sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

"AUTO-ENCONTRO"

"A ansiosa busca de afirmação da personalidade leva o indivíduo, não raro, a encetar esforços em favor das conquistas externas, que o deixam frustrado, normalmente insatisfeito.
Transfere-se, então, de uma para outra necessidade que se lhe torna meta prioritária, e, ao ser conseguida, novo desinteresse o domina, deixando-o aturdido.
A sucessão de transferências termina por exauri-lo, ferindo-lhe os interesses reais que ficam á margem.
Realmente, a existência física é uma proposta oportuna para a aquisição de valores que contribuem para a paz e a realização do ser inteligente. Isto, porém, somente será possível quando o centro de interesse não se desviar do tema central, que é a evolução.
Para ser conseguida, faz-se imprescindível uma avaliação de conteúdos, a fim de saber-se o que realmente é transitório e o que é de largo curso e duração.
Essa demorada reflexão selecionará os objetivos reais dos aparentes, ensejando a escolha daqueles que possuem as respostas e os recursos plenificadores.
Hoje, mais do que antes essa decisão se faz urgente, por motivos óbvios, pois que, enquanto escasseiam o equilíbrio individual e coletivo, a saúde e a felicidade, multiplicam-se os desaires e as angústias ceifando os ideais de enobrecimento humano.
*
Se de fato andas pela conquista da felicidade, tenta o auto-encontro.
Utilizando-te da meditação prolongada, penetrar-te-ás, descobrindo o teu ser real, imortal, que aguarda ensejo de desdobramento e realização.
Certamente, os primeiros tentames não te concederão resultados apreciáveis.
Perceberás que a fixação da mente na interiorização será interrompida, inúmeras vezes, pelas distrações habituais do intelecto e da falta de harmonia.
Desacostumado a uma imersão, a tua tentativa se fará prejudicada pela irrupção das idéias arquivadas no inconsciente, determinantes de tua conduta inquieta, irregular, conflitiva.
*
Concordamos que a criatura é conduzida, na maior parte das vezes, pelo inconsciente, que lhe dita o pensamento e as ações, como resultado normal das próprias construções mentais anteriores.
A mudança de hábito necessita de novo condicionamento, a fim de mergulhares nesse oceano tumultuado, atingindo-lhe o limite que concede acesso às praias da harmonia, do autodescobrimento, da realização interior.
Nessa façanha verás o desmoronar de muitas e vazias ambições, que cultivas por ignorância ou má educação; o soçobrar de inúmeros engodos; o desaparecer de incontáveis conflitos que te aturdem e devastam.
Amadurecerás lentamente e te acalmarás, não te deixando mais abater pelo desânino, nem exaltar pelo entusiasmo dos outros.
Ficarás imune à tentação do orgulho e à pedrada da inveja, à incompreensão gratuita e à inimizade perseguidora, porque somente darás atenção à necessidade de valorização do ser profundo e indestrutível que és.
Terminarás por te venceres, e essa será a tua mais admirável vitória.
Não cesses, portanto, logo comeces a busca interior, de dar-lhe prosseguimento se as dificuldades e distrações do ego se te apresentarem perturbadoras."
("Momentos Enriquecedores", Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

"MÀXIMAS EXTRAÍDAS DOS ENSINAMENTOS DOS ESPÍRITOS"

"35. O objetivo essencial do Espiritismo é o melhoramento dos homens. Não é preciso procurar nele senão o que pode ajudar no progresso moral e intelectual. 

36. O verdadeiro Espírita não é o que crê nas manifestações, mas aquele que aproveita o ensinamento dado pelos Espíritos. De nada adianta crer, se a crença não faz com que dê um passo adiante na via do progresso, e não o torne melhor para seu próximo. 

37. O egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição, a cupidez, o ódio, a inveja, o ciúme, a maledicência são para a alma ervas venenosas das quais é preciso a cada dia arrancar algumas hastes, e que têm como antídoto: a caridade e a humildade. 

38. A crença no Espiritismo só é proveitosa para aquele de quem se pode dizer: hoje está melhor do que ontem. 

39. A importância que o homem atribui aos bens temporais está na razão inversa de sua fé na vida espiritual; é a dúvida sobre o futuro que o leva a procurar suas alegrias neste mundo, satisfazendo suas paixões, ainda que às custas do próximo. 

40. As aflições na terra são os remédios da alma; elas salvam para o futuro, como uma operação cirúrgica dolorosa salva a vida de um doente e lhe devolve a saúde. É por isso que o Cristo disse: "Bem-aventurados os aflitos, pois eles serão consolados." 

41. Em vossas aflições, olhai abaixo de vós e não acima; pensai naqueles que sofrem ainda mais que vós. 

42. O desespero é natural para aquele que crê que tudo acaba com a vida do corpo; é um contra-senso para aquele que tem fé no futuro. 

43. O homem é, muitas vezes o artífice de sua própria infelicidade neste mundo; se ele voltar à fonte de seus infortúnios, verá que a maior parte deles são o resultado de sua imprevidência, de seu orgulho e avidez, e por conseguinte, de sua infração às leis de Deus.
44. A prece é um ato de adoração. Orar a Deus é pensar nele; é aproximar-se dele; é pôr-se em comunicação com ele.
45. Aquele que ora com fervor e confiança é mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um auxílio que jamais é recusado quando é pedido com sinceridade. 

46. O essencial não é orar muito, mas orar bem. Certas pessoas crêem que todo o mérito está na extensão da prece, enquanto fecham os olhos para seus próprios defeitos. A prece é para elas uma ocupação, um emprego do tempo, mas não uma análise de si mesmas. 

47. Aquele que pede a Deus o perdão de seus erros não o obtém senão mudando de conduta. As boas ações são a melhor das preces, pois os atos valem mais que as palavras. 

48. A prece é recomendada por todos os bons Espíritos; é, além disso, pedida por todos os Espíritos imperfeitos como um meio de aliviar seus sofrimentos. 

49. A prece não pode mudar os desígnios da Providência; mas, vendo que há interesse por eles, os Espíritos sofredores se sentem menos desamparados; tornam-se menos infelizes; ela exalta sua coragem, estimula neles o desejo de elevar-se pelo arrependimento e a reparação, e pode desviá-los do pensamento do mal. É nesse sentido que ela pode não só aliviar, mas abreviar seus sofrimentos. 

50. Cada um ore segundo suas convicções e o modo que acredita mais conveniente, pois a forma não é nada, o pensamento é tudo; a sinceridade e a pureza de intenção é o essencial; um bom pensamento vale mais que numerosas palavras, que se assemelham ao barulho de um moinho e onde o coração não está. 

51. Deus fez homens fortes e poderosos para serem os sustentáculos dos fracos; o forte que oprime o fraco é maldito de Deus; em geral ele recebe o castigo nesta vida, sem prejuízo dos reservados ao futuro. 

52. A fortuna é um depósito cujo possuidor é tão-somente o usufrutuário, já que não a leva com ele para o túmulo; ele prestará rigorosas contas do emprego que dela tenha feito. 

53. A fortuna é uma prova mais arriscada que a miséria, porque é uma tentação para o abuso e os excessos, e porque é mais difícil ser moderado que ser resignado. 

54. O ambicioso que triunfa e o rico que se sustenta de prazeres materiais são mais de se lamentar que de se invejar, pois é preciso ter em conta o retorno. O Espiritismo, pelos terríveis exemplos dos que viveram e que vêm revelar sua sorte, mostra a verdade desta afirmação do Cristo: "Aquele que se eleva será rebaixado e aquele que se abaixa será elevado." 

55. A caridade é a lei suprema do Cristo: "Amai-vos uns aos outros como irmãos; - amai vosso próximo como a vós mesmos; perdoai seus inimigos; - não façais a outrem o que não gostaríeis que vos fizessem"; tudo isso se resume na palavra caridade. 

56. A caridade não está só na esmola, pois há a caridade em pensamentos, em palavras e em ações. É caridoso por pensamentos aquele que é indulgente para com as faltas do próximo; caridoso por palavras, o que nada diz que possa prejudicar seu próximo; caridoso por ações, quem assiste seu próximo na medida de suas forças. 

57. O pobre que divide seu pedaço de pão com um mais pobre que ele é mais caridoso e tem mais mérito aos olhos de Deus do que o que dá o que lhe é supérfluo, sem se privar de nada. 

58. Àquele que nutre contra seu próximo sentimentos de animosidade, ódio, ciúme e rancor, falta caridade; ele mente, se se diz cristão, e ofende a Deus. 

59. Homens de todas as castas, de todas as seitas e de todas as cores, vós sois todos irmãos, pois Deus vos chama a todos para ele; estendei-vos, pois, as mãos, qualquer que seja vossa maneira de adorá-lo, e não vos lanceis o anátema, pois o anátema é a violação da lei de caridade proclamada pelo Cristo. 

60. Com o egoísmo, os homens estão em luta perpétua; com a caridade, estarão em paz. Somente tendo por base de suas instituições a caridade, podem ter assegurada sua felicidade neste mundo; segundo as palavras do Cristo, só ela pode também garantir sua felicidade futura, pois encerra implicitamente todas as virtudes que podem os conduzir à perfeição. Com a verdadeira caridade, tal como a ensinou e praticou o Cristo, não mais o egoísmo, o orgulho, o ódio, a inveja, a maledicência; não mais o apego desordenado aos bens deste mundo. É por isso que o Espiritismo cristão tem como máxima: FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. 

Incrédulos! Podeis rir dos Espíritos, zombar daqueles que crêem em suas manifestações; ride, pois, se ousardes, desta máxima que eles vem ensinar e que é vossa própria salvaguarda, pois se a caridade desaparecesse da terra, os homens se estraçalhariam, e talvez vós fosseis as primeiras vítimas. Não está longe o tempo em que esta máxima, proclamada abertamente em nome dos Espíritos, será uma garantia de segurança e um título à confiança naqueles que a trouxerem gravada no coração. 

Um Espírito disse: "Zombaram das mesas girantes; não zombarão nunca da filosofia e da moral que dela decorre". É que, com efeito, hoje estamos longe, depois de alguns anos apenas, desses primeiros fenômenos que serviram, por um instante, de distração para os ociosos e os curiosos. Esta moral, dizeis, está obsoleta: "Os Espíritos deviam ter espírito bastante para nos dar algo de novo." (Frase espirituosa de mais de um crítico). Tanto melhor! se ela está obsoleta, isso prova que ela é de todos os tempos, e os homens são mais culpados por não tê-la praticado, pois não há verdadeiras verdades senão as que são eternas. O Espiritismo vem lembrá-la, não por uma revelação isolada feita a um único homem, mas pela voz dos próprios Espíritos que, como uma trombeta final, vêm lhes proclamar: "Crede que aqueles que chamais de mortos estão mais vivos do que vós, pois eles vêem o que não vedes, e ouvem o que não ouvis; reconhecei naqueles que vos vêm falar, os vossos parentes, vossos amigos, e todos aqueles que haveis amado na terra e que acreditáveis perdidos para sempre; infelizes aqueles que crêem que tudo acaba com o corpo, pois serão cruelmente desenganados, infelizes daqueles a que terá faltado a caridade, pois sofrerão o que tiverem feito os outros sofrer! Escutai a voz daqueles que sofrem e que vos vêm dizer: "Nós sofremos por não termos reconhecido o poder de Deus e duvidado de sua misericórdia infinita; sofremos por nosso orgulho, nosso egoísmo, nossa avareza e por todas as más paixões que não soubemos reprimir; sofremos por todo o mal que fizemos ao nosso semelhante pelo esquecimento da lei de caridade". 

Incrédulos! Dizei se uma doutrina que ensina tais coisas é risível, se ela é boa ou má. Vendo-a tão-somente do ponto de vista da ordem social, dizei se os homens que a praticam seriam felizes ou infelizes, melhores ou piores! "

("O Espiritismo na sua mais simples expressão"; Allan Kardec)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

"CARRASCO"

      "Verdugo invisível, onde se lhe evidencie a influência, aparecem a rebeldia e o azedume, preparando a perturbação e a discórdia.
       Mostra-se na alma que lhe ouve as pérfidas sugestões, à maneira de fera oculta a atirar-se sobre a presa.
       Assimilando-lhe a faixa de treva, cai a mente em aflitiva cegueira, dentro da qual não mais enxerga senão a si mesma.
       E assim dominada, a criatura, ao pé dos outros, é a personificação da exigência, desmandando-se, a cada instante, em reclamações descabidas, incapaz de anotar os sofrimentos alheios. Pisa nas dores do próximo com a dureza do bronze e recebe-lhe as petições com a agressividade do espinheiro, expelindo pragas e maldições. Onde surge, pede os primeiros lugares, e, se lhos negam, à face das tarefas que a previdência organiza, não se peja de evocar direitos imaginários, condenando, sem análise, tudo quanto se lhe expõe ao discernimento. Desatendida nos caprichos particulares com que se aproxima dos setores de luta que desconhece, mastiga a maledicência ou gargalha o sarcasmo, lançando lodo e veneno sobre nomes e circunstâncias que demandam respeito. Se alguém formula ponderações, buscando-lhe o ânimo à sensatez, grita, desesperada, contra tudo o que não seja adoração a si mesma, na falsa estimativa dos minguados valores que carrega no fardo de ignorância e basófia.
       E, então, a pessoa, invigilante e infeliz, assim transformada em temível fantasma de incompreensão e de intransigência, enrodilha-se na própria sombra, como a tartaruga na carapaça, e, em lastimável isolamento de espírito, não sabe entender ou perdoar para ser também perdoada e entendia, enquistando-se na inconformação, que se lhe amplia no pensamento e na atitude, na palavra e nos atos, tiranizando-lhe a vida, como a enfermidade letal que se agiganta no corpo pela multiplicação indiscriminada de perigosos bacilos.
       Atingido esse estado d’alma, não adota outro rumo que não seja o da crueldade com que, muitas vezes, se arroja ao despenhadeiro da delinquência, associando-se a todos aqueles que se lhe afinam com as vibrações deprimentes, em largas simbioses de desumanidade e loucura, formando o pavoroso inferno do crime.
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       Irmãos, precatai-vos contra semelhante perseguidor, vestindo o coração na túnica da humildade que tudo compreende e a todos serve, sem cogitar de si mesma, porque esse estranho carrasco, que nos alenta o egoísmo, em toda parte chama-se orgulho."
(“Religião dos Espíritos”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

"DIFICULDADE E BENÇÃO"

"Dificuldade gerando bênção é lição habitual na escola da natureza:
  • a árvore podada, ampliando a produção;
  • o minério criando o aço quando submetido a mais altas formas de calor;
  • o mármore, laboriosamente cortado, cedendo lugar aos primores da escultura;
  • o espinho do bisturi efetuando os prodígios da cirurgia...
Assim, nos domínios do espírito, variadas são as ocorrências de impacto que afligem a criatura na Terra:
  • o afastamento de companheiros queridos, complicando a realização de respeitáveis planos de trabalho;
  • a explosão de enfermidade complexa exigindo longo esforço de recuperação;
  • o acontecimento infeliz, envolvendo familiares e amigos, reclamando sacrifícios para o retorno à tranquilidade;
  • a desencarnação de pessoas amadas impondo lesões ao campo emotivo e requisitando mais trabalho ao coração ferido, para que não se desequilibre a engrenagem doméstica...
Se crises dessas te amarfanham a sensibilidade, não esmoreças e suporta com firmeza a tempestade espiritual em que te vejas, sem desertar do posto de serviço em que a sabedoria da vida te situou.
Provavelmente agora não percebes os fios invisíveis que entretecem as ocorrências para o bem, no entanto, se permaneces fiel ao próprio dever, agindo e servindo, em tempo breve, reconhecerás, muito embora as provações sofridas, que a Lei de Deus, em nosso benefício, faz sempre o melhor."
("Amigo", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

"QUE FIZERAM DE MIM?"


 

"Extraímos a comunicação seguinte do jornal espírita le Salut, que é publicado em Nova Orleans, número de 1º de junho de 1868:

- Filhos, eu vos escrevi: “Quando vossa boa união me chamar, virei a vós.” E vossa boa união me chamou, eis-me aqui.
Eis-vos agora como meus apóstolos de outrora. Fazei como os bons e não façais como os maus; que ninguém renegue, que ninguém traia! Ireis assentar-vos à mesma mesa que reunia os amigos da minha fé e do meu coração; que ninguém seja nem Pedro nem Judas!
Ó meus bons filhos, olhai em torno de vós e vede! Minha cruz, o instrumento glorioso de meu vil suplício, domina os edifícios da tirania ... e eu, eu não tinha vindo senão para pregar a liberdade e a felicidade. Com a minha cruz, afogaram os corpos no sangue e as consciências na mentira! Com a minha cruz, disseram aos homens: “Obedecei aos vossos senhores; curvai-vos ante os opressores!” E eu dizia: “Sois todos filhos de um mesmo Pai, sem distinção a não ser a de vossos méritos, resultantes da vossa liberdade.”
Eu tinha dito aos grandes: “Humilhai-vos!” e aos pequenos: “Erguei-vos!” e exaltaram os grandes e rebaixaram os pequenos.
O que fizeram de mim, de minha memória, de minha lembrança, de meu apostolado? Um sabre! - Sim, e há ainda aqueles que se fizeram agentes dessa infâmia! ... Oh! Se fosse possível sofrer na morada celeste, eu sofreria!... e vós, vós deveis sofrer... e deveis estar prontos a tudo para a redenção que comecei, ainda que não fosse senão para arvorar sobre a mesma montanha o mesmo sinal de união!... Ele será visto e compreendido, e deixarão tudo para defendê-lo, para abençoá-lo, para amá-lo.
Filhos, ide para o Céu com a fé, e toda a Humanidade vos seguirá sem medo e com amor! Logo sabereis, na prática, o que é o mundo, se a teoria não vos tiver ensinado.
Tudo o que vos foi dito para a prática do verdadeiro cristianismo não é senão a sombra da verdade! O triunfo que vos espera está tão acima dos triunfos humanos e dos dos vossos pensamentos, quanto as estrelas do céu estão acima dos erros da Terra!
Oh! Quando eles verão como Tomé! Quando tiverem tocado!... Vós vereis! Vós vereis! As paixões vos criarão obstáculos, depois elas vos socorrerão, porque serão as boas paixões após as más paixões.
Pensai em mim quando fordes partir o meu pão e beber o meu vinho, dizendo a vós mesmos que arvorais, para a eternidade, a bandeira dos mundos... Oh! sim, dos mundos, porque ela unirá o passado, o presente e o futuro a Deus.
JESUS.

O jornal publica esta comunicação sem dar informação sobre as circunstâncias em que foi recebida. Parece, contudo, que deve ter sido numa festa comemorativa da ceia, ou qualquer ágape fraterno entre os adeptos. Seja como for, ela trazno fundo e na forma dos pensamentos, na simplicidade unida à nobreza do estilo, um cunho de identidade que não poderíamos ignorar. Ela atesta, da parte dos assistentes, disposições de natureza a lhes merecer esse favor, e não podemos senão felicitá-los. Pode-se ver que as instruções dadas na América sobre a caridade e a fraternidade não cedem em nada às que são dadas na Europa. É o elo que unirá os habitantes dos dois mundos. Allan Kardec."

("Revista Espírita", Setembro de 1868 - Instruções dos Espíritos)

domingo, 11 de dezembro de 2016

"PESSOALMENTE"

       "Toda produção tem alicerces na unidade.
       As máquinas que se padronizam para esse ou aquele gênero de trabalho, mesmo que se pareçam entre si, são aparelhos que se individuam distintamente.
       As árvores, embora revelem as características da espécie a que se filiam, possuem existência própria.
       Os alunos de um estabelecimento de ensino partilham lições iguais, na classe a que se ajustam; no entanto, reagem de modo particular, diante do estudo, e classificam-se com notas diferentes.
       Catalogam-se enfermos num hospital, segundo os sintomas que apresentam; contudo, cada um exige ficha determinada e tem o seu problema resolvido no momento exato.
       Surgem máquinas e constrói-se a oficina.
       Repontam árvores e alteia-se a floresta.
       Congregam aprendizes e levanta-se a escola.
       Alinham-se doentes e a casa de saúde aparece.
       Recorremos, porém, a semelhantes imagens para destacar que o inferno, considerado por localidade inferior ou estância de suplício, depois da morte, começa de cada um e comunica-se, pessoalmente, de espírito desvairado a espírito desvairado.
       Não haveria penitenciária se não houvesse delinquente.
       Notemos, ainda, que se a ciência médica no mundo ergue caridosamente o manicômio, para socorrer a loucura, a Providência Divina permite a colonização dos seres bestializados, além do túmulo, em regiões específicas do Espaço, para limitação e tratamento das calamidades mentais em que se projetaram ou que fizeram por merecer.
       Desse modo, que nenhum de nós se esqueça da lei de ação e reação.
       Isso porque a falta, que depende de nós, chega antes, e o sanatório que a corrige chega depois."
(“Justiça Divina”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 10 de dezembro de 2016

"SEPULCROS ABERTOS"

“A sua garganta é um sepulcro aberto.” - Paulo. (Romanos, 3: 13).

"Reportando-se aos espíritos transviados da luz, asseverou Paulo que
têm a garganta semelhante a sepulcro aberto e, nessa imagem, podemos emoldurar muitos companheiros, quando se afastam da Estrada Real do Evangelho para os trilhos escabrosos do personalismo delinquente.
Logo se instalam no império escuro do "eu", olvidando as obrigações
que nos situam no Reino Divino da Universalidade, transfigura-se-lhes a garganta em verdadeiro túmulo descerrado. Deixam escapar todo o fel
envenenado que lhes transborda do íntimo, à maneira dum vaso de
lodo, e passam a sintonizar, exclusivamente, com os males que ainda
apoquentam vizinhos, amigos e companheiros.
Enxergam apenas os defeitos, os pontos frágeis e as zonas enfermiças 
das pessoas de boa-vontade que lhes partilham a marcha.
Tecem longos comentários no exame de úlceras alheias, ao invés de curá-las.
Eliminam precioso tempo em palestras compridas e ferinas,
enegrecendo as intenções dos outros.
Sobrecarregam a imaginação de quadros deprimentes, nos domínios
da suspeita e da intemperança mental.
Sobretudo, queixam-se de tudo e de todos.
Projetam emanações entorpecentes de má-fé, estendendo o desânimo e a desconfiança contra a prosperidade da santificação, por onde passam, crestando as flores da esperança e aniquilando os frutos imaturos da caridade.
Semelhantes aprendizes, profundamente desventurados pela conduta
a que se acolhem, afiguram-se-nos, de fato, sepulcros abertos...
Exalam ruínas e tóxicos de morte.
Quando te desviares, pois, para o resvaladiço terreno das lamentações e das acusações, quase sempre indébitas, reconsidera os teus passos espirituais e recorda que a nossa garganta deve ser consagrada ao bem, pois só assim se expressará, por ela, o verbo sublime do Senhor."

("Fonte Viva", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)