terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"FENÓMENOS ESPÍRITAS SIMULADOS"





"Visitante – Não se provou que fora do Espiritismo poder-se-ia produzir esses mesmos fenômenos? Pode-se concluir, daí, que eles não têm a origem que lhe atribuem os espíritas.


A.K. – Do fato de se poder imitar uma coisa, não se segue que ela não existe. Que diríeis da lógica daquele que pretendesse que, porque se faz vinho da Champagne com água de Seltz, todo o vinho de Champagne não é senão de água de Seltz? É privilégio de todas as coisas que têm ressonâncias, produzir falsificações. Os prestidigitadores pensaram que o nome do Espiritismo, devido à sua popularidade e as controvérsias das quais era objeto, poderia ser bom para explorar, e, para atrair a multidão, simularam mais ou menos grosseiramente, alguns fenômenos mediúnicos, como recentemente simularam a clarividência sonambúlica, e todos os escarnecedores, aplaudindo, exclamaram: eis o que é o Espiritismo! Quando a engenhosa produção dos espectros apareceu em cena, não proclamaram por toda parte que era seu golpe de misericórdia? Antes de pronunciarem uma sentença tão positiva, deveriam refletir que as assertivas de um escamoteador não são palavras do Evangelho, e se assegurarem de que haveria identidade real entre a imitação e a coisa imitada. Ninguém compra um brilhante sem antes se assegurar de que não é uma imitação. Um estudo não muito sério os teria convencido de que os fenômenos espíritas se apresentam em outras condições e teriam sabido, além disso, que os espíritas não se ocupam nem em fazer aparecer espectros, nem em adivinhações.


Só a malevolência e uma notável má fé puderam assemelhar o Espiritismo à magia e à feitiçaria, uma vez que ele repudia o objetivo, as práticas, fórmulas e as palavras místicas. Há mesmo os que não temem comparar as reuniões espíritas às assembléias do sabbat, onde se espera a hora fatal de meia-noite para fazer aparecerem os fantasmas.


Um espírita, meu amigo, encontrava-se um dia em uma representação de Macbeth, ao lado de um jornalista que não conhecia. Quando chegou a cena das feiticeiras, ele ouviu este último dizer ao seu vizinho: "Olha! vamos assistir a uma sessão de Espiritismo. É justamente isso o que preciso para meu próximo artigo. Eu vou saber como as coisas se passam. Se houvesse aqui um desses loucos eu lhe perguntaria se ele se reconhece nesse quadro." - "Eu sou um desses loucos, disse-lhe o espírita, e posso vos certificar que não me reconheço inteiramente, porque embora já tenha assistido a centenas de reuniões espíritas, jamais vi nelas nada semelhante. Se é aqui onde vindes haurir informações para vosso artigo, ele não se distinguirá pela verdade."


Muitos críticos não têm base mais séria. Sobre quem cai o ridículo senão sobre aqueles que se adiantam estouvadamente? Quanto ao Espiritismo, seu crédito, longe de sofrer com isso, tem aumentado pela ressonância que todas essas manobras lhe deram, chamando a atenção de uma multidão de pessoas que dele não haviam ouvido falar, provocando seu exame e aumentando o número de adeptos, porque se reconheceu que ao invés de uma brincadeira, ele era uma coisa séria."


("O que é o Espiritismo", Allan Kardec)

"MESTRE E APRENDIZ"



"... E respondendo ao discípulo que lhe pedira ensinasse a orar, disse o Mestre
generoso:
Quando rogares amor, não abandones o próximo ao frio da indiferença.
Quando suplicares o dom da fé viva, não relegue teu irmão à descrença ou à tortura mental.
Quando pedires luz, não condenes teu companheiro à perturbação nas trevas.
Quando solicitares a bênção da esperança, não espalhes o fel da desilusão.
Quando implorares socorro, não olvides a assistência que deves aos mais
necessitados.
Quando rogares consolação, não veicules o desespero à margem do caminho.
Quando pedires perdão, desculpa os que te ofendem.
Quando suplicares justiça, em favor da própria segurança, não te descuides da
harmonia de todos que precisas assegurar ao preço de tua renunciação e de tua
humildade, a benefício dos que te cercam.
Se reclamares pela claridade da paz, não entendas a sombra da discórdia; se
pedires compreensão, não critiques; se aguardares concurso do Céu, não
menosprezes a colaboração que o mundo te pede à boa vontade.
Assim como fizeres aos outros, assim será feito a ti mesmo.
Segundo plantares, colherás.
Não olvides, assim, que a Vontade do Senhor é também a Lei Eterna e que tudo
te responderá na vida, conforme os teus próprios apelos.
Vai, pois, e, orando, perdoa e ajuda sempre!...
Foi então que o aprendiz, reconhecendo que não basta simplesmente pedir para
receber a felicidade, passou a construí-la através do serviço à felicidade dos outros,
compreendendo, por fim, que somente pelo trabalho incessante no bem poderia
orar em perfeita comunhão com a Bondade de Deus."
(Emmanuel, na obra "Antologia Mediúnica do Natal", Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)

"CONTO DE NATAL"





"A noite é quase gelada...
Contudo, Mariazinha
é a menina de outras noites
que treme, tosse e caminha...
Guizos longes, guizos perto...
é Natal de paz e amor.
há muitas vozes cantando:
- “Louvado seja o Senhor!”.
A rua parece nova
qual jardim que floresceu.
cada vitrine enfeitada
repete: “Jesus nasceu!”
Descalça, vestido roto,
Mariazinha lá vai...
sozinha, sem mãe que a beije,
menina triste, sem pai.
Aqui e ali, pede um pão...
Está faminta e doente.
- “Vadia, sai depressa!”.
é o grito de muita gente.
- “Menina ladra! – outros dizem”:
- “Fuja daqui, pata feia!”.
Toda criança perdida
deve dormir na cadeia”.
Mariazinha tem fome
e chora, sentido em torno
o vento que traz o aroma
do pão aquecido ao forno.
Abatida, fatigada,
depois de percurso enorme,
estira-se na calçada...
Tenta o sono, mas não dorme.
Nisso, um moço calmo e belo
surge e fala, doce e brando:
- Mariazinha, você
está dormindo ou pensando?
A pequenina responde,
erguendo os bracinhos nus:
- Hoje é noite de Natal,
estou pensando em Jesus.
- Não recorda mais alguém?
E ela, a chorar, disse: - Eu
penso também, com saudade,
em minha mãe que morreu...
- Se Jesus aparecesse,
que é que você queria?
- Queria que ele me desse
um bolo da padaria...
Depois de comer, então
- Ela a pobre sorriu contente –
queria um par de sapatos
e uma blusa grande e quente...
Depois... Queria uma casa,
assim como todos tem...
Depois de tudo... eu queria
uma boneca também.
- Pois saiba, Mariazinha,
Eu lhe digo que assim seja!
você hoje terá tudo
aquilo que mais deseja.
- Mas, o senhor quem é mesmo?
E ele afirma, olhos em luz:
- Sou eu, amigo de sempre,
minha filha, eu sou Jesus!...
Mariazinha, encantada,
tonta de imensa alegria,
pôs a cabeça cansada
nos braços que ele estendia...
E dormiu, vendo-se outra,
em santo deslumbramento,
aconchegada a Jesus
na glória do firmamento.
No outro dia, muito cedo,
quando o lojista abre a porta,
um corpo caiu, de leve...
a menina estava morta."
(Francisca Clotilde, na obra "Antologia Mediúnica do Natal", 
Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"EM NOSSA MARCHA"



“Perguntou-lhe Jesus: — Que queres que eu faça?”
(Marcos,10:51)


"Cada aprendiz em sua lição.
Cada trabalhador na tarefa que lhe foi cometida.
Cada vaso em sua utilidade.
Cada lutador com a prova necessária.
Assim, cada um de nós tem o testemunho individual no caminho da vida.
Por vezes, falhamos aos compromissos assumidos e nos endividamos
infinitamente, No serviço reparador, todavia, clamamos pela misericórdia do
Senhor, rogando-lhe compaixão e socorro.
A pergunta endereçada pelo Mestre ao cego de Jericó é, porém, bastante
expressiva.
“Que queres que eu faça?”
A indagação deixa perceber que a posição melindrosa do interessado se
ajustava aos imperativos da Lei.
Nada ocorre à revelia dos Divinos Desígnios.
Bartimeu, o cego, soube responder, solicitando visão. Entretanto, quanta
gente roga acesso à presença do Salvador e, quando por ele interpelada, responde em
prejuízo próprio?
Lembremo-nos de que, por vezes, perdemos a casa terrestre a fim de
aprendermos o caminho da casa celeste; em muitas ocasiões, somos abandonados
pelos mais agradáveis laços humanos, de maneira a retornarmos aos vínculos
divinos; há épocas em que as feridas do corpo são chamadas a curar as chagas da
alma, e situações em que a paralisia ensina a preciosidade do movimento.
É natural peçamos o auxílio do Mestre em nossas dificuldades e dissabores;
entrem entes, não nos esqueçamos de trabalhar pelo bem, nas mais aflitivas
passagens da retificação e da ascensão, convictos de que nos encontramos
invariavelmente na mais justa e proveitosa oportunidade de trabalho que
merecemos, e que talvez não saibamos, de pronto, escolher outra melhor."
("Fonte Viva", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"Todo aquele que é depositário de autoridade..."

"Todo aquele que é depositário da autoridade, seja qual for em grau de importância, desde um senhor para com seu servidor até o soberano para com seu povo, não deve esquecer-se de que é um encarregado de almas e responderá pela boa ou a má orientação que der a seus subordinados. Vai arcar com as culpas das faltas que estes poderão cometer, dos vícios aos quais serão arrastados em conseqüência dessa orientação ou dos maus exemplos recebidos;
mas, também, colherá os frutos do seu esforço por conduzi-los ao bem. Todo homem tem, na Terra, uma missão pequena ou grande;
seja qual for, sempre lhe é dada para o bem; desviá-la do seu verdadeiro sentido é fracassar no seu cumprimento."
("O Evangelho Segundo o Espiritismo", Capítulo XVII - "Sede Perfeitos")

domingo, 18 de dezembro de 2011

"NATAL..."

"Diante do bolo iluminado, abraças, feliz, os entes amados que chegaram de longe...
Ouves a música festiva que passa, de leve, por moldura de harmonia às telas da natureza... Entretanto, quando penetrarem o tempo da oração, reverenciando o Mestre que dizes amar, mentaliza o estábulo pobre.
Ignoramos de que estrela chegando o Sublime Renovador, mas todos sabemos em que ponto da Terra começou ele o apostolado divino.
Recorda as mãos fatigadas dos tratadores de animais, os dedos calosos dos homens do campo, o carinho das mulheres simples que lhes ofertaram as primeiras gotas do próprio leite e o sorriso ingênuo dos meninos descalços que lhe recebera, do
olhar a primeira nota de esperança.
Lembra-te do Senhor, renunciando aos caminhos constelados de luz para acolher-se, junto dos corações humildes que o esperavam, dentro da noite, e desce também da própria alegria, para ajudar no vale dos que padecem...
Contemplará, de alma surpresa, a fila dos que se arrastam, de olhos enceguecidos pela garoa das lágrimas. Ladeando velhinhos que tossem ao desabrigo, há doentes e mutilados que suspiram pelo lençol de refúgio na terra seca. Surgem
mães infelizes que te mostram filhinhos nus e crianças desajustadas para quem o pão
farto nunca chegou. Trabalhadores cansados falam de abandono e jovens subnutridos se referem ao consolo da morte...
Divide, porém, com eles o tesouro de teu conforto e de tua fé e, nos recintos de palha e sombra a que te acolhes, encontrarás o Cristo no coração, transfigurando-te a vida, ao mesmo tempo em que, nos escaninhos da própria mente, escutarás, de novo, o cântico do Natal, como que repetido na pauta dos astros:
- Glória a Deus nas alturas e boa vontade para com os homens!..."
(Meimei, na obra "Antologia Mediúnica do Natal", Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)

"Abre teu coração..."

"Abre teu coração!... Ajuda e abraça
o sofrimento ou a sombra de quem passa
em desespero rígido e infecundo!...
E o Cristo, renascendo no teu peito,
será, contigo, o amor puro e perfeito,
tecendo a paz e a redenção do mundo."
(Auta de Souza, na obra "Antologia mediúnica do Natal", 
Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)