quinta-feira, 9 de abril de 2015

"DEUS TE GUARDE"

 "Deus te guarde, alma querida e boa,
Pela dor que não dizes,
Quando a injúria te induz a suportar
Os problemas e os atos infelizes.

Deus te compense a tolerância
Quando olvidas o mal,
Interpretando aquele que te agride
Por doente mental.

Deus te ilumine a frase de humildade
Ante o verbo agressor,
Quando te apagas para garantir
A presença do amor.

Deus te engrandeça o gesto de renúncia,
Onde a ambição, às tontas, se compraz,
Quando saber perder conforto e benefício
Em proveito da paz.

Deus proteja o silêncio em que te esforças
Na compreensão que te sustém,
Quando toleras golpe ou desafio
Sem ferir a ninguém.

Por tudo o que há de bom que nos ofertas
Na jornada de luz que te bendiz,
Pelo perdão constante em que te nutres,
Deus te guarde, alma irmã, Deus te faça feliz."

("A Vida Conta", Maria Dolores/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

"O ESPÍRITA"

“Assim, os últimos serão primeiros e os primeiros serão últimos, porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. –  Jesus.
(Mateus, 20:16)

“Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora”.
(ESE, Cap. 20.2)

"O espírita, na prática da Doutrina Espírita, faz-se realmente conhecido, através de características essenciais.
Rende constante preito de amor a Deus, começando na consciência.
Considera a Humanidade por sua própria família.
Respeita no corpo de carne um santuário vivo que lhe cabe sublimar.
Abraça o trabalho construtivo, seja qual seja a posição em que se encontre.
Abstém-se formalmente do profissionalismo religioso.
Sabe-se um espírito em evolução e, por isso, não exige nos outros qualidades perfeitas que ainda não possui.
Aceita sem revolta dificuldades e provações por não desconhecer que os princípios da reencarnação situam cada pessoa no lugar que traçou a si mesma, ante os resultados das próprias obras.
Empenha-se no aprimoramento individual, na certeza de que tudo melhora em torno, a medida que busca melhorar-se.
Estima no dever irrepreensivelmente cumprido, seja no lar ou na profissão, na vida particular ou na atividade pública o alicerce da pregação de sua própria fé.
Exalta o bem, procurando a vitória do bem, com esquecimento de todo mal.
Foge da crítica pessoal, à face da caridade que lhe rege o caminho, mas não recusa o exame honesto e imparcial desse ou daquele problema que interesse o equilíbrio e a segurança da comunidade em que vive.
Exerce a tolerância fraterna, corrigindo o erro sem ferir, como quem separa o enfermo da enfermidade.
Estuda sempre.
Ama sem escravizar e sem escravizar-se.
Não tem a presunção de saber e fazer tudo, mas realiza, com espontaneidade e alegria o trabalho que lhe compete.
Age sem paixões partidárias, em assuntos políticos, embora esteja atento aos deveres de cidadão que o quadro social lhe preceitua.
Usa as posses do mundo em favor da prosperidade e do bem e o os evita os excessos.
Simplifica, quanto possível, a própria existência.
Acata os preconceitos dos outros, conquanto não se sinta obrigado a cultivar preconceito algum.
Definindo-se o espírita na condição de aprendiz infatigável do progresso, será justo lembrar aqui a conceituação de Allan Kardec, no item sete do capítulo primeiro de “O Evangelho, Segundo o Espiritismo”: Assim como o Cristo disse “não vim destruir a lei, porém, cumpri-la”, o Espiritismo também diz “não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução.”

Emmanuel, na obra  "Livro da Esperança", Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 7 de abril de 2015

"SOMBRA"


       "Não é o ouro que avilta.
       É a sobra do egoísmo em forma de avareza.
       
       Não é a propriedade que encarcera.
       É a sombra do egoísmo em forma de ambição.

       Não é o poder que perturba.
       É a sombra do egoísmo em forma de tirania.

       Não é a afeição que degrada.
É a sombra do egoísmo em forma de violência.

       Não é a autoridade que envilece.
       É a forma de egoísmo em forma de opressão.

       Não é o ponto de vista que isola.
       É a sombra do egoísmo em forma de intolerância.

       Não é o descanso que prejudica.
       É a sombra do egoísmo em forma de ociosidade.

       Não é a despesa que arruína.
       É a sombra do egoísmo em forma de excesso.

       Lícita é a lei do uso, em todas as províncias da vida, mas, em todas as províncias da vida, a lei do uso pede simplicidade e ponderação.

       A árvore que produz milhares de frutos absorve da gleba
tão-somente o indispensável à própria existência.
       O rio, que fecunda o solo, transpondo léguas e léguas para
atingir o oceano, satisfaz-se com a faixa de terra em que se lhe
demarca o leito preciso.
       Na sustentação da própria felicidade, aprendamos a tomar do mundo apenas o necessário à paz da consciência tranquila, no
cumprimento exato o dever que as circunstâncias nos assinalam,
porque, se o amor desinteressado é a luz de Deus a envolver-nos,
em toda a parte, o egoísmo, seja onde for, é a sombra de nosso
espírito endividado, enquistando-nos  alma e sonho na carapaça do “eu”.
(Emmanuel, na obra  “Passos da Vida”, Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

"PEQUENINOS"

        “Em verdade vos digo que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança nele não entrará.” — JESUS —MARCOS, 10:15.
-o-
          “A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda ideia de egoísmo e de orgulho. Por isso é que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que a tomou como humildade.” — Cap. VIII, 3. ESE.

       "No mundo, resguardamos zelosamente livros e pergaminhos, empilhando compêndios e documentações, em largas bibliotecas, que são cofres fortes do pensamento.
       Preservamos tesouros artísticos de outras eras, em museus que e fazem riquezas de avaliação inapreciável.
       Perfeitamente compreensível que assim seja.
       A educação não prescinde da consulta ao passado.
-0-
       Acautelamos a existência de rebanhos e plantações contra flagelos supervenientes, despendendo milhões para sustar ou diminuir a força destrutiva das inundações e das secas.
       Mobilizamos verbas astronômicas, no erguimento de recursos patrimoniais, devidos ao conforto da coletividade, tanto no sustento e defesa das instituições, quanto no equilíbrio e aprimoramento das relações humanas.
       Claramente normal que isso aconteça.
       Indispensável prover às exigências do presente com todos os elementos necessários à respeitabilidade da vida.
       Urge, entretanto, assegurar o porvir, a esboçar-se impreciso, no mundo ingênuo da infância.
       Abandonar pequeninos ao leu, na civilização magnificente da atualidade, é o mesmo que levantar soberbo palácio, farto de viandas, abarrotado de excessos e faiscante de luzes, relegando o futuro dono ao relaxamento e ao desespero, fora das portas.
       A criança de agora erigir-se-nos-á fatalmente em biografia e retrato depois. Além de tudo, é preciso observar que, segundo os princípios da reencarnação, os meninos de hoje desempenharão, amanhã, junto de nós, a função de pais e conselheiros, orientadores e chefes.
       Não nos cansemos, pois de repetir que todos os bens e todos os males que depositarmos no espírito da criança ser-nos-ão devolvidos."

(“Livro de Esperança”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 5 de abril de 2015

"TESOUROS DA ALMA"


       "Ensinaste paciência, amparando inúmeros ouvintes, no entanto, se em teus dias de provação tombaste na sombra da inconformidade e da rebeldia, debalde te reportaste aos lauréis da serenidade e da tolerância, em se tratando de ti.
-x-
       Destacaste o valor das dificuldades, nas trilhas do mundo, induzindo muita gente à aceitação dos próprios deveres, todavia, se, à frente dos obstáculos que te obscureceram a senda, entraste em amargura e desesperação, não te valeram as teorias esposadas, em matéria de paz e compreensão.
-x-
       Hipotecaste afeto aos seres queridos, propiciando-lhes alegrias e bênçãos, mas se nos dias de separação e mudança, caíste em desânimo e revolta, o amor autêntico ainda não te habita os domínios do ser.
-x-
       Exaltaste a fé, sustentando legiões de companheiros da Humanidade, entretanto, se, em seu próprio tempo de aflição, te desnorteias-te nos cipoais da desorientação e da dúvida, o estado de confiança na Divina Providência te haverá sido mero ensaio, a longa distância da sublime realização.
-x-
       Ensina e ajuda sempre, a benefício dos semelhantes, porquanto instruir e reconfortar constituem preciosos investimentos na Contabilidade do Universo, garantindo-te altos rendimentos na estrada a percorrer.
-x-
       Certifica-te, porém, que se as vicissitudes da Terra te furtam os valores do espírito e ainda te vês sem calma nas tribulações; sem entendimento na angústia; sem ternura pelos entes amados, quando chega a hora de crise em tuas construções afetivas; e sem apoio íntimo, nos momentos de aflição, isso é sinal de que ainda não reténs contigo semelhantes talentos, de vez que, em verdade, só possuímos os tesouros da alma que foram tremendamente sacudidos pelos sofrimentos da vida e ficaram em nós no tempo do coração."

(Emmanuel, na obra “Passos da Vida”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)

sábado, 4 de abril de 2015

"CHICO FALA DA OBSESSÃO"


"Não há tratamento mais eficaz contra a obsessão que o do trabalho no Bem por parte do obsidiado.
Nem a intervenção do passe ou da desobsessão clássica em reuniões mediúnicas é tão eficiente.
A propósito, lembro-me, uma vez mais, da palavra abalizada de Chico Xavier, orientando um confrade que se sentia incomodado por insidiosa perseguição espiritual.
– “O obsessor – explicou – não nos quer trabalhando; ao contrário, deseja ver-nos desanimados, a fim de que possa aprofundar, através de nossa própria inércia, os seus vínculos mentais conosco, ampliando o seu domínio... O espírito obsessor não acompanha quem vai para a tarefa e enfrenta o cansaço, a tristeza. Ele nos quer trancados no quarto, de preferência deitados na cama, dormindo o dia inteiro... O obsessor que nos acompanha nos serviços de caridade, com base em nosso esforço de renovação, acaba por se modificar. Agora, vejamos, é justamente o que a vítima de obsessão habitualmente não quer fazer: trabalhar! Quer resolver tudo pela lei do menor esforço... Ora, a prece auxilia e o passe também, mas, se a pessoa não se dispõe a sair de si mesma, fica muito difícil. De que vale doutrinar o espírito, se o obsidiado não se doutrina? Aquele espírito sai e vem outro, às vezes muito pior. Quem se sente espiritualmente incomodado deve ir para o centro e não enjeitar serviço... Peça lá qualquer coisa para fazer, em que possa ser útil. Varrer o chão, lavar o vaso sanitário, mexer latão de sopa, costurar, ajudar deficientes...
Fez significativa pausa e continuou:
– “Se não preenchesse o meu tempo, eu não sei o que seria de mim! Nós não estamos preparados para perceber o que se passa ao nosso derredor; o Mundo Espiritual começa aqui mesmo, à nossa volta... Os espíritos que procuram nos vampirizar estão à espreita – nem sempre é ódio de vidas passadas, não! É necessidade. Há muito espírito que nos vampiriza por necessidade: não consegue viver sem o ‘calor’ dos que ainda se encontram no corpo; querem continuar comendo e bebendo como nós e sentindo os mesmos prazeres e sensações... Agora, a pessoa não quer sair de casa, não quer ir ao centro, prefere ir à farmácia e comprar um remédio para dormir – ela vai fazer o que o espírito quer que faça! Vira doença... A obsessão já é uma doença, e muito grave, mas pode adoecer o corpo também. Eu já vi muita gente desencarnar com o espírito obsessor imantado em seu corpo espiritual! Nem dentro de casa, a pessoa, muitas vezes, quer trabalhar: é do quarto para a sala e da sala para o quarto – da cama para o sofá e do sofá para a cama! Precisamos vencer o nosso comodismo espiritual, que é de séculos e séculos. É para isto que o Espiritismo está no mundo: para nos ensinar o melhor aproveitamento do tempo na encarnação! De que nos adianta viver muitas vidas se, dentro de nós, o tempo não corre? Para que a imortalidade, se não sabemos o que fazer de nós mesmos? A gente está acostumado a tratar o obsessor como algoz, mas o obsessor também é vítima... O único remédio que surte efeito contra a obsessão é o do trabalho no Bem. O resto é paliativo!”
 
("Ao Médium Principiante"Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Spartaco Ghilardi)

sexta-feira, 3 de abril de 2015

"NO RUMO DO PORVIR"

"Reúne os grilhões que te encadeiam à tristeza ou ao pessimismo e arroja-os ao braseiro do amor.

Deixa que o lume da fraternidade extermine em teu mundo íntimo as recordações em torno dos golpe a que te feriram, das palavras que te laceram o coração...

Lembra-te das flores que desabrocham sobre as ruínas.

Recorda as árvores que se erguem vitoriosas sobre o espinheiro.

Elas perfumam o pântano e procuram o céu.

Há pessoas que conservam da vida somente as reminiscências amargas, solidificando as cadeias da aflição nos próprios pulsos, como se devêssemos transportar conosco o cesto de lixo que a higiene pública determina seja lançado ao esquecimento.

Quem acredita no bem e confia-se ao mal é semelhante ao pássaro que, conscientemente, mutilasse as próprias asas.

Acende a lâmpada de teu coração e segue em frente...

Os que caíram nas sombras reerguer-se-ão aos teus sinais.

Os que tombaram fatigados ressuscitarão, à claridade de tua, esperança.

Não receies.

Não te perturbes.

Não desanimes.

É doce marchar no clima abençoado de companheiros que nos entendam, mas, se estiveres sozinho, avança mesmo assim.

Quem segue com Jesus, pode conhecer a soledade, jamais o abandono.

O ideal do bem é a tua força.

Serve a todos e a vitória começará em ti mesmo.

Para que a incompreensão se entrincheire em forma de mentiroso poder, quase sempre,é necessário que milhões de homens se aniquilem uns ao outros, mas que o amor fosse trazido ao trono dos corações humanos, bastou o sacrifício de Um Só. Sigamos com Ele, nosso Mestre e Senhor, e alcançaremos a Alvorada Divina da Eterna Sublimação."
 
 
(Nina Arueira, na obra "Mãos Marcadas", psicografia de  Francisco Cândido Xavier)