terça-feira, 7 de julho de 2015

"SE FOSSE"

"Perante alguém a condenar alguém,
Destacando algum mal que aconteceu,
Se te inclinas ao fogo da censura,
Dize contigo assim: “Se fosse eu...”

Passa a criança entregue à noite e ao vento,
Amargura, nudez, olhar sem brilho...
Se vais recriminá-la, indaga simplesmente:
“E se fosse meu filho?...”

Desditoso detento em não longe...
Vozes clamam: “Prendei!...Apedrejai!...”
Ao ver-lhe a humilhação, interroga a ti mesmo: “E se fosse meu pai?...”

Diante do acusado escarnecido,
Atento ao cerco de infeliz reclamo,
Fita-lhe a dor e pensa: “E se este pobre
Estivesse entre aqueles que mais amo...?

Quanta lágrima nunca surgiria,
Quanta força da treva, agindo em vão,
Se em cada coração, à luz da vida,
Houvesse mais amor e compaixão!...

Nosso irmão delinquente!... Junto dele,
Reflete antes de erguer a própria voz:
“Como seria tudo diferente,
Se ele fosse um de nós!...”

(Manoel Monteiro,  “Senda para Deus”, Francisco Cândido

Xavier – Autores diversos)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

"ALGUMA COISA"

          "Quando observares o incêndio lavrando na vizinhança, não é preciso te candidates ao título de herói, procurando as tarefas de integral remoção do perigo.
        Faze alguma coisa, para que o fogo se reduza ou se extinga e terás agido com a fraternidade no coração.
        Se a penúria visita a paisagem social em que respiras, não é necessário te convertas em salvador apressado.
        Traze a quem sofre alguma gota de remédio ou a côdea de pão que te sobra na mesa farta e terás cumprido o dever da solidariedade humana.
        Se o desastre feriu aqueles que te seguem de perto, não é imperioso te transformes em pessoa milagrosa.
        Coopera, de algum modo, com os teus braços amigos, para que os problemas sejam solucionados e revelar-te-ás em bom caminho.
        Se a maledicência amontoa espinheiros em torno da alheia reputação, ninguém espera sejas o advogado palavroso dos ausentes.
        Basta que faças algum silêncio ou que pronuncies uma frase caridosa e marcharás na senda de elevação.
        O Céu não reclama dos homens a santidade improvisada e nem exige que a criatura abandone hábitos seculares de um dia para outro.
        Aguarda, sim, a nossa migalha de boa vontade na redução dos variados enigmas da luta humana.
        Em verdade, grande é a dor que martiriza os corações vinculados à Terra...
        Realmente, a aflição é hoje problema generalizado, em todas as latitudes do Globo, mas, quando coração fizer alguma coisa, cada dia, pela vitória do bem, estaremos alcançando para o mundo inteiro a conquista da felicidade imortal."

(“Urgência”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 5 de julho de 2015

"MÁ-VONTADE"


"Não vos comuniqueis com as obras
infrutuosas das trevas." - Paulo (Efésios 5:11)

"Má-vontade gera sombra.
A sombra favorece a estagnação.
A estagnação conserva o mal.
O mal entroniza a ociosidade.
A ociosidade cria a discórdia.
A discórdia desperta o orgulho.
O orgulho acorda a vaidade.
A vaidade atiça a paixão inferior.
A paixão inferior provoca a indisciplina.
A indisciplina mantém a dureza de coração.
A dureza de coração impõe a cegueira espiritual.
A cegueira espiritual conduz ao abismo.
Entregue às obras infrutuosas da incompreensão,
pela simples má-vontade pode o homem rolar
indefinidamente ao precipício das trevas."


(“Pão Nosso”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 4 de julho de 2015

"DECISÃO E ATITUDE"

"Sua decisão num momento responderá pelos seus dias futuros.
Não se precipite; a meditação o ajudará a discernir com clareza e segurança.
A indecisão prolongada gera a complicação do problema a resolver, por mais adiado que permaneça.
Não cultive receios; ore, consulte o Evangelho e, depois, não retarde demais a decisão.
O desequilíbrio dos outros contagia; harmonize-se antes, para ajudar com elevação.
Pudor e escândalo dependem de quem cultiva honorabilidade e insensatez.
O que você cultiva, rebeldia ou serenidade, exterioriza-se quando você for testado.
Não avinagre suas horas mediante a sustentação de clima pessimista.
Faça sol interiormente, e quando se decidir pelo bem, não recue, não se arrependa e não reclame.
Não exija satisfação dos outros.
Melhore-se primeiro e aprenda a decidir e agir com Jesus em qualquer circunstância."

(“Momentos de Decisão”, Marco Prisco/ Divaldo Pereira Franco)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

"NOS CÍRCULOS DA FÉ"

Reunião pública de 5-5-61, 1ª. Parte, cap. 1, item 12, de “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec.

          "Acende a flama da reverência, onde observes lisura na ideia religiosa.
           Lembremo-nos, com o devido apreço aos irmãos que esposam princípios diferentes dos nossos, de que existem tantos modos de expressar confiança no Criador quantos são os estágios evolutivos das criaturas.
             Há os que pretendem louvar a Infinita Bondade, manejando borés; há os que se supõem plenamente desobrigados de todos os compromissos com a própria crença, tão somente por se entregarem a bailados exóticos; há os que se cobrem de amuletos, admitindo que o Eterno Poder vibre absolutamente concentrado nas figurações geométricas; há os que fazem votos de solidão, crendo agradar aos Céus, fugindo de trabalhar; há os que levantam santuários de ouro e pedrarias, julgando homenagear o Divino Amor; e há, ainda, os que se presumem detentores de prerrogativas e honras especiais, pondo e dispondo nos assuntos da alma, como se Deus não passasse de arruinado ancião, ao sabor do capricho de filhos egoístas e intransigentes...
         Ainda assim, toda vez que se mostrem sinceros, não lhes negues consideração e respeito.
        Quase sempre, são corações infantis, usando símbolos como exercícios da escola ou sofrendo sugestões de terror para se acomodarem à disciplina.
        Contudo, não lhes abraces as ilusões, a pretexto de honorificar a fraternidade, porque a verdadeira fraternidade se movimenta a favor dos companheiros de evolução, clareando-lhes o raciocínio sem violentar-lhes o sentimento.
        É preciso não engrossar hoje as amarras do preconceito, para que o preconceito não se faça crueldade amanhã, perseguindo em nome da caridade ou supliciando em nome da fé.
*
        Se a Doutrina Espírita já te alcançou o entendimento, apoiando-te a libertação interior e ensinando-te a religião natural da responsabilidade com Deus em ti mesmo, recorda a promessa do Cristo:
        - "Conhecereis a verdade e a verdade, afinal, vos fará livres."

(“Justiça Divina”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

"NA LUZ DA REENCARNAÇÃO"

1ª. Parte, Cap. VII, item 17, de “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec.
    

    "Trazes hoje as vísceras doentes, compelindo-te aos aborrecimentos de incessante medicação.
       Elas, porém, se fizeram assim, à força de suportarem ontem os teus próprios abusos nos venenos da mesa.
-x-
       Trazes hoje o corpo mutilado, obrigando-te a movimentos de sacrifício.
       Tens, no entanto, o carro físico desse modo por lhe haveres gasto, ontem, esse ou aquele recurso em corridas e delinquências.
-x-
       Trazes hoje o cérebro hebetado, dificultando-te as expressões.
       Mas isso acontece porque, ontem, mergulhavas a própria cabeça em clima de trevas.
-x-
       Trazes hoje a carência material por sentinela de cada dia.
       Contudo, ontem atolavas o coração no supérfluo, articulado com o pranto dos infelizes.
-x-
       Trazes hoje, na própria casa, a presença de certos familiares que te acompanham à feição de verdugos.
       Entretanto, são eles credores de ontem, que surgem, no tempo, pedindo contas.
-x-
       Todos somos capazes de fazer o melhor, porquanto, pelas tentações e provas de hoje, podemos avaliar o ponto de trabalho em que a vida nos impele a sanar os erros do passado, clareando o futuro.
       Perfeição é a meta.
       Reencarnação é o caminho.
       E toda falha, na direção de obra perfeita, exige naturalmente corrigenda a recomeço."


(“Justiça Divina”, Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

"ABRIGO ÍNTIMO"

        "Pedes abrigo no tumulto que habitualmente aparece diante das grandes renovações.
        Entretanto, as possibilidades para o levantamento de semelhante refúgio estão em ti mesmo.
-o-
        Rememoras a proteção sob a qual vieste ao Plano Físico.
        De nada dispunhas, além do amor com que te acolheram, no entanto, não te faltou apoio para o crescimento nem luz bastante para que se te clareassem os pensamentos.
-o-
        Relaciona os empréstimos da vida com que ao mundo te vinculaste:
        oportunidades que te honraram;
        afetos que te surgiram;
        meios que obtiveste;
        lições que te enobreceram.
        Soma as bênçãos que te enriquecem e pensa na aplicação respectiva que se te pede para a elevação do futuro.
-o-
        Constrói, por dentro do próprio ser, o abrigo de entendimento que solicitas, no qual possas desfrutar segurança e irradiá-la de ti.
        Agradece a tarefa que a vida te concedeu.
        Trabalha confiando no êxito do bem.
        Usa os patrimônios da vida sem desperdiçá-los.
        Não retenhas vantagens com evidente prejuízo dos outros.
        Se erraste, corrige-te sem precipitação em desespero.
        Não admitas o fracasso por perda definitiva e sim por ensinamento necessário ao triunfo.
        Aceita os outros como são sem violentar-lhes o modo de ser e sem permitir que te destruam as realizações e os ideais.
        Segue o teu próprio caminho, compreendendo e amando sempre.
        Assume as responsabilidades com que te deves conduzir, sem qualquer intromissão no comportamento alheio.
        Participa da existência, ofertando as tuas atividades ao montante do benefício comum.
        Não te retardes em sombras de ressentimento ou irritação, contra experiências de que ainda precisas.
        Segue adiante, pensando no bem, falando para o bem, agindo no bem e edificando para o bem, sem perder o tesouro das horas.
        E suceda o que suceder, estarás em segurança, porque assim reconhecerás que a segurança inviolável em nós é a presença de Deus."


(“Busca e acharás”, Emmanuel e André Luiz/Francisco Cândido Xavier)