terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

"MÃE SOZINHA"

"Dizem "mulher da alegria",
Quando ela passa na rua;
A pobre mãe continua,
Os olhos fitos no chão!...
Quanto fel, quanta agonia
Nessa mulher que condenas!...
Ninguém lhe conhece as penas
Cravadas no coração.

Tristeza no desconforto,
Sem palavra que a revele,
Trapos dourados na pele,
Traz a angústia por dever.
Viúva de um vivo morto,
Ei-la que segue sozinha,
Tem ao longe, a pobrezinha,
Um filho quase a morrer.

Já bateu a tanta porta,
Já pediu a tanta gente!...
Dói-lhe a ferida pungente
De ter sido mãe sem lar;
Abatida, semimorta,
Apenas vê no caminho
A febre e a dor do filhinho
Que a morte lhe quer roubar.

Tu que cresceste na estrada,
Desde o berço de ouro e rendas,
Entre mimos e oferendas
De paz, segurança e luz,
Fita essa mãe desolada,
Na penúria que a consome...
Talvez que ela tenha fome
Ao peso da própria cruz.

Não lhe zombes da amargura,
Também foi criança, um dia,
Brincava, estudava e ria,
Rosa ao fulgor da manhã;
Também foi bela e foi pura,
Hoje, nas mágoas que trilha,
Podia ser nossa filha
Assim como é nossa irmã.

Mãe na dor!... Bendita seja!...
Escrava de toda hora,
Honra as lágrimas que chora,
Nas dores por onde vai!...
Sem esposo que a proteja,
Sem arrimo, sem tutela,
Em Deus que sofre com ela
Encontra a Bênção de Pai."

("Caridade", Irene de Souza Pinto/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

"PARAÍSO, INFERNO E PURGATÓRIO"

"1012. Haverá no Universo lugares circunscritos para as penas e gozos dos Espíritos segundo seus merecimentos? 
"Já respondemos a esta pergunta. As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça. E como eles estão por toda parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado existe especialmente destinado a uma ou outra coisa. Quanto aos encarnados, esses são mais ou menos felizes ou desgraçados, conforme é mais ou menos adiantado o mundo em que habitam."
1012. a) De acordo, então, com o que vindes de dizer, o inferno e o paraíso não existem, tais como o homem os imagina? 
"São simples alegorias: por toda parte há Espíritos ditosos e inditosos. Entretanto, conforme também há dissemos, os Espíritos de uma mesma ordem se reúnem por simpatia; mas podem reunir-se onde queiram, quando são perfeitos."
Comentário de Allan Kardec:
A localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só na imaginação do homem existe. Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender.
1013. Que se deve entender por purgatório? 
"Dores físicas e morais: o tempo da expiação. Quase sempre, na Terra é que fazeis o vosso purgatório e que Deus vos obriga a expiar as vossas faltas."
Comentário de Allan Kardec:
O que o homem chama purgatório é igualmente uma alegoria, devendo-se entender como tal, não um lugar determinado, porém, o estado dos Espíritos imperfeitos que se acham em expiação até alcançarem a purificação completa, que os levará à categoria dos Espíritos bem-aventurados. Operando-se essa purificação por meio das diversas encarnações, o purgatório consiste nas provas da vida corporal.
1014. Como se explica que Espíritos, cuja superioridade se revela na linguagem de que usam, tenham respondido a pessoas muito sérias, a respeito do inferno e do purgatório, de conformidade com as idéias correntes? 
"É que falam uma linguagem que possa ser compreendida pelas pessoas que os interrogam. Quando estas se mostram imbuídas de certas idéias, eles evitam chocá-las muito bruscamente, a fim de lhes não ferir as convicções. Se um Espírito dissesse a um muçulmano, sem precauções oratórias, que Maomet não foi profeta, seria muito mal acolhido."
1014a. Concebe-se que assim procedam os Espíritos que nos querem instruir. Como, porém, se explica que, interrogados acerca da situação em que se achavam, alguns Espíritos tenham respondido que sofriam as torturas do inferno ou do purgatório? 
"Quando são inferiores e ainda não completamente desmaterializados, os Espíritos conservam uma parte de suas idéias terrenas e, para dar suas impressões, se servem dos termos que lhes são familiares. Acham-se num meio que só imperfeitamente lhes permite sondar o futuro. Essa a causa de alguns Espíritos errantes, ou recém-desencarnados, falarem como o fariam se estivessem encarnados. Inferno pode traduzir por uma vida de provações, extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor; purgatório, por uma vida também de provações, mas com a consciência de melhor futuro. Quando experimentas uma grande dor, não costumas dizer que sofres como um danado? Tudo isso são apenas palavras e sempre ditas em sentido figurado."

("O Livro dos Espíritos", Allan Kardec)

domingo, 5 de fevereiro de 2017

"NÃO ACREDITEIS EM TODOS OS ESPÍRITOS"

"Meus bem-amados, não creais em qualquer Espírito; experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo." (JOÃO, Epístola 1a, cap. IV, v. 1.)
"Os fenômenos espíritas, longe de abonarem os falsos Cristos e os falsos profetas, como a algumas pessoas apraz dizer, golpe mortal desferem neles. Não peçais ao Espiritismo prodígios, nem milagres, porquanto ele formalmente declara que os não opera. Do mesmo modo que a Física, a Química, a Astronomia, a Geologia revelaram as leis do inundo material, ele revela outras leis desconhecidas, as que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual, leis que, tanto quanto aquelas outras da Ciência, são leis da Natureza. Facultando a explicação de certa ordem de fenômenos incompreendidos até o presente, ele destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso. Quem, portanto, se sentisse tentado a lhe explorar em proveito próprio os fenômenos, fazendo-se passar por messias de Deus, não conseguiria abusar por muito tempo da credulidade alheia e seria logo desmascarado. Aliás, como já se tem dito, tais fenômenos, por si sós, nada provam: a missão se prova por efeitos morais, o que não é dado a qualquer um produzir. Esse um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita; pesquisando a causa de certos fenômenos, de sobre muitos mistérios levanta ela o véu. Só os que preferem a obscuridade à luz, têm interesse em combatê-la; mas, a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros.
O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos Cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas idéias. Antes que se conhecessem as relações mediúnicas, eles atuavam de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou falante. É considerável o número dos que, em diversas épocas, mas, sobretudo, nestes últimos tempos, se hão apresentado como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus. S. João adverte contra eles os homens, dizendo: "Meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas, experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se tem levantado no mundo." O Espiritismo nos faculta os meios de experimentá-los, apontando os caracteres pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, caracteres sempre morais, nunca materiais . É a maneira de se distinguirem dos maus os bons Espíritos que, principalmente, podem aplicar-se estas palavras de Jesus: “Pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvore boa não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não os pode produzir bons." Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como uma árvore pela qualidade dos seus frutos."
("O Evangelho Segundo o Espiritismo", Allan Kardec)

sábado, 4 de fevereiro de 2017

"REALMENTE"

"A tempestade espanta. Entretanto, acentuar-nos-á a resistência se soubermos recebê-la.
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A dor dilacera. Mas aperfeiçoar-nos-á o coração, se buscarmos aproveitá-la.
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A incompreensão dói. Contudo, oferece-nos excelente oportunidade de compreender.
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A luta perturba. Todavia, será portadora de incalculáveis benefícios, se lhe aceitarmos o concurso.
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O desespero destrói. Diante dele, porém, encontramos ensejo de cultivar a serenidade.
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O ódio enegrece. No entanto, descortina bendito horizonte à revelação do amor.
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A aflição esmaga. Abre-nos, todavia, as portas da ação consoladora.
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O choque assombra. Nele, contudo, encontraremos abençoada renovação.
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A prova tortura. Sem ela, entretanto, é impossível a aprendizagem.
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O obstáculo aborrece. Temos nele, porém, legítimo produtor de elevação e capacidade."

("Agenda Cristã", André Luiz/Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

"ABORTO"

"Pergunta - Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período de gestação?
Resposta - Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando. - Item n° 358, de "O Livro dos espíritos".
Falamos naturalmente acerca de relações internacionais, sociais, públicas, comerciais, clareando as obrigações que elas envolvem; no entanto, muito freqüentemente marginalizamos as relações sexuais - aquelas em que se fundamentam quase todas as estruturas da ação comunitária.
Esquece-se, habitualmente, de que o homem e a mulher, via de regra, experimentam instintivo horror à solidão e que, à vista disso, a comunhão sexual reclama segurança e duração para que se mostre assentada nas garantias necessárias.
Impraticável, sem dúvida, impor a continuidade da ligação entre duas criaturas, a preço de violência; no entanto, à face das contingências e contratempos pelos quais o carro da união esponsalícia deve passar pelas estradas do mundo, as leis da vida, muito sabiamente, estabelecem nos filhos os elos da comunhão entre os cônjuges, atribuindo-lhes a função de fixadores da organização familiar; com a colaboração deles, os deveres do companheiro e da companheira, no campo da assistência recíproca, se revelam mais claramente perceptíveis e o lar se alteia por escola de aperfeiçoamento e de evolução, em marcha para a aquisição de mais amplos valores do espírito, no Mundo Maior.
De todos os institutos sociais existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida.
É pela conjunção sexual entre o homem e a mulher que a Humanidade se perpetua no Planeta; em virtude disso, entre pais e filhos residem os mecanismos da sobrevivência humana, quanto à forma física, na face do orbe.
Fácil entender que é assim justamente que nós, os espíritos eternos, atendendo aos impositivos do progresso, nos revezamos na arena do mundo, ora envergando a posição de pais, ora desempenhando o papel de filhos, aprendendo, gradativamente, na carteira do corpo carnal, as lições profundas do amor - do amor que nos soerguerá, um dia, em definitivo, da Terra para os Céus.
Com semelhantes notas, objetivamos tão-só destacar a expressão calamitosa do aborto criminoso, praticado exclusivamente pela fuga ao dever.
Habitualmente - nunca sempre - somos nós mesmos quem planifica a formação da família, antes do renascimento terrestre, com o amparo e a supervisão de instrutores beneméritos, à maneira da casa que levantamos no mundo, com o apoio de arquitetos e técnicos distintos.
Comumente chamamos a nós antigos companheiros de aventuras infelizes, programando-lhes a volta em nosso convívio, a prometer-lhes socorro e oportunidade, em que se lhes reedifique a esperança de elevação e resgate, burilamento e melhoria.
Criamos projetos, aventamos sugestões, articulamos providências e externamos votos respeitáveis, englobando-nos com eles em salutares compromissos que, se observados, redundarão em bênçãos substanciais para todo o grupo de corações a que se nos vincula a existência.
Se, porém, quando instalados na Terra, anestesiamos a consciência, expulsando-os de nossa companhia, a pretexto de resguardar o próprio conforto, não lhes podemos prever as reações negativas e, então, muitos dos associados de nossos erros de outras épocas, ontem convertidos, no Plano Espiritual, em amigos potenciais, à custa das nossas promessas de compreensão e de auxílio, fazem-se hoje - e isso ocorre bastas vezes, em todas as comunidades da Terra - inimigos recalcados que se nos entranham à vida íntima com tal expressão de desencanto e azedume que, a rigor, nos infundem mais sofrimento e aflição que se estivessem conosco em plena experiência física, na condição de filhos-problemas, impondo-nos trabalho e inquietação.
Admitimos seja suficiente breve meditação, em torno do aborto delituoso, para reconhecermos nele um dos grandes fornecedores das moléstias de etiologia obscura e das obsessões catalogáveis na patologia da mente, ocupando vastos departamentos de hospitais e prisões."
("Vida e Sexo", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

"O ESPIRITISMO"

"5 O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo físico. O Espiritismo nos revela esse mundo espiritual, não mais como algo sobrenatural, mas, ao contrário, como uma das forças vivas e incessantemente ativas da Natureza, como a fonte de uma multidão de fenômenos incompreendidos até então e, por esta razão, encarados como coisas do fantástico e do maravilhoso. É a esses aspectos que o Cristo se referiu em muitas circunstâncias, e é por isso que muitos dos seus ensinamentos permaneceram incompreendidos ou foram interpretados erroneamente. O Espiritismo é a chave com a ajuda da qual tudo se explica com facilidade. 

6 A Lei do Antigo Testamento, a primeira revelação, está personificada em Moisés; a segunda é a do Novo Testamento, do Cristo; o Espiritismo é a terceira revelação da Lei de Deus. O Espiritismo não foi personificado em nenhum indivíduo, pois ele é o produto do ensinamento dado, não por um homem, mas pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, servindo-se para isso de uma multidão incontável de médiuns. É, de algum modo, um ser coletivo, abrangendo o conjunto de seres do mundo espiritual, vindo, cada um, trazer aos homens a contribuição de suas luzes para fazê- los conhecer aquele mundo e a sorte que nele os espera. 

7 Da mesma forma que o Cristo disse: Não vim destruir a lei, mas cumpri-la, o Espiritismo igualmente diz: Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução. Ele não ensina nada em contrário ao que o Cristo ensinou, mas desenvolve, completa e explica, em termos claros para todos, o que só foi dito sob forma alegórica. Ele vem cumprir, no tempo anunciado, o que o Cristo prometeu e preparar a realização das coisas futuras. É, portanto, obra do Cristo, que o preside e que igualmente preside ao que anunciou: a regeneração que se opera e prepara o Reino de Deus na Terra. "

("O Evangelho Segundo o Espiritismo", Allan Kardec)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

"COMO ORAS?"

  "A oração é recurso iluminativo de que todos nos devemos utilizar, no transcurso da jornada evolutiva. No entanto, a maioria dos aprendizes das variadas escolas de fé, recorre-lhe ao concurso, objetivando conseguir favores da Vida Mais Alta com os quais se desobrigaria mais facilmente os seus compromissos de redenção.
        Orar é ato de abrir-se a Deus, apresentando-se em estado de receptividade para poder plenificar-se com s superiores aspirações, alimentando-se com as forças que fluem do Seu amor.
        Jesus ensinou-nos, na prece dominical — a oração perfeita — a louvar, agradecer e pedir.
        Na singeleza e profundidade da sua formulação  encontram-se expressos os mais importantes anseios do homem e as raízes vigorosas da sua origem que são exaltadas em cântico de graças ao Criador. Entretanto, repedidas vezes, o Mestre nos conclamou a rogar auxílio, apoio e orientação.
        João, no Capítulo dezesseis, versículo vinte e quatro do Evangelho, anotou esta sábia assertiva, que merece meditada, informando: Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra.
        Há pessoas que se apresentam desiludidas com o resultado das suas orações, em face das respostas recebidas.
        Rogaram tranquilidade e viram-se a braços com lutas continuadas.
        Pediram saúde e as enfermidades se sucederam no lar.
        Solicitaram comodidades e foram conduzidas a problemas e testemunhos.
        Apresentaram planos de riqueza e os mesmos foram dissolvidos, renteando com as necessidades mais ásperas.
        Propuseram construir um ninho de ternura e receberam animosidades e asperezas.
        Afervoraram-se nas preces e morte não foi impedida de entrar-lhes no recinto doméstico, roubando-lhes entes queridos.
        Resolveram deixar de elevar-se nas rogativas, porque os resultados foram decepcionantes e dolorosos.
-o-
        O Pai não se nos apresenta, porém, como um servo que deve atender as paixões subalternas dos enganados filhos terrestres.
        As respostas, aparentemente diversas, dos pedidos insensatos constituem prova dos supremos amor, que atende conforme é de melhor para o peticionário e não de acordo com o capricho deste.
        Quem anela por tranquilidade, que não se recuse à peleja.
        Quem deseja saúde, que produza bens do espírito, superando os desajustes orgânicos.
        Quem aspira comodidades, que estabeleça um programa de harmonia íntima.
        Quem busca riqueza, que entesoure paz no coração e sabedoria na conduta.
        Quem procura afeto, que desdobre os valores morais no campo do amor sem fronteira.
        Quem confia na vida, jamais se rebele com a transitória mudança física ante a presença da morte.
        Orar é dispor de entendimento para compreender e aceitar a divina vontade que nos impele ao crescimento espiritual, fazendo-nos galgar os degraus da evolução com passo firme e sentimento renovado.
-o-
        Quando te entregares à bênção da prece, observa o que pedes, como pedes e para que pedes.
        Nem tudo quanto te parece bom, representa o melhor para ti.
        Verifica se o que solicitas constitui uma necessidade legítima para o teu ser imortal ou uma aspiração vaidosa para a tua apresentação no mundo.
        Não imponhas o teu querer como se o Senhor tivesse obrigação de servir-te.
        Abre-Lhe a alma com humildade e confia no resultado da tua rogativa.
        Acima de tudo, observa para que desejas aquilo cuja falta te atormenta e, desde que se prenda ao quadro de valores terra-a-terra que ficarão, supera esta inquietação e acalma-te no refrigério da oração, sabendo pedir em nome de Jesus, a fim de que tudo quanto te seja concedido se transforme em plenitude e gozo."

("Otimismo", Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)