sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

"OFERTA DE NATAL"

"Senhor!
Enquanto as melodias do Natal nos enternecem, recordamos também, ante o céu
iluminado, a estrela divina que te assinalou o berço na palha singela!...
De novo, alcançam-nos os ouvidos as vozes angélicas:
- Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens!...
E lembramo-nos do tópico inesquecível da narrativa de Lucas (Evangelho de Lucas
2:8-11):
“Havia na região da manjedoura pastores que viviam nos campos e velavam
pelos rebanhos durante a noite; e um anjo do Senhor desceu onde eles se achavam e
a glória do Senhor brilhou ao redor deles, pelo que se fizeram tomados de assombro...
O anjo, porém, lhes disse: não temais! Eis que vos trago boas novas de grande
alegria, que serão para todo o povo... É que hoje vos nasceu, na cidade de David, o
Salvador, que é o Cristo, o Senhor”.
*
Desde o momento em que os pastores maravilhados se movimentaram para ver
te, na hora da alva, começaste, por misericórdia tua, a receber os testemunhos de
afeição dos filhos da Terra.
Todavia, muito antes que te homenageassem com o ouro, o incenso e a mirra,
expressando a admiração e a reverência do mundo, o teu cetro invisível se dignou
acolher, em primeiro lugar, as pequeninas dádivas dos últimos!
Só tu sabes, Senhor, os nome daqueles que algo te ofertaram, em nome do
amor puro, nos instantes da estrebaria:
A primeira frase de bênção...
A luz da candeia que principiou a brilhar quando se apagaram as irradiações do
firmamento...
Os panos que te livraram do frio...
A manta humilde que te garantiu o leito improvisado...
Os primeiros braços que te enlaçaram ao colo para que José e Maria
repousassem...
A primeira tigela de leite...
O socorro aos pais cansados...
Os utensílios de empréstimo para que te não faltasse assistência...
A bondade que manteve a ordem, ao redor a manjedoura, preservando-a de
possíveis assaltos...
O feno para o animal que devia transportar-te...
*
Hoje, Senhor, que quase vinte séculos transcorreram, sobre o teu nascimento,
nós, os pequeninos obreiros desencarnados, com a honra de cooperar em teu
Evangelho Redivivo, pedimos vênia para algo te ofertar... Nada possuindo de nós,
trazemos-te as páginas simples que Tu mesmo nos inspiraste, os pensamentos de
gratidão e de amor que nos saíram do coração, em forma de letras, em louvor de tua
infinita bondade!
Recebe-os, ó Divino Benfeitor! Com a benevolência com que acolheste as
primeiras palavras e respeito e os primeiros gestos de carinho com que as criaturas
rudes e anônimas te afagaram na gloriosa descida à Terra!... E que nós – espíritos
milenares fatigados do erro, mas renovados na esperança – possamos rever-te a
figura sublime, nos recessos do coração, e repetir, como o velho Simeão, após
acariciar-te na longa vigília do Templo:- “Agora, Senhor, despede em paz os teus servos, segundo a tua palavra, porque
os nossos olhos viram a salvação!...”.
("Antologia Mediúnica do Natal", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"NATAL DO CORAÇÃO"


"Abençoadas sejam as mãos que, em memória de Jesus, espalham no Natal a
prata e o ouro, diminuindo a miséria e a necessidade, a fome e a nudez!...
Entretanto, se não forem iluminadas pelo amor que ajuda sempre, esses
flagelos voltarão amanhã, como a erva daninha que espreita a ausência do
lavrador.
Não retenhas, assim, a riqueza do coração que poder dar, tanto quanto o maior
potentado da Terra!
Deixa que a manjedoura de tua alma se abra, feliz, ao Soberano Celeste, para
que a luz te banhe a vida.
Com Ele, estenderás o coração onde estiveres, seja para trocar um pensamento
compassivo com a palavra escura e áspera ou para adubar uma semente de
esperança, onde a aflição mantém o deserto! Com Ele, inflamarão de júbilo os
olhos de algum menino triste e desamparado e uma simples criança, arrebatada
hoje ao vendaval, pode amanhã ser o consolo da multidão... Com Ele, podes
oferecer a bênção da tolerância aos que trabalham contigo, transformando o altar
de teu coração em altar de Deus!...
Que tesouro terrestre pagará o gesto de compreensão no caminho empedrado,
o sorriso luminoso da bondade no espinheiro da sombra e a oração do carinho e do
entendimento no instante da morte?
Natal no espírito é a comunhão com Ele próprio.
Ainda que te encontres em plena solidão na manjedoura do infortúnio, sai de ti
mesmo e reparte com alguém o dom inefável de tua fé.
Lembra-te de que Ele, em brilhando na manjedoura, tinha consigo apenas o
amor a desfazer-se em humildade, e, em agonizando na cruz, possuía apenas o
coração, a desfazer-se em renúncia...
Mas, usando tão somente o coração e o amor, sem uma pedra onde repousar a
cabeça, converteu-se no Salvador do Mundo, e, embora coroado de espinhos, fez
se o Rei das Nações para sempre."
(Meimei, "Antologia Mediúnica do Natal", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

"RENOVAÇÃO"



"Quando o espinho buscar-te o coração
E puderes dizer – bendito sejas!
Quando a pedrada visitar-te o peito
E exclamares – bendita sejas tu!
Quando a prova amargosa e redentora
Requisitar-te a casa ao pranto escuro
E lembrares que há sombras
Mais terríveis que a tua em muita gente;
Quando inclinares teus ouvidos calmos
À irritação e à cólera dos outros,
Perdoando as ofensas e esquecendo-as;
Quando a dor inspirar-te
O canto excelso e doce da esperança;
Então tua alma içada à luz Celeste,
Sob a glória da vida superior,
Viverá luminosa e preparada
Para o Reino do Amor..."


("Nosso Livro", Rodrigues de Abreu/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"ESCOLA DA BENÇÃO"

Cap. XV – Item 4

"Sofres cansaço da vida, dissabores domésticos, deserção de
amigos, falta de alguém...
Por isso, acordaste sem paciência, tentando esquecer.
Procuraste espetáculos públicos que te não distraíram e usaste
comprimidos repousantes que não te anestesiaram o coração.
Entretanto, para teu reconforto, pelo menos uma vez por semana,
sai de ti mesmo e busca na caridade a escola da bênção.
Em cada compartimento aprenderás diversas lições ao contacto
daqueles que lêem na cartilha das dores que desconheces.
Surpreenderás o filme real da angústia no martírio silencioso
dos que jazem num catre de espinhos, sem se queixarem, e a emocionante
novela das mães sozinhas que ofertam, gemendo, aos
filhos nascituros a concha do próprio seio como prato de lágrimas.
Fitarás homens tristes, suando penosamente por singela fatia
de pão, como atletas perfeitos do sofrimento, e os que disputam
valorosamente com os animais um lugar de repouso ao pé de ruínas
em abandono.
Observarás, ainda mais, os paralíticos que sonham com a alegria
de se arrastarem, os que se vestem de chagas esfogueantes,
suplicando um momento de alívio, os que choram mutilações trazidas
do berço e os que vacilam, desorientados, na noite total da
loucura.
Ver-te-ás, então, consolado, estendendo consolo, e, ajustado a
ti mesmo, volverás ao conforto da própria casa, murmurando, feliz:
– Obrigado, meu Deus!"
(Meimei, "O Espírito da Verdade", Autores Diversos/ Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

"ORAÇÃO DO NATAL"


"Rei Divino, na palha singela, porque te fizeste criança, diante dos homens, quando podias ofusca-los com a grandeza do Teu Reino?
Soberano da Eternidade, porque estendeste braços pequerruchos e tenros aos 
pastores humildes, mendigando-lhes proteção, quando o próprio firmamento te 
saudava com uma estrela sublime, emoldurada de melodias celestes?
Certamente o asilo de nossa alma, para converte-la em harpa nas Tuas mãos.
Preferias esmolar segurança e carinho, para que, em te amando, de algum 
modo, na manjedoura esquecida, aprendêssemos a amar-nos uns aos outros.
Tornavas-Te pequenino para que a sombra do orgulho se desfizesse, em torno 
de nossos passos, e pedias compaixão, porque não nos buscavas por adornos do 
Teu carro de triunfo, como vassalos de Tua Glória, mas, sim, por amigos 
espontâneos de Tua causa e por tutelados de Tua bênção...
E modificante assim, o destino das nações. Colocaste o trabalho digno, onde a 
escravidão gerava a miséria, acendeste a claridade do perdão, onde a noite do ódio 
assegurava o império do crime, e ensinaste-nos a servir e a morrer, para que a 
vida se tornasse mais bela...
É por isso que, ajoelhados em espírito, recordando-Te o berço pobre, 
ofertamos-Te o coração...
Arranca-o, Senhor, da grade do nosso peito, enferrujado de egoísmo, e faze-o 
chorar de alegria, no deslumbramento de Tua luz!... Conduze-nos, ainda, aos 
tesouros da humildade, para que o poder sem amor não nos enlouqueça a 
inteligência, e deixa-nos entoar o cântico dos pastores, quando repetia, em prantos 
jubilosos, a mensagem dos anjos:
- Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra e boa vontade para com os homens!..."
(Meimei,"Antologia Mediúnica do Natal",
Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

"ENCONTRO DE NATAL"


"Recolhes as melodias do Natal, guardando o pensamento engrinaldado pela
ternura de harmoniosa canção...
Percebes que o Céu te chama a partilhar os júbilos da exaltação do Senhor nas
sombras do mundo.
Entretanto, misturada ao regozijo que te acalenta a esperança, carregas a
névoa sutil de recôndita angústia, como se trouxesses no peito um canteiro de rosas
orvalhado de lágrimas!...
É que retratas no espelho da própria emoção o infortúnio de tantos outros
companheiros que foram inutilmente convidados para a consagração da alegria.
Levantaste no lar a árvore da ventura doméstica, de cujos galhos pendem os frutos
do carinho perfeito; entretanto, não longe, cambaleiam seguidores de Jesus,
suspirando por leve proteção que os resguarde contra o frio da noite; banqueteias-
te, sob guirlandas festivas, mas, a poucos passos da própria casa, mães e crianças
desprotegidas aguardando o socorro do Cristo, enlanguescem de fadiga e
necessidade; repetes hinos comovedores, tocados pela serena beleza que dimana
dos astros; no entanto, nas vizinhanças, cooperadores humildes do Mestre choram
cansados de penúria e aflição; abraças os entes queridos, desfrutando excessos de
reconforto; contudo, à pequena distância, esmorecem amigos de Jesus, implorando
quem lhes dê a bênção de uma prece e o consolo de uma palavra afetuosa, nas
grades dos manicômios ou no leito dos hospitais...
Sim, quando refletes na glória da Manjedoura, sentes, em verdade, a presença
do Cristo no coração!
Louva as doações divinas que te felicitam a existência, mas não te esqueças de
que o Natal é o Céu que se reparte com a Terra, através do eterno amor que se
derramou das estrelas.
Agradece o dom inefável da paz que volta, de novo, enriquecendo-te a vida,
mas divide a própria felicidade, realizando, em nome do Senhor, a alegria de
alguém!..."

(Meimei,
"Antologia Mediúnica do Natal",
Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"LIBERTAÇÃO ESPIRITUAL"

"A criatura terrestre pode realmente:

Aproveitar-se de leis que não subscreve;
Manobrar vantagens que não conquista;
Cruzar caminhos que não talha;
Habitar a casa que não levanta;
Comer o pão que não produz;
Trajar o fio que não tece;
Ampliar processos de reconforto que não inventa;
Colaborar na execução de programas que não planeja;
Utilizar veículos que não fabrica;
Medicar-se com elementos que desconhece...
Todas essas operações conseguem a pessoa humana efetuar, ignorando, muitas vezes, onde o bem, onde o mal, onde a sombra, onde a luz.
Devemos convencer-nos, no entanto, de que, para libertar-se, efetivamente, diante da vida, a criatura terrestre há de raciocinar com a própria cabeça.
Ninguém pode viver a toda hora, com discernimento emprestado.
É por isso que somos chamados, na Doutrina Espírita, a estudar instruindo-nos, e, pela mesma razão, advertiu-nos Jesus de que apenas o conhecimento da verdade nos fará livres.

Se aspirarmos, assim, à conquista da emancipação espiritual para a imortalização, é forçoso que cada um de nós desenvolva, com esforço próprio, as sementes da verdade que traz consigo."

("Caminho Espírita",  Albino Teixeira/Francisco Cândido Xavier)