domingo, 15 de dezembro de 2013

"COMPORTAMENTO POR OBSESSÃO"

"Quando a morte interrompe o ciclo de atividades viciosas, que o homem incorpora à sua natureza, de forma alguma o problema deixa de atormentá-lo.
       A situação espiritual de quantos partem da Terra, dependentes de condicionamentos prejudiciais, é das mais dolorosas. Dificilmente pode-se descrever com fidelidade o tormento que experimentam, por variar, de indivíduo para indivíduo, o grau de aflição e angústia relativo à gravidade de comportamento escravizador.
       Não se desprendendo das vibrações mais densas do corpo somático, às quais fortemente se vincula aspirando-as, eliminando-as, e reciprocamente, num circuito tóxico, o Espírito sente a impulsão poderosa do vício que o dominava, não raro, enlouquecendo, nas tentativas de prosseguir com a situação nefasta...
       Tal é o estado em que se debate, que não se dá conta da morte física, embora as estranhas e penosas sensações que o visitam em contínuo tormento. A esse estado soma a carência do que antes considerava prazer e agora lhe falta, afligindo-o mais.
       Na conjuntura, mesmo desconhecendo as “leis dos fluidos” que facultam as afinidades espirituais e intercambiam sensações com outros viciados ou iniciantes no comércio da ilusão, domiciliados na matéria, a princípio, inconscientemente, para depois estreitar os laços e fixações em demorada e torpe obsessão, em que ambos, mais se desgastam e pioram o psiquismo, até que as Leis divinas façam cessar a coabitação perniciosa.
       Casos outros há em que o desencarnado, identificando a conjuntura nova, formula e executa um programa de vampiração obsessiva em tentames exitosos, enredando os invigilante que a eles se associam no plano físico, em largos cursos de alucinação e desgraça.
       Muito mais grave do que parece é a obsessão, nos problemas sociais do comportamento humano.
       Alcoolismo, tabagismo, drogas alucinógenas, sexolatria, jogatina, gula recebem grande suporte espiritual, sendo, não poucas vezes, iniciada a viciação de cá para aí, por inspiração que fomenta a curiosidade e por necessidade que estimula o prosseguimento.
       O enfermo, dificilmente, consegue evadir-se, por si mesmo, da dificuldade. De um lado, pelos nefastos prejuízos orgânicos de que se ressente e, por outro, em razão da incidência mental do obsessor, que o utiliza como instrumento da loucura de que se vê possuído.
       As verdadeiras multidões de dependentes de drogas ou de outras viciações estertoram, mesmo sem o saberem, em danosos processos de obsessão lamentável.
       A falta de orientação religiosa, as permissividades morais, o desconhecimento proposital ou não das realidades do Espírito, a falta de tempo e a neurose que avassalam o homem respondem pela calamitosa ocorrência, que se agrava a cada dia.
       O problema deve merecer o interesse e o estudo de cada um e de todos os cidadãos, porque a todos envolve e ameaça.
       Antes, era a incidência das drogas, agora, comum e grave.
       Ao invés de se aprofundarem as pesquisas das causas, com as naturais soluções, buscam-se leis mais tolerantes, comércio livre, certamente que por falência ética, sem dúvida.
       O homem, convivendo com os fatores de qualquer porte, prefere aceitá-los a vencê-los, numa atitude sempre cômoda.
       No que concerne ao mecanismo da evolução, essa atitude comporta, o que, porém, não é idêntico, quando muda a situação para o campo moral.
       O Espiritismo, esclarecendo a criatura em torno da vida imortal e das relações que existem entre os Espíritos e os homens, conscientiza para a terapia preventiva contra a obsessão, combatendo-lhe, ao menos, neste capítulo, algumas das suas causas, que são os vícios.
       Mantendo-se hábitos de higiene moral e social, ceifa-se, na raiz, a gênese desse problema malfazejo.
       Outrossim, orientando a conduta humana, propõe uma terapia curadora, sem dúvida, salutar.
       Na base das alienações espirituais, o homem desempenha importante papel, em decorrência de sua conduta, da sua atividade, do seu mundo interior.
       Esforçar-se por alterar os estados mórbidos e as dependências viciosas é tarefa de urgência, que se pode lograr através do esforço moral pessoal, do esclarecimento pelo estudo, da oração, da fluidoterapia e da desobsessão de que são encarregadas as nobres Sociedades Espíritas que se dedicam ao mister da evangelização e da caridade, conforme os ensinos de Jesus e de Allan Kardec."

(Manoel Philomeno de Miranda, em "ROTEIRO DE LIBERTAÇÃO, Diversos Espíritos/Divaldo P. Franco)

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