quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"BEM AVENTURADO ANÔNIMO"

"Bem-aventurado anônimo
Ninguém, te viu a mão vigilante e sábia
Quando semeavas a leira escura
Para que todos tivessem pão,
Nem te observou o esforço enorme,
Quando abrias caminho à água distante
Para que a sede não aniquilasse os homens da Terra!
Olhos humanos não te fixaram,
Quando levantaste o companheiro abatido,
Quando suportastes os espinhos dos maus,
Chorando em silêncio para, que outrem não chorasse.
Gastaste muitos anos,
Tecendo ninhos para as alheias asas,
Levantando palácios fulgurantes
Que jamais te acolheriam...
De mãos votadas
Ao labor mais humilde,
Traçastes roteiros
Dentro do dia da Natureza agreste,
Ergueste cidades e parques
Para a alegria de todos.
Ninguém te conheceu, nem louvou...
E quase todos
Que se rejubilaram nos benefícios,
Através de teu amor,
Acreditaram que te bastavam
As moedas que lhes sobravam na bolsa
E esqueceram-te para sempre.
Entretanto,
Observas, mudo,
Que os grandes arautos do morticínio
Eram anunciados com ruído
No caminho das nações...
Muitos dos que destruíram as obras do bem
E os que falsearam a verdade
Eram incensados no galarim de fama,
Por milhão de vozes sedentas de poder!...
Bem aventurado anônimo! Bem aventurado anônimo,
E quando a morte chegou
A gratidão terrestre não veio socorrer-te,
Ninguém apareceu para enxugar-te o pranto.
Para os irmãos que te deviam
Não passava teu nome de palavra sem eco...
Somente a caridade
Envolveu-te em seu manto...
Mas, ó trabalhador desconhecido!
Para teus ouvidos venturosos,
Soou, na imensidão dos céus,
A frase inesquecível :
- Vem a mim servo bom e fiel!
Num transporte de júbilo indizível,
Reconheceste, então,
A grandeza das vidas pequeninas,
A glória das tarefas obscuras,
Descobriste a ti mesmo nas alturas,e, atravessando as amplidões divinas,
Abençoastes os dias teus,
A luz do Grande Anônimo que é Deus."

("Correio Fraterno", Eros/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"SOCORRO E SOLUÇÃO"


"Aflições, crises, provas, tentações!...
Quantas vezes terás procurado sofregamente o primeiro e seguro passo para sair delas!
Entretanto, uma alavanca mental existe, capaz de soerguer-te de qualquer prostração, desde que te disponhas a manejá-la.
*
Antes de tudo, porém, é forçoso te desvencilhes de qualquer pensamento de derrotismo e inconformidade.
Não importa hajas atravessado penosos desenganos, onde se te concentravam todas as esperanças...
Não importa te vejas à margem dos melhores amigos, de espírito relegado à incompreensão...
Não importa que ciclones de sofrimentos te hajam varrido os escaninhos da alma, arrebatando-te temporariamente o incentivo
de trabalho e a alegria de viver...
Não importa estejas sob as conseqüências amargas dos erros cometidos...
Não importa que a maioria te menospreze as opiniões, lançando-te ao descrédito...
Não importa que a injúria te haja situado na faixa do desencanto...
Não importa que altos prejuízos te imponham espinhosos recomeços...
Não importa que dificuldades inúmeras se acumulem ao redor de teus passos, impelindo-te o coração a complicados labirintos...
*
Importa que te levantes em espírito, que aceites o impositivo do próprio reajuste para o equilíbrio perfeito, que te esqueças do mal,
consagrando-te ao serviço do bem, e que abençoes todas as circunstâncias da vida... Feito isso, por mais escabroso que seja o
problema ou mais dolorosa a provação, se acionas a alavanca da fé viva no Sábio e Amoroso Poder    que dirige o Universo,
perceberás, de inesperado, que Deus te oferece socorro e solução."
(“Mãos Unidas”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"SILENCIA E ESPERA"

"No tumulto das inquietações da Terra, é provável encontres igualmente os desafios que se erigem por testes de compreensão e serenidade, no caminho de tantos companheiros de experiência.
        Quanto possível, habitua-te a entesourar paciência, com a qual disporás de suficientes recursos para adquirir as forças espirituais de que necessitarás, talvez, para a travessia de grandes provas, sem risco de soçobro nas correntes do desespero.
*
        Provavelmente ainda agora estarás suportando a incompreensão de pessoas queridas, em forma de prevenções e censuras indébitas; entretanto, se o assunto diz respeito unicamente ao teu brio pessoal, cala-te e espera.
*
        Se amigos de ontem transformaram-se em adversários de tuas melhores intenções, tolera as zombarias e remoques de que te vês objeto e de nada te queixes.
*
        Diante de criaturas que te golpeiem conscientemente a vida, impondo-te embaraços e desilusões, desculpa e esquece, renovando os próprios pensamentos na direção dos objetivos superiores que pretendas alcançar.
*
        E ainda mesmo que agressões e ofensas te firam nos recessos da alma, sugerindo-te duros acertos de conta, à face da manifesta injustiça com que te tratem, não passes recibo nas afrontas que te sejam endereçadas e nada reclames em teu favor.
*
        Não piores situações em que alguém te coloque, não te revoltes, nem te lastimes.
        Silencia e espera, porque Deus e o Tempo tudo esclarecem, restabelecendo a verdade, e, para que os irmãos enganados ou enrijecidos na ignorância se curem das ilusões e das crueldades a que se entregam, bastar-lhes-á simplesmente viver."
***
( “Calma”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"UMA SÓ LUZ"

"Ninguém  nega que provações amargam, que lutas complicam, que desentendimentos dificultam, que ofensas ferem.
Ninguém nega isto.
Entretanto, é imperioso considerar tudo isso na condição real com que se apresenta na escola da vida, isto é, por material didático imprescindível na elucidação e no aperfeiçoamento da alma.
Rememora, a título de estudo, os últimos dez anos de existência, sobre os quais te eriges fisicamente agora.
Examina a transitoriedade de todas as ocorrências que te entretecem a paisagem exterior.
*
Enumera os obstáculos que atravessaste, muitos dos quais se te figuravam montanhas de aflição, e que hoje se te transformaram em experiências benditas.
Recorda os companheiros que se distanciaram de ti ou dos quais te distanciaste, cuja ausência, antes da separação, te parecia insuportável e que atualmente resguardas na memória por benfeitores a que te reúnes, em espírito, dentro de mais altas dimensões de harmonia e entendimento.
Conta os problemas de família que te agrediam antigamente, à feição de pesadelos, presentemente convertidos em vantagens e bênçãos, no caminho da própria vida.
Anota o número de pessoas que, em outras ocasiões, interpretavas por adversários potenciais e que o tempo transfigurou em refúgios de paz e compreensão em teu benefício.
E pondera quanto aos amigos que acreditavas detentores de longa existência, no corpo terrestre, e que, com surpresa, viste partir, no rumo da Espiritualidade Maior, antes de ti.
Revisa tudo o que enxergaste, ouviste, acompanhaste e empreendeste, em apenas dois lustros de permanência na Terra, e verificarás que uma só luz persiste, acima de todos os fenômenos e acontecimentos do dia-a-dia, ¾  a luz do amor que colocaste no dever retamente cumprido, perante as criaturas e ideais a que empenhaste o coração com o trabalho no bem dos outros, luz que permanece inapagável em nós e por nós, a iluminar-nos a estrada para a felicidade verdadeira, hoje e sempre."
(“Mãos Unidas”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"CAMINHA E CHEGARÁS"


       "Não dês guarida aos maus pensamentos.
       Reage contra todo e qualquer estado de abatimento que persista em ti.
       A ideia acalentada tende a se expressar em ação.
       A influência espiritual negativa nasce das horas ociosas.
       Não te permitas descansar além do devido
       Ocupa as tuas mãos com o bem, e a tentação se afastará.
       Na medida de tuas possibilidades, auxilia a quem sofre.
       Não te concentres excessivamente nos teus próprios problemas nem dramatizes a tua dor.
       A prova é a tua oportunidade de redenção.
       Caminha e chegarás."
(“Vigiai e orai”, Irmão José/Carlos A. Baccelli)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

"DEUS SABE"

"Há momentos muito difíceis, que parecem insuperáveis, enriquecidos de problemas e dores que se prolongam, intermináveis, ignorados pelos mais próximos afetos, mas que Deus sabe.
Muitas vezes te sentirás à borda de precipícios profundos, em desespero, e por todos abandonado. No entanto, não te encontrarás a sós, porque, no teu suplício, Deus sabe o que te acontece.
Injustiçado, e sob o estigma de calúnias destruidoras, quando, experimentando incomum angústia, estás a ponto de desertar da luta, confia mais um pouco, e espera, porque Deus sabe a razão do que te ocorre.
Vitimado por cruel surpresa do destino, que te impossibilita levar adiante os planos bem formulados, não te rebeles, entregando-te à desesperação, porque Deus sabe que assim é melhor para ti.
Crucificado nas traves ocultas de enfermidade pertinaz, cuja causa ninguém detecta, a fim de minimizar-lhe as conseqüências, ora e aguarda ainda um pouco, porque Deus sabe que ela vem para tua felicidade.
Deus sabe tudo!
Basta que te deixes conduzir por Ele, e sintonizado com a Sua misericórdia e sabedoria, busca realizar o melhor, assinalando o teu caminho com as pegadas de luz, características de quem se entregou a Deus e em Deus progride."

* * *
("Filho de Deus", Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)

A DOR

"A todos aqueles que perguntam: “Por que a dor?” Respondo:
“Por que polir a pedra, esculpir o mármore, fundir o vidro, martelar
o ferro? É a fim de construir e de ornar o templo magnífico,
cheio de raios, de vibrações, de hinos, de perfumes, onde todas
as artes se combinam para exprimir o divino, preparar a apoteose
do pensamento consciente, celebrar a libertação do Espírito!”


E vede o resultado obtido! Com o que eram em nós elementos
esparsos, materiais disformes e, às vezes, até no vicioso e decaído,
nas ruínas e destroços, a dor levantou, construiu no coração
do homem um altar esplêndido à beleza moral, à verdade eterna.
A estátua, em suas formas ideais e perfeitas, está escondida
no bloco grosseiro. Quando o homem não tem a energia, o saber,
a vontade de prosseguir na obra, então, dissemos, vem a dor. Ela
pega o martelo, o cinzel e, pouco a pouco, com golpes violentos,
ou então sob o lento e persistente trabalho do buril*, faz a estátua
viva se desenhar em seus contornos flexíveis e maravilhosos;
sob o quartzo despedaçado, a esmeralda cintila!


Sim, para que a forma se desenvolva em suas linhas puras e
delicadas, o Espírito triunfe da substância, o pensamento se manifeste
em ímpetos sublimes e o poeta encontre seus acentos imortais,
o músico seus suaves acordes, é preciso no coração as
dores da vida, do luto e das lágrimas, a ingratidão, as traições da
amizade e do amor, as angústias e as discórdias; são necessárias
urnas funerárias com os seres adorados descendo à sepultura,
a juventude que foge, a velhice que chega, as decepções, as
tristezas amargas que se sucedem. É preciso ao homem sofrimentos,
como o fruto da vinha precisa da moenda para que dele
se extraia o licor precioso!"
("O Problema da Dor", Léon Denis)