terça-feira, 5 de agosto de 2014

"FELICIDADE QUE A PRECE PROPORCIONA"

"Vinde, vós que desejais crer. Os Espíritos celestes acorrem a vos anunciar grandes coisas. Deus, meus filhos, abre os seus tesouros, para vos outorgar todos os beneficios. Homens incrédulos! Se soubésseis quão grande bem faz a fé ao coração e como induz a alma ao arrependimento e à prece! A prece! ah! como são tocantes as palavras que saem da boca daquele que ora! A prece é o orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha primogênita da fé, ela nos encaminha para a senda que conduz a Deus. No recolhimento e na solidão, estais com Deus. Para vós, já não há mistérios; eles se vos desvendam. Apóstolos do pensamento, é para vós a vida. Vossa alma se desprende da matéria e rola por esses mundos infinitos e etéreos, que os pobres humanos desconhecem.

Avançai, avançai pelas veredas da prece e ouvireis as vozes dos anjos. Que harmonia! Já não são o ruído confuso e os sons estrídulos da Terra; são as liras dos arcanjos; são as vozes brandas e suaves dos serafins, mais delicadas do que as brisas matinais, quando brincam na folhagem dos vossos bosques. Por entre que delícias não caminhareis! A vossa linguagem não poderá exprimir essa ventura, tão rápida entra ela por todos os vossos poros, tão vivo e refrigerante é o manancial em que, orando, se bebe. Dulçurosas vozes, inebriantes perfumes, que a alma ouve e aspira, quando se lança a essas esferas desconhecidas e habitadas pela prece! Sem mescla de desejos carnais, são divinas todas as aspirações. Também vós, orai como o Cristo, levando a sua cruz ao Gólgota, ao Calvário. Carregai a vossa cruz e sentireis as doces emoções que lhe perpassavam nalma, se bem que vergado ao peso de um madeiro infamante. Ele ia morrer, mas para viver a vida celestial na morada de seu Pai."
- Santo Agostinho. (Paris, 1861.)
("O Evangelho Segundo o Espiritismo", Allan Kardec)  

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

"FARISEUS"

"Acautelai-vos, primeiramente, do fermento dos fariseus" - Jesus (Lucas, 12:1).
"Fariseu ainda é todo o homem presunçoso, dogmático, exclusivo, pretenso privilegiado das Forças Divinas.
O orgulhoso descendente dos doutores de Jerusalém ainda vive. Atravessa todas as organizações humanas. Respira em todos os templos terrestres. Acredita-se o herdeiro único da Divina Bondade. Nada aprecia senão pelo prisma do orgulho pessoal. Traça programas caprichosos e intenta torcer as próprias leis universais, submetendo-as ao ponto de vista que esposou na sua escola ou no seu argumento sectarista.
Jamais comparece, ante a bênção do Senhor, na condição de alguém que se converteu em instrumento de seus amorosos desígnios, mas como crente orgulhoso, cheio de propósitos individualistas, declarando-se detentor de considerações especiais.
Os aprendizes fiéis necessitam acautelar-se contra o lêvedo de tais enfermos do espírito.
Toda idéia opera fermentações mentais.
Certamente que o Mestre não determinou a morte dos fariseus, mas recomendou cautela em se tratando da influenciação deles.
Exigências farisaicas constituem perigosas moléstias da alma. Urge auxiliar o doente e extinguir a enfermidade. Todavia, não conseguiremos a realização, provocando tumultos, e sim usando a cautela na antiga recomendação de vigilância."
("Vinha de Luz", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 3 de agosto de 2014

"MOMENTO DE GRATIDÃO"


"Não postergues indefinidamente o teu momento de gratidão.
          Sorris e amas, trabalhas e sofres, renuncias e cresces, sonhas e progrides bendizendo a vida. No entanto, muitas vezes asfixias, na garganta, a palavra de reconhecimento que o afeto te ergue do coração aos lábios, sem que a deixes cantar o hino de louvor que pode modular com felicidade.
          Atrais amigos e conquistas pessoas; padeces dores, que buscas dissimular no vaivém dos deveres cotidianos; crês-te em soledade antes as provações que se camartelam as horas. Sem embargo, há alguém que chora contigo, sem que lhe vejas as lágrimas; que te acompanha por toda parte, sem que lhe percebas a presença; que faz silêncio e passa com discrição pelo teu caminho; que ilumina as tuas horas com as estrelas sublimes da oração, nada te exigindo, não te perturbando, fazendo espaço para ti,  porque a sua é a tua alegria e tudo por quanto anela é ver-te feliz.
          Gasta-se, na luta, como uma chama que brilha, porém consome combustível, a fim de que não falte claridade onde te encontras; oculta as próprias dores de modo a não te afligir; extenuando-se no trabalho, emoldura o lar com alegria e repleta-o com a esperança de paz, de forma que os teus conflito aí se asserenem.
          Ouve-te, sem queixas, e, quando te desequilibras, sempre te oferta o bálsamo da renovação na taça da paciência, que transparece em cada palavra e gesto, sem reproche nem azedume.
          Há momentos em que se converte em anjo protetor sustentando-te as horas; doutras vezes, faz-se o apoio das tuas aspirações como alicerce que passa desconhecido; quase sempre realiza a sua e parte da tua tarefa sem chamar a atenção, nem cobrar qualquer contributo.
          Porque nunca te defrauda nem deixa que te falte qualquer coisa, não lhe valorizas o sacrifício, a pontualidade, a permanente ação benéfica.
          Dessa forma, não lhe vês os vincos da dor silenciosa, a palidez das renúncias constantes, nem as lágrimas que lhe aljofram os olhos.
          Momentos houve em que quiseste dizer-lhe mil palavras de carinho e doar-lhe toda a ternura que represas nalma.
          Sufocaste, porém, o arroubo, ante a equivocada reflexão de que ela o sabe.
          O amor abastece a quem ama e àquele que é amado. Todavia, é necessário doá-lo, demonstrando que o seu potencial tem vida e direção.
          Se o ser amado tem conhecimento, melhor será que o confirmes, que o expresses, que enriqueças com as tuas vibrações a pessoa a quem o doas.
          Faze isso com a tua Mãezinha.
          Não aguardes que ela te solicite carinho. Dá-lho, conforme a ti ela o oferece.
          Não adies o momento de dizer à tua Mãe o quanto a amas, como dela dependes, o tanto que a necessitas.
          Se deixas para fazê-lo depois, pode suceder que, ao intentares, seja tarde, muito tarde para que o logres.
          Fala-lhe hoje sobre a tua imensa ternura e gratidão, envolvendo-a em bênçãos de amor filial.
          Ela sorrirá, e, na explosão do júbilo de que se verá possuída, verterá transparente cortina líquida de emoção, falando-te, trêmula e ditosa:
          — Meu filho, meu filho, tu me honras em demasia e eu reconheço não o merecer, porquanto sou apenas tua Mãe."
(“Otimismo”, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco)

sábado, 2 de agosto de 2014

"PERANTE A CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA"

"A Codificação Kardequiana orienta o homem para o “construir-se”, de dentro para fora. Com semelhante afirmativa numerosas legendas repontam do plano individual, ampliando os distritos do mundo interior para a reestruturação da personalidade, ante o continuísmo da vida.

Edificação íntima, em cujo levantamento a criatura pode concluir de maneira instintiva:

Deus é nosso Pai, mas a certeza disso não me exonera da responsabilidade de burilar-me, trabalhar e viver;

moro presentemente na Terra, com a obrigação de compartilhar-lhe o progresso; entretanto, na essência, sou um espírito eterno, evoluindo na direção da Imortalidade;

atravesso atualmente caminhos determinados pela lei da causa e efeito; contudo, já sei que desfruto o privilégio de renovar o próprio destino pelo uso sensato da liberdade de escolha;

travo duras batalhas no campo externo, mas compreendo que a maior de todas elas é a que sustento, dia por dia, no campo íntimo, procurando a vitória sobre mim mesmo;

possuo a família do coração; todavia, em todos os seres da estrada, encontro irmãos verdadeiros, componentes da família maior a que todos pertencemos — a Humanidade;

sofro desafios e obstáculos, nas vias planetárias, porém guardo a certeza de que a alegria imperecível é a meta que me cabe atingir;

desilusões de provas me assaltam comumente a senda diária; no entanto, reconheço que preciso aceitá-las por lições valiosas, necessárias, aliás, à minha própria formação espiritual, na academia da experiência;

o mundo por vezes passa por transições inesperadas e rudes, todavia, tenho a paz imutável, no âmago do ser;

o tempo é a minha herança incorruptível;

a morte ser-me-á simplesmente estreito corredor para o outro lado da vida.



Revela-nos Jesus que o Reino de Deus está dentro de nós, e Allan Kardec complementa-lhe a obra ensinando-nos a desentranhá-lo, através de ação e discernimento, serviço e amor, a fim de que o homem sublimado consiga sublimar a Terra para que a Terra, por fora e por dentro, se incorpore, em espírito e verdade, ao Reino dos Céus."



("Doutrina de Luz", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

Música à luz da oração


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

"OS GOBELINS - LENDAS"




= "Revista Espírita", Janeiro de 1858 =

"A intervenção de seres incorpóreos nas minúcias da vida privada, faz parte das crenças populares de todos os tempos. Não pode, sem dúvida, caber no pensamento de uma pessoa sensata tomar ao pé da letra todas as lendas, todas as histórias diabólicas e todos os contos ridículos, que se gosta de contar ao lado do fogo. Entretanto, os fenômenos, dos quais somos testemunhas, provam que esses próprios contos repousam sobre alguma coisa, porque o que se passa em nossos dias, pôde e deveu se passar em outras épocas. Que se aparte, desses contos, o maravilhoso e o fantástico dos quais a superstição os vestiu ridiculamente, e se encontrarão todos os caracteres, fatos e gestos dos nossos Espíritos modernos; uns bons, benevolentes, prestativos em servir, como os bons Brownies', outros mais ou menos traquinas, espertos, caprichosos e mesmo maus, como os Gobelins da Normândia, que se encontra sob os nomes de Bogles na Escócia, de Bogharts na Inglaterra, de Cluricaunes na Irlanda, de Puckas na Alemanha. Segundo a tradição popular, esses duendes se introduzem nas casas, onde procuram todas as ocasiões de brincar maldosamente: "Eles batem nas portas, deslocam os móveis, dão golpes sobre os barris, batem no teto e no assoalho, assoviam baixinho, produzem suspiros lamentosos, tiram as cobertas e as cortinas dos que estão deitados, etc."

O Boghart dos Ingleses exerce particularmente suas malícias contra as crianças, às quais parece ter aversão: "Arranca, freqüentemente, sua fatia de pão com manteiga e sua tigela de leite, agita, durante a noite, as cortinas de seu leito; sobe e desce as escadas com grande ruído, joga sobre o assoalho as baixelas e os pratos, e causa muitos outros estragos nas casas."

Em alguns lugares da França, os Gobelins são considerados como uma espécie de fantasmas domésticos, que se tem o cuidado de nutrir com iguarias, as mais delicadas, porque eles trazem, aos seus senhores, o trigo que furtam dos celeiros de outrem. É verdadeiramente curioso encontrar essa velha superstição, da antiga Gália e entre os Borussianos do século X (os Prussianos de hoje). Seus Koltkys, ou gênios domésticos, vinham também roubar trigo dos celeiros para levarem à aqueles de quem gostavam.


Quem não reconhece, nessas traquinagens, - à parte da indelicadeza do trigo roubado, do qual é provável que os autores se desculpavam em detrimento da reputação dos Espíritos - quem, dizemos, não reconhecerá nossos Espíritos batedores e aqueles que podem, sem lhes injuriar, ser chamados de perturbadores? Que um fato semelhante àquele que nos reportamos, mais acima, dessa jovem de Panoramas, tivesse se passado no campo, teria sido, sem nenhuma dúvida, levado à conta do Gobelin do lugar, depois de amplificado pela imaginação fecunda das comadres; não faltará ter visto o pequeno demônio pendurado  na campainha, zombando e fazendo caretas aos tolos que iam abrir a porta."