sábado, 7 de janeiro de 2017

"ZELO DO BEM"

"E qual é aquele que vos fará mal, se fordes zelosos do bem?" - (I PEDRO, capítulo 3, versículo 13.)
"Temer os que praticam o mal é demonstrar que o bem ainda não se nos radicou na alma convenientemente.
A interrogação de Pedro reveste-se de enorme sentido.
Se existe sólido propósito do bem nos teus caminhos, se és cuidadoso em sua prática, quem mobilizará tamanho poder para anular as edificações de Deus?
O problema reside, entretanto, na necessidade de entendimento. Somos ainda incapazes de examinar todos os aspectos de uma questão, todos os contornos de uma paisagem. O que hoje nos parece a felicidade real pode ser amanhã cruel desengano. Nossos desejos humanos modificam-se aos jorros purificadores da fonte evolutiva. Urge, pois, afeiçoarmo-nos à Lei Divina, refletir-lhe os princípios sagrados e submeter-nos aos Superiores Desígnios, trabalhando incessantemente para o bem, onde estivermos.
Os melindres pessoais, as falsas necessidades, os preconceitos cristalizados, operam muita vez a cegueira do espírito. Procedem daí imensos desastres para todos os que guardam a intenção de bem fazer, dando ouvidos, porém, ao personalismo inferior.
Quem cultiva a obediência ao Pai, no coração, sabe encontrar as oportunidades de construir com o seu amor.
Os que alcançam, portanto, a compreensão legítima não podem temer o mal. Nunca se perdem na secura da exigência nem nos desvios do sentimen talismo. Para essas almas, que encontraram no íntimo de si próprias o prazer de servir sem indagar, os insucessos, as provas, as enfermidades e os obs táculos são simplesmente novas decisões das Forças Divinas, relativamente à tarefa que lhes dizem respeito, destinadas a conduzi-las para a vida maior."

("Caminho, Verdade e Vida", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

"ALEGRIA E ESPERANÇA"


"Beneficência é também viver corajosamente com esperança e alegria.
Pensa nos acidentados da alma.
Os que foram atropelados pelas grandes provações nem sempre se reconhecem tão fortes, a ponto de te dispensarem o socorro espiritual.
Caminha reerguendo os corações caídos em tristeza e desânimo.
Rearticula a fé nos companheiros que se perderam do rumo. Se algum deles se marginaliza, auxilia-o a reajustar-se na trilha certa.
Estende as mãos aos que se imobilizaram no sofrimento para que retomem o trânsito natural de quantos se dirigem para a frente.
Para isso, lembra-te de esquecer os argumentos amargos e as reminiscências infelizes.
Fala no bem, encaminha-te para o futuro, interpreta com a luz do amor os acontecimentos da vida e eleva os assuntos para os cimos da compreensão.
Dispões do olhar de simpatia, do entendimento fraterno, do sorriso amistoso, da palavra benevolente; reaquece a confiança nos irmãos que esmorecem ao contato dos problemas do mundo e ajuda-os a refletir na Bondade Divina que nos acolhe a todos.
Não te detenhas.
Caminha avivando a chama da alegria por onde passes.
Se não trazes contigo fontes de consulta capazes de renovar-te os conhecimentos nem podes ouvir, de imediato, os Mentores da Sabedoria que te reformulem o verbo para a exaltação do bem, medita contigo mesmo e perceberás que da erva esquecida no campo aos sóis que resplendem no Espaço Cósmico, tudo te falará de alegria e de esperança na Criação de Deus."

("Algo Mais", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

"SE PERDOARDES..."

  "Violentado pela desfaçatez do caluniador que levanta acusações infelizes contra o teu esforço de enobrecimento, pensas: “Deus me vingará!”
       Aturdido em face da injustiça dos julgamentos apressados que ralam os teus mais elevados sentimentos, murmuras: “Terei minha vez, oportunamente, e saberei desforçar-me.”
       Apontado pelo sarcasmo de adversários gratuitos, não obstante a cordialidade que esparzes pelo caminho, reages: “Ver-lhes-ei o fim. Saberei esperar.”
       Traídos nos mais sublimes propósitos de fidelidade e amor, não suportas,  e exclamas: “Alguém cobrará por mim”!
       Ignorado propositadamente pela pessoa a quem te dedicas e que te retribui a afeição com o desprezo, exclamas: “Confio no amanhã, que me fará justiça!”
       Acoimado pela suspeita da impiedade, azorragado pela maledicência e pelo remoque, proferes: “São uns miseráveis! Só a morte para tais.”
       Em muitas situações, embora os conceitos de amor que lucilam no teu coração, não suportas as constrições e derrapas nas margens lodosas da vingança, que assoma em caráter de falso conforto.
       Tisna-se, então, a lucidez, perturba-se a esperança e adentra-se no domicílio da tua mente o tóxico letal do ódio. Violentamente, às vezes, apossa-se da tua paisagem psíquica; sorrateiramente, outras, imiscui-se e insufla revolta, terminando por desarranjar a máquina harmoniosa do teu corpo e o programa da tua vida, infelicitando-te, posteriormente.
       Não se turbe, todavia, a tua mente, nem se perturbem os teus sentimentos, ante as agressões dos frívolos, dos perversos e dos desalmados.
       Não sabem o que fazem. São doentes em estágio de avançada enfermidade, estertorando lamentavelmente.
       Não te contagies com eles.
       Mantém-te em paz contigo mesmo e não te detenhas.
*
       Guardando as mágoas — e na Terra são muitas as dificuldades que surgem produzindo mal-estares — padecerás sob imundícies e conduzirás fluídos deletérios.
       Se perdoares, porém, prosseguirás em clima de renovação superior e em labor otimista.
       O perdão é sempre mais útil a quem o concede.
       Se perdoares o vizinho invigilante, ele se sentirá estimulado a não repetir a experiência perniciosa: poderá ajudar alguém; concederá ensejo de desculpa a outrem que o haja ofendido; sentir-se-á confiante para recomeçar tudo e volver atrás, anulando o erro cometido...
       Se perdoares, auxiliarás a comunidade, medicando com amor o indivíduo que está enfermo a pesar na economia social.
Se perdoares, olvidando a ofensa e ajudado o malfeitor, terás logrado a comunhão com o Mestre Inexcedível que, embora incompreendido, traído, abandonado, martirizado e pregado a duas traves, que eram símbolos de infâmia justiçada, perdoou os que O esqueceram e prossegue até hoje amando-os, qual faz conosco próprios, que a cada instante estamos de mil formas, vigorosas ou sutis, traindo, deturpando, menosprezando, usando indevidamente as sublimes concessões que fruímos para a redenção espiritual, ainda sem o sucesso que já deveríamos ter alcançado.
       Perdoa, portanto, a fim de seres perdoado."

(“Celeiro de Bênçãos”, Joanna de Ângelis/ Divaldo  Franco)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

"LINCOLN E O SEU MATADOR"



Extraído  do Banner of light, de Boston
 

       "Análise de uma comunicação de Abraão Lincoln, obtida por um médium de Ravenswood.

“Quando Lincoln voltou de seu atordoamento e despertou no mundo dos Espíritos, ele ficou muito surpreso e perturbado, porque não tinha a menor ideia de que estivesse morto. O tiro que o feriu havia suspendido instantaneamente toda sensação e ele não compreendeu o que lhe havia acontecido. Essa confusão e essa perturbação, contudo, não duraram muito. Ele era bastante espiritualista para compreender o que é a morte e não ficou, como muitos outros, admirado da nova existência para a qual fora transportado. Ele se viu cercado por muitas pessoas que ele sabia que estavam mortas há muito tempo, e logo soube a causa de sua morte. Foi recebido cordialmente por muitas pessoas que com ele simpatizavam. Compreendeu sua afeição por ele e, num olhar, pôde abarcar o mundo feliz no qual tinha entrado.
No mesmo instante experimentou um sentimento de angústia pela dor que devia experimentar sua família, e uma grande ansiedade a propósito das consequências que sua morte poderia ter para o país. Esses pensamentos o trouxeram violentamente de volta à Terra.
Tendo sabido que William Booth estava mortalmente ferido, veio a ele e curvou-se sobre o seu leito de morte. Nesse momento Lincoln tinha recuperado a perfeita consciência e a tranquilidade de Espírito, e esperou com calma o despertar de Booth para a vida espiritual.
Booth não ficou espantado ao despertar, porque esperava a morte. O primeiro Espírito que encontrou foi Lincoln; olhou-o com muita afoiteza, como se se gabasse do ato que havia praticado. O sentimento de Lincoln a seu respeito, entretanto, não testemunhava nenhuma ideia de vingança, muito ao contrário, mostrava-se suave e bom e sem a menor animosidade. Booth não pôde suportar esse estado de coisas e o deixou cheio de emoção.
O ato que ele perpetrou teve vários móveis; primeiro, sua falta de raciocínio, que lho fazia considerar como meritório, depois, seu amor desregrado por louvores o tinha persuadido que ele seria cumulado de elogios e visto como um mártir.
Depois de ter vagado, sentiu-se de novo atraído para Lincoln. Às vezes enche-se de arrependimento, outras vezes seu orgulho o impede de emendar-se. Entretanto, compreende quanto o seu orgulho é vão, sabendo sobretudo que não pode esconder, como em vida, nenhum dos sentimentos que o agitam, e que seus pensamentos de orgulho, de vergonha ou de remorso são conhecidos dos que o rodeiam. Sempre em presença de sua vítima e dela não receber senão manifestações de bondade, eis o seu estado atual e sua punição. Quanto a Lincoln, sua felicidade ultrapassa o que poderia ter esperado.”

OBSERVAÇÃO: A situação destes dois Espíritos é, em todos os sentidos, idêntica àquela de que diariamente vemos exemplos nos relatos de além-túmulo. Ela é perfeitamente racional e está em relação com o caráter dos dois indivíduos."

("Revista Espírita", Março de 1867)



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

"O TEMPO PASSA"


       "O tempo passa e as oportunidades ficarão mais difíceis se não as aproveitares no serviço da caridade avançada. Por onde passamos, os convites são inúmeros para ajudar. O próximo se encontra cada vez mais próximo, pedindo pelas necessidades, o que podemos dar por dever. Somos todos irmãos uns dos outros e filhos do mesmo Pai Celestial. Por que não atendermos ao que se pede? Por que não darmos ao que estende as mãos?
       Vejamos nas ruas, nas casas, nas favelas, quantas crianças mostrando que precisam de nós. Nos mesmos lugares, a velhice a nos pedir socorro no peso dos anos. Perguntemos a nós mesmos o que o Cristo faria em nosso lugar!
       Não precisamos responder, porque a própria consciência responderá, bastando que peçamos informações a ela, se possível, em momento de oração.
       O tempo voa qual um pássaro, a deixar bilhete aqui e ali para a humanidade. Precisamos aprender a ler essas cartas de avisos que os Céus nos endereçam. Podem ser compromissos antigos esquecemos. Quem sabe se assinamos no livro maior o propósito de fazer isso ou aquilo em benefício do necessário e, quando nos surge o ensejo, por estarmos aparentemente bem, nos esquecemos?
       O Espiritismo é uma revelação para a humanidade neste sentido, fazendo-nos lembrar do nosso comprometimento diante do trabalho de Jesus. Onde moras, podes começar teu trabalho de compreensão, de tolerância, de fraternidade e mesmo de amor. Não precisas ir muito longe. Ao alcance das tuas mãos generosas se encontra o convite de Jesus em teu próprio favor.
       Fica sabendo que o tempo passa e leva a tua disposição para que os anjos leiam nos jardins de Deus, que são as colônias espirituais onde recebem e enviam para a Terra as almas para o trabalho de renovação da vida. Se te esqueceres do dever, tornarás a voltar com maiores dificuldades, e a dor sempre acompanha os desprevenidos da disciplina espiritual, que esquecem e fazem esquecer os compromissos assumidos.
       O tempo passa, meu filho, mas não passa a misericórdia. Confiemos mais, estudando as leis do Criador, porque somente a certeza do Seu amor para conosco é que nos leva à disposição de fazer o Bem e nos conduzir nas linhas da fraternidade pura.
       Se te encontras sofrendo, a ninguém amaldiçoes. Espera e confia em Deus, trabalha no que puderes e faze o melhor. Procura os recursos, que são inúmeros, para a tua cura ou para o teu alívio, pois os Espíritos superiores são incansáveis e a assistência deles é infalível. Tu também fazes parte da família universal.
       Deixa que o tempo passe, pois esse tempo trará a ti a alegria da cura, se souberes esperar com paciência e amor. Mesmo assim, faze o que puderes pelos que te cercam e te assistem."
(“Flor de Vida”, Scheilla/ João Nunes Maia)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

"NOTÍCIA"


"A fortuna somente
Pouco dirá de ti.

Tão só a inteligência
Não te revelará.

O poder que desfrutas
Raras vezes te expõe.

A palavra que dizes
Não te mostra de todo.

Tudo o que tens, no entanto,
Vale no bem que faças.

O próximo a quem serves
Fala de ti a Deus."

("Amor e Luz", Emmanuel/ Francisco Cândido Xavier)

domingo, 1 de janeiro de 2017

"MÀGOA"

"Síndrome alarmante, de desequilibro, a presença da mágoa faculta a fixação de graves enfermidades físicas e psíquicas no organismo de quem a agasalha.
A mágoa pode ser comparada à ferrugem perniciosa que destrói o metal em que se origina.
Normalmente se instala nos redutos do amor-próprio ferido e paulatinamente se desdobra em seguro processo enfermiço, que termina por vitimar o hospedeiro.
De fácil combate, no início, pode ser expulsa mediante a oração singela e nobre, possuindo, todavia, o recurso de, em habitando os tecidos delicados do sentimento, desdobrar-se em modalidades várias, para sorrateiramente apossar-se de todos os departamentos da emotividade, engedrando cânceres morais irreversíveis. Ao seu lado, instala-se, quase sempre, a aversão, que estimulam o ódio, etapa grave do processo destrutivo.
A mágoa, não obstante desgovernar aquele que a vitaliza, emite verdadeiros dardos morbíficos que atingem outras vítimas incautas, aquelas que se fizeram as causadoras conscientes ou não do seu nascimento.
Borra sórdia, entorpece os canais por onde transita a esperança, impedindo-lhe o ministério consolador.
Hábil, disfarça-se, utilizando-se de argumentos bem urdidos para negar-se ao perdão ou fugir ao dever do esquecimento. Muitas distonias orgânicas são o resultado do veneno da mágoa, que, gerando altas cargas tóxicas sobre a maquinaria mental, produz desequilíbrio no mecanismo psíquico com lamentáveis consequências nos aparelhos circulatório, digestivo, nervoso...
O homem é, sem dúvida, o que vitaliza pelo pensamento. Sua idéias, suas aspirações constituem o campo vibratório no qual transita e em cujas fontes se nutre.
Estiolando os ideais e espalhando infundadas suspeitas, a mágoa consegue isolar o ressentido, impossibilitando a cooperação dos socorros externos, procedentes de outras pessoas.
Caça implacavelmente esses agentes inferiores, que conspiram contra a tua paz. O teu ofensor merece tua compaixão, nunca o teu revide.
Aquele que te persegue sofre desequilibros que ignoras e não é justo que te afundes, com ele, no fosso da sua animosidade.
Seja qual for a dificuldade que te impulsione à mágoa, reage, mediante a renovação de propósitos, não valorizando ofensas nem considerando ofensores.
Através do cultivo de pensamentos salutares, pairarás acima das viciações mentais que agasalham esses miasmas mortíferos que, infelizmente, se alastram pela Terra de hoje, pestilenciais, danosos, aniquiladores.
Incontáveis problemas que culminam em tragédias quotidianas são decorrência da mágoa, que virulenta se firmou, gerando o nefando comércio do sofrimento desnecessário.
Se já registras a modulação da fé raciocinada nos programas da renovação interior, apura aspirações e não te aflijas. Instado às paisagens inferiores, ascendo na direção do bem. Malsinado pela incompreensão, desculpa. Ferido nos melhores brios, perdoa.
Se meditares na transitoriedade do mal e na perenidade do bem, não terás outra opção, além daquela: amar e amar sempre, impedindo que a mágoa estabeleça nas fronteiras da tua vida as balizas da sua província infeliz.
"Quando estiveres orando, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que vosso Pai que está nos Céus, vos perdoe as vossas ofensas". - Marcos: 11-25.
"Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isto, meus caros filhos, prova melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: "A felicidade não é deste mundo". - Cap.V - Item 20."

("Florações Evangélicas" , Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)