quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"TUDO NOVO"




“Assim é que, se alguém está. em Cristo, nova criatura é: as coisas
velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” — Paulo. (2ª EPÍSTOLA
AOS CORÍNTIOS, capítulo 5, versículo 17.)

"É muito comum observarmos crentes inquietos, utilizando recursos
sagrados da oração para que se perpetuem situações injustificáveis tão-só porque
envolvem certas vantagens imediatas para suas preocupações egoísticas.
Semelhante atitude mental constitui resolução muito grave.
Cristo ensinou a paciência e a tolerância, mas nunca determinou que seus
discípulos estabelecessem acordo com os erros que infelicitam o mundo. Em
face dessa decisão, foi à cruz e legou o último testemunho de não-violência,
mas também de não-acomodação com as trevas em que se compraz a maioria
das criaturas.
Não se engane o crente acerca do caminho que lhe compete.
Em Cristo tudo deve ser renovado, O passado delituoso estará morto, as
situações de dúvida terão chegado ao fim, as velhas cogitações do homem carnal
darão lugar a vida nova em espírito, onde tudo signifique sadia
reconstrução para o futuro eterno.
É contra-senso valer-se do nome de Jesus para tentar a continuação de
antigos erros.
Quando notarmos a presença de um crente de boa palavra, mas sem o
íntimo renovado, dirigindo-se ao Mestre como um prisioneiro carregado de
cadeias, estejamos certos de que esse irmão pode estar à porta do Cristo, pela
sinceridade das intenções; no entanto, não conseguiu, ainda, a penetração no
santuário de seu amor."
("Caminho, Verdade e Vida", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

"COMPANHEIROS DIFÍCEIS"






"Companheiros difíceis não são as criaturas que ainda não nos atingiram a intimidade e sim aquelas outras que se fizeram amar por nós e que, de um momento para outro, modificaram pensamento e conduta, impondo-nos estranheza e inquietação.
Erigiam-se-nos por esteios à fé, soçobrando em pesada corrente de tentações...
Brilhavam por balizas de luz, à frente da marcha, e apagaram-se na noite das conveniências humanas, impelindo-nos à sombra e à desorientação...

Examinado, porém, o assunto com discernimento e serenidade, seria, justo albergamos pessimismo ou desencanto, simplesmente porque esse ou aquele companheiro haja evidenciado fraquezas humanas, peculiares também a nós? Atentos às realidades do campo evolutivo, em que nos achamos carregando fardos de culpas e
débitos, deficiências e necessidades que se nos encravaram nos ombros, em existências passadas, como exigir dos entes amados, que nos respiram o mesmo nível, a posição dos heróis ou o comporta-mento dos anjos?

Com isso, não queremos dizer que omissão ou deserção nas criaturas a quem empenhamos confiança e ternura sejam condições naturais para a ação espiritual que nos compete desenvolver, e sim, que, em lhes lastimando as resoluções menos felizes, é
imperioso orar por elas na pauta da tolerância fraternal com que devemos abraçar todos aqueles que se nos associam às tarefas da jornada terrestre.

Se Jesus nos recomendou amar os inimigos, que diretriz adotar ante os companheiros que se fizeram difíceis, senão abençoá-los em mais alto grau de entendimento, carecedores como se encontram de mais ampla dedicação? Sem dúvida, eles não podem, em muitas ocasiões, compartilhar-nos, de imediato, as atividades
cotidianas, à vista dos compromissos diferentes a que se entregam; entretanto, ser-nos-á possível, no clima do espírito, agradecer-lhes o bem que nos fizeram e o bem que nos
possam fazer, endereçando-lhes a mensagem silenciosa de nosso respeito e afeto, encorajamento e gratidão.

Cumprindo semelhante dever, disporemos de suficiente paz interior para seguir adiante, na desincumbência dos encargos que a vida nos confiou. Compreenderemos que se o próprio Senhor nos aceita como somos, suportando-nos as imperfeições e aproveitando-nos em serviço, segundo a nossa capacidade de sermos úteis, é nossa
obrigação aceitar os companheiros difíceis como são, esperando por eles, em matéria de elevação ou reajuste, tanto quanto o Senhor tem esperado por nós."
("Alma e Coração", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 5 de dezembro de 2010

"CONTA PARTICULAR"



“Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia,
o que à tua paz pertence!” – Jesus. (Lucas, 19:42.)

"A exclamação de Jesus, junto de Jerusalém, aplica-se muito
mais ao coração do homem – templo vivo do Senhor – que à
cidade de ordem material, destinada à ruína e à desagregação nos
setores da experiência.
Imaginemos o que seria o mundo, se cada criatura conhecesse
o que lhe pertence à paz íntima.
Em virtude da quase geral desatenção a esse imperativo da
vida, é que os homens se empenham em dolorosos atritos, assumindo
escabrosos débitos.
Atentemos para a assertiva do Mestre – “ao menos neste teu
dia”. Estas palavras convidam-nos a pensar na oportunidade de
serviço de que dispomos presentemente e a refletir nos séculos
que perdemos; compelem-nos a meditar quanto ao ensejo de
trabalho, sempre aberto aos espíritos diligentes.
O homem encarnado dispõe dum tempo glorioso que é provisoriamente
dele, que lhe foi proporcionado pelo Altíssimo em
favor de sua própria renovação.
Necessário é que cada um conheça o que lhe toca à tranqüilidade
individual. Guarde cada homem digna atitude de compreensão
dos deveres próprios e os fantasmas da inquietude estarão
afastados. Cuide cada pessoa do que se lhe refira à conta particular
e dois terços dos problemas sociais do mundo surgirão naturalmente
resolvidos. Repara as pequeninas exigências de teu círculo e atende-as,
em favor de ti mesmo.
Não caminharás entre as estrelas, antes de trilhares as sendas
humildes que te competem."
("Pão Nosso", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"SERIA INÚTIL"



“Respondeu-lhes: Já vo-lo disse e não ouvistes; para
que o quereis tornar a ouvir?” – (João, 9:27.)


"É muito freqüente a preocupação de muitos religiosos, no
sentido de transformarem os amigos compulsoriamente, conclamando-
os às suas convicções particularistas. Quase sempre se
empenham em longas e fastidiosas discussões, em contínuos jogos
de palavras, sem uma realização sadia ou edificante.
O coração sinceramente renovado na fé, entretanto, jamais
procede assim.
É indispensável diluir o prurido de superioridade que infesta
o sentimento de grande parte dos aprendizes, tão logo se deixam
conduzir a novos portos de conhecimento, nas revelações gradativas
da sabedoria divina, porque os discutidores de más inclinações
se incumbem de interceptar-lhes a marcha.
A resposta do cego de nascença aos judeus argutos e inquiridores
é padrão ativo para os discípulos sinceros.
Lógico que o seguidor de Jesus não negará um esclarecimento
acerca do Mestre, mas se já explicou o assunto, se já tentou
beneficiar o irmão mais próximo com os valores que o felicitam,
sem atingir o alheio entendimento, para que discutir? Se um homem
ouviu a verdade e não a compreendeu, fornece evidentes
sinais de paralisia espiritual. Ser-lhe-á inútil, portanto, escutar
repetições imediatas, porque ninguém enganará o tempo, e o sábio
que desafiasse o ignorante rebaixar-se-ia ao título de insensato.
Não percas, pois, as tuas horas através de elucidações minuciosas
e repetidas para quem não as pode entender, antes que lhe
sobrevenham no caminho o sol e a chuva, o fogo e a água da
experiência.
Tens mil recursos de trabalhar em favor de teu amigo, sem
provocá-lo ao teu modo de ser e à tua fé."
("Pão Nosso", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"HOMENS DE FÉ"




“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e
as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente que edificou
a sua casa sobre a rocha.” – Jesus. (Mateus,
7:24.)

"Os grandes pregadores do Evangelho sempre foram interpretados
à conta de expressões máximas do Cristianismo, na galeria
dos tipos veneráveis da fé; entretanto, isso somente aconteceu
quando os instrumentos da verdade, efetivamente, não olvidaram
a vigilância indispensável ao justo testemunho.
É interessante verificar que o Mestre destaca, entre todos os
discípulos, aquele que lhe ouve os ensinamentos e os pratica. Daí
se conclui que os homens de fé não são aqueles apenas palavrosos
e entusiastas, mas os que são portadores igualmente da atenção e
da boa-vontade, perante as lições de Jesus, examinando-lhes o
conteúdo espiritual para o trabalho de aplicação no esforço diário.
Reconforta-nos assinalar que todas as criaturas em serviço no
campo evangélico seguirão para as maravilhas interiores da fé.
Todavia, cabe-nos salientar, em todos os tempos, o subido valor
dos homens moderados que, registrando os ensinos e avisos da
Boa Nova, cuidam, desvelados, da solução de todos os problemas
do dia ou da ocasião, sem permitir que suas edificações individuais
se processem longe das bases cristãs imprescindíveis.
Em todos os serviços, o concurso da palavra é sagrado e indispensável,
mas aprendiz algum deverá esquecer o sublime valor
do silêncio, a seu tempo, na obra superior do aperfeiçoamento de
si mesmo, a fim de que a ponderação se faça ouvida, dentro da
própria alma, norteando-lhe os destinos."
("Pão Nosso", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 4 de dezembro de 2010

"NOS MOMENTOS GRAVES"




"Diante de alguma desilusão que te impulsione a perder o incentivo para o trabalho…
Diante da incerteza que te visite, apontando-te as tentações e riscos que te ameacem…
Diante de mudanças imprevistas que te obrigem a pensar e a deliberar sem a escora de afetos com os quais já não contas…
Diante da crítica destrutiva que te induza a desistir de cooperar na oficina do bem…
Diante de seres queridos que te deixem a sós, sem comiseração por tua sede e necessidade de companhia…
Diante de palavras impensadas, partidas de pessoas estimáveis que te façam mergulhar no poço da amargura…
Diante do corpo doente e abatido que te lance o pensamento no deserto da tristeza e da insegurança…
Quando a morte reduzir ao silencio a voz daqueles que se te fazem queridos…
Quando qualquer sofrimento te abale os recessos da própria alma, entrega-te à fé, refugia-te em Deus, pensa em Deus, confia em Deus e espera por Deus, porque, acima de todas as tempestades e quedas, tribulações e desenganos Deus te sustentará."
("Confia e Segue", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"SINTONIA"





"As bases de todos os serviços de intercâmbio, entre os desencarnados e encarnados,
repousam na mente, não obstantes as possibilidades de fenômenos naturais, no campo
da matéria densa, levados a efeito por entidades menos evoluídas ou extremamente
consagradas à caridade sacrificial.
De qualquer modo, porém, é no mundo mental que se processa a gênese de todos os
trabalhos da comunhão de espírito a espírito.
Daí procede a necessidade de renovação idealística, de estudo, de bondade operante e
de fé ativa, se pretendemos conservar o contato com os Espíritos da Grande Luz.
Simbolizemos nossa mente como sendo uma pedra inicialmente burilada. Tanto quanto a
do animal, pode demorar-se, por muitos séculos, na ociosidade ou na sombra, sob a
crosta dificilmente permeável de hábitos nocivos ou de impulsos degradantes, mas se a
expomos ao sol da experiência, aceitando os atritos, as lições, os dilaceramentos e as
dificuldades do caminho por golpes abençoados do buril da vida, esforçando-nos Por
aperfeiçoar o conhecimento e melhorar o coração, tanto quanto a pedra burilada reflete a
luz, certamente nos habilitamos a receber a influência dos grandes gênios da sabedoria e
do amor, gloriosos expoentes da imortalidade vitoriosa, convertendo-nos em valiosos
instrumentos da obra assistencial do Céu, em favor do reerguimento de nossos irmãos
menos favorecidos e para a elevação de nós mesmos às regiões mais altas.
A fim de atingirmos tão alto objetivo é indispensável traçar um roteiro para a nossa
organização mental, no Infinito Bem, e segui-lo sem recuar.
Precisamos compreender _ repetimos _ que os nossos pensamentos são forças,
imagens, coisas e criações visíveis e tangíveis no campo espiritual.
Atraímos companheiros e recursos, de conformidade com a natureza de nossas idéias,
aspirações, invocações e apelos.
Energia viva, o pensamento desloca, em torno de nós, forças sutis, construindo paisagens
ou formas e criando centros magnéticos ou ondas, com os quais emitimos a nossa
atuação ou recebemos a atuação dos outros.
Nosso êxito ou fracasso dependem da persistência ou da fé com que nos consagramos
mentalmente aos objetivos que nos propomos alcançar.
Semelhante lei de reciprocidade impera em todos os acontecimentos da vida.
Comunicar-nos-emos com as entidades e núcleos de pensamentos, com os quais no
colocamos em sintonia.
Nos mais simples quadros da natureza, vemos manifestado o princípio da
correspondência.
Um  fruto apodrecido ao abandono estabelece no chão um foco infeccioso que tende a
crescer, incorporando elementos corruptores.
Exponhamos a pequena lâmina de cristal, limpa e bem cuidada, à luz do dia, e refletirá
infinitas cintilações do Sol.
Andorinhas seguem a beleza da primavera.
Corujas acompanham as trevas da noite.
O mato inculto asila serpentes.
A terra cultivada produz o bom grão.
Na mediunidade, essas leis se expressam, ativas.
Mentes enfermiças e perturbadas assimilam as correntes desordenadas do desequilíbrio,
enquanto que a boa-vontade e a boa intenção acumulam os valores do bem.
Ninguém está só.
Cada criatura recebe de acordo com aquilo que dá.
Cada alma vive no clima espiritual que elegeu, procurando o tipo de experiência em que
situa a própria felicidade.
Estejamos, assim, convictos de que os nossos companheiros na Terra ou no Além são
aqueles que escolhemos com as nossas solicitações interiores, mesmo porque, segundo
o antigo ensinamento evangélico, “tecemos nosso tesouro onde colocamos o coração."
("Roteiro", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)