.
       Muitos dizem “eu creio”, mas poucos podem declarar “estou transformado”.
       As palavras do Mestre a Simão Pedro são muito simbólicas. Jesus proferiu-as , na véspera do Calvário, na hora grave da última reunião com os discípulos. Recomendava ao pescador de Cafarnaum confirmasse os irmãos na fé, quando se convertesse.
       Acresce notar que Pedro sempre foi o seu mais ativo companheiro de apostolado. O Mestre preferia sempre a sua casa singela para exercer o divino ministério do amor. Durante três anos sucessivos, Simão presenciou acontecimentos assombrosos. Viu leprosos limpos, cegos que voltavam a ver, loucos que recuperavam a razão; deslumbrara-se com a visão do Messias transfigurado no Tabor, assistira à saída de Lázaro da escuridão do sepulcro, e, no entanto, ainda não estava convertido.
       Seriam necessários os trabalhos imensos de Jerusalém, os sacrifícios pessoais, as lutas enormes consigo mesmo, para que pudesse converter-se ao Evangelho e dar testemunho do Cristo aos seus irmãos.
       Não será por se maravilhar tua alma, ante as revelações espirituais, que estarás convertido e transformado para Jesus. Simão Pedro presenciou essas revelações com o próprio Messias e custou muito a obter títulos. Trabalhemos, portanto, por nos convertermos. Somente nessas condições, estaremos habilitados para o testemunho."
( “Caminho, Verdade e Vida”, Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier)

domingo, 13 de julho de 2014

"DOMÍNIO MAGNÉTICO"


"Na noite de 3 de março de 1955, fomos reconfortados com a satisfação de ouvir novamente o Instrutor Espiritual Dias da Cruz, que prosseguiu em seus notáveis estudos, acerca da obsessão, transmitindo-nos valioso comentário, em torno da dominação magnética."


  "Prosseguindo em nosso breve estudo acerca dos fenômenos de obsessão, convém acrescentar algumas notas alusivas à dominação magnética, para compreendermos, com  mais segurança, as técnicas de influência e possessão dos desencarnados que ainda padecem o fascínio pela matéria densa, junto dos companheiros que usufruem o equipamento fisiológico na experiência terrestre.
Quem assiste aos espetáculos de hipnotismo, nas exibições vulgares, percebe facilmente os efeitos do fluído magnético a derramar-se do responsável pela hipnose sobre o campo mental do paciente voluntário que lhe obedece ao comando.
Neutralizada a vontade, o “sujet” assinala, na intimidade do cosmo intracraniano, a invasão da força que lhe subjuga as células nervosas, reduzindo-o à condição de escravo tem- por ário do hipnotizador com quem se afina, a executar-lhe as ordenações, por mais abstrusas e infantis.
Aí vemos, em tese, o processo de que se utilizam os desencarnados de condição inferior, consciente ou inconscientemente, na cultura do vampirismo.
Justapõem-se à aura das criaturas que lhes oferecem passividade e, sugando-lhes as energias, senhoreiam-lhes as zonas motoras e sensórias, inclusive os centros cerebrais, em que o espírito conserva as suas conquistas de linguagem e sensibilidade, memória e percepcão, dominando-as à maneira do artista que controla as teclas de um piano, criando, assim, no instrumento corpóreo dos obsessos as doenças fantasmas de todos os tipos que, em se alongando no tempo, operam a degenerescência dos tecidos orgânicos, estabelecendo o império de moléstias reais, que persistem até à morte.
Nesse quadro de enfermidades imaginárias, com possibilidades virtuais de concretização e manifestação, encontramos todos os sintomas catalogados na patogenia comum, da simples neurastenia à loucura complexa e do distúrbio gástrico habitual à raríssima afemia estudada por Broca.
Eis porque,respeitando o concurso médico, através da clínica e da cirurgia, em todas as circunstâncias, é imprescindível nos detenhamos no valor da prece e da conversação evangélica, como recursos psicoterápicos de primeira ordem, no trabalho de desobsessão, em nossas atividades espíritas.
O círculo de oração projeta o impacto de energias balsâmicas e construtivas, sobre perseguidores e perseguidos que se conjugam na provação expiatória, e a incorporação medianímica efetua a transferência das entidades depravadas ou sofredoras,  desalojando-as do ambiente ou do corpo de suas vítimas e fixando-as, a prazo curto, na organização fisio-psíquica dos médiuns de boa-vontade para entendimento e acerto de pontos de vista, em favor da recuperação dos enfermos, com a cessação da discórdia, do desequilíbrio e do sofrimento.
Assim sendo, enquanto a medicina terrestre aperfeiçoa os seus métodos de assistência à saúde mento-física da Humanidade, aprimoremos, por nossa vez, os elementos socorristas ao nosso alcance pela oração e pela palavra esclarecedora, pla fé e pelo amor, pela educação e  pela caridade infatigável."

 Francisco de Menezes Dias da Cruz  

("Instruções Psicofónicas", Diversos Espíritos/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 12 de julho de 2014

"DESFORÇO"


        "Fere, profundamente, o sentimento e a razão, a injustiça.
        Magoa, sem dúvida, a agressão injustificável.
        A rede das maldades, quando envolve alguém, asfixia-o e aflige-o.
        São muitos os fatores e acontecimentos que surgem à frente , obstaculizando a tua marcha.
        Não os deplores, nem os revides, deixando-te empolgar pelo anseio do desforço.
-x-
        Os outros, os infelicitadores, já são infelizes sem que lhes aumentes a carga de desarmar com os revides e a vingança, tão covardes e insensatos quanto as más ações danosas.
        Certamente, não mereces muitas dessas dores, pelo menos na atual conjuntura e na forma como te alcançam...
        Sem embargo, não és viajor de primeira experiência, incurso num passado que te serve de base para o presente.
        Como deves lutar para modificar, nas causas, os efeitos perniciosos que afetam a muitas outras criaturas, não te é lícita a ação ignóbil de vingança.
        Só os homens de pequeno porte moral se desforçam, tombando em fosso mais profundo do que aquele em que se encontra o seu perseguidor.
-x-
        Se desculpas o acusador, és melhor do que ele.
        Se perdoas o inimigo, te encontras em mais feliz situação do que a dele.
        Se ajudas a quem te fere, seja por qual motivo for, lograste ser um homem de bem, um verdadeiro cristão.
        Desforço, jamais!"

(“Episódios diários”, Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

"AÇOITANDO AR"


"Definindo o trabalho intenso que lhe era peculiar na extensão do Evangelho, disse o apóstolo Paulo com inegável acerto: “- Eu por minha parte assim corro, não como na incerteza; de tal modo combato, não como açoitado o ar”.

Hoje como ontem, milhares de aprendizes da Boa Nova gastam-se inutilmente, através da vida agitada, asseverando-se em atividade do Mestre, quando apenas simbolizam números vazios nos quadros da precipitação.

Possuem planos admiráveis que nunca realizam.

Comentam, apressados, os méritos do amor, guardando lamentável indiferença para com determinados familiares que o Senhor lhes confia.

Exaltam a tolerância, como fator de equilíbrio no sustento da paz, contudo se queixam amargamente do chefe que lhes preside o serviço ou do subordinado que lhes empresta concurso.

Recebem os problemas que o mundo lhes oferece, buscando o escape mental.

Expressam-se, acalorados, em questões de fé, alimentando dúvidas íntimas quanto à imortalidade da alma.

Exigem a regeneração plena dos outros, sem cogitar de reajustamento a si mesmos.

Clamam, acusam, projetam, discutem, correm, sonham...

Mas, visitados pela crise que afere em cada Espírito os valores que acumulou em si próprio, diante da vida eterna, vacilam, desencantados, nas sombras da incerteza, e, quando chamados pela morte do corpo à grande renovação, reconhecem, aflitos, que em verdade estiveram na carne combatendo improficuamente, como quem passa na Terra açoitando o ar."
("Palavras de Vida Eterna", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 10 de julho de 2014

"SEMEADORES DA ESPERANÇA"


"Possivelmente não terás pensado ainda no verbo formoso e grave a que todos somos chamados: criar para o progresso.

O Criador, ao dotar-nos de razão, a nós, criaturas, conferiu-nos o poder de imaginar, promover, originar, produzir.

Referimo-nos freqüentemente à lei de causa e efeito. Sabemos que ela funciona em termos de exatidão. Utilizamo-la, quase sempre, tão-só para justificar sofrimentos, esquecendo-lhe a possibilidade de estabelecer alegrias.

Causamos isso ou aquilo, geramos acontecimentos determinados. Experimentamos essa força que nos é peculiar, na formação de circunstâncias favoráveis aos homens.

Antes do comboio a vapor, a eletricidade já existia. Os transportes arrastavam-se pela tração, mas foi preciso que alguém desejasse criar na Terra a locomotiva, que se converteu a pouco e pouco no trem elétrico, a fim de que a Civilização aprimorasse os sistemas de condução que prosseguem para mais altas expressões evolutivas.

O firmamento era vasculhado pelos olhos humanos há milênios, mas foi necessário que um astrônomo inventasse lentes, para que os povos recolhessem as preciosas informações do Universo, que já havia antes deles.

O princípio é idêntico para a vida moral.

Precisamos hoje e em toda a parte dos criadores de harmonia doméstica e social, dos desenhistas de pensamentos certos, dos escultores de boas obras.

O tempo nos ensinará a entender a necessidade básica de se criarem condições para o entendimento mútuo, como já se estabeleceram normas para o trânsito fácil do automóvel. 

Inventa em tua existência soluções de conforto, suscita motivos de paz, traça diretrizes de melhoria, faze o que ainda não foi aproveitado na realização da riqueza íntima de todos.

Provavelmente estamos na atualidade em estágio obscuro de lições, sob a atuação imperiosa de ações passadas. Mas não nos será correto esquecer que somos Inteligências com raciocínio claro e que, se antigamente nos foi possível colocar em ação as causas que neste momento e neste local nos infelicitam, retemos conosco a sublime faculdade de idear, planejar e construir.

Ajamos na construtividade de Jesus, sejamos semeadores de esperança."
 
 
("Estude e Viva", André Luiz/Francisco Cândido Xavier)