terça-feira, 10 de março de 2015

"VALORES"



       "O que ninguém te furta é o que trazes dentro de ti — a tua alegria, a tua fé, a tua luz.
       Dinheiro, muita gente o tem; o que te pode diferenciar é a tua riqueza interior.
       Adquire sabedoria.
       Não te precipites na apreciação das pessoas.
       Nem te detenhas na aparência das coisas.
       A Verdade não carece de interpretação.
       Quem muito acumula ajunta peso desnecessário na alma.
       Quem se apega ao que é transitório não evita a decepção.
       O tempo passa depressa, e tudo deixarás de improviso, mas a tua essência permanecerá intocada."

(”Vigiai e orai”,  Irmão José/Carlos A. Baccelli)

segunda-feira, 9 de março de 2015

"VELHO PROCESSO"


       “E congregados eles com os anciãos, e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados.” – Mateus: - 28-12

       "Judas não foi o único, no quadro da missão de Jesus, que se deixou fascinar pela perspectiva de ganho e de evidência pessoal.
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       Quantos homens puros refletirão na iluminada visão do Mestre, desejando permanecer, a seu lado, pelo menos durante um minuto?
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       Entretanto, aqueles soldados, com o galardão de se manterem a dois passos do Senhor, igualmente o venderam na expectativa de lucros e facilidades na Terra.
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       Para que os judeus pudessem satisfazer suas velhas ambições de domínio, sacerdotes e anciãos, à custa de soma vultosa, compraram-nos, capciosamente, transportando-os de uma situação honrosa para o caminho negro da deslealdade.
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       O fenômeno não ficou circunscrito à época.
       Em todas as fases do cristianismo, a maioria dos trabalhadores recebeu a sugestão do velho processo e poucos aprendizes se portaram, até o fim, superiores à sedução de “muito dinheiro”.
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       Surgiam realizações generosas, grandeza de convicção e caracteres sublimes? Distribuíam-se coroas, títulos, terras e prerrogativas.
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       E o verdadeiro apelo de Jesus ficava confundido no grande vozerio dos interesses subalternos.
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       Hoje, as coroas e as terras são escassas, mas os títulos bancários e os privilégios políticos funcionam muito bem.
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       E baste que surja o discípulo preparado ao serviço de Cristo e aparecem logo os antigos anciãos, em outras vestes, com as mesmas propostas.
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       É justo vigiar, incessantemente, porque muitos continuam adormecendo com a visão de “muito dinheiro”.

(“Levantar e Seguir”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 8 de março de 2015

"INDEPENDÊNCIA ESPÍRITA"



"O espírita, em verdade, pode e deve:

Estimular as boas obras, mas saber com que meios;

Ler de tudo, mas saber para que;

Andar em qualquer parte, mas saber para onde;

Cooperar no bem de todos, mas saber com quem convive;

Prosperar, mas saber de que modo;

Guardar a fé, mas saber porquê;

Agir quanto deseje, mas saber o que faz;

Falar o que queira, mas saber o que faz;

Lutar corajosamente, mas saber com que fim;

Elevar-se, mas saber como;

O espírita pensa livremente, mas precisa discernir."
 
 

("Caminho Espírita", Albino Teixeira/, Médium: Francisco Cândido Xavier)

sábado, 7 de março de 2015

"ACEITA-TE"


       "Aceita-te como és, procurando melhorar.
       Não te acomodes na imperfeição.
       Todos somos o que somos, mas todos devemos ser mais.
       Não te compares aos outros. És uma criação originalíssima do Criador.
       Tens potencialidades semelhantes às de todos os seres.
       Não és melhor nem pior do que ninguém.
       És capaz dos feitos que caracterizam os anjos, ou das atitudes que te nivelem ao malfeitor.
       Tens diversos caminhos à tua frente. A opção é tua.
       Não te revoltes contra a tua condição.
       A lama pode ser tão útil quanto o diamante.
       Aceita-te e não prejudiques ninguém com o teu modo de ser."
(“Vigiai e orai”, Irmão José/Carlos A. Baccelli)

sexta-feira, 6 de março de 2015

"RAZÕES DA VIDA"



" Indagas, muita vez, alma querida e boa:
– “Meu Deus, por que essa dor que me atormentar o ser?”
E segues, trilha afora, em pranto oculto,
De sonho encarcerado, a lutar e a sofrer.

Anelas outro clima, outro lar e outros rumos,
Entretanto, o dever te algema o coração dorido
Ao campo de trabalho que abraçaste,
Atendendo, na Terra, a divino sentido.

Antes de renascer, os seres responsáveis
Notam as próprias dívidas quais são
E suplicam a Deus lhes conceda no mundo
O caminho que os leve à redenção.

Não recalcitres, pois, contra os próprios encargos
Que te pareceu fardos de problemas,
Encontras-te no encalço da conquista
De bênçãos imortais e alegrias supremas.

A lágrima que vertes padecendo
Longas tribulações, entre lutas e crises,
É um remédio da vida, em nossos olhos,
Que nos faculte ver os irmãos infelizes.

O abandono dos seres que mais amas,
Criando-te a aflição em que choras e anseias,
É um curso de lições em que aprendemos
Quanto custam na estrada as angústias alheias.

Familiares que te contrariam
Trazem-nos à lembrança os gestos rudes
Com que outrora ferimos entes caros
No fel de nossas próprias atitudes.

Afeição de outras eras que descubras,
Querendo-lhe debalde a presença e a união,
E instrumento de amor que te inspira a renúncia
Para o trabalho da sublimação.

A experiência humana é breve aprendizado
E essa tribulação que te fere e domina
É recurso dos Céus, em nosso amparo,
Zelo, defesa e luz da Bondade Divina.

Sofre sem reclamar a prova que te coube,
Mesmo que a dor te espanque, atingindo apogeus...
E, um dia, exclamarás, ante os sóis de outra vida:
– “Bendita seja a Terra!... Obrigado, meu Deus!" 
 

("A Vida Conta", Maria Dolores/ Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 5 de março de 2015

"NA EDIFICAÇÃO DA FÉ"


"Ninguém edificará o santuário da fé no coração, sem associar-se, com toda alma, naquilo que é belo e de superior dentro da vida.
Para alcançar, porem, a divina construção, não nos bastam os primores intelectuais, a eloquência preciosa, o êxtase contemplativo ou a desenvoltura dos cálculos no campo da inteligência.
Grandes gênios do raciocínio são, por vezes, demônios da miséria e da morte.
Admiráveis doutrinadores, em muitas ocasiões, são vitrines de palavras brilhantes e vazias.
Muitos adoradores da Divindade, frequentemente mergulham-se na preguiça a pretexto de cultuar a Glória Celeste.
Famosos matemáticos, não raro, são símbolos de sagacidade e exploração inferior.
Amemos o trabalho que a Eterna Sabedoria nos conferiu, onde nos situamos, afeiçoando-nos à sua execução sempre mais nobre, cada dia, e seremos premiados pela grande compreensão, matriz abençoada de toda a confiança, de toda a serenidade e de todo o engrandecimento do espírito.
Para penetrar os segredos da estatuária, o escultor repete os golpes do buril milhares de vezes.
Para produzir o vaso de que se orgulhará em missão bem cumprida, o oleiro demora-se infinitamente ao contato da argila.
Para expor as peças com que enriquecerá o conforto humano, o carpinteiro, de mil modos, recapitulará, o aprimoramento do tronco bruto.
Não te queixes se a fé ainda te não coroa a razão.
Consagra-te aos pequeninos sacrifícios, na esfera de tuas diárias obrigações; à frente dos outros, cede de ti mesmo, exercita a bondade, inflama o otimismo por onde passes, planta a gentileza de teus sonhos, movimenta-te no ideal de sublimação que elegeste para alvo de teu destino...
Aprende a repetir para que te aperfeiçoes...
Não vale fixar indefinidamente as estrelas, amaldiçoando as trevas que ainda nos cercam.
Acendamos a vela humilde de nossa boa vontade, no chão de nossa pobreza individual, para que as sombras terrestres diminuam e o esplendor solar sintonizar-te-á com a nossa flama singela.
A tomada insignificante é o refletor da usina, quando ligada aos seus poderosos padrões de força.
Confessemos Jesus em nossos atos de cada hora, renovando-nos com Ele e sofrendo felizes em seu roteiro de renunciação, auxiliando a todos e servindo, cada vez mais, em Seu Nome, e, de inesperado, reconheceremos nossa alma inundada por alegria indizível e por silenciosa luz...
É que o trabalho de comunhão com o Mestre terá realizado em nós a sua obra gloriosa, e a fé perfeita e divina, por tesouro inalienável, brilhará conosco, definitivamente incorporada à nossa vida e ao nosso coração."

("Servidores No Além", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 4 de março de 2015

"FESTAS"

"Filipe Simas renasceria com a missão de impulsionar a Verdade. Prometera aos Espíritos Superiores acolher-lhes o ensinamento, dosá-la e distribuí-lo com a multidão.
Várias vezes, antes do berço, visitou, em companhia de grandes instrutores, o local em que receberia a tarefa.
E vira, de perto, a enorme cidade em que lhe soaria a palavra como trombeta do Céu.
Começaria o apostolado através do verbo fulgurante, e terminá-lo-ia com o lançamento de alguns livros em que os Mensageiros Divinos expressassem preciosa síntese da realidade maior.
À face dos abençoados compromissos, Rimas nasceu e criou-se, iniciando o trabalho com geral admiração.
Muito jovem ainda, falava arrebatando quem o ouvisse. Benfeitores invisíveis ocupavam-lhe a garganta, transformada então em tuba sublime, e o conceito edificante lhe jorrava da boca.
Assemelhava-se, nesses instantes, a cascata de luz.
Legiões de pessoas escutavam-no, emocionadas. Senhoras reconhecidas beijavam-lhe as mãos e companheiros respeitáveis abraçavam-no, comovidos.
Todavia, os Espíritos acomodados às sensações inferiores da existência física mostravam-se incomodados. As preleções de Simas mudavam a vida mental da maioria de quantos encarnados eles se haviam habituado a vampirizar. E perdiam terreno.
Agindo por sindicato de exploradores, reuniram-se em estudo.
Como remover o embaraço?
A princípio, improvisaram dificuldades. No entanto, as dificuldades como que lhe infundiam recursos novos. Simas orava e colhia forças. Invadiram-lhe, então, o reduto familiar. Inexplicavelmente, os irmãos lhe atiravam ironias em rosto.
O missionário, contudo, cobrava energias na prece.
Era como se vivesse ligado à Esfera Superior, à maneira de escafandrista do Mundo Espiritual, captando-lhe o sagrado oxigênio da inspiração.
Os perseguidores sutis inventaram processos novos... Tentações variadas, cargas fluídicas em forma de dor, deserção de amigos, incompreensões, sarcasmos, prejuízos, mais amplas tricas domésticas...
Mas Filipe continuava falando. Palavra altissonante, reeducativa. E, como consequência, surgiam atitudes de conversão, intercâmbio de livros nobres, renovações, vidas transfiguradas e lares reconstruídos.
Reagruparam-se os adversários ferrenhos e, na assembléia, falou um deles mais experiente
:
– O rapaz já cheirou dinheiro grande?
E as respostas vieram:
– Sim... sim...
– Já foi experimentado em prazeres diversos?
– E mostrou-se indiferente...
Lutas familiares?
– Venceu as maiores.
– Calúnias?
- Aproveitou-as, fazendo-se herói...
O técnico em assuntos da sombra pensou algum tempo e lembrou :
Festas! Já foi testado em homenagens pessoais?
E o grupo todo :
– É... é... ainda não...
– Experimentem – disse o astuto opositor –," pouquíssimos se livram...
Começou para Simas uma época nova.
Os amigos, como se animados de furor admirativo, passaram a requisitá-lo. Apoio e demonstrações de apreço por toda a parte. Era o homem das festas inaugurativas. Nada se fazia sem ele, em matéria de atas sociais. Vistoria inicial de templos espíritas comediantes, almoços de confraternizarão, reuniões comemorativas, viagens de longo curso para atender a convites honrosos, ágapes familiares, passeios no campo, preitos de ternura, recheados de flores... 

E Simas falava, comovendo. Aplausos e lágrimas.
E explodiam novos convites... Jantareis íntimos, conversações confidenciais, auditórios fiéis, amigos revezando-se em ofertas afáveis... Automóveis, aqui e ali, à disposição. Retratos a rodo, álbuns de viagens, recortes de jornais em que seu nome ganhara citação. Relatórios cordiais pela noite a dentro, visitas intermináveis... e, com isso, a gula festiva.
Onde Filipe estivesse, surgia a mesa. Lanches, sequilhos, viandas, licores... Muita gente do séqüito sabia de antemão : Rimas, chegando, comezainas à farta. Como complemento aos licores inofensivos, ha.via para o grupinho mais íntimo as “bombas” alcoólicas.
Com alguns poucos anos, arrancado ao cultivo da reflexão e ao hábito salutar da leitura nobre, Simas era dono de conversação rotineira.
Repetia casos, repisava conceitos sem refundi-los. De tanto aceitar homenagens enfeitadas por mãos quituteiras, acostumara-se ao prato grande.
Fizera-se gastrônomo exigente. E, decerto, em razão da gordura excessiva, não mais agüentava servir os longos comentários edificantes. Nada além de cinco minutos. Cansava-se, dizia-se portador de várias moléstias, afirmava-se em provação.
Antigos bajuladores não tinham, agora, mais tempo de cortejá-la. E, muito antes dos dias previstos para os livros reveladores, Simas, vencido, tornara-se um trapo de gente, viciado em comprimidos para dor de cabeça.
Quando o vi, pela última vez, era um homem afônico, neurastênico. Rixava com a esposa.
Clamava contra a gripe, contra a chuva, contra a umidade e contra o vento. E, não longe, dois antigos adversários de sua missão, já fracassada, diziam, irônicos, entre si :
– Que fazer para levantar Simas de novo?
– Façamos festas! Uma festa é o remédio ideal.
E riam-se às escâncaras."
("Contos desta e doutra vida", Irmão X/Francisco Cândido Xavier)