segunda-feira, 7 de setembro de 2015

"AS QUATRO OPERAÇÕES"

       "O conhecimento das quatro operações fundamentais da Aritmética: adição, subtração, multiplicação  divisão, é-nos absolutamente indispensável, pois, sem essa base, impossível alcançarmos qualquer adiantamento no campo das ciências exatas.
       Semelhantemente, a evolução de nossas almas depende, também, de que saibamos somar, subtrair, multiplicar e dividir, com a diferença de que, neste caso, não se trata de operar om simples algarismos, mas com valores outros, bem mais importantes.
       Devemos, primeiramente, habilitar-nos a somar.
       Somar experiências, isto é, conhecer o porquê de tudo quanto acontece em nosso derredor e em nós mesmos; senhorear-nos das causas e efeitos de todos os fenômenos, sejam físicos, espirituais ou sociais, para que nos tornemos aptos a discernir entre o útil e necessário e o que, ao revés, seja nocivo e inconveniente a nós e a nossos semelhantes.
       A conquista desse tirocínio, é óbvio, demanda longo tempo e muito esforço; implica a vivência de uma variedade imensa de situações em que as quedas e as dilacerações dolorosas se verificarão com frequência, mas valerão a pena, porque todo esse sofrimento se transformará, depois, em auréola de glória.
       Em seguida, exercitar-nos em diminuir.
       Diminuir as necessidades grosseiras, herança de nossa passagem pela animalidade, e os apetites desordenados, próprios de nossa infância espiritual, esforçando-nos por alijar de nós a glutonaria, a sensualidade e os demais vícios a que nos tenhamos escravizado.
       Diminuir, também, o apego às posses materiais, o personalismo egoísta e a vaidade, pois tal coisas são grilhões que nos prendem a este mundo, impedindo alcemos voo a planos mais altanados.
       Diminuir, ainda, as agrestias de nosso caráter, despojando-nos da crueldade, da intolerância, do orgulho etc., reduzindo, consequentemente, as áreas de atrito e de desarmonia com nossos irmãos.
       Cumpre-nos, depois, aprender a multiplicar.
       Multiplicar o bem-estar coletivo, tornando-nos elementos prestantes no meio social a que pertencemos.
       Multiplicar as obras de amparo aos desgraçados de todos os matizes, não com o objetivo de ganhar o céu, mas como quem obedece ao imperativo do Dever.
       Multiplicar a liberdade no mundo, lutando pela igualdade dos direitos humanos, sem acepção de sexo, cor, raça ou ideologia.
       Multiplicar a alegria e a paz nos corações, pugnando pela extinção de todo e qualquer conflito, seja de indivíduo contra indivíduo, de classe contra classe ou de nação contra nação.
       Por último, a parte mais difícil do aprendizado: a arte de dividir.
       Dividir o nosso Amor para com todos, sem excluir ninguém, nem mesmo aqueles que, porventura, se considerem nossos adversários, espargindo por onde passemos boas palavras e gestos de bondade, sem esperar compreensão, nem recompensa, servindo, sempre, pelo só prazer de servir.
       Como disse o Mestre dos mestres, somente quando formos capazes dessa divisão de afeto com a família universal é que seremos dignos da companhia do Pai, cuja benignidade faz que os benefícios da chuva e dos raios solares, indispensáveis à vida na Terra, cheguem tanto aos bons como aos maus, aos justos como aos injustos. Isto porque todos nós nos ressentimos de algumas fraquezas que ainda não logramos vencer, e as diversidades de nível evolutivo, que nos distinguem em dado instante, diluir-se-ão no futuro, mercê da Lei do progresso que a todos impele para a frente e para o alto, rumo à perfeição."
(“Páginas de Espiritismo Cristão”, Rodolfo Calligaris)

domingo, 6 de setembro de 2015

"BENÇÃO DE SOL"

“Nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, nos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados”. Paulo (Hebreus, 12:15)

       "É razoável estejamos sempre cautelosos a fim de não estendermos o mal ao caminho alheio. Os outros colhem os frutos de nossas ações e oferecem-nos, de volta, as reações consequentes.
       Daí, o cuidado instintivo em não ferirmos  a própria consciência, seja policiando atitudes ou selecionando palavras, para que vivamos em paz à frente dos semelhantes, assegurando tranquilidade a nós mesmos.
       Em muitas circunstâncias, contudo, não nos imunizamos contra os agentes tóxicos da queixa. Superestimamos nossos problemas, supomos nossas dores maiores e mais complexas que as dos vizinhos e, amimalhando o próprio egoísmo, cultivamos indesejável raiz de amargura no solo do coração. Daí brotam espinheiros mentais, suscetíveis de golpear quantos renteiam conosco, na atividade cotidiana, envenenando-lhes a vida. 
       Quantas sugestões infelizes teremos coagulado no cérebro dos antes amados predispondo-nos à enfermidade ou à delinquência com as nossas frases irrefletidas! Quantos gestos lamentáveis terão vindo à luz, arrancados da sombra por nossas observações vinagrosas.
       Precatemo-nos contra semelhantes calamidades que se nos instalam nas tarefas do dia-a-dia, quase sempre sem que venhamos a perceber. Esqueçamos ofensas, discórdias, angústias e trevas, para que a raiz da amargura não encontre clima propício no campo em que atuamos.
       Todos necessitamos de felicidade e paz; entretanto, felicidade e paz solicitam amor e renovação, tanto quanto o progresso e a vida pedem trabalho harmonioso e bênção de Sol."
(“Segue-me!...”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 5 de setembro de 2015

"Quando Jesus diz a seus discípulos..."

"Ensinando-as a observar todas as coisas que vos tenho mandado; e
estai certos de que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos." - Jesus


"Quando Jesus diz a seus discípulos que devem ensinar a todas as gentes a observar os seus preceitos, recorda-lhes os seguintes pontos:
1º — Pregar e praticar. Jamais desmentir com os atos, o que se pregar com as palavras. O exemplo é o melhor dos mestres e o mais eloqüente dos pregadores.
2º — Jamais pregar o Evangelho com segundas intenções, isto é,
procurando, por meio dele, explorar o próximo. Mas que o pregador seja impulsionado apenas pelo amor aos pequeninos ignorantes da terra, e pelo sentimento do Bem.
3º — Todos os que pregam têm o dever de se fortificarem pela oração e pela vigilância, a fim de exemplificarem o que pregam por meio de uma ação construtiva.
4º — Não se iludam os pregadores sinceros; dificilmente terão amigos; lembrem-se de que são os divulgadores da Verdade, a qual nem sempre agrada aos nossos irmãos terrenos.
5º — Através dos séculos, nos dias luminosos ou no meio das trevas da ignorância, onde quer que se encontre um discípulo sincero, por mais humilde e pequenino que seja, junto a ele estará um Mensageiro de Jesus, animando, amparando, fortificando e inspirando o trabalhador de boa vontade, o discípulo fiel."
("O Evangelho dos Humildes", Eliseu Rigonatti)

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"MINUTOS DE DEUS"


"Bastas vezes, perguntas, alma boa,
 Qual a razão do sofrimento...
 Porque a treva da angústia na pessoa...
 E também vezes muitas
 A recear a justa explicação,
 Foges de coração cansado e desatento...

 Enquanto podes fazer isso,
 Satisfazendo a impulso vão,
 Ausentas-te dos quadros de amargura,
 Como quem busca o reboliço
 Para esquecer o assombro e a inquietação
 Que observas nos outros
 De alma triste e insegura
 Quando colhidos pela provação...

 Mas se um dia chegar em que não possas
 Distanciar-te do recanto,
 Em que a tristeza se conhece
 Por neblina de pranto,
 Por maiores as dores e os problemas,
 Acende a luz da prece
 E, esperando por Deus,
 Não te aflijas, nem temas... 

 Ora, detém-te, anota, pensa e escuta
 Sob as tribulações em que a sombra domina,
 Quando estamos a sós, dentro da própria luta,
 Rodeados, ao longe,
 De constrangidos cireneus
 É que achamos na vida
 Os minutos de Deus,
 Nos quais se pode registrar
 A palavra divina.

 Nas estações difíceis do caminho,
 Que todos conhecemos
 Por solidão, angústia, desengano,
 À distância de todo burburinho
 Em que o prazer humano
 Lembra incêndio de sons que explode e estala,
 Nessas pausas de dor do pensamento,
 Em que o tempo parece amargo e lento
 É que o verbo de Deus nos envolve e nos fala...
 Mesmo sem qualquer força a que te arrimes,
 Presta a própria atenção
 À voz que te procura o coração
 Nessas horas sublimes.

 Entretanto, não creias,
 Perante a aceitação a que te levas
 Que Deus te reterá na mágoa que te invade,
 Nas teias abismais da crueldade
 Ou no bojo das trevas...

 Logo após o celeste entendimento
 Em que a bênção do Céu se te anuncia,
 Ressurgirás em novo nascimento,
 A dentro de ti mesmo,
 Como quem se revê ao sol de novo dia...

 Lembra o próprio Jesus,
 Se consegues cismar, em torno disso;
 Do berço em louvações
 A última páscoa em festa, brilho e luz,
 A vida do Senhor
 Foi um hino de júbilo e de amor
 Em música de paz e de serviço...

 Mas chegando ao Jardim das Oliveiras,
 Ei-la escutando o Pai, horas inteiras...
 E, através do diálogo divino,
 Colocado em si mesmo, solitário,
 Encontra o sacrifício por destino,
 Desde a prisão injusta às pedras do Calvário...

 Entretanto, depois
 Da renúncia suprema,
 Qual se guardasse em si o fel da humana escória,
 No suplício final, perante a multidão,
 Fez-se o Cristo Imortal do Amor e da Vitória,
 Na luz divina da ressurreição."


(" A Vida Conta", Maria Dolores/ Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

"DEUS PODE"

"Não fales “não posso” e nem digas “desesperei”...

Quando tiveres de explicar a palavra “exaustão”, deixa que a esperança te refulja em silêncio na boca e sempre que te suponhas na liquidação de todos os sonhos, contempla as flores que desabrocham sobre as ruínas.

Muitas vezes, quem sabe definir o desânimo apenas desencadeia a tragédia, abrindo portas ao crime.

Estendes pão ao faminto e acolhes quem vai sem teto, entretanto, nem sempre atendes ao coração agoniado no próprio peito, rogando-te paciência.

Ouve-lhe as aflições e pede a Deus te envolva no dom inefável de Sua Bênção.

Se não consegues solucionar as dificuldades que te rodeiam, dize contigo: Deus pode.

Se incapaz de empreender a alteração necessária ao próprio caminho, afirma em tua alma: Deus pode.

Se impossibilitado para corrigir a quem amas, asseveras de novo: Deus pode.

Se inabilitado para extirpar a angústia que te alanceia, medita em prece: Deus pode.

E perdoando e ajudando sem descansar, aprenderás com Deus que a luz da verdadeira vitória é feita na paciência de cada dia."

(Meimei, na obra “Ideal Espírita”, Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

"NÃO-DITOS E NÃO-FEITOS"

"Estudiosos afeiçoados aos “ditos do Senhor” mergulharam, em todos os tempos, o pensamento nas fontes evangélicas, em busca de consolo e diretrizes, encontrando na clara mensagem da Boa Nova o clima de paz e amor necessários a uma vida feliz.
       Narrativas comoventes relatam os encontros do Rabi Amoroso com os corações constrangidos pela dor e com es espíritos atribulados a todos ensejando, pelo verbo luminoso e sublime, os roteiros libertadores.
       Páginas de beleza inefável têm sido elaboradas sobre os efeitos e as palavras do Enviado de Deus, favorecendo o pensamento humano com antevisões do porvir e sugerindo retrospectos das inolvidáveis emoções que viveram os que participaram das jornadas d’Ele...
       Infelizes e enfermos de variada classificação, obsidiados e dementes de muitas alienações foram reconduzidos à serenidade e à paz através da mensagem de esperança que Ele nos dá, desde então, como pábulo que nos mantém alimentados, conduzindo-nos para a frente e o amanhã.
-o-o-
       Muito mais poderia ter dito e feito o Senhor.
       Não o disse, porém, nem o fez.
       E o que não disse, o que não fez, são tão grandiosos que atestam a excelente procedência d’Ele.
       Recusado por uma aldeia do interior de ser ali agasalhado, nada disse, e instado pelos discípulos para que ateasse o fogo do céu sobre o lugarejo ímpio, não o fez. Retirou-se em silêncio, plácido e triste, seguindo adiante...
       Impossibilitado de falar ao povo de Gadara, após a recuperação psíquica do gadareno, não disse uma sentença condenatória, não teve um gesto de revolta. Imperturbável, retornou ao mar e à Galileia...
       Acusado por comensais dos interesses imediatos, de açular as massas infelizes que O seguiam  esperançadas, não disse um revide, não expôs uma defesa, não reagiu com irritação, não fez uso dos seus poderes...
       Conclamado por aqueles que O desejam triunfador na Terra não apresentou explicações, não debateu o assunto, retirou-se a sós...
       Diante de Pilatos quase nada disse, nada fazendo e, no entanto, poderia tudo dizer e tudo fazer.
       Na cruz, resignou-se a não dizer senão o indispensável para o tributo de amor, submetendo-se, incomparável, à Vontade do Pai.
       E mesmo depois de ressurgido não disse nem fez o que muitos esperavam.
       Afirmou a imortalidade atestando-a, realentou os companheiros com o seu amor de compreensão e, ao ascender aos Cimos, despachou-os para as tarefas do “dizer” e do “fazer” como Ele mesmo disse e fez.
-o-o-
       Medita sobre os não-ditos e não-feitos do Senhor.
       Se a dificuldade e a incompreensão de quem amas, quando a serviço d’Ele, t amesquinham, não te amofines.
       Se a luta recrudesce e o combate acirra, não desesperes.
       Se a enfermidade avança e te vence, não desanimes.
       Se todos os males de fora e de dentro de ti mesmo ameaçam conduzir-te à desencarnação, não recalcitres.
       Não te defendas, se injuriado.
       Não te justifiques, se perseguido.
       Não te exponhas, se angustiado.
       Não digas, nada faças, mesmo que tenhas o que dizer e disponhas de recursos para fazer.
       Teus ditos e teus feitos já falaram por ti. Se não se fizeram ouvir, porfia confiante, de fé robusta.
       Mais vale ser vítima da impiedade quando se está com a consciência tranquila, do que perseguidor entre ovações, carregando uma consciência em brasa.
       E se a vida solicitar ao teu espírito o pesado tributo da tua doação total pela causa de amor que abraças, na Seara de Luz do Evangelho e do Espiritismo, não te negues, não recuses, nada digas, nada faças, entregando a vida e aspiração às mãos d’Ele, pois que mesmo morrendo na liça incompreendido e ralado, ascenderás tranquilo aos páramos do amor para voltares a fim de ajudar, mais tarde, os que te perseguiram e injuriaram vitoriosamente, ficando, porém, nas linhas sombrias e tristes da retaguarda, esperando pelo teu socorro."
(“Dimensões da Verdade”, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

"LAÇOS REDENTORES"


"Ressentimento não vale.
 A justiça não se atrasa
 E a lei da Reencarnação
 Atua dentro de casa.

 Olhe o caso de Cristina,
 Envenenou João Gamela,
 Mas João, depois de algum tempo,
 Renasceu... E é filho dela.

 Embora a morrer em sangue,
 Neca abateu Genserico;
 Hoje são gêmeos em luta
 Na roça do Tico-Tico.

 Furtando-lhe sítio e casa,
 Quinquim matou Rui da Venda,
 Mas Rui nasceu neto dele,
 A fim de herdar-lhe a fazenda.

 Quintino arrasou Gregório
 Com bebida numa festa...
 Gregório voltou a ele,
 E o caçula que o detesta.

 Em não querê-la por nora,
 Teotônio acabou com Lica,
 Vejo a moça reencarnada:
 E a neta que o prejudica.

 Nina induziu Vaz à morte,
 Suicídio triste sem causa,
 Hoje ele é o filho doente
 Que ela carrega sem pausa.

 Lula matou Antônio,
 Simples paixão de mulher...
 Mas Antônio renasceu...
 Ë o filho que não a quer.

 Téo levou Juca ao suicídio.
 Eis que o tempo vem e vai.
 Juca hoje é o filho dele,
 Um filho que odeia o pai.

 A Terra lembra hospital
 Se a vemos de ânimo atento,
 Levantam-se muitos lares
 Por celas de tratamento.

 Ressentimento, desforra,
 Não adiantam, rapaz,
 A vida cobra com juros
 As contas que a gente faz. "

("Retratos da Vida", Cornélio Pires/Francisco Cândido Xavier)