terça-feira, 10 de dezembro de 2013

"JUSTIÇA E AMOR"

"Todos os valores da vida pedem extensão e rendimento para atenderem ao Eterno Equilíbrio nas bases do Universo.

Se o ouro reclama aplicação justa, também o conhecimento elevado exige substância e proveito.

Se o primeiro; acumulado inutilmente; gera a cobiça que detém a cabeça do avaro no desvario da posse efêmera, o segundo, guardado sem ação nas obras edificante, cria a vaidade que mergulha o coração orgulhoso nas trevas de espírito.

Não basta compreendas o estatuto que nos rege os destinos para que te harmonizes contigo mesmo.

É necessário transfundas o próprio entendimento em serviço aos semelhantes, para que a flama do cérebro se te faça luz no caminho.

Não te demorarás, estudando a ficha do irmão que sofre, aferindo-lhe os méritos e desméritos para expressares depois a bondade que teorizes.

Antes de tudo recorda que, se o próximo experimenta provação e amargura por determinação da Excelsa Justiça, a tela de angústia em que o próximo se debate se te descerra aos olhos do mundo, por determinação do Divino Amor, a fim de que exercitem a piedade e a cooperação, o socorro fraterno e a solidariedade espontânea.

Não olvides que alma alguma, enquanto na vestimenta da carne, poderá conhecer o integral conteúdo das próprias dívidas e auxilia aos outros quando puderes, embora saibas que o prodígio da redenção compulsória é plenamente impossível, de vez que amanhã chegará igualmente o teu dia de acerto maior na Contabilidade Divina.

Não desistas de ampara, através do bem, porquanto se o progresso e a felicidade na Terra solicitassem apenas a penetração no conhecimento da Lei e no simples entendimento de nossas culpas, decerto Jesus não se abalançaria a estender amorosas mãos entre os homens, suportando-nos a ignorância, os débitos e fraquezas, até o ponto de imolar-se na cruz, bastando, para isso, nos enviasse as Boas Novas de Redenção, em cartazes de propaganda, dependurados no Céu."

("Confia e Segue", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

"OBSTÁCULOS"

"Diante dos obstáculos, fazer o melhor e seguir para a frente.
Sempre desapontamos alguém e sempre alguém nos desaponta.
Assim como nem todos podem habitar o mesmo sítio, nem todos conseguem partilhar as mesmas  ideias.
Nunca explodir, gritar, irar-se ou desanimar e sim trabalhar.
Depois de um problema, aguardar outros.
O erro ensina o caminho do acerto e o fracasso mostra o caminho da segurança.
Toda realização é feita pouco a pouco.
Nos dias de catástrofe, nada de cólera ou de acusação contra alguém, e sim a obrigação clara de repormos o comboio dos serviços nos trilhos adequados e seguir adiante.
Quem procura o bem, decerto que há de sofrer as arremetidas do mal.
Plantar o bem, através de tudo e de todos, por todos os meios lícitos ao nosso alcance, compreendendo que, se em matéria de colheita Deus pede tempo ao homem, o homem deve entregar o tempo a Deus."
      (“Sinal Verde” , André Luiz/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 8 de dezembro de 2013

"ORAÇÃO REFAZENTE"

"...Almas da Terra!
          Quando o fragor das inquietações estiver a ponto de estraçalhar-vos; se nas encruzilhadas não souberdes o caminho a seguir e todas as rotas vos parecerem acesso a abismos; quando insuportável desesperação vos houver arrastado a conclusões infelizes que vos pareçam ser a única solução; quando os infortúnios, em vos excruciando, tenderem a tornar-vos indiferentes ao próprio sofrimento — tendes o veículo da oração e dispondes do acesso à meditação remediadora! Talvez não vos sejam supressos os problemas, nem afastadas as dificuldades. No entanto, dilatareis a visão, para melhor e mais apurado discernimento; lobrigareis mais ampla compreensão da vida e das suas legítimas realidades; experimentareis a presença de forças ignotas, que vos penetrarão, vitalizando-vos; elevar-vos-eis a zonas psíquicas relevantes, donde volvereis saturados de paz, com possibilidades de prosseguirdes, não obstante quaisquer difíceis conjunturas existentes ou por existirem. Porque a prece apazigua e a meditação refaz; a oração eleva, enquanto a reflexão sustenta; o pensamento nobre, comungando com Deus, em Deus haure a vida, e dialogando, em conúbio de amor, extravasa as impurezas e se impregna com as sublimes vibrações da afetividade, que se converte em força dinâmica, para sustentar as combalidas potencialidades que, então, se soerguem e não mais desfalecem.
          Não vos arrojeis desastradamente nas valas da ira irrefreável ou nas vagas da insensatez. Antes que vos assaltem os demônios do crime, erguei-vos do caos, pensando e orando.
          Há ouvidos atentos que captarão vossos apelos e cérebros poderosos que emitirão mensagens-respostas, que não deveis desconsiderar.
          Amores que vos precederam no além-túmulo vigiam e esperam por vós, amam e aguardam receptividade.
          Não vos enganeis, nem vos desespereis vãmente. Tende tento! Falai ao Pai na prece calma e silenciai para O ouvirdes, através da inspiração clarificadora.
          Nada exijais. Quem ora, não impõe. Orar é abrir a alma, externar estados íntimos, refugiar-se na divina sabedoria, a fim de abastecer-se de entendimento, penetrando-se de saúde interior...
          E quando retornardes da incursão pela prece, exultai, apagando as sombrias expressões anteriores, superando as marcas das crises sofridas e espargindo alegrias, em nome da esperança que habitará em vós.
          Trabalhando pelo bem, o homem ora.
          Orando, na aflição ou na alegria, o homem trabalha. E orando conseguirá vencer toda tentação, integrar-se com plenitude no espírito da vida, que flui da Vida Abundante, com forças superiores para trabalhar e vencer..."

("Sublime Expiação", Victor Hugo/Divaldo Pereira Franco)

sábado, 7 de dezembro de 2013

"SE VOCÊ FIZER FORÇA"


 Cap. XXVII — Item 8 — “O Evangelho segundo o Espiritismo"


  "Diz você que não pode respirar o clima de luta na experiência doméstica; entretanto, se fizer força no cultivo da renúncia santificante, fará da própria casa um refúgio de amor.
        Diz você que não mais suporta o amigo desajustado, mas, se fizer força, no exercício da tolerância, é possível consiga convertê-lo amanhã em colaborador ideal.
        Diz você experimentar imenso cansaço, diante do chefe atrabiliário e inconsequente; contudo, se fizer força, sustentando a paciência, obterá nele, ainda hoje, um amigo fiel.
        Diz você que não adiante ensinar o bem; no entanto, se fizer força para exemplificar o que ensina, atingirá realizações de valor inimaginável.
        Diz você que se nota assaltado por enorme desânimo na pregação construtiva; entretanto, se fizer força na sementeira da educação, transfigurará o seu verbo em facho de luz.
        Diz você estar desistindo da caridade, ante os golpes da ingratidão, mas, se fizer força para prosseguir, ajudando sem exigência, surpreenderá na caridade a perfeita alegria.
        Diz você que está doente e nada consegue de nobre e útil; no entanto, se fizer força para superar as próprias deficiências, vencerá a enfermidade, avançando em serviço e merecimento.
        Diz você que a conversação já lhe esgotou a reserva nervosa e dispõe-se à retirada para o repouso justo; contudo, se fizer força para continuar atendendo aos ouvintes, olvidando a própria fadiga, ninguém pode prever a extensão da colheita de bênçãos que virá da sua plantação de gentileza e bondade.
        O grande bem de todos é feito nos pequenos sacrifícios de cada um.
        E se fizermos força para viver, segundo os bons conselhos que articulamos para uso dos outros, em breve tempo transformaremos a Terra em luminoso caminho para a glória real."
(André Luiz, na obra “O Espírito da Verdade”,  Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

"PROCESSOS OBSESSIVOS"

"Afirmamos que os processos obsessivos são meticulosamente planejados e que, na
trama dos acontecimentos humanos, sempre há a acção das mentes desencarnadas; a
que protegem e guiam a Humanidade, como aquelas que conspiram contra o bem estar
do homem. Não restam dúvidas quanto à vitória final dos construtores dos povos e
do homem integral, pela vinculação mantida com a Divindade que os inspira e, a
seu turno, os conduz.

Os outros, os que ainda se estribam na violência, recebem, igualmente, os
nobres impulsos para a perfeição, demorando-se nos propósitos inferiores,
enquanto lapidam as arestas e adquirem as experiências da razão e da intuição,
liberando-se das altas cargas das sensações e paixões animalizantes, que os
asselvajam.

Lamentável é  a falta de siso dos espiritualistas e geral e de alguns
espiritistas em particular, porque, informados da sobrevivência fio Espírito ao
túmulo, bem como da sua preexistência ao berço e das naturais interferências que
consegue nas actividades humanas, não se consciencializam em definitivo,
assumindo uma atitude mental e moral que os precate, os imunize contra a
agressão desses infelizes espirituais, cuja psicosfera que produzem de par com
as emanações dos seus obsessos, gera a poluição mental que vem vitimando milhões
de incautos em trânsito pelo mundo.

Nos seus variados processos- de perseguição, utilizam-se das horas do repouso
físico aos seus desafectos do passado ou antagonistas do presente, a fim de os
surpreenderem, no parcial desdobramento pelo sono, atemorizando-os, quando não
os conseguem conduzir aos antros de sombra onde vivem, exaurindo-lhes as
resistências pela insidiosa e constante vigilância, mediante absorção
vampirizante, com que impossibilitam o repouso necessário ao equilíbrio físico e
à harmonia mental.

Aparecem-lhes com aspecto pavoroso, assumindo personificações bizarras de
demónios com figurações além das mais férteis imaginações, produzem hipnoses de
profundidade, instalam matrizes nos centros cerebrais - onde se encontram os
registros psíquicos das dívidas e erros -, que desconectam a pouco e pouco,
mediante pertinaz perseverança...

...E os pesadelos atormentam os futuros obsessos, infligindo-lhes pavores à
hora do sono. desanimando-os nos processos de paz.

Somente as acções da beneficência, a vigilância nos actos morais, a prece ungida
de fervor constituem antídotos a tais estratégias do mal, por situarem o
espírito que se enobrece em faixa vibratória superior, inacessível às suas
interferências, proporcionando uma sintonia com as mentes engrandecidas dos
Instrutores e Guardiães da criatura humana.

Enquanto não se consiga uma conscientização geral, através da educação
espiritual do ser, feita nas bases e métodos da razão, do esclarecimento e do
amor, a Terra e a sua quase totalidade de habitantes sofrerão os revezes da
própria incúria. até quando ao Senhor aprouver mudar as estruturas vigentes
através de metodologias outras que nos escapam ao entendimento."

("Calvário da Libertação", Victor Hugo/ Divaldo Franco)


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

"POEMA DA DISCIPLINA"


"Ao homem triste que se rebelara
Contra as imposições da disciplina
Deus permitiu que ele pudesse
Escutar, de surpresa,
As notas e lições da natureza,
No âmbito de sala pequenina.

Contrariando as queixas que lhe ouvira,
Disse-lhe a grande mesa:
Eu fui, aos ares livres da floresta,
Um palácio vibrante em júbilos de festa,
Entre ninhos e pássaros cantores!
Que música de paz!. . . Que beleza de flores!. . .

Veio, porém, um dia,
Um homem de machado. . .
Decepou-me sem dó!. . .
E depois de entregar-me à serraria,
Onde amarguei desprezo, lama e pó,
Vendeu-me para outro companheiro. . .
Era um singelo carpinteiro
Que me malhou durante muitas horas,
Para que eu seja a mesa em que te escoras!. . .

O mármore do piso
Exclamou de improviso:
Adorava meu berço em formosa montanha!. . .
A minha independência era tamanha
Que não sei descrever!. . .
Descendente de lindas pedras raras,
Formamo-nos em séculos de luta. . .
Um homem, certa vez, descobriu-nos a gruta,
Separou-me dos meus,
À força me arrastou sobre os seus próprios passos,
Conduziu-me à oficina,
Fez-me em vários pedaços. . .
Depois disso, vim eu, de revés em revés,
Até fazer-me de escravo e servir aos teus pés. . .

A lâmpada informou sem pretensão:
A fim de combater a escuridão
E doar-me em vida e luz,
Sem o menor desvio,
É necessário que me ajuste ao fio
Que me guarda e conduz!. . .

Um belo jarro à frente,
Esclareceu humildemente:
Fui um bloco de argila,
Sossegado e feliz numa gleba tranqüila!. . .
Quando fazia sol
Adorava mirar as borboletas
E sentir os perfumes
De próximo jardim. . .

E, à noite, admirava os vagalumes
Que acendiam lanterna para mim. . .
No entanto, certa feita,
Valente caçador de barro fino
Arrancou-me do lar e mudou-me o destino. . .
A calor desumano, em fúria desumana,
Que enlouquece e que arrasa,
Mumificou-me em fria porcelana
Para enfeitar-te a casa!. . .

Nisso, falou antiga porta:
Nunca pude viver como quisera,
Devo permanecer em todo o instante, à espera
De ordenações e impulsos que me dás. . .
A fim de resguardar-te os bens e garantir-te a paz,
Protegendo-te a vida,
Cabe-me obedecer e sempre obedecer
Para cumprir contigo o meu próprio dever!. . .

Houve silêncio e o homem transformado
Fitou, lá fora, o chão recentemente arado,
Depois ergueu o olhar para os astros distantes
E exclamou para os céus,
Em êxtase profundo:
Sê bendito, Senhor,
Pela escola do mundo!. . .

Tudo o que serve, apoia, aprimora e ilumina,
Tudo o que a evolução entesoura e contém,
Vejo agora na luz da disciplina!. . .
Ajuda-me a servir no infinito bem!. . .
Valoriza, Senhor, os dias meus
E por tudo que a vida me oferece
Seja no Dom da fé por benção que me aquece,
Ou na fonte do amor que me renova e ensina,
Obrigado, meu Deus!. . .



("Encontro de Paz", Maria Dolores/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

"NATAL DE AÇÃO"

"Quando Jesus nasceu, os valores éticos haviam sido substituídos pelo hegemonia da força, que dominava, gerando aflições em toda parte.
       Os direitos humanos, desprezados, permitiam que a criatura valesse menos que um animal de carga, animais a que se viam reduzidos os que tombavam nas armadilhas da astúcia, da delinquência e da guerra.
       O mundo era um burgo do Império Romano, que se estendia praticamente por toda a Terra conhecida.
-x-
       Jesus chegou e modificou as estruturas do comportamento social, criando um conceito surpreendente da vida, que deu margem ao surgimento do homem integral.
       Estabeleceu a ética do amor, fundamentada no dever e na disciplina, demonstrando que o poder da força nada logra, senão amontoar cadáveres e deixar rastros de destruição...
       Comprovando a anterioridade do ser ao corpo e a sua sobrevivência à morte, edificou um reino nos corações, capaz de resistir a todas as conjunturas.
       Seu verbo, sustentado pelo combustível do exemplo, penetrava nos ouvintes como uma luz que jamais se apagaria, traçando rotas de segurança para todo o sempre.
       Quem O ouvisse não permaneceria indiferente: amava-O ou detestava-O.
       Arrebatou multidões que se sucederam, espraiando pelos quadrantes do globo terrestre uma onda de esperança.
-x-
       É verdade que as circunstâncias e as ocorrências atuais são mui semelhantes àquelas, as do Seu tempo.
       Ao lado das conquistas tecnológicas surgem os decepcionantes resultados éticos, na vastidão da miséria moral, social e econômica que consome as criaturas...
       Todavia, nunca foi tão marcante a presença de Jesus, no mundo, quanto agora.
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       Descrucificado, Ele inspira homens e Instituições à mudança de comportamento, alterando as propostas filosóficas da sociedade, que se deve tornar mais justa e equânime em relação aos sofredores que enxameiam em toda parte.
       Demitizado, Ele participa das lutas daqueles que O amam, impulsionando-os à ação transformadora de urgência, em prol de um mundo melhor.
       Sua mensagem vibra em inúmeras mensagens que proclamam a necessidade da paz, da não-violência, do amor.
       Ele age através de incontáveis mãos que se transformam em alavancas de progresso, não se permitindo a paralisia nem a indiferença ante a fraqueza dos e a pequenez dos oprimidos.
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       Une a tua às vozes do bem que instalam a Era da fraternidade entre os homens.
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       Segue laborando com os que arrebentam as algemas do conformismo em favor dos caídos e dos desditosos.
       Não te permitas a inação, que é a morte da alma.
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       Atua com os teus recursos, modestos que sejam, em favor do homem, esse sublime investimento da Divindade, auxiliando-o a adquirir dignidade e valor, metas que o Evangelho propõe a todos os de boa vontade, sobre os quais pairará a paz na Terra e fora dela.
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       Comemora o Natal do Cristo, repartindo amor e esperança, trabalho e fraternidade com as demais criaturas, confirmando, dessa forma, que Ele já nasceu em ti, e age com a elevação que O caracterizou quando aqui esteve no passado."

(“Viver e amar”, Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco)