quinta-feira, 13 de outubro de 2016

"EM TORNO DA FELICIDADE"

"Em matéria de felicidade convém não esquecer que nos 
transformamos sempre naquilo que amamos.
Quem se aceita como é, doando de si à vida o melhor que tem, caminha mais facilmente para ser feliz como espera ser.
A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para com os outros.
A alegria do próximo começa muitas vezes no sorriso 
que você lhe queira dar.
A felicidade pode exibir-se, passear, falar e comunicar-se na vida externa, mas reside com endereço exato na consciência tranquila.
Se você aspira a ser feliz e traz ainda consigo determinados complexos de culpa, comece a desejar a própria libertação, abraçando no trabalho em favor dos semelhantes o processo o processo de reparação desse
ou daquele dano que você haja causado em prejuízo de alguém.
Estude a si mesmo, observando que o auto-conhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz.
Amor é a força da vida e trabalho vinculado ao amor 
é a usina geradora da felicidade.
Se você parar de se lamentar, notará que a felicidade 
está chamando o seu coração para vida nova.
Quando o céu estiver cinza, a derramar-se em chuva, 
medite na colheita farta que chegará do campo
e na beleza das flores que surgirão no jardim."


("Sinal Verde", André Luiz/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

"ANTE O OBJETIVO"

"Para ver se de algum modo posso chegar à ressurreição." - Paulo.
(Filipenses, 3 :11).


"Alcançaremos o alvo que mantemos em mira:
O avarento sonha com tesouros amoedados e chega ao cofre forte.
O malfeitor comumente ocupa largo tempo, planificando a ação
perturbadora, e comete o delito.
O político hábil anseia por autoridade e atinge
alto posto no domínio terrestre.
A mulher desprevenida, que concentra as idéias no desperdício das emoções, penetra o campo das aventuras inquietantes.
E cada meta a que nos propomos tem o preço respectivo.
O usurário, para amealhar o dinheiro, quase sempre perde a paz.
O delinquente, para efetuar a falta que delineia, avilta o nome.
O oportunista, para conseguir o lugar de mando, muitas vezes
desfigura o caráter.
A mulher desajuizada, para alcançar fantasiosos prazeres, abdica,
habitualmente, o direito de ser feliz.
Se impostos tão pesados são exigidos na Terra aos que perseguem
resultados puramente inferiores, que tributos pagará o espírito que se
candidata à glória na vida eterna?
O Mestre na cruz é a resposta para todos os
que procuram a sublimidade da ressurreição.
Contemplando esse alvo, soube Paulo buscá-lo, através de incompreensões, açoites, aflições e pedradas, servindo constantemente, em nome do Senhor.
Se desejas, por tua vez, chegar ao mesmo destino, centraliza as
aspirações no objetivo santificante e segue, com valoroso esforço, 
na conquista do eterno prêmio."


("Fonte Viva"; Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

"A VIDA ESPIRITUAL"

(Revista Espírita, maio de 1867 - Dissertações espíritas)

(Grupo Lampérière, 9 de janeiro de 1867 - Médium, Sr. Delanne)



          "Aqui estou, feliz por vir saudar-vos, encorajar-vos e vos dizer:
       Irmãos, Deus vos cumula de benefícios, prometendo-vos nestes tempos de incredulidade, respirar a plenos pulmões o ar da vida espiritual que sopra com vigor através das massas compactas.
       Crede em vosso antigo societário, crede em vosso amigo íntimo, vosso irmão pelo coração, pelo pensamento e pela fé; crede nas verdades ensinadas. Elas são tão seguras quanto lógicas; crede em mim que, há alguns dias, me contentava, como vós, em crer e esperar, ao passo que hoje a doce ficção é para mim uma imensa e profunda verdade. Eu toco, eu vejo, eu sigo, eu possuo; então, isso existe. Analiso minhas impressões de hoje e as comparo com as ainda frescas, da véspera.
      Não só me é permitido comparar, sintetizar, pesar minhas ações, meus pensamentos, minhas reflexões, julgá-las pelo critério do bom-senso, mas eu as vejo, eu as sinto, eu sou testemunha ocular, sou a coisa realizada. Não são mais consoladoras hipóteses, sonhos dourados, esperanças; é mais que uma certeza moral: é o fato real, palpável, o fato material que se toca, que vos toma sob sua forma tangível, e que nos diz: isto é.
       Aqui tudo respira calma, sabedoria, felicidade; tudo é harmonia; tudo diz: eis o suprassumo do senso íntimo; não mais quimeras, falsas alegrias, não mais temores pueris, não mais falsa vergonha, não mais dúvidas, não mais angústias, não mais perjúrios, nada desse cortejo vil de fabulosas dores, de erros grosseiros, como se vê diariamente na Terra.
       Aqui somos penetrados de uma quietude inefável; admiramos, oramos, adoramos, rendemos ações de graças ao sublime autor de tantos benefícios; estudamos e entrevemos todas as potências infinitas; vemos o movimento das leis que regem a Natureza. Cada obra tem uma finalidade, que conduz ao amor, diapasão da harmonia geral. Vemos o progresso presidir a todas as transformações físicas e morais, porque o progresso é infinito como Deus que o criou. Tudo é compreensível; tudo é claro, preciso; nada de abstrações, porque tocamos com o dedo e a razão o porquê das coisas humanas. As legiões espirituais adiantadas só têm um objetivo, o de se tornarem úteis a seus irmãos atrasados, para elevá-los para elas.
       Trabalhai, pois, sem cessar, conforme vossas forças, meus bons irmãos, para vos melhorardes e serdes úteis aos vossos semelhantes; não só fareis a doutrina, que é vossa alegria, dar um passo, mas tereis contribuído poderosamente para o progresso do vosso planeta; a exemplo do grande legislador cristão, sereis homens, homens de amor, e concorrereis para implantar o reino de Deus sobre a Terra.
       Este que é ainda e mais que nunca vosso condiscípulo,
LECLERC.

       OBSERVAÇÃO: Com efeito, tal é o caráter da vida espiritual; mas seria um erro crer que basta ser Espírito para encará-la deste ponto de vista. Dá-se com o mundo espiritual como com o mundo corporal: para apreciar as coisas de uma ordem elevada, é necessário um desenvolvimento intelectual e moral que não é peculiar senão a Espíritos adiantados; os Espíritos atrasados ignoram o que se passa nas altas esferas espirituais, como o eram na Terra em relação ao que constitui a admiração dos homens esclarecidos, porque não podem compreendê-lo. Não podendo seu pensamento, circunscrito num horizonte limitado, abarcar o Infinito, eles não podem ter os prazeres resultantes do alargamento da esfera de atividade espiritual. A soma de felicidades, no mundo dos Espíritos, ali é, portanto, por força das coisas, proporcional ao desenvolvimento do senso moral, de onde resulta que trabalhando aqui em baixo por nosso melhoramento e nossa instrução, aumentamos as fontes de felicidade para a vida futura. Para o materialista, o trabalho só tem um resultado limitado à vida presente, que pode acabar de um instante para outro. O espírita, ao contrário, sabe que nada do que ele adquire, mesmo à última hora, fica perdido, e que todo progresso realizado lhe será proveitoso.
       As profundas considerações de nosso antigo colega, Sr. Leclerc, sobre a vida espiritual, são, pois, uma prova de seu adiantamento na hierarquia dos Espíritos, pelo que o felicitamos."
 
ALLAN KARDEC

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

"MEIA-NOITE"

“Era perto da meia-noite; Paulo e Silas contavam hinos a Deus e os outros presos os escutavam”. Atos, 16.25.

"Reveste-se de profundo simbolismo aquela atitude de Paulo e Silas nas trevas da prisão, quando numerosos encarcerados ali permaneciam sem esperança, eis que os herdeiros de Jesus, embora dilacerados de açoites, começavam a orar, entoando hinos de confiança.
O mundo atual, na esteira de transições angustiosas e amargas, não parece mergulhado nas sombras que precedem a meia-noite?
Conhecimentos generosos permanecem eclipsados.
Noções de justiça e direito, programas de paz e tratados de assistência mútua são relegados a plano de esquecimento.
Animais furiosos aproveitam a treva para se evadirem dos recônditos escaninhos da alma humana, onde permaneciam guardados pela cobertura da civilização, e tentam dominar as criaturas empregando o terror, a perseguição, a violência.
Quantos homens jazem no cárcere das desilusões, da amargura, do remorso, do crime?
Através de caminhos desolados, ao longo de campos que as bombas devastaram, dentro de sombras frias, há mães que choram,  velhos desalentados, crianças perdidas.
Quem poderá contar as angústias da noite dolorosa?
Os aprendizes do Evangelho, igualmente, sofrem perseguições e calúnias e, em quase toda parte, são conduzidos a testemunhos ásperos.
Muitos envolveram-se nas nuvens pesadas, outros esconderam-se fugindo à hora de sofrimentos; mas, os discípulos fiéis, esses suportam ainda açoites e pedradas e, não obstante as trevas insondáveis da meia-noite da civilização oram nos santuários do espírito eterno e cantam cânticos de esperança, alentando os companheiros.
Enquanto raras almas sabem perceber os primeiros rubores da alvorada, em virtude da sombra extensa, recordemos os devotados obreiros do Mestre e busquemos na prece ativa o refúgio consolador.  
Se o mundo experimenta a tempestade, procuremos a oração e o trabalho, a fé e o otimismo, porque outro dia abençoado está a nascer e em Jesus Cristo repousa nossa resistência espiritual."
("Trilha de Luz", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 9 de outubro de 2016

"PALAVRAS DE ESPERANÇA"



        "Se não admites a sobrevivência, depois de morte, interroga aqueles que viram partir os entes mais caros.
       Inquire os que afagaram as mãos geladas de pais afetuosos, nos últimos instantes do corpo físico; sonda a opinião das viúvas que abraçaram os esposos, na longa despedida, derramando as agonias do coração, no silêncio das lágrimas; informa-te com os homens sensíveis que sustentaram nos braços as companheiras emudecidas, tentando, em vão, renovar-lhes o hálito na hora extrema; procura  palavra das mães que fecharam os olhos dos próprios filhos, tombados inertes nas primaveras da juventude ou nos brincos da infância... Pergunta aos que carregaram um esquife como quem sepulta sonhos e aspirações no gelo do desalento, e indaga dos que choram sozinhos, junto às cinzas de um túmulo, perguntando por quê...
       Eles sabem, por intuição, que os mortos vivem, e reconhecem que, apenas por amor deles, continuam igualmente a viver.
       Sentem-lhes a presença, no caminho solitário em que jornadeiam, escutam-lhes a voz inarticulada com os ouvidos do pensamento e prosseguem lutando e trabalhando, simplesmente por esperarem os supremos regozijos do reencontro.
-+-
       Se um dia tiveres fome de maior esperança, não temas, assim, rogar a inspiração e a assistência dos corações amados que te precederam na grande viagem. Estarão contigo, a sustentarem-te as energias, nas tarefas humanas, quais estrelas no céu noturno da saudade, a fim de que saibas aguardar, pacientemente, as luzes da alva.
       Busca-lhes o clarão de amor, nas asas da prece, e, se nos templos veneráveis do Cristianismo, alguém te fala de Moisés, reprimindo as invocações abusivas de um povo desesperado, lembra-te de Jesus, ao regressar do sepulcro para a intimidade dos amigos desfalecentes, exclamando, em transportes de júbilo: "A paz seja convosco.”
(“Justiça Divina”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 8 de outubro de 2016

"GRATIDÃO PELOS AMIGOS"

"Agradeço, meu Deus,
Em minha prece enternecida,
As almas boas que me deste à vida,
No campo da afeição!...
Agradeço os amigos que me emprestas,
Que e toleram falhas e defeitos,
E equilibram-se os passos imperfeitos,
Dando-me paz e luz no coração.

Agradeço-te, oh! Pai,
A sensação confortadora e amena
Com que a palavra deles me asserena,
Em meus dias de dor...
E o silêncio que fazem para as lutas
De que preciso para burilar-me,
Enxugando-me o pranto sem alarme
Pela bênção do amor.

Agradeço o socorro que me trazem,
Mostrado desapego nobre e raro,
Para que eu seja apoio ao desamparo,
Esperança de alguém!...
E a caridade com que me estimulam
A ser trabalho, bênção, alegria,
Aprendendo a viver, ia por dia,
Nos domínios do bem.

Por toda a santa generosidade
Da estima doce e pura
De quantos me recebem sem censura,
Ternos amigos meus!...
Eis-me ao sol da oração,
Para dizer-te, oh! Pai do Infinito Universo,
Na singela pobreza do meu verso,
Obrigada, meu Deus!..."

(“Antologia da Espiritualidade”, Maria Dolores/ Francisco
Cândido Xavier)

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

"DIFERENTES MANEIRAS DE FAZER A CARIDADE"


(Revista Espírita, Outubro de 1861 - Ensinamentos e dissertações espíritas)

(Sociedade Espírita de Lyon)
 
       NOTA: A comunicação seguinte foi recebida em nossa presença, no grupo de Perrache:

       “Sim, meu amigos, virei sempre ao vosso meio, sempre que for chamado. Ontem senti-me muito feliz entre vós, quando ouvi o autor dos livros que vos abriram os olhos testemunhar o desejo de vos ver reunidos, para vos dirigir palavras benevolentes. Para vós todos é ao mesmo tempo um grande ensinamento e poderosa lembrança. Apenas, quando vos falou do amor e da caridade, senti que diversos entre vós se perguntavam: 'Como fazer a caridade? Às vezes não tenho nem o necessário.'
       A caridade, meus amigos, se faz de muitas maneiras. Podeis fazê-la por pensamento, palavras e em ações. Em pensamento, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem ao menos ter visto a luz. Uma prece de coração os alivia. Por palavras, dirigindo aos vossos colegas de todos os dias alguns conselhos bons. Dizei aos homens amargurados pelo desespero e pelas privações, e que blasfemam o nome do Todo-Poderoso: 'Eu era como vós. Eu sofria, era infeliz, mas acreditei no Espiritismo e, vede, estou agora radiante'. Aos velhos que vos disserem: 'É inútil; estou no fim da carreira; morrerei como vivi'. Respondei-lhes: 'Deus tem para vós todos uma justiça igual. Lembrai-vos dos trabalhadores da última hora'. Às crianças, já viciadas por seu ambiente, que vão vagar pelas estradas, prontas a sucumbir a todas as más tentações, dizei: 'Deus vos vê, caros meninos', e não temais repetir-lhes muitas vezes estas suaves palavras. Elas acabarão germinando em suas jovens inteligências e, em vez de pequenos vagabundos, tereis feito homens. Também isto é caridade.
       Vários dentre vós também dizem: ‘Ora essa! Somos tão numerosos na Terra que Deus não pode ver-nos todos’. Escutai bem isto, meus amigos. Quando estais no pico de uma montanha, vosso olhar não abarca os milhares de grãos de areia que formam essa montanha? Então! É assim que Deus vos vê. Ele vos dá o livre-arbítrio, da mesma forma que dais a esses grãos de areia a liberdade de ir e vir, ao sabor do vento que os dispersa. Apenas Deus, em sua infinita misericórdia, pôs no fundo de vosso coração uma sentinela vigilante, chamada consciência. Escutai-a. Ela só vos dará bons conselhos. Por vezes vós a entorpeceis, opondo-lhe o Espírito do mal, e então ela se cala. Tende certeza, porém, que a pobre abandonada se fará ouvir, tão logo lhe tenhais deixado perceber a sombra do remorso. Escutai-a; interrogai-a, e muitas vezes vos achareis consolados pelo conselho que tiverdes recebido.
       Meus amigos, a cada regimento novo o general entrega uma bandeira. Eu vos dou esta máxima do Cristo: 'Amai-vos uns aos outros'. Praticai esta máxima. Uni-vos em torno desta bandeira e dela recebereis a felicidade e a consolação”.
 
Vosso Espírito protetor