terça-feira, 18 de novembro de 2014

"DIANTE DA TERRA"

"Diante da luta humana, o espírito que amadureceu o raciocínio e despertou o coração, sente-se cada vez mais só, mais desajustado e menos compreendido.

Por vagas crescentes de renovação, gerações diferentes surgem no caminho, impondo-lhe conflitos sentimentais e lutas acerbas.

Estranha sede de harmonia invade-lhe a alma.

Habitualmente, identifica-se por estrangeiro na esfera da própria família.

Ilhado pela corrente escura das desilusões, a se sucederem, ininterruptas, confia-se ao tédio infinito, guardando enrijecido o coração.

Essa, porém, não é a hora da desistência ou do desânimo.

O fruto amadurecido é a riqueza do futuro.

Quem se equilibra no conhecimento é o apoio daquele que oscila na ignorância.

Que será da escola quando o aluno, guindando à condição de mestre, fugir do educandário, a pretexto de não suportar a insipiência e a rudeza dos novos aprendizes? E quem estará assim tão habilitado, perante o Infinito, ao ponto de menoscabar a oportunidade de prosseguir na aquisição da Sabedoria?

A Terra é a venerável instituição onde encontramos os recursos indispensáveis para atender ao nosso próprio burilamento.

Milhões de vidas formam o pedestal em que nos erigimos e, alcançando o grande entendimento, cabe-nos auxiliar as vidas iniciantes, por nossa vez.

Por isso, na plenitude do discernimento, reclamamos uma fé que nos reaqueça a alma e nos soerga a visão, a fim de que a madureza de espírito seja reconhecida por nós como o mais belo e o mais valioso período de nossa romagem no mundo, ensinando-nos a agir sem apego e a servir sem recompensa.

Situados no cimo da grande compreensão, não prescindimos da grande serenidade.

Se, com o decurso do tempo, registramos o nosso isolamento íntimo, quando alimentados pelo ideal superior, depressa observamos a nossa profunda ligação com a Humanidade inteira.

Informamo-nos, pouco a pouco, de que ninguém é tão indigente que não possa concorrer para o progresso comum e tomamos, com firmeza, o lugar que nos compete no edifício da harmonia geral, distribuindo fragmentos de nós mesmos, no culto da fraternidade bem vivida.

Valendo-nos da ressurreição de hoje para combater a morte de ontem, encontramos na luta o esmeril que polirá o espelho de nossa consciência, a fim de nos convertermos em fiéis refletores da beleza divina.

O mundo, por mais áspero, representará para o nosso espírito a escola de perfeição, cujos instrumentos corretivos bendiremos, um dia. Os companheiros de jornada que o habitam, conosco, por mais ingratos e impassíveis, são as nossas oportunidades de materialização do bem, recursos de nossa melhoria e de nossa redenção, e que, bem aproveitados por nosso esforço, podem transformar-nos em heróis.

Não há medida para o homem, fora da sociedade em que ele vive. Se é indubitável que somente o nosso trabalho coletivo pode engrandecer ou destruir o organismo social, só o organismo social pode tornar-nos individualmente grandes ou miseráveis.

A comunidade julgar-nos-á sempre pela nossa atitude dentro dela, conduzindo-nos ao altar do reconhecimento, ao tribunal da justiça ou à sombra do esquecimento.

O Espiritismo, sob a luz do Cristianismo, vem ao mundo para acordar-nos.

A Terra é o nosso temporário domicílio.

A Humanidade é a nossa família real.

Todos estamos destinados por Deus a gloriosa destinação.

Em razão disso, Jesus, o Divino Emissário do Amor para todos os séculos, proclamou com a realidade irretorquível: _ “Das ovelhas que o Pai me confiou nenhuma se perderá.”


("Roteiro", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"INTRIGAS E ACUSAÇÕES"

       "Quanto possível, abstém-te de assuntos infelizes.
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       Muitas vezes, quem te fala contra os outros pode trazer a imaginação doente ou superexcitada.
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       Quando alguém, porventura, se te faça veículo de alguma intriga, tanto é digna de compaixão a pessoa que te trouxe essa bomba verbal, quanto a outra que a teria criado.
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       Uma frase imperfeitamente ouvida será sempre uma frase mal interpretada.
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       A criatura que se precipita em julgamentos errôneos, a teu respeito, talvez seja vítima de lastimável engano.
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       Muitas pessoas de hábitos cristalizados em comentários descaridosos, em torno da vida alheia, estão a caminho de tratamentos médicos, dos mais graves.
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       Se trazes a consciência tranquila, as opiniões negativas efetivamente não te alcançam.
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       Diante de críticas recebidas, observa até que ponto são verídicas e aceitáveis, para que venhamos a retificar em nós aquilo que nos desagrada nos outros.
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       Conhecendo algum desequilíbrio em andamento, auxilia em silêncio naquilo em que possas cooperar sem alarde, sem referir a ninguém, quanto ao esforço de reajuste que sejas capaz de desenvolver.
*
       Compadece-te dos acusadores e ora, em favor deles, rogando a Deus para que sejam favorecidos com a bênção de paz que desejamos para nós."
***

(“Calma”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 16 de novembro de 2014

"NO REINO EM CONSTRUÇÃO"

"Na casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para vos preparar o lugar.” JESUS – JOÃO, 14: 2.
“Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação.” — E.S.E., Cap. III, 14.

       "Escutaste o pessimismo que se esmera em procurar as deficiências da Humanidade, como quem se demora deliberadamente nas arestas agressivas do mármore de obra-prima inacabada e costumas dizer que a Terra está perdida.
       Observa, porém, as multidões que se esforçam silenciosamente pela santificação do porvir.
*
       Compulsaste as folhas da imprensa, lendo a história do autor de homicídio lamentável e, sob extrema revolta, trouxeste ao labirinto das opiniões contraditórias a tua própria versão do acontecimento, asseverando que estamos todos no teatro do crime.
       Recorda, contudo, os milhões de pais e mães, tocados de abnegação e heroísmo, que abraçam todos os sacrifícios no lar para que a delinquência desapareça.
       Conheceis jovens que se transviaram na leviandade, desvairando-se em golpes de selvageria e loucura e, examinando acremente determinados sucessos que devem estar catalogados na patologia da mente, admites que a juventude moderna se encontra em adiantado processo de desagregação do caráter.
       Relaciona, todavia, os milhões de rapazes e meninas, debruçados sobre livros e máquinas, através do labor e do estudo, em muitas circunstâncias imolando o próprio corpo à fadiga precoce, para integrarem dignamente a legião do progresso.
       Sabes que há companheiros habituados aos prazeres noturnos e, ao vê-los comprando o próprio desgaste a preço de ouro, acreditas que toda a comunidade humana jaz entregue à demência e ao desperdício.
       Reflete, entretanto, nos milhões de cérebros e braços que atravessam a noite, no recinto das fábricas e juntos dos linotipos, em hospitais e escritórios, nas atividades da limpeza e da vigilância, de modo a que a produção e a cultura, a saúde e a tranquilidade do povo sejam asseguradas.
       Marcaste o homem afortunado que enrijeceu mãos e bolsos, na sovinice, e esposas a convicção de que todas as pessoas abastadas são modelos completos de avareza e crueldade.
       Considera, no entanto, os milhões de tarefeiros do serviço e da beneficência, que diariamente colocam o dinheiro em circulação, a fim de que os homens conheçam a honra de trabalhar e a alegria de viver.
*
       Não condenes a Terra pelo desequilíbrio de alguns.
       Medita em todos os que se encontram suando e sofrendo, lutando e amando, no levantamento do futuro melhor, e reconhecerás que o Divino Construtor do Reino de Deus no mundo está esperando também por ti."
(“Livro da Esperança”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 15 de novembro de 2014

"ANTE A FAMÍLIA MAIOR"



       "Se podes transportar as dificuldades que te afligem num corpo robusto e razoavelmente nutrido, reflete naqueles nossos irmãos da família maior que a penúria vergasta.
       Diante deles, não permitas que considerações da natureza inferior te cerrem as portas do sentimento.
       Se algo possuis para dar, não atrases a obra do bem e nem te baseies nas aparências para sonegar-lhes cooperação.
       Aceitemo-los como sendo tutores paternais ou filhos inesquecíveis largados no mar alto da experiência terrestre e que a maré da provação nos devolve, qual se fossemos para eles o cais da esperança.
       Muitos chegam agressivos; entretanto, não julgues sejam eles especuladores da violência. Impacientaram-se na expectativa de um socorro que se lhes afigurava impossível e deixaram que a exasperação os enceguecesse.
       Outros se apresentam marcados por hábitos lastimáveis; todavia, não admitas estejam na posição de escravos irresgatáveis do vício. Atravessaram longas trilhas de sombra, e, desenganados quanto à chegada de alguém que lhes fizesse luz no caminho, tombaram desprevenidos nos precipícios da margem.
       Surpreendemos os que aparecem exteriormente bem-postos e aqueles que dão a ideia de criaturas destituídas de qualquer noção de higiene, mas não creias, por isso, vivam acomodados à impostura e ao relaxamento. Um a um, carregam desdita e enfermidade, tristeza e desilusão.
       Não duvidamos que  existam, em alguns raros deles, orgulho e sovinice; no entanto, isso nunca sucede no tamanho e na extensão da avareza e da vaidade que se ocultam em nós, os companheiros indicados a estender-lhes as mãos.
       Se rogam auxílio não poderiam ostentar maior credencial de necessidade que a dor de pedir.
       Sobretudo, convém acrescentar que nenhum deles espera possamos resolver-lhes todos os problemas cruciais do destino. Solicitam somente essa ou aquela migalha de amor, à feição do peregrino sedento que suplica um copo d’água para ganhar energia e seguir adiante.
       Esse pede uma frase de bênção, aquele um sorriso de apoio, outro mendiga um gesto de brandura ou um pedaço de pão...
       Abençoa-os e faze, em favor deles, quanto possas, se te esqueceres de que o Eterno Amigo nos segue os passos, em divino silêncio, após haver dito  cada um de nós, na acústica dos séculos:
       — “Em verdade, tudo aquilo que fizerdes ao menor dos pequeninos é a mim que o fizestes.”

(Emmanuel, na obra “Estude e Viva”, Emmanuel e André Luiz/Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)
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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

"SEMENTES DO CAMINHO"


"Tem cuidado, estrada afora,
Sofrendo, sorrindo, amando...
Enquanto a galinha dorme,
A raposa está velando.

Entre as maldades da Terra,
Não te percas, meu amigo ;
Se fores ver algum lobo,
Conduze algum cão contigo.

Vigia sobre ti mesmo
Se queres a própria cura,
Que os erros da Medicina
Não saem da sepultura.

Não te afastes do equilíbrio:
Sobriedade nunca é pouca.
Quando é fácil a receita,
A despesa é sempre louca.

Em teus hábitos no mundo,
Não permaneças dormindo.
A loucura inventa as modas
E a tolice vai seguindo.

Se um dia fores bigorna,
Seja a calma o teu segredo;
Mas quando fores martelo,
Rebate forte e sem medo.

Teme apenas a ti mesmo
Na esfera de teu dever.
Quem se amedronta consigo
Nada mais tem a temer.

Fala pouco e pensa muito.
Não gastes verbo ilusório.
De palavras em palavras,
Caímos no purgatório.

Procura a simplicidade,
Não gastes a própria sorte;
Por enquanto, não chegaste
À grave questão da morte.

Buscas a paz do infinito
E a claridade sem véu?
Trabalha e auxilia o mundo,
Guardando a visão do céu."


("Gotas de Luz", Casimiro Cunha/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"MISERICÓRDIA"

"Não aguardes a queda espetacular do próximo, nos despenhadeiros do crime ou do sofrimento, para exercer o dom da misericórdia que o Senhor cultivou em nossa fé.

Mais vale o amparo previdente na preservação do equilíbrio, que o remédio de efeito problemático no reajuste.

Não desperdices teus minutos, na expectação inoperante, exclamando à frente dos problemas difíceis:

-Amanhã farei alguma coisa.

-Depois, tentarei realizar.

-Um dia chegará...

-Quando a oportunidade surgir...

Ataca, hoje mesmo, o serviço da fraternidade, para que a compaixão não seja em teu espírito um ornamento inútil.

Sê misericordioso para com os que te cercam.

Inicia a obra de benemerência, em tua própria casa, distribuindo algumas palavras de incentivo com quem te comunga o cálice de luta.

Ajuda aos mentores de teu caminho com algum sorriso de compreensão, restaura a coragem na alma da esposa, restabelece o bom ânimo do companheiro, auxilia os irmãos, usando a chave milagrosa do carinho, e não te esqueças do apoio que os corações juvenis reclamam de tua boa vontade e de tua experiência que o Cristo enriqueceu.

Há mil meios de praticar a misericórdia a cada dia.

Não olvides o silêncio para a calúnia, a bondade para com todos, a gentileza incessante, a frase amiga que reconforta, a roupa que se fez inútil para o corpo, suscetível de ser aproveitada pelo irmão mais necessitado, o pão dividido, a prece em comum, a conversação edificante, o gesto espontâneo de solidariedade...

Ninguém é tão pobre que não possa dar alguma coisa aos semelhantes, e aquele que se compadece e ajuda cede ao próximo algo de si mesmo.

Não te detenhas, portanto.

Não admitas que a incerteza ou o temor te imobilizem o passo.

Vale-te das horas e auxilia sempre, sem ostentação de virtude, sem reclamação, sem alarde, e a vida entesourará as tuas migalhas de amor, delas formando a tua riqueza imperecível na bem-aventurança espiritual."


("Instrumentos do tempo", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

"CONFIDÊNCIA DE MÃE"

"Dei-te um berço de rendas e de flores,
Adorei-te por nume excelso e amigo
E inclinei-te, meu filho, a ser comigo
Soberano de sonhos tentadores.

Ordenava no orgulho que maldigo:
— “Não te curves nem sirvas, aonde fores...”
Entreguei-te mentiras por louvores
E enganosa fortuna por abrigo.

Hoje, de alma surpresa, torno à casa!
Tremo ao ver-te no luxo que te arrasa,
Como quem dorme em trágico veneno!

E choro, filho meu, choro vencida,
Por guardar-te entre os grandes toda a vida,
Sem jamais ensinar-te a ser pequeno."

               (Andradina  de  Oliveira, na obra “Luz no Lar”, de Francisco Cândido Xavier – Diversos Espíritos)