"— A disposição amiga — acentuava Cipriano Neto — é verdadeiro tônico espiritual. Não raro, envenenamos o coração, à força de insistir na máscara sombria. Má catadura é moléstia perigosa, porquanto as enfermidades não se circunscrevem ao corpo físico.
Quantos negócios de muletas, quantas atividades nobres interrompidas, em virtude do mau humor dos responsáveis? Claro que ninguém se deixe absorver pelos malandros de esquina, mas o respeito e a afabilidade para com as criaturas honestas, seja onde for, constituem alguma coisa de sagrado, que não esqueceremos sem ferir a nós mesmos.
À frente da pequena assembléia, toda ouvidos, Cipriano, com a graça de sua privilegiada inteligência, continuou, após leve pausa:
— Na Terra, o preconceito fala muito alto, abafando vozes sublimes da realidade superior.
Nesse capítulo, tenho a minha experiência pessoal, bastante significativa.
Meu amigo calou-se, por alguns momentos, vagueou o olhar muito lúcido, através do horizonte longínquo, como a vasculhar o passado, e prosseguiu:
— É quase inacreditável, mas o meu fracasso em Espiritismo não teve outra causa. Não ignoram vocês que meu coração de pai, dilacerado pela morte do filho querido, fora convocado à Doutrina dos Espíritos, ansioso de esclarecimento e consolação. Banhado de conforto sublime, senti que minhas lágrimas de desesperação se transformaram em orvalho de agradecimento à bondade de Deus. Meu filho não morrera. Mais vivo que nunca, endereçava-me carinhosas palavras de amor. Identificara-se de mil modos. Não havia lugar à dúvida. Inclinei-me, então, à Doutrina renovadora. Saciado pela água viva de santas consolações, não sabia como agradecer à fonte. Foi aí que recordei as minhas possibilidades intelectuais. Não seria justo servir ao Espiritismo, através da palavra ou da
pena? Poderia escrever para os jornais ou falar em público. Profundamente reconhecido à nova fé, atendi à primeira sugestão de um amigo e dispus-me a fazer uma conferência.
Anunciou-se o feito e, no dia aprazado, compacta assistência esperou-me a confissão.
Seduzido pela beleza do Espiritismo Evangélico, discorri longamente sobre a caridade.
Aplausos, abraços, sorrisos e felicitações. No círculo dos meus companheiros de literatura, porém, o assunto fizera-se obrigatório. Voltando à Avenida, no dia imediato ao acontecimento, meu esforço foi árduo para convencer os confrades de letras de que não me achava louco. Infelizmente, porém, minha decisão não se filiava senão à vaidade.
Pronunciara a conferência como se o Espiritismo necessitasse de mim. Admitia, no fundo, que minha presença honrara, sobremaneira, o auditório e que a codificação kardequiana em mim encontrara prestigioso protetor. Desse modo, alardeava suma importância em minhas palestras novas. Citava a antigüidade clássica, recorria aos grandes filósofos, mencionava cientistas modernos. Quando nos encontrávamos, meus colegas e eu, no ápice das discussões preciosas, eis que surge o Elpídio, velho conhecido meu e antigo tintureiro em Jacarepaguá. Sapatos rotos, calças remendadas, cabelos despenteados, rosto suarento, abeirou-se de mim e estendeu-me a destra, exclamando alegre:
— Olá, meu irmão! Meus parabéns!... Fiquei muito satisfeito com a sua conferência!
Entreolharam-se os meus amigos, admirados.
E confesso que respondi à saudação efusiva, secamente, meneando levemente a cabeça e sentindo-me deveras humilhado.
Em vista do meu silêncio, o tintureiro despediu-se, mostrando enorme desapontamento.
— “É de sua família?” — indagou um companheiro mais irônico.
— “Estes senhores espiritistas são os campeões da ingenuidade!” — exclamou outro circunstante.
Enraiveci-me. Não era desaforo semelhante homem do povo chamar-me “irmão”, ali, em plena Avenida, diante dos colegas de tertúlias acadêmicas? Estaria, então, obrigado a relacionar-me com toda espécie de vagabundos? Não seria aquilo irmanar-me a rebotalhos de gente, na via pública?
O incidente criou em mim vasto complexo de inferioridade.
Cegavam-me, ainda, velhos preconceitos sociais e a ironia dos companheiros calou-me fundo, no espírito. A ausência de afabilidade e a incompreensão grosseira dominaram-me por completo. O fermento da negação trabalhou-me o íntimo, levedando a massa de minhas disposições mentais. Resultado? Voltei à aspereza antiga e, se cuidava de doutrina, confinava-me a reduzido círculo doméstico. Não estimava a companhia ou a intimidade daqueles que considerava inferiores. Os anos, todavia, correm metodicamente, alheios à nossa vaidade e ignorância, e impuseram-me a restituição do organismo cansado ao seio acolhedor da terra. Sabem vocês, por experiência própria, o que nos acontece a essa altura da existência humana. Gritos estentóricos de familiares, pavor de afeiçoados, ataúde a
recender aromas de flores das convenções sociais. Em meio da perturbação geral, senti que sono brando se apoderava de mim. Nunca pude saber quantos dias gastei no repouso compulsório. Despertando, porém, debalde clamei por meu filho bem-amado. Sabia perfeitamente que abandonara a esfera carnal e ansiava por reencontrar-lhe o carinho.
Deixei a residência antiga, ferido de amargosas preocupações. Atravessei ruas e praças, de alma opressa. Atingi a Avenida, onde me dava ao luxo de palestrar sobre ciência e literatura.
E ali mesmo, junto ao aristocrático Café, divisei alguém que não me era estranho às relações individuais. Não tive dificuldades no reconhecimento. Era o Elpídio, integralmente transformado, evidenciando nobre posição espiritual, trocando idéias com outras entidades da vida superior. Não mais os sapatos velhos, nem o rosto suarento, mas singular aprumo, aliado a expressão simpática e bela, cheia de bondade e compreensão.
Aproximei-me, envergonhado. Quis dizer qualquer coisa que me revelasse a angústia, mas, obedecendo a impulso que eu jamais soube explicar, apenas pude repetir as antigas palavras dele:
— “Olá, meu irmão! Meus parabéns!”
Longe, todavia, de imitar-me o gesto grosseiro e tolo de outro tempo, o generoso tintureiro de Jacarepaguá abriu-me os braços, contente, e exclamou com sincera alegria:
— Ó meu amigo, que satisfação! Venha daí, vou conduzi-lo ao seu filho!
Aquela bondade espontânea, aquele fraternal esquecimento de minha falta eram por demais eloqüentes e não pude evitar as lágrimas copiosas!...
Nossa pequena assembléia de desencarnados achava-se igualmente comovida. Cipriano calou-se, enxugou os olhos úmidos e terminou:
— A experiência parece demasiadamente humilde; entretanto, para mim, representou lição das mais expressivas. Através dela, fiquei sabendo que a afabilidade é mais que um dever social, é alguma coisa de Deus que não subtrairemos ao próximo, sem prejudicar a nós mesmos."
("Pontos e Contos", Irmão X/Francisco Cândido Xavier)
sábado, 27 de dezembro de 2014
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
"SOMBRA"
"Não é o ouro que avilta.
É a sombra do egoísmo em forma de
avareza.
Não é a propriedade que
encarcera.
É a sombra do egoísmo em forma de
ambição.
Não é o poder que perturba.
É a sombra do egoísmo em forma de
tirania.
Não é a afeição que degrada.
É a sombra
do egoísmo em forma de violência.
Não é a autoridade que
envilece.
É a forma de egoísmo em forma de
opressão.
Não é o ponto de vista que
isola.
É a sombra do egoísmo em forma de
intolerância.
Não é o descanso que prejudica.
É a sombra do egoísmo em forma de
ociosidade.
Não é a despesa que arruína.
É a sombra do egoísmo em forma de
excesso.
Lícita é a lei do uso, em todas as províncias da vida,
mas,
em todas as províncias da vida, a lei
do uso pede simplicidade e
ponderação.
A árvore que produz milhares de frutos absorve da gleba
tão-somente o indispensável à própria
existência.
O rio, que fecunda o solo, transpondo léguas e léguas
para
atingir o oceano, satisfaz-se com a
faixa de terra em que se lhe
demarca o leito
preciso.
Na sustentação da própria felicidade, aprendamos a tomar
do
mundo apenas o necessário à paz da
consciência tranquila, no
cumprimento exato o dever que as
circunstâncias nos assinalam,
porque, se o amor desinteressado é a
luz de Deus a envolver-nos,
em toda a parte, o egoísmo, seja onde
for, é a sombra de nosso
espírito endividado,
enquistando-nos alma e sonho na carapaça do
“eu”."
(Emmanuel, na obra “Passos da Vida”, Francisco
Cândido Xavier/ Espíritos Diversos)
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
"INFLUÊNCIAS"
"Queixas-te de influências perniciosas que te desgastam a vida.
Alegas que espíritos sofredores te
vampirizam as horas e que obsessores te viciam os pensamentos.
-o-
E, muitas vezes, a cada dia,
experimentas tensão e desespero, cólera e enfermidade.
-o-
Para conjurar o perigo, recorres à
oração e aos conselhos edificantes.
Tais medidas, no entanto, não
obstante providenciais, podem ser comparadas às receitas médicas que, apesar de
preciosas, passam despercebidas, se os recursos indicados não forem usados
conforme as prescrições.
-o-
Isso equivale dizer que os agentes
externos são necessários à nossa própria preservação contra os males que nos
atormentam, entretanto, se nos propomos realmente a vencê-los, analisemos a
nossa posição individual no campo das influências.
-o-
Se sabemos marcar os que nos ferem,
aqueles aos quais ferimos igualmente podem marcar—nos.
-o-
Aos que nos sugiram algo, algo
conseguiremos também sugerir.
-o-
A solução do problema, em matéria e
influências nocivas, será alcançada se criarmos a força e a sugestão do bem no
ambiente menos desejável que nos rodeie.
-o-
Para isso é preciso que o
entendimento e a união se façam ingredientes essenciais de nossa própria
atitude.
-o-
Não temos necessidade de recear as
influências chamadas perniciosas, porquanto, se outros nos influenciam o
caminho, também nós desfrutamos a possibilidade influenciar o caminho
alheio.
E estamos convencidos de que tudo
aquilo que doarmos aos nossos irmãos para nós voltará."
(“Neste instante”, Emmanuel/Francisco Cândido
Xavier)
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
"ENCONTRO DE NATAL"
"Recolhes as melodias do Natal, guardando o pensamento engrinaldado pela ternura de harmoniosa canção.
Percebes que o céu te chama a partilhar os júbilos da exaltação do Senhor nas sombras do mundo.
Entretanto, misturada ao regozijo que te acalenta a esperança, carregas a névoa sutil de recôndita angústia, como se trouxesses no peito um canteiro de rosas orvalhado de lágrimas!...
É que retratas no espelho da própria emoção o infortúnio de tantos outros companheiros que foram inutilmente convidados para a consagração da alegria. Levantaste no lar a árvore da ventura doméstica, de cujos galhos pendem os frutos do carinho perfeito, entretanto, não longe, cambaleiam seguidores de Jesus, suspirando por leve proteção que os resguarde contra o frio da noite; banqueteias-te, sob guirlandas festivas, mas, a poucos passos da própria casa, mães e crianças desprotegidas, aguardando o socorro de Cristo, enlanguecem de fadiga, e necessidade; repetes hinos comovedores, tocados pela serena beleza que dimana dos astros, entretanto, nas vizinhança, cooperadores humildes do Mestre, choram cansados de penúria e aflição; abraças os entes queridos, desfrutando excesso de conforto, contudo, à pequena distância, esmorecem amigos de Jesus, implorando que Ihes dê a benção de uma prece e o consolo de uma palavra afetuosa, nas grades dos manicômios ou no leito dos hospitais...
Sim, quando refletes na glória da Manjedoura, sentes, em verdade, a presença do Cristo no coração!
Louva as doações divinas que te felicitam a existência, mas não te esqueças de que o Natal é o Céu que se reparte com a Terra, através do eterno amor que se derramou das estrelas.
Agradece o dom inefável da paz que volta, de novo, enriquecendo-te a vida, mas divide a própria felicidade, realizando, em nome do Senhor, a alegria de alguém!.."
("O Espírito da Verdade", Meimei/Francisco Cândido Xavier)
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
"A MANJEDOURA"
"As comemorações do Natal conduzem-nos o entendimento à eterna lição de humildade de Jesus, no momento preciso em que a sua mensagem de amor felicitou o coração das criaturas, fazendo-nos sentir, ainda, o sabor de atualidade dos seus divinos ensinamentos.A Manjedoura foi o Caminho.A exemplificação era a Verdade.O Calvário constituía a Vida.Sem o Caminho, o homem terrestre não atingirá os tesouros da Verdade e da Vida.É por isso que, emaranhados no cipoal da ambição menos digna, os povos modernos, perdendo o roteiro da simplicidade cristã, desgarra-se da estrada que os conduziria à evolução definitiva, com o Evangelho do Senhor.Sem Ele, que constitui o transunto de todas as ciências espirituais, perderam-se as criaturas humanas, nos desfiladeiros escabrosos da impiedade.Debalde, invoca-se o prestígio das religiões numerosas, que se afastaram da Religião Única, que é a Verdade ou a Exemplificação com o Cristo.Com as doutrinas da Índia, mesmo no seio de suas filosofias mais avançadas, vemos os párias miseráveis morrendo de fome, à porta suntuosa dos pagodes de ouro das castas privilegiadas.Com o budismo e com o sintoísmo, temos o Japão e a China mergulhados num oceano de metralha e de sangue.Com o Alcorão e com o judaísmo, temos as nefandas disputas da Palestina.Com o catolicismo, que mais de perto deveria representar o pensamento evangélico, na civilização ocidental, vemos basílicas sunptuosas e frias, onde já se extinguiram quase todas as luzes da fé. Aí dentro, com os requintes da ciência sem consciência e do raciocínio sem coração, assistimos as guerras absurdas da conquista pela força, identificamos o veneno das doutrinas extremistas e perversoras, verificamos a onda pesada de sangue fratricida, nas revoluções injustificáveis, e anotamos a revivescência das perseguições inquisitórias da Idade Média, com as mais sombrias perspectivas de destruição.Um sopro de morte atira ao mundo atual supremo cartel de desafio.Não obstante o progresso material sente a alma humana que sinistros vaticínios lhe pesam sobre a fronte. É que a tempestade de amargura na dolorosa transição do momento significa que o homem se mantém muito distante da Verdade e da Vida.As lembranças do Natal, porém, na sua simplicidade, indicam à Terra o caminho da Manjedoura...Sem Ele, os povos do mundo não alcançarão as fontes regeneradoras da fraternidade e da paz.Sem Ele, tudo será perturbação e sofrimento nas almas, presas no turbilhão das trevas angustiosas, porque essa estrada providencial para os corações humanos é ainda o Caminho esquecido da Humildade."
(Emmanuel, na obra "Antologia Mediúnica do Natal" , Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
"ATUALIDADE DO NATAL"
"Andando
sem rumo, sob o flagício de mil aflições, o homem moderno deixa-se dominar pelo
desânimo ou pela ansiedade, malbaratando o valioso contributo da inteligência e
do sentimento com que a vida o enriqueceu, exaurindo-se, ora no consumismo
insensato, ora na revolta desastrada por falta de recursos econômicos ou
emocionais para realizar-se.
A
insatisfação é a tônica do comportamento individual e social que vige na
Terra.
Aqueles
indivíduos que experimentam carência de qualquer natureza lamentam-se e
rebolcam-se na rebeldia, que degenera em violência, enquanto aqueloutros que se
encontram afortunados, deixam-se dominar pelas extravagâncias ou pelo tédio,
derrapando, uns e outros, nas viciações perturbadoras ou na dependência de
substâncias químicas de funestas conseqüências.
As
admiráveis conquistas da Ciência e da Tecnologia não os tornaram mais felizes
nem menos tensos, pelo contrário, empurraram-nos na direção trágica da
neurastenia ou da depressão nas quais estorcegam.
Indubitavelmente
trouxeram incomparável ajuda para a solução de diversos sofrimentos e situações
penosas, de progresso rnateriall e social, porém, não conseguiram penetrar o
cerne dos seres humanos, modificando-lhes as disposições íntimas em relação à
existência terrena e aos seus objetivos essenciais.
Considerando
a vida apenas do ponto de vista material, sem as conseqüentes avaliações em
torno do Espírito imortal, o comportamento materialista domina as mentes e os
corações, que acreditam na felicidade em forma de valores amoedados, satisfações
dos sentidos, destaque social e harmonia física...
Vive-se
o apogeu da glória tecnológica diante dos descalabros comportamentais que
jugulam os seres humanos aos estados primevos da evolução.
Há
conquistas do Infinito sem realização pessoal, sorrisos de triunfo sem
sustentação de felicidade, que logo se transformam em esgares, situações
invejáveis mas alicerçadas na miséria, na doença e no desconforto das pessoas
excluídas...
Faltando-lhes,
porém, a vivência dos compromissos ético-morais, logo se lhes apresentam os
desapontamentos íntimos, e os conflitos se lhes instalam
devoradores.
Uma
tormenta inigualável paira nos céus da sociedade moderna, ameaçando-a com
tragédias inomináveis.
*
Em
período idêntico, no passado, salvadas as distâncias compreensíveis, veio Jesus
à Terra.
O
mundo encontrava-se conturbado pelo poder mentiroso, pela falácia dos
dominadores, pelas ambições desmedidas, pelas conquistas arbitrárias, pelas
ilusões tresvariadas...
Predominavam
o luxo e a ostentação em alguns segmentos da humanidade, enquanto nos porões do
abandono em que desfaleciam, incontáveis criaturas espiavam angustiadas o passar
do tufão devorador...
Apareceu
Jesus, e una aragem abençoada varreu o mundo, modificando-lhe a
psicosfèra.
Sua
voz levantou-se para profligar contra o crime e a insensatez, contra a
indiferença dos fortes em relação aos seus irmãos mais fracos, contra a
hipocrisia e o egoísmo então vigentes e dominantes como hoje
ocorrem......
Misturando-se
aos mutilados do corpo e da alma, ergueu-os do pó em que se asfixiavam,
conduzindo-os na direção da glória estelar, demonstrando-lhes que a vida física
é experiência transitória, e que os valores reais são os que pertencem ao
Espírito imortal.
Utilizou-se
da cátedra da Natureza e ensinou a fèlicidade mediante o desapego e o
despojamento das alucinantes prisões às coisas e às paixões
materiais.
Cantou
a esperança aos ouvidos da angústia e proporcionou a saúde temporária a quantos
se Lhe acercaram, alentando-os com a certeza da plenitude após vencidas as
etapas de regeneração e de resgate que todos os seres se impõem no processo da
evolução.
Atendeu
a dor de todos os matizes, defendeu os pobres e oprimidos, os esfaimados e
sedentos de justiça, a quem ofereceu os preciosos recursos de paz. No entanto,
quando acusado, abandonado, marchando para o testemunho, elegeu o silêncio, a
submissão à vontade de Deus, a fim de ensinar pelo exemplo resignação e
misericórdia para com os maus e perversos, confirmando a indiferença pelos
valores do mundo físico destituídos de utilidade
...
E permanece até hoje como o Triunfador não conquistado, que prossegue alentando
os padecentes, convocando-os à transformação moral para a conquista dos
imperecíveis tesouros internos do amor, do perdão, da caridade, da
paz...
*
Recorda-te
de Jesus neste Natal e reaproxima--te dEle, analisando como te encontras e de
que forma deverias estar moralmente, conscientizando-te do que já fizeste e de
quanto ainda podes e deves investir em favor de ti mesmo e do teu próximo mais
próximo, no lar, na rua, na humanidade...
O
Natal é presença constante do amor e do bem na atualidade de todos os
tempos.
Não
te esqueças que a evocação do nascimento do Excelente Filho de Deus entre as
criaturas humanas, é um convite para que O permitas renascer no teu íntimo, se
estiver desaparecido da tua emoçao, ou prosseguir vivo e atuante nos teus
sentimentos, convidados à construção da solidariedade, do dever e da lídima
fraternidade que deve viger entre todos os seres sencientes que vagueiam no
Planeta .
...
E deixa que Jesus te fale novamente à acústica do coração e aos escaninhos da
mente, repetindo-te o poema imortal das Bem -aventuranças."
(Franco,
Divaldo Pereira. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Página psicografada pelo
médium Divaldo P. Franco, no dia 20 de setembro de 2002, no Centro Espírita
Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia)
domingo, 21 de dezembro de 2014
"O ANJO DA LIMPEZA"
"Adélia ouvira falar em Jesus e tomara-se de tamanha paixão pelo Céu que nutria um desejo único — ser anjo para servir ao Divino Mestre.
Para isso, a boa menina fez-se humilde e crente, e, quando se não achava na escola em contacto com os livros, mantinha-se na câmara de dormir em preces fervorosas.
Cercava-se de lindas gravuras, em que os artistas do pincel lembram a passagem do Cristo entre os homens, e, em lágrimas, repetia: — “Senhor, quero ser tua! quero servir-te!...”
A Mãezinha, em franca luta doméstica, embalde convidava-a aos serviços da casa.
Adélia sorria, abraçava-se a ela e reafirmava o propósito de preparar-se para a companhia do Divino Amigo.
A bondosa senhora, observando que o ideal da filha só merecia louvores, deixava-a em paz com os estudos e orações de cada dia.
Meses correram sobre meses e a jovem prosseguia inalterável.
Orando sempre, suplicava ao Senhor a transformasse num anjo.
Decorridos dois anos de rogativas, sonhou, certa noite, que era visitada pelo Mestre Amoroso.
Jesus envolvia-se em vasta auréola de claridade sublime. A túnica luminosa, a cair-lhe dos ombros com graça e beleza, parecia de neve coroada de sol.
Estendendo-lhe a destra compassiva, o Cristo observou-lhe:
— Adélia, ouvi tuas súplicas e venho ao teu encontro. Desejas realmente servir-me?
— Sim, Senhor! — respondeu a pequena, inflamada de comoção jubilosa, convencida de que o Salvador a conduziria naquele mesmo instante para o Céu.
— Ouve! — tornou o Mestre, docemente.
Ansiosa de pôr-se a caminho do paraíso, a jovem replicou, reverente:
— Dize, Senhor! estou pronta!... Leva-me contigo, sinto-me aflita para comparecer entre os que retêm a glória de servir-te no plano celestial!...
O Cristo sorriu, bondoso, e considerou:
— Não, Adélia. Nosso Pai não te colocou inutilmente na Terra. Temos enorme serviço neste mundo mesmo. Estimo tuas preces e teus pensamentos de amor, mas preciso de alguém que me ajude a retirar o lixo e os detritos que se amontoam, não longe de tua casa. Meninos Cruéis prejudicaram a rede de esgoto, a pequena distância do teu lar. Aí se concentra perigoso foco de moléstias, ameaçando trabalhadores desprevenidos, mães devotadas e crianças incautas. Vai, minha filha! Ajuda-me a salvá-los da morte. Estarei contigo, auxiliando-te nessa meritória tarefa.
A menina preocupada quis fazer perguntas, mas o Mestre afastou-se, de leve...
Acordou sobressaltada.
Era dia.
Vestiu-se à pressa e procurou a zona indicada. Corajosa muniu-se de desinfetantes, armou-se de enxada e vassoura pediu a contribuição materna, e o foco infeccioso foi extinto.
A discípula obediente, todavia, não parou mais.
Diariamente, ao regressar da escola, punha-se a colaborar com a Mamãe, em casa, zelando também quanto lhe era Possível pela higiene das vias públicas e ensinando outras crianças a serem tão Cuidadosas, quanto ela mesma. Tanto trabalhou e se esforçou que, certo dia, o diretor do grupo escolar lhe conferiu o título de Anjo da Limpeza. Professoras e colegas comemoraram festivamente o acontecimento.
Chegada a noite, dormiu contente e sonhou que Jesus vinha encontrá-la, de novo.
Nimbado de luz, abraçou-a, com ternura, e disse-lhe brandamente:
— Abençoada sejas, filha minha! agora, que os próprios homens te reconhecem por benfeitora, agradeço-te os serviços que me prestas diariamente. Anjo da Limpeza na Terra, serás Anjo de Luz no Paraíso.
Em lágrimas de alegria intensa, Adélia despertou, feliz, compreendendo, cada vez mais, que a verdadeira ventura reside em colaborar com o Senhor, nos trabalhos do bem, em toda parte."
("Alvorada Cristã", Neio Lúcio/Francisco Cândido Xavier)
Para isso, a boa menina fez-se humilde e crente, e, quando se não achava na escola em contacto com os livros, mantinha-se na câmara de dormir em preces fervorosas.
Cercava-se de lindas gravuras, em que os artistas do pincel lembram a passagem do Cristo entre os homens, e, em lágrimas, repetia: — “Senhor, quero ser tua! quero servir-te!...”
A Mãezinha, em franca luta doméstica, embalde convidava-a aos serviços da casa.
Adélia sorria, abraçava-se a ela e reafirmava o propósito de preparar-se para a companhia do Divino Amigo.
A bondosa senhora, observando que o ideal da filha só merecia louvores, deixava-a em paz com os estudos e orações de cada dia.
Meses correram sobre meses e a jovem prosseguia inalterável.
Orando sempre, suplicava ao Senhor a transformasse num anjo.
Decorridos dois anos de rogativas, sonhou, certa noite, que era visitada pelo Mestre Amoroso.
Jesus envolvia-se em vasta auréola de claridade sublime. A túnica luminosa, a cair-lhe dos ombros com graça e beleza, parecia de neve coroada de sol.
Estendendo-lhe a destra compassiva, o Cristo observou-lhe:
— Adélia, ouvi tuas súplicas e venho ao teu encontro. Desejas realmente servir-me?
— Sim, Senhor! — respondeu a pequena, inflamada de comoção jubilosa, convencida de que o Salvador a conduziria naquele mesmo instante para o Céu.
— Ouve! — tornou o Mestre, docemente.
Ansiosa de pôr-se a caminho do paraíso, a jovem replicou, reverente:
— Dize, Senhor! estou pronta!... Leva-me contigo, sinto-me aflita para comparecer entre os que retêm a glória de servir-te no plano celestial!...
O Cristo sorriu, bondoso, e considerou:
— Não, Adélia. Nosso Pai não te colocou inutilmente na Terra. Temos enorme serviço neste mundo mesmo. Estimo tuas preces e teus pensamentos de amor, mas preciso de alguém que me ajude a retirar o lixo e os detritos que se amontoam, não longe de tua casa. Meninos Cruéis prejudicaram a rede de esgoto, a pequena distância do teu lar. Aí se concentra perigoso foco de moléstias, ameaçando trabalhadores desprevenidos, mães devotadas e crianças incautas. Vai, minha filha! Ajuda-me a salvá-los da morte. Estarei contigo, auxiliando-te nessa meritória tarefa.
A menina preocupada quis fazer perguntas, mas o Mestre afastou-se, de leve...
Acordou sobressaltada.
Era dia.
Vestiu-se à pressa e procurou a zona indicada. Corajosa muniu-se de desinfetantes, armou-se de enxada e vassoura pediu a contribuição materna, e o foco infeccioso foi extinto.
A discípula obediente, todavia, não parou mais.
Diariamente, ao regressar da escola, punha-se a colaborar com a Mamãe, em casa, zelando também quanto lhe era Possível pela higiene das vias públicas e ensinando outras crianças a serem tão Cuidadosas, quanto ela mesma. Tanto trabalhou e se esforçou que, certo dia, o diretor do grupo escolar lhe conferiu o título de Anjo da Limpeza. Professoras e colegas comemoraram festivamente o acontecimento.
Chegada a noite, dormiu contente e sonhou que Jesus vinha encontrá-la, de novo.
Nimbado de luz, abraçou-a, com ternura, e disse-lhe brandamente:
— Abençoada sejas, filha minha! agora, que os próprios homens te reconhecem por benfeitora, agradeço-te os serviços que me prestas diariamente. Anjo da Limpeza na Terra, serás Anjo de Luz no Paraíso.
Em lágrimas de alegria intensa, Adélia despertou, feliz, compreendendo, cada vez mais, que a verdadeira ventura reside em colaborar com o Senhor, nos trabalhos do bem, em toda parte."
("Alvorada Cristã", Neio Lúcio/Francisco Cândido Xavier)
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