quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

"AJUDA!"

  "Atende ao convite de Cristo e segue adiante.
       Ele te leva às almas sofredoras, a fim de que faças o possível para aliviar-lhes as dores.
       Aos que têm fome de amor e sede de paz.
       Aos que precisam de luz e necessitam orientação.
       Aos que, embora trazendo brilho e cores por fora, carregam chagas e sombras por dentro.
       Aos antros de pobreza material e aos palacetes que, apesar da beleza exterior, abrigam conflitos e dramas que a sociedade desconhece.
       Diante deles, não critiques nem acuses. Ajuda!
       Uma palavra de esclarecimento;
       Um gesto de consolo;
       Um pedaço de pão ou um simples copo d’água, oferecidos com amor, representarão alívio e esperança no caminho de quem segue sobrecarregado de dores.
       Deixa que o Cristo que há em ti fale pelos teus lábios e socorra pelas tuas mãos.
       Mesmo que os espinhos da incompreensão te firam os pés e as mãos, não desistas de ajudar com Jesus.
       Ele também não experimentou comodidades no mundo, mas soube, colocar amor ao próximo acima de todas as conquistas transitórias.
       Fazendo assim, estarás inscrevendo na alma, com os próprios atos, as marcas que te assinalarão para sempre como verdadeiro cristão e fiel seguidor do Evangelho."

(“Novas Mensagens de Scheilla para Você”, Clayton B. Levy)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

"DOR E PRECE"

"Se a provação te busca,
Não te rebeles. Ora.

Talvez não obtenhas
O que rogues ao Céu.

Perceberás, porém,
A vida a transformar-se.

Brotar-te-á no ser
A luz do entendimento.

Ouvirás em ti mesmo
A voz da compreensão.

E notarás que dor
É uma bênção de Deus."

(“O Essencial”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

"SOMBRA E LUZ"

"Nenhum espírito da comunidade terrestre possui tanta luz que não admita em si certa nesga de sombra, nem existe criatura com tanta sombra que não guarde consigo certa faixa de luz.
Aprende a fixar o próximo com a claridade que há em ti.
Não creias, porém, que semelhante trabalho se filie ao menor esforço, porque, pelo peso das trevas que ainda imperam no mundo, a sombra que ainda nos envolve, na Terra, a cada instante, insinuar-se-nos-á no próprio entendimento, perturbando-nos as interpretações.
Se te demoras na obscuridade, não enxergarás senão os defeitos e as cicatrizes, as feridas e as nódoas que caracterizam a fisionomia do irmão infortunado, constrangendo-te ao medo e à usura, à incompreensão e à aspereza. E sabemos que quantos se detêm no cipoal ou no charco não encontram outros elementos, além da lama ou do espinho, para oferecer.
Alça a lâmpada acesa do conhecimento superior e avança para a frente, e, então, a ignorância e a delinqüência surgir-nos-ão aos olhos como enfermidades da alma, que é preciso extirpar, a benefício da felicidade comum.
"Não saiba a vossa mão esquerda o que deu a direita" - ensina-nos o Evangelho - e ousamos acrescentar: "não saiba a nossa sombra o que fez a nossa luz", porque dessa forma, avançando, acima das tentações da vaidade e do desânimo, a chispa humilde de nossa fé no Bem Infinito poderá transformar-se em chama viva e redentora para o caminho de todos os que nos cercam."
("Cura",  Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 4 de dezembro de 2016

PERANTE OS PROFITENTES DE OUTRAS RELIGIÕES


        "Estimar e reverenciar os irmãos de outros credos religiosos.
        O sarcasmo não edifica.
-o-
        Não exasperar-se em oportunidade alguma, ainda mesmo pretextando defesa dos postulados religiosos que lhe alimentam o coração, a fim de evitar o vírus da cólera e as incursões das forças inferiores no próprio íntimo.
        A exasperação leva ao desequilíbrio e à queda.
-o-
        Aproveitar o tempo e as energias, fugindo às discussões estéreis em torno das origens da Vida e do Universo ou sobre tópicos fundamentais do Espiritismo.
        Espíritos existem que se esforçam para não crer em sua própria existência.
-o-
        Em nenhuma circunstância, pretender conduzir alguém ou alguma instituição, dessa ou daquela prática religiosa, à humilhação e ao ridículo.
        O Sol, em nome de Deus, ilumina o passo de todas as criaturas.
-o-
        Suportar construtivamente as manifestações constantes de outros cultos exóticos e estranhos à simplicidade e pureza do Espiritismo, oferecendo, tanto quanto possível, auxílio e cooperação, sem pretenciosas exigências aos companheiros que a tais cultos se prendem.
        Muitos irmãos distantes serão, em futuro próximo, excelentes cultores da Doutrina Espírita.
-o-
        A título de preservar o corpo doutrinário do Espiritismo, ou de defender a Verdade, não faltar com a compreensão espírita cristã nem agarrar-se a conceituações radicais e inamovíveis.
        Quando apaixonada e desmedido, o zelo obscurece a razão.
-o-
        Sistematicamente, não impor ou forçar a transformação religiosa dos irmãos alheios à fé que lhe consola o coração.
        Toda imposição, em matéria religiosa, revela fanatismo.
-o-
        Silenciar todo impulso a polêmicas com irmãos aprisionados a caprichos de natureza religiosa.
        Discussão, em bases de ironia e azedume, é pancadaria mental."
     
(“Conduta Espírita”,  Espírito André Luiz/ Waldo Vieira)

sábado, 3 de dezembro de 2016

"O FUTURO E O NADA"

"1. Nós vivemos, pensamos, agimos, o que é positivo; morremos, não é menos certo. Mas ao deixar a terra, para onde vamos? O que nos tornamos? Ficaremos melhor ou pior? Seremos nós ou não seremos nós? Ser ou não ser, tal é a alternativa; é para sempre ou nunca; é tudo ou nada: ou viveremos eternamente, ou tudo estará acabado sem retorno. Vale a pena pensar nisso. 
Todo homem sente a necessidade de viver, gozar, amar, ser feliz. Dizei àquele que sabe que vai morrer que viverá ainda, que sua hora foi adiada; dizei-lhe acima de tudo que será mais feliz do que foi, e seu coração vai palpitar de alegria. Mas de que serviriam estas aspirações de felicidade se um sopro pode fazê-las desvanecer? 
Haverá alguma coisa mais desesperadora do que este pensamento da destruição absoluta? Afeições santas, inteligência, progresso, saber laboriosamente adquirido, tudo seria interrompido, tudo seria perdido! Qual a necessidade de se esforçar para se tornar melhor, de se dominar para reprimir as paixões, de se cansar para ocupar o espírito, se não se deve daí colher nenhum fruto, acima de tudo com o pensamento de que amanhã talvez isso já não nos sirva de nada? Se fosse assim, o destino do homem seria cem vezes pior do que o da besta, pois a besta vive inteiramente no presente, na satisfação de seus apetites materiais, sem aspiração quanto ao futuro. Uma intuição secreta diz que isso não é possível. 
2. Pela crença no nada, o homem concentra forçosamente todos os seus pensamentos na vida presente; não se poderia, com efeito, logicamente se preocupar com um futuro que não se aguarda. Esta preocupação exclusiva com o presente conduz naturalmente a pensar em si antes de tudo; é portanto o mais poderoso estimulante do egoísmo, e o incrédulo é consequente consigo mesmo quando chega a esta conclusão: Gozemos enquanto aqui estamos, gozemos o máximo possível visto que depois de nós está tudo acabado; gozemos depressa, porque não sabemos quanto isso durará; e a esta outra, muito mais grave para a sociedade: Gozemos à custa de qualquer um; cada um por si; a felicidade, aqui embaixo, é do mais hábil. 
Se o respeito humano retém alguns, que freio podem ter aqueles que nada temem? Dizem a si mesmos que a lei humana não atinge senão os inábeis; é por isso que aplicam seu gênio aos meios de se esquivar dela. Se há uma doutrina nociva antissocial, é seguramente a do niilismo [néantisme], porque ela rompe os verdadeiros laços da solidariedade e da fraternidade, fundamentos das relações sociais.
3. Suponhamos que, por uma circunstância qualquer, um povo inteiro adquire a certeza de que dentro de oito dias, dentro de um mês, dentro de um ano, será aniquilado, que nenhum indivíduo sobreviverá, que não restará mais nenhum traço dele depois da morte; o que ele fará durante esse tempo? Trabalhará para seu aperfeiçoamento, sua instrução? Fará esforço para viver? Respeitará os direitos, os bens, a vida de seu semelhante? Submeter-se-á às leis, a uma autoridade, seja ela qual for, mesmo a mais legítima: a autoridade paterna? Haverá para ele um dever qualquer? Seguramente não. Pois bem! O que não ocorre em massa, a doutrina do vazio realiza todo dia de forma isolada. Se as consequências não são tão desastrosas quanto poderiam, é porque primeiramente na maioria dos incrédulos há mais bravata do que verdadeira incredulidade, mais dúvida que convicção, e eles têm mais medo do nada do que querem demonstrar; o título de espírito independente lisonjeia-lhes o amor-próprio; em segundo lugar, os incrédulos absolutos são ínfima minoria; sofrem a contragosto o ascendente da opinião contrária e são mantidos por uma força material; mas se a incredulidade absoluta chegar um dia ao estado de maioria, a sociedade estará em dissolução. É ao que tende a propagação da doutrina do niilismo.1
Sejam quais forem as consequências, se ela fosse verdadeira, seria preciso aceitá-la, e não seriam sistemas contrários, nem o pensamento do mal que daí resultaria, que poderiam fazer que ela não fosse. Ora, não se deve dissimular que o ceticismo, a dúvida, a indiferença, ganham terreno a cada dia, apesar dos esforços da religião; isto é positivo. Se a religião é impotente contra a incredulidade, é porque lhe falta alguma coisa para combatê-la, de tal modo que se ela permanecesse na imobilidade, em um tempo dado estaria irremediavelmente ultrapassada. O que lhe falta neste século de positivismo, em que se quer compreender antes de crer, é a sanção de suas doutrinas por fatos positivos; é também a concordância de certas doutrinas com os dados positivos da ciência. Se ela diz branco e os fatos dizem preto, é preciso optar entre a evidência e a fé cega. 
4. É neste estado de coisas que o Espiritismo vem opor um dique à invasão da incredulidade, não só pelo raciocínio, não só pela perspectiva dos perigos que ela acarreta, mas pelos fatos materiais, fazendo tocar com o dedo e com o olho a alma e a vida futura.
Cada qual é livre sem dúvida em sua crença, de crer em alguma coisa ou de não crer em nada; mas aqueles que procuram fazer prevalecer no espírito das massas, sobretudo da juventude, a negação do futuro, apoiando-se na autoridade de seu saber e no ascendente de sua posição, semeiam na sociedade germes de distúrbio e de dissolução, e incorrem numa grande responsabilidade. 
5. Há outra doutrina que se defende de ser materialista porque admite a existência de um princípio inteligente fora da matéria, é a da absorção no Todo Universal. Segundo esta doutrina, cada indivíduo assimila no nascimento uma parcela desse princípio que constitui sua alma e lhe dá a vida, a inteligência e o sentimento. Na morte, essa alma retorna à origem comum e perde-se no infinito como uma gota d’água no Oceano. 
Esta doutrina está sem dúvida um passo adiante do materialismo puro, visto que admite alguma coisa, ao passo que a outra não admite nada, mas as consequências são exatamente as mesmas. Quer o homem esteja mergulhado no nada ou no reservatório comum, é o mesmo para ele; se, no primeiro caso, ele é aniquilado, no segundo perde a individualidade; portanto, é como se não existisse; as relações sociais são rompidas para sempre. O essencial para ele é a conservação de seu eu; sem isso, que lhe importa ser ou não ser! O futuro para ele é sempre nulo, e a vida presente a única coisa que lhe interessa e o preocupa. Do ponto de vista de suas consequências morais, esta doutrina é tão nociva, tão desesperadora, tão excitante do egoísmo quanto o materialismo propriamente dito. 
6. Pode-se, além disso, fazer-lhe a seguinte objeção: todas as gotas d’água tiradas do oceano se parecem e têm propriedades idênticas, como as partes de um mesmo todo; por que as almas, sendo tiradas do grande oceano da inteligência universal, se parecem tão pouco? Por que o gênio ao lado da estupidez? As mais sublimes virtudes ao lado dos vícios mais ignóbeis? A bondade, a doçura, a mansidão, ao lado da maldade, da crueldade, da barbárie? Como as partes de um todo homogêneo podem ser tão diferentes umas das outras? Dir-se-á que é a educação que as modifica? Mas então de onde vêm as qualidades nativas, as inteligências precoces, os instintos bons e maus, independentes de toda educação, e com frequência tão pouco em harmonia com os meios onde se desenvolvem?
A educação, sem dúvida nenhuma, modifica as qualidades intelectuais e morais da alma; mas aqui se apresenta outra dificuldade. Quem dá à alma a educação para fazê-la progredir? Outras almas que, por sua origem comum, não devem estar mais avançadas. E depois, aliás, de que serve este aperfeiçoamento, de que servem tantos esforços para adquirir talentos e virtudes, de que serve trabalhar para o progresso da humanidade, se tudo isso deve ir se precipitar e se perder no oceano do infinito, sem proveito para o futuro de cada um? Mais valeria permanecer o que se é, selvagem ou não, beber, comer, dormir tranquilamente sem se torturar o espírito. Por outro lado, a alma, voltando ao Todo Universal de onde saíra, depois de ter progredido durante a vida, traz um elemento mais perfeito; de onde decorre que esse todo deve, com o tempo, ficar profundamente modificado e aperfeiçoado. Como explicar que saiam daí incessantemente almas ignorantes e perversas?
7. Nesta doutrina, a fonte universal de inteligência que fornece as almas humanas é independente da divindade, ser superior e distinto que anima tudo por sua vontade; não é precisamente o panteísmo. O panteísmo propriamente dito difere dela, segundo ele, em que o princípio universal de vida e de inteligência é o próprio Deus. Deus é ao mesmo tempo espírito e matéria; todos os seres, todos os corpos da natureza compõem a divindade da qual são as moléculas e os elementos constitutivos; numa palavra, Deus está em tudo e tudo é Deus; Deus é o conjunto de todas as inteligências reunidas; cada indivíduo, sendo uma parte do todo, é ele mesmo Deus; nenhum ser superior e independente comanda o conjunto; o universo é uma imensa república sem chefe, ou melhor, onde cada um é chefe com poder absoluto. 
8. A esse sistema podem-se opor inúmeras objeções, das quais as principais são estas. Não podendo a divindade ser concebida sem o infinito das perfeições, pergunta-se como um todo perfeito pode ser formado de partes tão imperfeitas e necessitando progredir. Estando cada parte submetida à lei do progresso, daí resulta que o próprio Deus deve progredir; se ele progride sem cessar, deve ter sido, na origem dos tempos, muito imperfeito. Como um ser imperfeito, formado de vontades e de ideias tão divergentes, pôde conceber as leis tão harmoniosas, de tão admirável unidade, sabedoria e previdência que regem o universo? Se todas as almas são porções da divindade, todas concorreram para as leis da natureza; como explicar que murmurem sem cessar contra essas leis que são sua obra? Uma teoria não pode ser aceita como verdadeira a não ser com a condição de satisfazer a razão e de dar conta de todos os fatos que ela abarca; se um único fato a desmentir, é que ela não está com a verdade absoluta
9. - Do ponto de vista moral, as consequências são igualmente ilógicas. É primeiro para as almas, como no sistema precedente, a absorção num todo e a perda da individualidade. Se se admitir, segundo a opinião de alguns panteístas, que elas conservam sua individualidade, Deus não tem mais vontade única; é um composto de miríades de vontades divergentes. Depois, sendo cada alma parte integrante da divindade, nenhuma é dominada por um poder superior; ela não incorre, por conseguinte, em nenhuma responsabilidade por seus atos bons ou maus; ela não tem nenhum interesse em fazer o bem e pode fazer o mal impunemente visto que é senhora soberana. 
10. - Além do fato de que esses sistemas não satisfazem nem a razão, nem as aspirações do homem, esbarra-se aí, como se vê, em dificuldades intransponíveis, porque eles são incapazes de resolver todas as questões que levantam. O homem tem então três alternativas: o nada, a absorção, ou a individualidade da alma antes e depois da morte. É a esta última crença que a lógica nos leva invencivelmente; é também ela que constituiu o fundo de todas as religiões desde que o mundo existe. 
Se a lógica nos conduz à individualidade da alma, ela nos leva também a esta outra consequência, que o destino de cada alma deve depender de suas qualidades pessoais, pois seria irracional admitir que a alma atrasada do selvagem e a do homem perverso estejam no mesmo nível que a do erudito e do homem de bem. Segundo a justiça, cada uma deve ter a responsabilidade de seus atos; mas para que sejam responsáveis, é preciso que sejam livres para escolher entre o bem e o mal; sem livre-arbítrio, há fatalidade, e com fatalidade, não poderia haver responsabilidade.
11. - Todas as religiões admitiram igualmente o princípio do destino feliz ou infeliz das almas após a morte, dito de outro modo, das penas e dos gozos futuros que se resumem na doutrina do céu e do inferno que se encontra em toda a parte. Mas no que elas diferem essencialmente, é sobre a natureza dessas penas e desses gozos, e sobretudo sobre as condições que podem merecer umas e outros. Donde pontos de fé contraditórios que deram origem aos diferentes cultos, e os deveres particulares impostos por cada um deles para venerar Deus, e por esse meio ganhar o céu e evitar o inferno. 
12. - Todas as religiões precisaram, na sua origem, estar em relação com o grau de avanço moral e intelectual dos homens; estes, ainda demasiado materiais para compreender o mérito das coisas puramente espirituais, fizeram consistir a maioria dos deveres religiosos no cumprimento de fórmulas exteriores. Durante um tempo, essas formas bastaram à sua razão; mais tarde, fazendo-se a luz em seu espírito, eles sentem o vazio que as formas deixam atrás delas, e se a religião não o preenche, eles abandonam a religião e tornam-se filósofos. 
13. - Se a religião, apropriada no princípio aos conhecimentos limitados dos homens, tivesse sempre seguido o movimento progressivo do espírito humano, não haveria incrédulos, porque é da natureza do homem ter necessidade de crer, e ele acreditará se lhe derem um alimento espiritual em harmonia com suas necessidades intelectuais. Ele quer saber de onde vem e para onde vai; se lhe mostram um objetivo que não responde nem a suas aspirações nem à ideia que ele faz de Deus, nem aos dados positivos que a ciência lhe fornece; se, ademais, lhe impõem para alcançá-lo condições cuja utilidade sua razão não lhe demonstra, ele repele o todo; o materialismo e o panteísmo parecem-lhe ainda mais racionais, porque aí se discute e se raciocina; raciocina-se errado, é verdade, mas ele prefere raciocinar errado a não raciocinar de modo algum.
Mas apresentem-lhe um futuro em condições lógicas, digno em todos os pontos da grandeza, da justiça e da infinita bondade de Deus, e ele abandonará o materialismo e o panteísmo cujo vazio sente em seu foro íntimo, e os quais só aceitara na falta de melhor. O espiritismo dá melhor, eis porque é acolhido com ardor por todos aqueles que a incerteza lancinante da dúvida atormenta e que não encontram nem nas crenças, nem nas filosofias vulgares aquilo que buscam; ele tem a seu favor a lógica do raciocínio e a sanção dos fatos, é por isso que o combateram inutilmente. 
14. - O homem tem instintivamente a crença no futuro; mas não tendo até hoje nenhuma base segura para defini-lo, sua imaginação criou os sistemas que trouxeram a diversidade nas crenças. Não sendo a doutrina espírita sobre o futuro uma obra de imaginação mais ou menos engenhosamente concebida, e sim o resultado da observação dos fatos materiais que ocorrem hoje sob nossos olhos, ela reunirá, como já faz agora, as opiniões divergentes ou flutuantes, e levará pouco a pouco, e pela força das coisas, à unidade na crença sobre esse ponto, crença que não será mais baseada numa hipótese, mas numa certeza. A unificação, feita no que concerne ao destino futuro das almas, será o primeiro ponto de aproximação entre os diferentes cultos, um passo imenso rumo à tolerância religiosa primeiramente, e mais tarde rumo à fusão. 

1 Um jovem de dezoito anos sofria de uma doença cardíaca declarada incurável. A ciência dissera: Ele pode morrer dentro de oito dias, como dentro de dois anos, mas daí não passará. O jovem sabia disso; imediatamente abandonou todo estudo, e entregou-se a todo tipo de excessos. Quando lhe mostravam quão perigosa era uma vida desregrada no seu estado, ele respondia: Que me importa, já que só tenho dois anos de vida? De que me serviria cansar o espírito a aprender? Aproveito o melhor possível os últimos momentos e quero divertir-me até o fim. Eis a consequência lógica do niilismo.

Se esse jovem fosse espírita, teria dito para si mesmo: A morte destruirá apenas meu corpo, que deixarei como uma roupa desgastada, mas meu Espírito viverá sempre. Eu serei, em minha vida futura, o que tiver feito de mim mesmo nesta vida; nada do que eu adquiri aqui de qualidades morais e intelectuais se perderá, pois serão ganhos para meu adiantamento; toda imperfeição da qual eu me despojar é um passo a mais na direção da felicidade; minha felicidade ou infelicidade no porvir dependem da utilidade ou inutilidade de minha existência presente. É, portanto, do meu interesse aproveitar o pouco de tempo que me resta, e evitar tudo o que poderia diminuir minhas forças. Qual dessas duas doutrinas é preferível?"
 
 ("O Céu e o Inferno" , Allan Kardec)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

"NO CAMPO DA MENTE"

"Canaliza as tuas forças mentais para a ideação do bem em preparativos de materialização.
As energias da mente são o potencial de força que estrutura a vida.
Jogadas a esmo, perdem a finalidade superior para a qual existem, concretizando irrisão e desequilíbrio.
Assim, cuida do direcionamento dos teus pensamentos, evitando os devaneios que te incendeiam de paixões perturbadoras, que anelas e, certamente, não se consumarão.
Mesmo que aconteçam, sustentadas pelo teu desejo ardente, são fogos-fátuos que logo desaparecem.
Exercita a tua mente, fixando idéias otimistas, de saúde e de trabalho.
Insiste com essas formas ideais, e elas se consubstanciarão, mantidas pelo fluxo do anelo, condensando-se no plano da realidade objetiva.
Quando saibas comandar a mente, alterar-se-á, em profundidade, o ritmo da tua existência.
O cenho contraído cederá lugar à alegria espontânea; a ira fácil dará campo à benevolência; a exigência será substituída pela compreensão, e experimentarás o prazer de ser bom, pelo bem que faças, que te fará bem.
Insiste no pensamento gentil, edificante.
A mente, que se faz leviana, exorbita na alucinação e padece a hipertrofia das aspirações felizes.
A formulação de propósitos saudáveis faculta a viabilidade deles, que se convertem em realização.
O homem se torna aquilo que cultiva na mente.
A usina mental é dínamo gerador de que o Espírito se utiliza para a viagem carnal e, fora dela, para expressar a sua identidade e valor, que exterioriza no processo da evolução.
Se embalas pesadelos, defrontarás sempre sofrimentos.
Se vitalizas esperanças de paz, encontrarás tranqüilidade.
Triunfo e insucesso são termos iguais de qualquer empresa: aquele que elejas, merece a tua fixação e o teu trabalho, mediante os quais o lograrás.
No bloco de pedra dorme a estátua, que o artista vê e de lá a arranca, a esforço e dedicação.
No solo adusto se oculta a seara, que o agricultor descobre a contributo de adubagem, irrigação e semeação.
No barro imundo repousa a peça de cerâmica, que o oleiro modela com carinho e habilidade.
Na mente vigem o ideal, a forma, a vida.
Aplica com sabedoria as tuas forças mentais e não as perturbes com os desvios da ilusão.
Jesus, que as conhecia com profundidade, usou-as, convidando-nos a aplicá-las bem, quando enunciou que podemos fazer tudo quanto Ele fez, se quisermos, se tivermos fé e valor de lutar contra as imperfeições, e extrair, do bloco de granito que ainda somos, a centelha divina que dorme em nós."
("Momentos de Felicidade", Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

"ESCULTORES DE ALMAS"

"Péricles foi um célebre orador e estrategista que governou Atenas de 460-430 a.C., e ficou conhecido na história como a maior figura política daquela cidade.
Estimulou as artes e a cultura, realizou grandes construções como o Partenon, templo pagão de insuperável perfeição arquitetônica e riqueza escultural de Atenas.
Certa feita, promoveu uma grande festa em homenagem à beleza da cidade de Atenas, para a qual mandou convidar todos aqueles que de alguma forma haviam contribuído para que a cidade ficasse tão bela.
Avisado que os convidados já estavam presentes, Péricles lançou seu olhar sobre os salões e notou escultores, pintores, arquitetos, políticos, mas não percebeu nenhum pedagogo.
Chamou seus assistentes e lhes perguntou porque os pedagogos não estavam ali. E eles responderam: "Porque não foram convidados, senhor. Afinal, não deram nenhuma contribuição para Ebelezar Atenas."
Então Péricles ordenou:
"Vão convidá-los imediatamente para a festa, pois são eles que embelezam as almas dos atenienses."
Interessante pensar no que isso significa.
Importante refletir sobre o que significa ter o poder de esculpir nas almas daqueles que se dispõem ao aprendizado, à reflexão sobre os valores, as virtudes, o sentido da vida.
E nesse contexto podemos dizer que os professores são escultores de almas, sim.
Um dia um professor aposentado, alma sensível e dedicada, competente e estudioso, estava sendo entrevistado e lhe foi pedido para que falasse um pouco sobre sua maior produção literária, pois também é escritor, e ele falou com sabedoria: "Minha maior produção são os meus alunos."
De fato, quem tem acesso a um ser humano, numa sala de aula, predisposto a receber lições, poderá deixar uma grande e nobre produção.
Trabalhar com as mentes e os corações é algo de valor inestimável.
E como o professor também é um ser inacabado, a experiência numa sala de aula pode e deve ser uma grande oportunidade de ensinar aprendendo e aprender ensinando.
No cômputo final, o resultado será uma grande experiência conjunta que faculta a ambas as partes momentos de embelezamento mútuo.
Se você tem o elemento humano sob sua responsabilidade, lembre-se da importância dessa nobre tarefa e seja um artista dedicado a embelezar as almas dos seus educandos, pois é de almas belas e nobres que a humanidade precisa.
* * *
Você, que é professor, antes de iniciar a sua aula, olhe para os rostos que estão a sua frente e lembre-se de que são almas prontas a absorver suas lições.
E não serão somente as instruções formais que irão captar, mas, acima de tudo, essas almas absorverão suas vibrações de amor, dedicação e entusiasmo com que se dirige a todos.
Afinal, ensinar é uma arte que requer mais do que simplesmente transferir informações.
É a sabedoria de criar possibilidades para que cada aluno se produza e se construa a si mesmo com os elementos de reflexão que recebe do seu mestre.
Pense nisso, e seja um bom escultor de almas."
(Redação do Momento Espírita)