quarta-feira, 19 de abril de 2017

"VIOLÊNCIA"

      


"Não se queixe da vida.
       Trabalhe e conserve bondade e paciência para com todos.
       Um homem irritado visitava extenso pomar, descarregando o próprio azedume nas árvores, sacudindo-as intempestivamente.
       Muitos troncos amigos aceitaram a injúria com serenidade. Uma jaqueira, porém, ao ser rudemente agitada, sem querer deixou cair um de seus frutos sobre a cabeça do agressor, causando-lhe o hematoma que lhe precedeu a morte."
(“Aulas da Vida”, Hilário Silva/de Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 18 de abril de 2017

"O LIVRO DOS ESPÍRITOS" - 160 anos




"PRINCÍPIOS BÁSICOS"


"Os fenómenos que estão além das leis da ciência comum se manifestam por toda parte e revelam na causa que os produz a ação de uma vontade livre e inteligente. 

A razão diz que um efeito inteligente deve ter como causa uma força inteligente, e os fatos provaram que essa força pode entrar em comunicação com os homens por meio de sinais materiais. 

Essa força, interrogada sobre sua natureza, declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se libertaram do corpo carnal do homem. Foi assim que a Doutrina dos Espíritos foi revelada. 

As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corporal estão na ordem natural das coisas e não constituem nenhum fato sobrenatural, é por isso que seus vestígios são encontrados entre todos os povos e em todas as épocas e hoje são comuns e evidentes para todos. 

Os Espíritos anunciam que os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal chegaram e que, sendo os mensageiros de Deus e os agentes de sua vontade, sua missão é instruir e esclarecer os homens ao abrir uma nova era para a regeneração da humanidade. 

Este livro contém os seus ensinamentos, foi escrito por ordem e sob o ditado dos Espíritos Superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos sistemáticos; não contém nada que não seja a expressão do pensamento deles e que não tenha sido submetido ao seu controle. Somente a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação, são obra daquele que recebeu a missão de publicá-lo. 

Entre os Espíritos que concorreram para a realização desta obra, muitos viveram em diversas épocas na Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria; outros não pertencem, pelo nome, a nenhum personagem cuja lembrança a história tenha guardado, mas sua elevação é atestada pela pureza dos seus ensinamentos e sua união com aqueles que trazem nomes venerados. 

Eis em que termos nos deram por escrito, e por intermédio de muitos médiuns, a missão de escrever este livro:

 “Ocupa-te com zelo e perseverança do trabalho que empreendeste com a nossa cooperação, porque esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases do novo edifício que se eleva e deve um dia reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e de caridade; mas antes de o publicares, nós o reveremos em conjunto, a fim de verificar todos os seus detalhes. 

Estaremos contigo todas as vezes que o pedires e para te ajudar em todos os outros trabalhos, porque isso é somente uma parte da missão que te foi confiada e que já te foi revelada por um de nós.

 Entre os ensinamentos que te são dados, há alguns que deves guardar somente para ti, até nova ordem. Nós vamos te indicar quando o momento de publicá-los tiver chegado. Enquanto esperas, examinaos e medita sobre eles, para estares pronto quando o dissermos. 

Coloca no início do livro a cepa de vinha que te desenhamos*, como emblema do trabalho do Criador; todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o Espírito estão nela reunidos: o corpo é a cepa; o Espírito é o licor; a alma ou o Espírito unido à matéria é o bago da uva. O homem purifica o Espírito pelo trabalho e tu sabes que é somente pelo trabalho do corpo que o Espírito adquire conhecimento. 

Não te deixes desencorajar pela crítica. Encontrarás opositores ferozes, especialmente entre as pessoas interessadas nos abusos. Irás encontrá-los, também, mesmo entre os Espíritos, porque aqueles que não são completamente desmaterializados frequentemente procuram semear a dúvida pela malícia ou ignorância; mas continua sempre, acredita em Deus e marcha com confiança: aqui estaremos para te sustentar e está próximo o tempo em que a Verdade brilhará por toda parte. 

A vaidade de alguns homens que acreditam saber tudo e querem explicar tudo à sua maneira fará surgir opiniões divergentes, mas todos que tiverem em vista o grande princípio de Jesus vão se irmanar num mesmo sentimento de amor ao bem e se unir por um laço fraternal que abrangerá o mundo inteiro. Eles deixarão de lado as disputas mesquinhas de palavras para apenas se ocupar das coisas essenciais, e a Doutrina será sempre a mesma, quanto ao fundo, para todos aqueles que receberem as comunicações dos Espíritos Superiores. 

É com a perseverança que chegarás a recolher o fruto de teus trabalhos. O prazer que experimentarás ao ver a Doutrina se propagar e ser compreendida será uma recompensa da qual conhecerás todo o valor, talvez mais no futuro do que no presente. Não te inquietes, portanto, com os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus semearão no teu caminho; conserva a confiança: com a confiança chegarás ao objetivo e merecerás ser sempre ajudado. 

Lembra-te que os bons Espíritos somente assistem aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e repudiam todo aquele que procura no caminho do céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; eles se distanciam dos orgulhosos e ambiciosos. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira entre o homem e Deus; são um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode se servir do cego para fazer compreender a luz.”

 São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc."


* A cepa (ramo de parreira) que se vê  é a reprodução fiel da que foi desenhada pelos Espíritos (Nota de Kardec)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

"DISCIPLINA"

"Todo êxito alicerça-se na disciplina.

       Sem disciplinar-se ao próprio leito, o grande rio não alcançaria o mar.

      Sem ajustar-se à órbita que lhe diz respeito, em torno do Sol, a Terra não sairia do caos do princípio.

      O atleta que não se submete à disciplina não conquista a palma da vitória, na superação dos próprios limites.

      O homem que vive sem disciplina assemelha-se a uma locomotiva correndo fora dos trilhos.

      A disciplina é imprescindível para que o espírito triunfe na ascese espiritual que lhe diz respeito.

      Sem autocontrole, o homem não se liberta dos antigos hábitos que insistem em mantê-lo prisioneiro dos vícios.

      A disciplina sempre custa muito esforço a quantos se lhe submetem de livre vontade.

      Se a disciplina é um caminho íngreme, a indisciplina é uma ladeira escorregadia.

      Quem não sabe disciplinar o seu tempo dificilmente saberá disciplinar a sua vida.

      Ao contrário do que se pensa, a disciplina confere ao espírito a liberdade de ser ele mesmo, na plenitude de suas idéias e emoções."



(“Lições da Vida”,Irmão José/Carlos A. Baccelli)

domingo, 16 de abril de 2017

"REFORMAS DE METADE"


"Desde a primeira hora da Doutrina Espírita recomendam os emissários da Esfera Superior uma reforma urgente, inadiável, intransferível: a reforma de cada um de nós, nas bases traçadas pelo Evangelho de Jesus.

Isso porque toda reforma nas linhas da boa intenção será respeitável, mas somente a renovação interior é fundamental.

Tudo o que vise melhorar a vida deve ser feito, no entanto, se não nos melhoramos, todas as aquisições efetuadas são vantagens superficiais.

Qualquer benefício externo para ser benefício real depende de nós.

A luz que nos auxilia a escrever uma página de fraternidade pode ser aproveitada pelo companheiro menos feliz para traçar uma carta que favorece o crime.

O dinheiro que nos custeou a movimentação para o estudo das leis morais que nos governam o destino é o mesmo que está sendo despendido pelos que compram a decadência do corpo e da alma nos redutos do álcool.

O automóvel que nos conduz ao cenáculo de oração onde louvamos a Bondade Divina, transporta de igual modo a locais determinados os que se reúnem para a negação da fé.

A morfina que alivia o sofrimento na dose adequada não é diversa da que garante os abusos do entorpecente.

Justo que não se impeça a formação de medidas destinadas ao bem comum.

A higiene é um atestado eloquente de que ninguém deve e nem pode viver sem a Constante renovação exterior.

O Espiritismo, porém, nos adverte de que todas as modificações por fora, ainda as mais dignas, são reformas de metade, que permanecerão incompletas sem as reformas do homem que lhes manejará os valores.

Reflitamos nisso, observando o caminho e a meta. Sem estrada não alcançarmos o alvo, entretanto, a estrada é o meio e o alvo é o fim.

Para sermos mais precisos, resumamos o assunto com a lógica espírita, num raciocínio ligeiro e claro: todos nós, os ignorante e os sábios, os justos e os injustos, podemos fazer o bem e devemos fazer o bem, acima de tudo, é preciso ser bom..."


("Opinião Espírita", André Luiz/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 15 de abril de 2017

"NOSSOS PROBLEMAS"

"De modo geral, um problema surge à frente e consideramo-nos para logo batidos pela aflição.
Não raro, contornamo-los através da fuga deliberada.
Noutras ocasiões, antes de arrostá-los, resvalamos em desânimo ou rebeldia.
E lá se vai a oportunidade da promoção.
Às vezes, nós - espíritos eternos perdemos sucessivas encarnações, simplesmente pelo medo de facear certas dificuldades justas e necessárias ao nosso burilamento.
Problemas, no entanto, constituem o preço da evolução.
Não há conhecimento sem experiência e não há experiência sem provas.
Em todos os níveis da Natureza prevalecem semelhantes princípios.
O embrião da planta vive na semente um problema fundamental: como atravessar o envoltório que o resguarda, para construir o seu próprio caminho na direção da luz? A lagarta enfrenta outro: onde encasular-se para ser borboleta? Não fossem os desafios e exercícios da escola, da cultura, tanto quanto a civilização, seriam tão-somente idéias remotas no campo da Humanidade.
Não te amedrontes ante os problemas que te visitem.
São eles recursos naturais da existência, medindo-te a capacidade de adaptação e crescimento.
Nunca te certificarias se possuis bastante reservas de coragem, sem o obstáculo que te ensina a decifrar os segredos da auto-superação, e jamais saberias se realmente amas, sem a dor que te ajuda a desentranhar os mais puros sentimentos do coração.
Problemas são sinônimos de lição.
Se tens o caminho repleto deles, isso significa que chegaste à madureza de espírito, com a possibilidade de freqüentar simultaneamente vários cursos de aperfeiçoamento no educandário do mundo.
Bendize o ensejo de testemunhar a tua abnegação e a tua fé, porque todo momento de compreender e perdoar, auxiliar e edificar, é hora de aprender e tempo de progredir."
("Alma e Coração", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

"CONSULTE O BEM"

"O maledicente desejará que você observe, tanto quanto ele, o lado desagradável da vida alheia.
*
A criatura vacilante e frágil esperará que suas forças sejam quebradiças.
*
O discutidor aguardará seu comparecimento às disputas, a propósito de tudo e de todos.
*
O ingrato não se alegrará em vê-lo reconhecido aos outros.
*
O personalista não se regozijará, identificando-lhe o respeito aos adversários.
*
O revoltado tentará afivelar a máscara da rebeldia ao seu rosto.
*
O incompreensível procurará mergulhar sua mente no fundo das perturbações.
*
O neurastênico pedir-lhe-á não sorrir.
*
O insensato reclamará sua adesão à loucura.
*
O homem imperfeitamente espiritualizado sempre busca igualar os semelhantes a si mesmo. Lembre-se, contudo, de que você é você, com tarefa original e responsabilidades diferentes e, se pretende a felicidade real, não deve esquecer a consulta aos padrões do bem, com o Cristo, em todas as horas de sua vida."
"Agenda Cristã", André Luiz/Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 13 de abril de 2017

"NECESSIDADE DE REENCARNAÇÃO"


(Sociedade Espírita de Sens. - médium, Sr. Percheron)
 

"Deus quis que o Espírito do homem fosse ligado à matéria para sofrer as vicissitudes do corpo com o qual se identifica a ponto de ter a ilusão e de tomá-lo por si mesmo, quando não passa de sua prisão passageira. É como se um prisioneiro se confundisse com as paredes de sua cela.
Os materialistas são muito cegos por não se aperceberem de seu erro, pois se quisessem refletir um pouco seriamente, veriam que não é pela matéria de seu corpo que se podem manifestar; veriam que, considerando-se que a matéria desse corpo se renova continuamente, como a água de um rio, não é senão pelo Espírito que podem saber que são sempre eles próprios.
Suponhamos que o corpo de um homem que pesasse sessenta quilos assimile, para a reparação de suas forças, um quilo de nova substância por dia, para substituir a mesma quantidade de antigas moléculas de que se separa e que realizaram o papel que lhes tocava na composição de seus órgãos. Ao cabo de sessenta dias a matéria desse corpo achar-se-ia, então, renovada. Nesta suposição, cujos números podem ser contestados, mas verdadeira em princípio, a matéria do corpo renovar-se-ia seis vezes por ano. O corpo de um homem de vinte anos, assim, já se teria renovado cem vezes; aos quarenta, duzentas e quarenta vezes; aos oitenta, quatrocentas e oitenta vezes. Mas o vosso Espírito ter-se-á renovado? Não, pois ten­des consciência de que sois sempre vós mesmos. É, pois, o vosso Espírito que constitui o vosso eu, e por intermédio do qual vós vos afirmais, e não o vosso corpo, que não passa de matéria efêmera e mutável.
“Os materialistas e panteístas dizem que as moléculas desagregadas depois da morte do corpo retornam todas à massa comum de seus elementos primitivos, e o mesmo se dá com a alma, isto é, com o ser que pensa em vós. Mas que sabem eles disso? Há uma massa comum de substância que pensa? Eles jamais o demonstraram, e é o que deveriam ter feito antes de afirmar. Da parte deles, portanto, não passa de uma hipótese. Ora, considerando-se que durante a vida do corpo as moléculas se desagreguem várias centenas de vezes, ficando o Espírito sempre o mesmo, conservando a consciência de sua individualidade, não é mais lógico admitir que a natureza do Espírito não é de se desagregar? Por que então se dissolveria após a morte do corpo e não antes?
“Após esta digressão dirigida aos materialistas, volto ao meu assunto. Se Deus quis que as criaturas espíritas fossem momentaneamente unidas à matéria é, repito, para fazê-las sentir e, por assim dizer, sofrer as necessidades que a matéria exige de seus corpos para sua conservação. Dessas necessidades nascem as vicissitudes que vos fazem sentir o sofrimento e compreender a comiseração que deveis ter por vossos irmãos na mesma posição. Esse estado transitório é, pois, necessário à progressão do vosso Espírito, que sem isto ficaria estagnado.
As necessidades que o corpo vos faz experimentar estimulam o vosso Espírito e o forçam a procurar os meios de provê-las, e desse trabalho forçado nasce o desenvolvimento do pensamento. Constrangido a presidir os movimentos do corpo para dirigi-los visando a sua conservação, o Espírito é conduzido ao trabalho material e daí ao trabalho intelectual, necessários um ao outro e um pelo outro, pois a realização das concepções do Espírito exige o trabalho do corpo, e este não pode ser feito senão sob a direção e o impulso do Espírito. Tendo assim o Espírito adquirido o hábito de trabalhar, constrangido pelas necessidades do corpo, o trabalho, por sua vez, se lhe torna uma necessidade, e, quando desprendido de seus laços, ele não precisa pensar na matéria, mas pensa em trabalhar-se a si mesmo, para o seu adiantamento.
Agora compreendeis a necessidade para o vosso Espírito de ser ligado à matéria durante uma parte de sua existência, para não ficar estacionário.

Teu pai,
PERCHERON, assistido pelo Espírito de PASCAL.

OBSERVAÇÃO: A estas observações, perfeitamente justas, acrescentaremos que, trabalhando para si mesmo, o Espírito encarnado trabalha para o melhoramento do mundo em que ele habita. Assim, ele ajuda em sua transformação e no seu progresso material, que estão nos desígnios de Deus, de que ele é o instrumento inteligente. Na sua sabedoria previdente, quis a Providência que tudo se encadeasse na Natureza; que todos, homens e coisas, fossem solidários. Depois, quando o Espírito tiver realizado a sua tarefa, quando estiver suficientemente adiantado, gozará dos frutos de suas obras."

"Revista Espírita", Fevereiro de 1864 - "Dissertações espíritas"