quinta-feira, 21 de agosto de 2014

"A pretensão humana..."




"A pretensão  humana não tem limites e cada indivíduo pretensioso está sempre assessorado por entidades mistificadoras."
("O Centro Espírita", José Herculano Pires)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

"EVOCAÇÕES PARTICULARES - MÃE, ESTOU AQUI!"


= "Revista Espírita", Janeiro de 1858 =

"A senhora X havia perdido, há alguns meses, sua filha única, de catorze anos de idade, objeto de toda a sua ternura, e muito digna de seus lamentos pelas qualidades que prometiam fazer, dela, uma mulher perfeita. Essa jovem pessoa havia sucumbido a uma longa e dolorosa doença. A mãe, inconsolável com essa perda, via, dia a dia, sua saúde alterar-se, e repetia, sem cessar, que iria logo juntar-se com sua filha. Instruída quanto à possibilidade de se comunicar com os seres de além-túmulo, a senhora X resolveu procurar, em uma conversa com a sua criança, um alívio para sua pena. Uma dama de seu conhecimento era médium, mas, pouco experimentadas, uma e outra, para semelhantes evocações, sobretudo, em uma circunstância tão solene, me convida para assistir. Não éramos senão três: A mãe, a médium e eu. Eis o resultado dessa primeira sessão. a mãe. Em nome de Deus Todo-Poderoso, Espírito de Julie X, minha filha querida, eu te peço vir se Deus o permite.

julie. Mãe! Eu estou aqui.

a mãe. É mesmo tu, minha criança, quem me responde? Como posso saber que és tu?

julie. Lili.
(Era um pequeno nome familiar dado à jovem, em sua infância; não era conhecido nem pelo médium nem por mim, já que, desde vários anos, não a chamava senão pelo seu nome de Julie. A esse sinal, a identidade era evidente; a mãe, não podendo dominar sua emoção, explode em soluços).

julie. Mãe! Por que se afligir? Sou feliz; bem feliz; não sofro mais e te vejo sempre.

a mãe. Mas eu não te vejo. Onde estás?

julie. Aí; ao lado de ti, minha mão sobre a senhora Y (a médium) para fazer com que
escreva, o que te digo. Veja minha escrita. (A escrita era, com efeito, a da sua filha.)

a mãe. Tu dizes: minha mão; tens, pois, um corpo?

julie. Não tenho mais esse corpo que me fazia sofrer; mas tenho dele a aparência. Não estás contente, que eu não sofra mais, uma vez que posso conversar contigo?

a mãe. Se eu te visse, pois, te reconheceria?

julie. Sim, sem dúvida, e tu já me tens visto, freqüentemente, em teus sonhos.


a mãe. Eu te revi, com efeito, em meus sonhos, mas, acreditei que era um efeito da minha imaginação, uma lembrança.

julie. Não; sou eu que estou sempre contigo, e que procura te consolar; fui eu quem te inspirou a idéia de me evocar. Tenho muitas coisas a dizer-te. Desconfie do senhor F, ele não é franco.
(Esse senhor, só conhecido de minha mãe, e assim nomeado espontaneamente, era uma nova prova da identidade do Espírito que se manifestava.)

a mãe. Que pode, pois, fazer contra mim o senhor F?

julie. Não posso dizer-te; isso me é proibido. Não posso mais que advertir-te para dele desconfiar.

a mãe. Estás entre os anjos!

julie. Oh! não ainda; não sou bastante perfeita.

a mãe. Não te reconheço, no entanto, nenhum defeito; tu eras boa, doce, amorosa e
benevolente para todo o mundo; será que isso não basta?

julie. Para ti, mãe querida, eu não tinha nenhum defeito; eu acreditava nisso; tu me dizias, muito freqüentemente! Mas, no presente, vejo o que me falta para ser perfeita. a mãe. Como adquirires as qualidades que te faltam?

julie. Em novas existências, que serão mais e mais felizes.

a mãe. Será na Terra que terás essas novas existências?

julie. Disso não sei nada.

a mãe. Uma vez que não havias feito mal durante tua vida, porque tanto sofreste?

julie. Prova! Prova! Eu a suportei com paciência, pela minha confiança em Deus; por isso, sou bem feliz hoje. Até breve, mãe querida!

Em presença de semelhantes fatos, quem ousaria falar do nada do túmulo, quando a vida futura se nos revela, por assim dizer, palpável? Essa mãe, minada pelo desgosto, goza, hoje, de uma felicidade inefável por poder conversar com sua criança; não há mais, entre elas, separação; suas almas se confundem e se expandem, no seio uma da outra, pela permuta dos seus pensamentos.

Malgrado o véu do qual cercamos essa relação, não nos permitiríamos publicá-la, se para isso não estivéssemos formalmente autorizados. Pudessem, disse-nos essa mãe, todos aqueles que perderam suas afeições na Terra, experimentar a minha mesma consolação!

Não acrescentaremos senão uma palavra endereçada àqueles que negam a existência dos bons Espíritos; nós lhes perguntaremos como poderiam provar que o Espírito dessa jovem era um demônio malfazejo."

terça-feira, 19 de agosto de 2014

"INICIAÇÃO MEDIÚNICA"

"Assinalas contigo o fenômeno mediúnico e ante as emoções diferentes que te invadem o mundo íntimo, experimentas a perturbação e a dor...
Em vista disso, rogas orientação e socorro. Não olvides, porém, que o problema reside em ti mesmo e que não te reajustarás sem a própria cooperação.
O médico poderá ser competente e caritativo, entretanto, não dispõe de recursos para salvar o enfermo que não deseja curar-se.
Se pretendes equilíbrio e segurança, antes de tudo, através da oração, solicita à Divina Providência te auxilie a policiar a própria mente, sustentando o bem a teu próprio favor.
Em seguida, trabalha na extensão desse mesmo bem, quanto estiver ao teu alcance, porque todos os processos de obsessão, quase sempre nascidos da força mediúnica inconsciente, crescem na medida de tuas horas inúteis.
Assim sendo, ainda mesmo com sacrifício cumpre teus deveres no lar ou no círculo de trabalho em que o Senhor te situou a existência, empregando o cérebro e o coração naquilo que possas realizar de melhor. E, além das obrigações naturais que te enriquecem a luta, refugia-te no estudo nobre e na caridade incansável, alavancas seguras de tua libertação.
O livro edificante opera o saneamento da alma, descerrando-te os mais elevados caminhos da Terra e o serviço prestado desinteressadamente ao próximo ampara-te com os valores da simpatia, angariando-te as bênçãos do Céu.
O doente a quem ajudas será remédio em tuas feridas e o desesperado a quem reconfortas será consolo em teu coração.
Não reclames do Cristo o milagre de teu reajuste. Pede ao Mestre Divino te conceda serviço e entendimento, para que restaures a ti próprio, enfileirando-te entre os servidores leais da luz.
Não te queixes dos adversários e perseguidores desencarnados. Eles são nossos próprios companheiros, afetos do nosso “ontem”, que deixamos à retaguarda, em muitas circunstâncias, envenenados por nossas próprias ações destrutivas.
Se aguardamos proteção e carinho dos benfeitores que se erguem na Altura, acima de nós, como fugir ao concurso aos nossos irmãos menos felizes, que sofrem, dementados, entre a delinquência e a miséria, para que se retirem do tenebroso vale das sombras, ao qual, muitas vezes, se arrojaram com o impensado impulso de nossas mãos?
Oferece-lhes, assim, o teu exemplo vivo na paciência e na abnegação, na fé e na caridade, na tolerância e no dever dignamente cumprido, para que leiam em tua vida a cartilha da própria transformação.
Não basta, pois, desenvolver a mediunidade que trazes, latente. É indispensável te aprimores, através do trabalho e da prece, com bases na fraternidade e no estudo, para que te faças operário do Cristo com que o Cristo possa contar.
Não percas tempo, entre o anestésico do desânimo e o fel da lamentação.
Devotemo-nos ao bem de todos, aprendendo e auxiliando, amando e servindo sempre.
Ser “médium” significa ser “medianeiro”.

Não vale, desse modo, apenas guardar o título. É imprescindível a nossa expansão no discernimento e no mérito, na compreensão e na bondade, com utilidade para os outros e aperfeiçoamento de nós mesmos, que nos habilitem a ser devotados artífices do amor e fiéis mensageiros da luz."
("Temas da Vida", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

"CAMINHO CERTO"


 
        "Não te esqueças de que a tua vida toma a direção dos teus passos.
       O caminho que percorres é o de teus interesses e necessidades.
       Existem caminhos para os cimos e estradas para o abismo.
       Acautela-te contra os atalhos — caminhos de aparência tranquila mas repletos de desilusões.
       É penoso recomeçar a jornada, depois de longo trecho percorrido.
       Certifica-te de que estejas no rumo certo.
       Facilidades extremas são indícios de caminhos sinuosos.
       Muitas pedras de tropeço são degraus de ascensão, escoras para os teus pés.
       Não te apresses. Passo a passo, avança sustentando a cruz."

(“Vigiai e Orai”, Irmão José/Carlos A. Baccelli)

domingo, 17 de agosto de 2014

"Deus está no Centro Espírita..."

"Deus está no Centro Espírita em que as criaturas se 
reúnem de coração puro, confiantes no seu poder infinito. O 
preço da comunicação é geralmente o aparecimento do 
espírito ou dos que desejam reencontrá-lo. Os dirigentes de 
centros precisam meditar diariamente nas responsabilidades 
que assumem ao aceitar os seus cargos, que na verdade são 
encargos divinos. Deus não exige de nós mais do que 
podemos dar. Não quer que nos apresentemos a Ele e aos 
homens com as vestes nupciais da parábola, que ainda não 
possuímos. Não podemos enganá-lo com sorriso de falsa 
bondade, de fraternidade fingida, escondendo nas moitas do 
coração selvagem a serpente da inveja, da intriga, da censura 
ao próximo, do julgamento desprezivo do irmão que se senta 
ao nosso lado. Não vemos Deus no Centro porque não temos 
condições para isso, mas podemos vê-lo no semblante sincero 
e ingênuo e no coração puro dos que não alimentam vaidades 
e preconceitos negativos ao nosso redor. Deus não está ali, 
diante de nós, como um Ser visível e corporal. Ele impregna 
o Centro, como impregna o recinto de todos os templos 
freqüentados por criaturas sem maldade e sem reservas. Mas 
podemos ver o seu rosto no semblante dos que se entregam 
com amor ao serviço do bem, tocar as suas mãos nas mãos 
sinceras e boas dos que nos amam sem restrições. E se os 
hipócritas nos cercam e nos olham com fingida amizade, 
podemos ser para eles a mensagem do amor e da sinceridade 
que flui de Deus para o nosso coração. Deus no Centro é 
Deus em nós, ajudando-nos a crescer com o fermento da 
fraternidade, que ele pouco a pouco aumenta em nossa 
medida de farinha, na proporção em que a farinha do nosso 
egoísmo absorve o fermento e se transforma no pão que nos 
alimenta a alma. 
 Estas não são imagens líricas, mas a verdade espiritual 
trocadas em figuras e expressões de amor, como as que 
encontramos nos Evangelhos de Jesus. Não é o autor do livro 
que as produz, mas os Espíritos benevolentes que, em nome 
da fraternidade humana, as transmitem aos que desejam 
servir a si mesmo e ao próximo. Porque aqueles que desejam 
servir-se na mesa do bem, naturalmente repartem o seu pão 
com os irmãos famintos de bondade, como Jesus o fez com 
os apóstolos nas estalagem da estrada de Emaús. 
Deus no Centro não é a presença exclusiva para 
ninguém, mas presença inclusiva para todos, a todos 
incluídos em Seu chamado para a vida do espírito. Os que 
procurarem compreender e sentir a sua presença no Centro a 
levarão consigo para casa."
("O Centro Espírita", José Herculano Pires)

sábado, 16 de agosto de 2014

"NO CAMPO DO ESPÍRITO"

1ª. Parte, Cap. VII, Parag. 30 de “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec.

       "Afirmas a sincera disposição de buscar a Esfera Superior, entretanto...
       Surpreendeste lutas enormes, no próprio lar, onde o mais amados te sonegam entendimento; observaste a queda dos melhores companheiros que te exercitavam na elevação; recebeste a lama da calúnia sobre as mãos limpas; viste amigos queridos dependurarem-te o nome no varal da suspeita; notaste que as tuas mais belas palavras rolaram no gelo da indiferença; recolheste escárnio em troca de amor...
       Todos esses problemas, no entanto, são desafios da vida a te pedirem trabalho.
       Seja qual seja a dificuldade, não acuses, nem desanimes.
       No campo do espírito, a injúria é lodo verbal.
       Queixa é semente morta.
       Reclamação é fuga estudada.
       Censura é ponta de espinho.
       Melindre é praga destruidora.
       Irritação é tempo perdido.
       Ideal inoperante é água parada.
       Desalento é ramo seco.
       Ninguém avança sem movimento.
       Não há evolução, nem resgate, sem ação.
       Evolução é suor indispensável.
       Resgate é suor necessário com o pranto da consciência.
       Nossas dores respondem, assim, pelas falhas que demonstremos ou pelas culpas que contraímos.
       A Lei estabelece, porém, que as provas e as penas se reduzem, ou se extingam, sempre que o aprendiz do progresso ou o devedor da justiça se consagre às tarefas do bem, aceitando, espontaneamente, o favor de servir e o privilégio de trabalhar."
(“Justiça Divina”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

"NÃO TEMAS"

"Não temas a morte:
Viverás para sempre.

Não temas a dor:
Ela é um fenômeno transitório.

Não temas a injustiça:
A Verdade triunfa.

Não temas a solidão:
Quem ama nunca está só.

Não temas a colheita:
Cuida de tua semeadura.

Não temas o futuro:
Ele está em tuas mãos."

("Dias Melhores”, Irmão José/Carlos A. Bacelli)