sexta-feira, 18 de novembro de 2016

"A AMIZADE E A PRECE"



(Sociedade Espírita de Viena - Áustria)

(Traduzido do alemão)
 

"Criando as almas, Deus não estabeleceu diferenças entre elas. Que essa igualdade de direitos entre elas sirva de princípio à amizade, que nada mais é senão a unidade nas tendências e nos sentimentos. A verdadeira amizade só existe entre os homens virtuosos, que se reúnem sob a proteção do Todo-Poderoso, para se encorajarem reciprocamente no cumprimento de seus deveres. Todo coração verdadeiramente cristão possui o sentimento da amizade. Ao contrário, essa virtude encontra no egoísmo das almas viciosas a pedra de tropeço que, semelhante à semente caída sobre rocha árida, a torna infecunda para o bem.
Rodeai vossa alma pelo muro protetor de uma prece cheia de fé, a fim de que o inimigo, interno ou externo, aí não possa penetrar.
A prece eleva o Espírito do homem para Deus, o desprende de todas as preocupações terrenas, o transporta para um estado de tranquilidade, de paz, que o mundo não lhe poderia oferecer. Quanto mais confiante e fervorosa for a prece, melhor é escutada e mais agradável é a Deus.
Quando, inteiramente penetrada de zelo santo, a alma do homem se lança para os céus na prece íntima e ardente, os inimigos interiores, isto é, as paixões do homem, e os inimigos externos, isto é, os vícios do mundo, são impotentes para forçar os muros que a protegem.
Homens, orai a Deus com toda confiança, do fundo do coração, com fé e verdade!"

("Revista Espírita", Junho de 1863)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

"HERANÇA"

“O Livro dos Espíritos”  —  Questão Nr. 264

       "O exemplo de ontem é a raiz oculta que deita as vergônteas floridas ou espinhosas na árvore da tua experiência de hoje.
       Tens do que deste, tanto quanto recolhes compulsoriamente do que semeaste.
       Nos pais irascíveis e intolerantes, recebes os parceiros de outras eras, com os quais te cumpliciaste na delinquência, a fim de que lhes reconduzas o passo à quitação perante a Lei.
       Na esposa impertinente e enferma, surpreendes a mulher que viciaste a distância de obrigações veneráveis, para que, à custa de abnegação e carinho, lhe restaures no espírito a dignidade do próprio ser.
       No companheiro insensato e infiel, tens o ânimo defrontado pelo homem que desviaste de deveres santificantes, de modo a lhe despertares na consciência, a preço de sofrimento e renúncia, as verdadeiras noções da honra e da lealdade.
       Nos filhos ingratos, encontras, de novo, aquelas mesmas criaturas que atiraste ao precipício da irreflexão e da violência, a exigirem-te, em sacrifício incessante, a escada do reajuste.
       Nos empeços da vida social dolorosa e difícil, recuperas exatamente os estorvos que armaste ao caminho alheio, para que venhas a esculpir, no santuário das próprias forças, o respeito preciso para com a tarefa do outros.
       No corpo mutilado ou desfalecente, impões a ti mesmo a resultante dos abusos a que te dedicaste, esquecido de que todos os patrimônios da marcha são empréstimos da Providência Maior e que sempre devolveremos em época prevista.
       Herdamos, assim, de nós mesmos tudo aquilo que se nos afigura embaraço e miséria no cálice do destino.
       Se desejas, portanto, conquistar em ti mesmo a vitória da luz, lembra-te, cada dia, de que o meirinho da morte chegará de improviso, reclamando-te em conta tudo aquilo que o mundo te confia à existência, sejam títulos nobres e afeições respeitáveis, sejam posses e privilégios que perduram apenas no escoar de alguns dias, para que, enfim, recebas, por vera propriedade, os frutos bons ou maus de teus próprios exemplos, que impelirão tua alma à descida na treva ou à glória imortal da divina ascensão."


(“Religião dos Espíritos”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"LIÇÕES DE VIDA PARA AS FAMÍLIAS"

"Em seu livro "Lições de Vida para Famílias", Maria Tereza Maldonado enumera diversas sugestões que têm por objetivo auxiliar as pessoas a construir uma família harmoniosa, saudável e feliz.
Entre elas podemos ressaltar as seguintes:
Primeira: escute com atenção antes de falar; tente entender o que a pessoa realmente está dizendo, que pode ser muito diferente do que você acha que ela quer dizer.
Segunda: gentileza e boas maneiras são essenciais para construir um bom convívio familiar.
Terceira: aumente as opções de atividades prazerosas com seus familiares: conversar, brincar e jogar, ver bons filmes, passear.
Quarta: demonstre seu interesse em saber o que seus familiares estão fazendo, experimentando ou descobrindo na vida.
Quinta: para enviar mensagens fortes e eficazes para seus familiares, procure ter coerência entre palavras, gestos e atitudes.
Sexta: se você diz 'não' com muita frequência, aprenda a dizer 'sim' com carinho. Se você diz 'sim' demais, aprenda a dizer 'não' sem culpa.
Sétima: tente criar, junto com seus familiares, maneiras eficazes de simplificar a vida para torná-la mais pacífica e prazerosa.
Oitava: aprender a tolerar frustrações é essencial para desenvolver paciência, compaixão e compreensão.
Nona: cada membro da família precisa descobrir meios eficazes e saudáveis de descarregar as tensões inevitáveis do dia-a-dia sem maltratar os outros.
Décima: os laços de sangue não garantem automaticamente a existência do amor, que precisa ser constantemente criado e bem cuidado ao longo da vida.
* * *
A oportunidade de estarmos inseridos em um determinado grupo familiar é uma abençoada oportunidade que nos é oferecida pelo Pai Criador.
Os laços familiares que hoje nos envolvem são aqueles que nos são necessários ao nosso crescimento e desenvolvimento moral e espiritual.
As dificuldades de relacionamentos, tão estranhas e inaceitáveis aos olhos do mundo, podem ter causa em fatos pretéritos que escapam às nossas lembranças.
Os filhos difíceis de hoje podem ser cúmplices ou vítimas de nosso passado equivocado.
Podemos ter sido seus algozes ou aqueles que, pensando agir por amor, possamos ter-lhes desviado do bom caminho.
Encontrarmo-nos hoje nesse grupo familiar não é obra do acaso, nem da desdita.
Em tudo há sempre a mão e a autorização de Deus.
Eis aí uma nova chance de resgate e de reparação.
Aproveitemo-la.
Façamos a parte que nos cabe, nessa nobre tarefa que é viver em família.
Sejamos dignos, honrando os compromissos que assumimos perante Deus e perante os homens, educando os pequeninos e educando a nós próprios.
Vençamos os vícios que ainda azedam nossos dias e infelicitam nossos companheiros de jornada.
Abandonemos a reclamação vazia e inócua.
Superemos a preguiça e a omissão.
Abracemo-nos e unamo-nos em prol desse objetivo tão importante e básico que é viver bem em família, a fim de que possamos conviver do mesmo modo com toda a humanidade.
Pense nisso."
(Redação do Momento Espírita)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

"NA CRUZ"

"Ele salvou a muitos e a si mesmo não pôde salvar-se." - (Mateus, 27:42).

"Sim, ele redimira a muitos... Estendera o amor e a verdade, a paz e a luz, levantara enfermos e ressuscitara mortos.
Entretanto, para ele mesmo erguia-se a cruz entre ladrões.
Em verdade, para quem se exaltara tanto, para quem atingira o
pináculo, sugerindo indiretamente a própria condição de Redentor e
Rei, a queda era enorme...
Era o Príncipe da Paz e achava-se vencido 
pela guerra dos interesses inferiores.
Era o Salvador e não se salvava.
Era o Justo e padecia a suprema injustiça.
Jazia o Senhor flagelado e vencido.
Para o consenso humano era a extrema perda.
Caíra, todavia, na cruz.
Sangrando, mas de pé.
Supliciado, mas de braços abertos.
Relegado ao sofrimento, mas suspenso da Terra.
Rodeado de ódio e sarcasmo, mas de coração içado ao Amor.
Tombara, vilipendiado e esquecido, mas, no outro dia, transformava
a própria dor em glória divina. Pendera-lhe a fronte, em pastada de
sangue, no madeiro, e ressurgia, à luz do sol, ao hálito de um jardim.
Convertia-se a derrota escura em vitória resplandecente. 
Cobria-se o lenho afrontoso de claridades celestiais para a Terra inteira.
Assim também ocorre no círculo de nossas vidas.
Não tropeces no fácil triunfo ou na auréola barata dos crucificadores.
Toda vez que as circunstâncias te compelirem a modificar o roteiro da
própria vida, prefere o sacrifício de ti mesmo, transformando a tua
dor em auxílio para muitos, porque todos aqueles que recebem a cruz, 
em favor dos semelhantes, descobrem o trilho da eterna ressurreição."

("Fonte Viva", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

"NOTAS BREVES"

"Não perca tempo.
Não fuja ao dever.
Respeite os compromissos.
Sirva quanto possa.
Ame intensamente.
Trabalhe com ardor.
Ore com fé.
Fale com bondade.
Não critique.
Observe construindo.
Estude sempre.
Não se queixe.
Plante alegria.
Semeie a paz.
Ajude sem exigências.
Compreenda e beneficie.
Perdoe quaisquer ofensas.
Atenda à pontualidade.
Conserve a consciência tranquila.
Auxilie generosamente.
Esqueça o mal.
Cultive sinceridade, aceitando-se como é e acolhendo 
os outros como os outros são, procurando, porém, 
fazer sempre o melhor ao seu alcance."

("Sinal Verde", André Luiz/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 13 de novembro de 2016

"MEDIUNIDADE E IMPERFEIÇÃO"

"Repara quantas vezes necessitas de perdão e de auxílio.
Erraste na oficina em que dignificas o próprio nome, mas não vacilas em pedir novas oportunidades de serviço e de confiança.
Deves quantia importante e não podes pagar no momento certo; contudo, não hesitas rogar o beneficio da moratória.
Sofres com as faltas do filho que a vida te confiou; no entanto, esperas regenerá-lo em novas experiências.
Amas profundamente alguém que o vicio ainda ensombra; entretanto, não temes avalizar-lhe os compro­missos de reajuste.
* * *
Encontrarás, porém, aqueles que não sofreram bastante para escusar as deficiências alheias, habitualmen­te empoleirados nas altas janelas das torres de marfim a que se acolhem para contar as feridas dos que passam na rua da provação.
Exigem que os outros sejam modelos completos de heroísmo e grandeza moral, mas não se dispõem a minorar-lhes o fardo de aflições que transportam.
Acusam a Terra como sendo um presídio de chagas, mas comem-lhe o pão, inicialmente elaborado no trato de lama que a enxada disciplinou.
Julgam encontrar em cada Irmão do caminho um criminoso potencial; contudo, não examinam a si mesmos a fim de ver até que ponto hão sido resistentes às tenta­ções.
* * *
Se tens a consciência desperta, perante as necessidades da própria alma, entenderás facilmente que a mediu­nidade é recurso de trabalho como qualquer outro que se destine à edificação.
Por enquanto, no mundo, não há médiuns perfeitos como não existem criaturas humanas perfeitas.
Cada instrumento medianímico, tanto quanto cada pessoa terrestre, carrega consigo determinadas provas e problemas determinados.
A mediunidade é ensejo de serviço e aprimoramento, resgate e solução."

("Seara dos Médiuns", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 12 de novembro de 2016

"A LEI DE LIBERDADE"

"O homem é, por natureza, dono de si mesmo, isto é, tem o direito de fazer
tudo quanto achar conveniente ou necessário à conservação e ao
desenvolvimento de sua vida.
Essa liberdade, porém, não é absoluta, e nem poderia sé-lo, pela simples
razão de que, convivendo em sociedade, o homem tem o dever de respeitar
esse mesmo direito em cada um de seus semelhantes.
Isto posto, todo e qualquer costume, que torne uma pessoa
completamente sujeita a outra, constitui uma iniquidade contrária à lei de Deus.
Durante muito tempo, aceitou-se, como justa, a escravização dos povos
vencidos em guerras, assim como foi permitido, pelos códigos terrenos, que
homens de certas raças fôssem caçados e vendidos, quais bestas de carga, na
falsa suposição de que eram seres inferiores e, talvez, nem fôssem nossos
irmãos em humanidade.
Coube ao Cristianismo mostrar que, perante Deus, só existe uma espécie
de homens
e que, mais ou menos puros e elevados eles o são, não pela cor da epiderme
ou do sangue, mas pelo espírito, isto é, pela melhor compreensão que tenham
das coisas e principalmente pela bondade que imprimam em seus atos.
Felizmente, de há muito que a escravatura foi abolida e, com ela, o
privilégio que tinha o senhor de poder maltratar impunemente o escravo, ou
mesmo matá-lo, se assim lhe aprouvesse.
Agora, todos somos cidadãos, podendo dispor, livremente, de nossos
destinos.
A liberdade de pensamento e a de consciência, por se inscreverem,
também, entre os direitos naturais do homem, conquanto padeçam, ainda,
aqui, ali e acolá, certas restrições e repressões, vêm alcançando, igualmente,
notáveis progressos.
De século para século, menos dificuldade encontra o homem para pensar
sem peias e, a cada geração que surge, mais amplas se tornam as garantias
individuais no que tange à inviolabilidade do foro íntimo.
O sistema do “crê ou morre”, que alguns retrógrados desejariam ver
restabelecido, está. definitivamente superado e não voltará jamais. de jeito
nenhum.
Vingam e viçam, hoje, idéias bem diferentes.
Nas dissensões religiosas, as chamas das fogueiras foram substituidas
pelas luzes do esclarecimento, e na catequese filosófica ou política, estejamos
certos, daqui para o futuro, buscar-se-á empregar, cada vez mais, a força da
persuasão ao invés da imposição pela força.
Sinais evidentes desta evolução, temo-los:
a) na orientação que os dois últimos papas, João 23 e Paulo 6º, deram à
Igreja Católica, inclinando-a ao liberalismo e à tolerância, como o provam as
decisões tomadas no Concílio Ecumênico recentemente encerrado, entre elas,
a extinção do famigerado “Index Librorum Prohibitorum”, ou seja, o rol dos
livros proibidos pela congregação do Santo Ofício, no qual eram incluídas todas
as obras que, embora edificantes, infirmassem ou contradissessem a sua
doutrina.
b) na linha adotada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, ao
optar pela propaganda ideológica como o meio mais eficaz de atrair os povos
para o socialismo, em lugar da conquista pelas armas, como o fazia até há
alguns anos.
Sem dúvida, estamos ainda muito distantes de uma vivência mundial de
integral respeito às liberdades humanas; todavia, já as aceitamos como um
ideal a ser atingido, e isso é um grande passo, pois tal concordância há-de
levar-nos, mais dia, menos dia, a esse estado de paz e de felicidade a que
todos aspiramos."

("As Leis Morais", Rodolfo Calligaris)