quarta-feira, 24 de novembro de 2010

"PÁGINA DO CORAÇÃO"




"Senhor!
Com a bênção de tua luz conheço a carga das imperfeições que carrego...
Entretanto, com o amparo de tua bondade, sou agora o que sou.
Ainda assim, Senhor,
Rogo-te não me deixes entregue aos meus próprios caprichos.
Guia-me, por misericórdia, em tua vontade e sabedoria,
para que eu venha a ser o que queres que eu seja."
("Monte Acima", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"No rio da existência humana..."




"No rio da existência humana, os espíritas são as gotas d'água
que se transformam em lâminas de arremesso contra as pedras dos
obstáculos, talhando caminhos novos." - Anália Franco
("O Espírito da Verdade", Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

"CARTA A MEU FILHO"



Cap. XIV – Item 9

"Meu filho, dito esta carta para que você saiba que estou vivo.
Quando você me estendeu a taça envenenada que me liquidou
a existência, não pensávamos nisso.
Nem você, nem eu.
A idéia da morte vagueava longe de mim, porque esperava de
suas mãos apenas o remédio anestesiante para a minha enxaqueca.
Entendi tudo, porém, quando você, transtornado, cerrou subitamente
a porta e exclamou com frieza:
– Morre, velho!
As convulsões que me tomavam de improviso, traumatizavamme
a cabeça...
Era como se afiada navalha me cortasse as vísceras num braseiro
de dor.
Pude ainda, no entanto, reunir minhas forças em suprema ansiedade
e contemplar você, diante de meus olhos.
Suas palavras ressoavam-me aos ouvidos: – “morre, velho!”
Era tudo o que você, alterado e irreconhecível, tinha agora a
dizer.
Entretanto, o amor em minh’alma era o mesmo.
Tornei à noite recuada quando o afaguei pela primeira vez.
Sua mãezinha dormia, extenuada...
Pequenino e tenro de encontro ao meu peito, senti em você
meu próprio coração a vagir nos braços...
E as recordações desfilaram, sucessivas.
Você, qual passarinho contente a abrigar-se em meu colo, o álbum
de fotografias em que sua imagem apresentava desenvolvimento
gradativo em todas as posições, as festas de aniversário e os
bolos coloridos enfeitados de velas que seus lábios miúdos apagavam
sempre numa explosão de alegria... Rememorei nossa velha
casa, a princípio humilde e pobre, que o meu suor convertera em
larga habitação, rica e farta... Agoniado, recordei incidentes, desde
muito esquecidos, nos quais me observava expulsando crianças
ternas e maltrapilhas do grande jardim de inverno para que nosso
lar fosse apenas seu... Reencontrei-me, trabalhando, qual suarento
animal, para que as facilidades do mundo nos atendessem as ilusões
e os caprichos...
Em todos os quadros a se me reavivarem na lembrança, era
você o grande soberano de nosso pequeno mundo...
O passado continuou a desdobrar-se dentro de mim. Revisei
nossa luta para que os livros lhe modificassem a mente, o baldado
esforço para que a mocidade se lhe erigisse em alicerce nobre ao
futuro... De volta às antigas preocupações que me assaltavam,
anotei-lhe, de novo, as extravagâncias contínuas, os aperitivos, os
bailes, os prazeres, as companhias desaconselháveis, a rebeldia
constante e o carro de luxo com que o presenteei num momento
infeliz...
Filho do meu coração, tudo isso revi...
Dera-lhe todo o dinheiro que conseguira ajuntar, mas você
desejava o resto.
Nas vascas da morte, vi-o, ainda, mãos ansiosas, arrebatandome
o chaveiro para surripiar as últimas jóias de sua mãe...Vi perfeitamente
quando você empalmou o dinheiro, que se mantinha fora
de nossa conta bancária, e, porque não podia odiá-lo, orei – talvez
com fervor e sinceridade pela primeira vez – rogando a Deus nos
abençoasse e compreendendo, tardiamente, que a verdadeira felicidade
de nossos filhos reside, antes de tudo, no trabalho e na educação
com que lhes venhamos a honrar a vida.
Não dito esta carta para acusá-lo.
Nem de leve me passou pelo pensamento o propósito de
anunciar-lhe o nome.
Você continua sangue de meu sangue, coração de meu coração.
Muitas vezes, ouvi dizer que há filhos criminosos, mas entendo
hoje que, na maioria das circunstâncias, há, junto deles, pais
delinqüentes por acreditarem muito mais na força do cofre que na
riqueza do espírito, afogando-os, desde cedo, na sombra da preguiça
e no vício da ingratidão.
Não venho falar, assim, unicamente a você, porque seu erro é o
meu erro igualmente. Falo também a outros pais, companheiros
meus de esperança, para que se precatem contra o demônio do ouro
desnecessário, porque todo ouro desnecessário, quando não busca o
conselho da caridade, é tentação à loucura.
Há quem diga que somente as mães sabem amar e, realmente,
o regaço materno é uma bênção do paraíso. Entretanto, meu filho,
os pais também amam e, por amar imensamente a você, dirijo-lhe a
presente mensagem, afirmando-lhe estar em prece para que a nossa
falta encontre socorro e tolerância nos tribunais da Divina Justiça,
aos quais rogo me concedam, algum dia, a felicidade de tê-lo novamente
ao meu lado, por retrato vivo de meu carinho... Então nós
dois juntos, de passo acertado no trabalho e no bem, aprenderemos,
enfim, como servir ao mundo, servindo a Deus."
J.

("O Espírito da Verdade", Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira)

"CASO GRAVE"



“... Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens
preparado para quem será?” -Jesus (Lucas 15:20)


"Dentre os nossos companheiros de experiência humana, aquele:
que apenas enxerga as suas necessidades, sem consideração para com as necessidades
de seus vizinhos;
que jamais se afastou da casa farta, nem mesmo por momentos, para levar um pão à
choupana que a penúria vigia;
que nunca se lembrou de oferecer migalha dos recursos que lhe são próprios, nas obras da
solidariedade;
que vê exclusivamente as exigências dos próprios filhos, laureando-os de abastança e
carinho, sem tentar, nem mesmo ao de leve, minorar o suplício das crianças abandonadas;
que se iluminou com facho da ciência e se trancafiou em bibliotecas valiosas, sem estender
a mais ligeira réstia de luz aos ignorantes;
que se enriqueceu de tributos afetivos no lar tranqüilo, sem acender, em tempo algum, o
menor raio de esperança ou de alegria para a viuvez em desamparo;
que unicamente sabe desfrutar vantagens pessoais, sem alongar braço amigo na direção
dos que anseiam por singela oportunidade das muitas oportunidades de elevação e
progresso que lhe favorecem a vida;
que vai, existência fora, no carro da saúde física, cerrando os ouvidos para não escutar o
choro e a súplica dos doentes que lhe rogam proteção e consolo;
é, de todos os irmãos prejudicados pelo egoísmo, um caso dos mais graves e dos que mais
carecem de piedade, com direito a ser internado com urgência em nosso pronto-socorro da
oração."
("Ceifa de Luz", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

"CORAGEM E FÉ"


"Muitos companheiros na Terra evidenciam coragem nas horas de heroísmo.
O homem que enfrentou um animal selvagem, colocando-lhe um freio.
Outro que conquistou o campeonato de mergulho em águas perigosas.
Outro ainda que adquiriu o maior destaque na longa corrida de pedestres.
Todos eles, pelo devotamento à disciplina, são dignos de respeito.
Um tipo diferente de coragem, porém, se espera dos seguidores do Cristo: a
coragem da fé.
Aquela de se calar alguém para que outrem fale mais alto; de sofrer injúrias e
humilhações, sem deteriorar a imagem dos próprios adversários e agressores; de
acreditar no bem, mesmo quando a ignorância e a maldade parecem em triunfo; de
aceitar a rotina dos encargos de cada dia, nela encontrando a alegria do trabalho sem
aplauso público, e a coragem de esquecer-se para que outros recolham as vantagens do
serviço que lhe haverá custado imenso esforço.
O heroísmo é, talvez, mais fácil pelo deslumbramento de uma hora, à frente dos
homens.
Entretanto, a coragem da fé será sempre mais difícil, porque exige humildade e
renúncia, tolerância e dedicação ao bem do próximo, no desdobramento incessante do
dia-a-dia."
("Monte Acima", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"AMAR AOS INIMIGOS"




"Amar aos inimigos, na conceituação de Jesus, não será praticar servilismo ou
bajulação.
É compreender, acima de tudo, que as faltas daqueles que não se afinam
conosco poderiam ter sido nossas e imaginar quão felizes nos sentiríamos se tivéssemos,
porventura, os nossos erros desculpados e esquecidos, por aqueles aos quais tenhamos
ofendido.
Efetivamente, ser-nos-á possível amar aos nossos adversários, cultivando
atitudes diversas, quais sejam:
Orar pela felicidade deles, no silêncio do coração, a envolvê-los em vibrações de
paz e encorajamento;
Destacar-lhes as qualidades nobres, quando em conversação com pessoas
amigas, ao redor de ocorrências que lhes digam respeito;
Desembargar, quanto se nos faça possível, de maneira oculta e indireta, os
caminhos para as realizações que demandem;
Auxiliar-lhes os entes queridos, quando estejam à frente de problemas que lhes
surjam no cotidiano, de modo a aliviar-lhes as provações;
Induzir companheiros a prestar-lhes apoio nas tarefas úteis a que se
empenham;
Mentalizá-los sempre tranqüilos e felizes;
Desencorajar quaisquer campanhas negativas, tendentes a suscitar-lhes
desgostos e prejuízos; sobretudo, não nos referirmos, em tempo algum, a essa ou
aquela dificuldade que nos hajam causado.
Não digas, portanto, que não podes amar aos inimigos, porque existem vários
meios de endereçar-lhes compreensão e afeto, sem humilhá-los com a nossa possível
benevolência.
Decerto Jesus, quando nos aconselhou amar aos ofensores, não desejava
transformar-nos em carpideiras, junto daqueles que, acaso, não nos entendam ou nos
firam e, sim, espera que os tratemos a todos, na condição de irmãos autênticos e, tanto
quanto nós, amados filhos de Deus."
("Monte Acima", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)