domingo, 7 de abril de 2013

"EXERCÍCIO DE COMPAIXÃO"



"Se fosses o pedinte agoniado que estende a mão à bondade pública...

Se fosses a mãezinha infeliz, atormentada pelo choro dos filhinhos que desfalecem de fome...

Se fosses a criança que vagueia desprotegida à margem do lar...

Se fosses o pai de família, atribulado, ante a doença e penúria que lhe devastam a casa...

Se fosses o enfermo desamparado, suplicando remédio...

Se fosses a criatura caída em desvalimento, implorando compreensão...

Se fosses o obsidiado, carregando inomináveis suplícios interiores, para desvencilhar-se das trevas...

Se fosses o velhinho atirado às incertezas da rua...

Se fosses o necessitado que te roga socorro, decerto perceberias com mais segurança a função da fraternidade para sustento da vida.

Se estivéssemos no lado da dificuldade maior que a nossa, compreenderíamos, de imediato, o imperativo da caridade incessante e do auxílio mútuo.

Reflitamos nisso. E nós, que nos afeiçoamos a estudos diversos, com vistas à edificação da felicidade e ao aperfeiçoamento do mundo, façamos quanto possível, semelhante exercício de compaixão."
 
 

 (Albino Teixeira, na obra "Caminho Espírita", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

sábado, 6 de abril de 2013

"REALIDADE E NÓS"


"Aspiras a união com Jesus e, consequentemente, à vitória da paz em ti mesmo.
Para conseguir semelhante realização, será preciso, porém, penetrar mais profundamente no significado das palavras do Cristo: “e aquele que quiser vir em meus passos, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”.
A fim de que os liames inferiores da personalidade sejam desatados, de modo a empreendermos a marcha na direção do Senhor, é necessário, entretanto, desarraigá-los de nossa realidade e não da realidade dos outros.
Por isso mesmo, se nos propomos renovar-nos, é imperioso deixar que os demais livremente se renovam.
-o-
Não tiveste o pai que desejarias e nem a progenitora que esperavas? Ama-os, tais quais se revelam, e abençoa-os pelo bem que te fizeram, trazendo-te à escola humana.
-o-
Não achaste o esposo ou a esposa, na altura de teus ideais? Aceita o companheiro ou a companheira que a vida te deu, exercendo a tolerância e o amor, observando que todos somos ainda espíritos incompletos, na oficina da evolução.
-o-
Não possuis nos filhos os seres afins com que sonhavas? Acolhe-os como são e dá-lhes a melhor ternura da própria alma, na certeza de que também eles estão a caminho da perfeição que para nós todos ainda vem muito longe.
-o-
Não vês nos irmãos e nos amigo os gênios de bondade e abnegação que supunhas? Abraça-os, qual se mostram e oferece-lhes o apoio  fraterno que se te faça possível, sem algemá-los a pontos de vista.
-o-
Cada criatura vive na realidade que lhe é característica. Em toda parte, cada um de nós em sua luta, em sua dificuldade, em sua prova, em seu problema.
Enquanto nos pomos a censurar, não conseguimos entender.
Enquanto exigimos, não aprendemos a auxiliar.
-o-
Deixemos cada companheiro ou companheira de caminho, na realidade que lhes toca e, amando e abençoando a todos, atendamos à realidade que nos diga respeito, reconhecendo que não nos achamos no educandário da experiência para dar as lições outras que, pelas aulas do dia-a-dia, a própria vida confere a nós."
(“Mãos Unidas”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

"CORAGEM"


        "Conservar a coragem por luz acesa, no centro de nossa alma, é serviço que apenas a fé invencível consegue realizar.
        Coragem de transpor os espinheiros e os charcos da jornada humana...
        Coragem de sorrir compadecidamente para aqueles que nos magoam...
        Coragem para ajudar aos que nos ferem...
        Coragem de recomeçar a construção dos nossos ideais sobre as ruínas de nossos próprios sonhos...
        Coragem de prosseguir amando aqueles que se convertem, irrefletidamente, em adversários gratuitos de nossa paz...
        Coragem de usar a tolerância para com o mal dos outros e de aplicar a justiça para com o mal de nós mesmos...
        É para essa coragem que Jesus nos chama, da cruz de sacrifício em que nos legou o supremo perdão.
        É preciso saber com Ele “tudo perder para tudo encontrar”.
        E, nas chagas de cada dia, sobre a Terra, surpreendemos o abençoado ensejo de alijar as sombrias cargas de nosso pretérito culposo para fruir a verdadeira felicidade a que o Céu nos destina.
        Para alcançarmos semelhante vitória, porém, é necessário que a coragem seja a nossa companheira de todos os instantes no pedregoso caminho de nossa ascenção.
        Não podemos dispensar o bom ânimo nas tarefas a que fomos arrebatados.
        Procuremos observar a vida não como a “existência fragmentária no século”, mas sim em sua totalidade sublime. E estejamos certos de que na contemplação dessa realidade, viveremos conformados ante os Desígnios de Deus que, pouco a pouco, ante a extinção das causas de nossos padecimentos morais, nos modificarão a estrada no rumo bem-aventurado do porvir."

(Agar, na obra “Relicário de Luz”, Autores Diversos/Francisco Cândido Xavier)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

"DENTRO DA LUTA"


"Não peço para que os tires do mundo, mas que os livres do mal."
Jesus. JOÃO, 17:15

"Não peças o afastamento de tua dor.
Roga forças para suportá-la, com serenidade e heroísmo, a fim de
que lhe não percas as vantagens do contacto.
Não solicites o desaparecimento das pedras de teu caminho.
Insiste na recepção de pensamentos que te ajudem a aproveitá-las.
Não exijas a expulsão do adversário.
Pede recursos para a elevação de ti mesmo, a fim de que lhe
transformes os sentimentos.
Não supliques a extinção das dificuldades.
Procura meios de superá-las, assimilando-lhes lições.
Nada existe sem razão de ser.
A Sabedoria do Senhor não deixa margem à inutilidade.
O sofrimento tem a sua função preciosa nos planos da alma, tanto
quanto a tempestade tem o seu lugar importante na economia da
natureza física.
A árvore, desde o nascimento, cresce e produz, vencendo
resistências.
O corpo da criatura se desenvolve entre perigos
de variada espécie.
Aceitemos o nosso dia de serviço, onde e como determine a Vontade
Sábia do Senhor.
Apresentando os discípulos ao Pai Celestial, disse o Mestre: - "Não
peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal."
A Terra tem a sua missão e a sua grandeza; libertemo-nos do mal
que opera em nós próprios e receber-lhe-emos o amparo sublime,
convertendo-nos junto dela em agentes vivos do Abençoado Reino de
Deus."
("Fonte Viva", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

"CONVERSAÇÃO"

"O Ministério da Regeneração continuou cheio de expressões festivas, não obstante se haver retirado o Governador ao seu círculo mais íntimo.


Comentavam-se os acontecimentos. Centenas de companheiros se ofereciam para os trabalhos árduos da defensiva, assim correspondendo ao apelo do grande chefe espiritual.


Procurei Tobias, para consultá-lo sobre a possibilidade do meu aproveitamento, mas o generoso irmão sorriu da minha ingenuidade e falou:


- André, você está começando agora uma tarefa nova. Não se precipite, solicitando acréscimo de responsabilidade. Haverá serviço para todos, disse-nos, ainda agora, o Governador. Não se esqueça de que as nossas Câmaras de Retificação constituem núcleos de esforço ativo, dia e noite. Não se aflija.


Recorde que trinta mil servidores vão ser convocados para a vigilância permanente. Destarte, na retaguarda, serão muito grandes os claros a preencher.

Identificando-me o desapontamento, o bondoso companheiro, bem- humorado, acentuou depois de ligeira pausa:


- Contente-se com a matrícula na escola contra o medo. Creia que isso lhe fará enorme bem.


Nesse ínterim, recebi grande abraço de Lísias, que integrara, na festa, a deputação do Ministério do Auxílio.


Com a licença de Tobias, retirei-me em companhia de Lísias para gozar de palestra mais íntima.


- Conhece você - indagou ele - o Ministro Benevenuto, aqui na Regeneração, o mesmo que chegou anteontem da Polônia.


- Não tenho esse prazer.


- Vamos ao seu encontro - replicou Lísias, envolvendo-me nas vibrações do seu imenso carinho fraterno -, há muito que tenho a honra de incluí-lo no círculo das minhas relações pessoais.


Daí a momentos, estávamos no grande recinto verde, consagrado aos trabalhos desse Ministro da Regeneração, que eu apenas conhecia de vista.


Numerosos grupos de visitantes permutavam idéias sob a copa das grandes árvores. Lísias conduziu-me ao núcleo maior, onde Benevenuto trocava impressões com diversos amigos, apresentando-me com generosas palavras. O Ministro acolheu-me, cortês, admitindo-me na sua roda com extrema bondade.


A conversação continuou nos rumos naturais e notei que se discutia a situação da esfera terrestre.


- Muito doloroso o quadro que vimos - comentava Benevenuto em tom grave -; habituados ao serviço da paz na América, nenhum de nós imaginava o que fosse o trabalho de socorro espiritual nos campos da Polônia. Tudo obscuro, tudo difícil. Não se podem, ali,
esperar claridades de fé nos agressores, tampouco na maioria das vítimas, que se entregam totalmente a pavorosas impressões. Os encarnados não nos ajudam, apenas consomem nossas forças. Desde o começo do meu Ministério, nunca vi tamanhos sofrimentos coletivos.


- E a comissão demorou-se muito por lá? - perguntou um dos companheiros com interesse.


- Todo o tempo disponível - ajuntou o Ministro. O chefe da expedição, nosso colega do Auxílio, julgou conveniente permanecermos exclusivamente atidos à tarefa, para enriquecermos observações e melhor aproveitar a experiência. Com efeito, as condições não poderiam ser melhores. Acredito que nossa posição está muito distante da extraordinária capacidade de resistência dos abnegados servidores espirituais que ali se encontram de serviço. Todas as tarefas de assistência imediata funcionam perfeitamente, a despeito do ar asfixiante, saturado de vibrações destruidoras. O campo de batalha, invisível aos nossos irmãos terrestres, é verdadeiro inferno de indescritíveis proporções. Nunca, como na guerra, evidencia o espírito humano a condição de alma decaída, apresentando características essencialmente diabólicas. Vi homens inteligentes e instruídos localizarem, com minuciosa atenção, determinados setores de atividade pacífica, para o a que chamam "impactos diretos”. Bombas de alto pod er explosivo destroem edifícios pacientemente edificados. Aos fluidos venenosos da metralha, casam-se as emanações pestilentas do ódio e tornam quase impossível qualquer auxílio. O que mais nos contristou, porém, foi a triste condição dos militares agressores, quando algum deles abandonava as vestes carnais, compelido pelas circunstâncias. Dominados, na maioria, por forças tenebrosas, fugiam dos Espíritos missionários, chamando-lhes a todos "fantasmas da cruz".

- E não eram recolhidos para esclarecimento justo? - inquiriu alguém, interrompendo o narrador.


Benevenuto esboçou um gesto significativo e respondeu:


- Será sempre possível atender aos loucos pacíficos, no lar; mas que remédio se reservará aos loucos furiosos, senão o hospício? Não havia outro recurso para tais criaturas, senão deixá-las nos precipícios das trevas, onde serão naturalmente compelidas a reajustar-se, dando ensejo a pensamentos dignos. É razoável, portanto, que as missões de auxílio recolham apenas os predispostos a receber o socorro elevado. Os espetáculos entrevistos foram, portanto, demasiadamente dolorosos, por muitas razões.


Valendo-se de ligeiro intervalo, outro companheiro opinou:


- É quase incrível que a Europa, com tantos patrimônios culturais, se tenha abalançado a semelhante calamidade.


- Falta de preparação religiosa, meus amigos -definiu o Ministro com expressiva inflexão de voz -, não basta ao homem a inteligência apurada, é-lhe necessário iluminar raciocínios para a vida eterna. As igrejas são sempre santas em seus fundamentos e o sacerdócio será sempre divino, quando cuide essencialmente da Verdade de Deus; mas o sacerdócio político jamais atenderá a sede espiritual da civilização. Sem o sopro divino, as personalidades religiosas poderão inspirar respeito e admiração, não, porém, a fé e a confiança.


- Mas, o Espiritismo? - perguntou abruptamente um dos circunstantes.


Não surgiram as primeiras florações doutrinárias na América e na Europa, há mais de cinqüenta anos? Não continua esse movimento novo a serviço das verdades eternas?

Benevenuto sorriu, esboçou um gesto extremamente significativo e acrescentou:


- O Espiritismo é a nossa grande esperança e, por todos os títulos, é o Consolador da humanidade encarnada; mas a nossa marcha é ainda muito lenta. Trata-se de uma dádiva sublime, para a qual a maioria dos homens ainda não possuí "olhos de ver". Esmagadora porcentagem dos aprendizes novos aproxima-se dessa fonte divina a copiar antigos vícios religiosos.


Querem receber proveitos, mas não se dispõem a dar coisa alguma de si mesmos. Invocam a verdade, mas não caminham ao encontro dela.


Enquanto muitos estudiosos reduzem os médiuns a cobaias humanas, numerosos crentes procedem à maneira de certos enfermos que, embora curados, crêem mais na doença que na saúde, e nunca utilizam os próprios pés. Enfim, procuram-se, por lá, os espíritos materializados para o fenomenismo passageiro, ao passo que nós outros vivemos à procura de homens espiritualizados para o trabalho sério.


O trocadilho arrancou expressões de bom humor geral, acrescentando o Ministro, gravemente:


- Nossos serviços são astronômicos. Não esqueçamos, porém, que todo homem é semente da divindade. Ataquemos a execução de nossos deveres com esperança e otimismo, e estejamos sempre convictos de que, se bem fizermos a nossa parte, podemos permanecer em paz, porque o Senhor fará o resto."


("Nosso Lar", André Luiz/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 2 de abril de 2013

"CADA QUAL"


“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo”. - Paulo. I
(Corintios, 12:4).

"Em todos os lugares e posições, cada qual pode revelar qualidades
divinas para a edificação de quantos com ele convivem.
Aprender e ensinar constituem tarefas de cada hora, para que
colaboremos no engrandecimento do tesouro comum
de sabedoria e de amor.
Quem administra, mais frequentemente pode expressar
a justiça e a magnanimidade.
Quem obedece, dispõe de recursos mais amplos para
demonstrar o dever bem cumprido.
O rico, mais que os outros, pode multiplicar o trabalho
e dividir as bênçãos.
O pobre, com mais largueza, pode amealhar a fortuna
da esperança e da dignidade.
O forte, mais facilmente, pode ser generoso, a todo instante.
O fraco, sem maiores embaraços, pode mostrar-se humilde,
em quaisquer ocasiões.
O sábio, com dilatados cabedais, pode ajudar a todos,
renovando o pensamento geral para o bem.
O aprendiz, com oportunidades multiplicadas, pode distribuir
sempre a riqueza da boa-vontade.
O são, comumente, pode projetar a caridade em todas as direções.
O doente, com mais segurança, pode plasmar as lições
da paciência no ânimo geral.
Os dons diferem, a inteligência se caracteriza por diversos graus,
o merecimento apresenta valores múltiplos, a capacidade é fruto
do esforço de cada um, mas o Espírito Divino que sustenta
as criaturas é substancialmente o mesmo.
Todos somos suscetíveis de realizar muito, na esfera de trabalho
em que nos encontramos.
Repara a posição em que te situas e atende aos imperativos do
Infinito Bem. Coloca a Vontade Divina acima de teus desejos,
e a Vontade Divina te aproveitará."
("Fonte Viva", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

"CANSAÇO"



"Quando te sintas sitiado pelo desfalecimento de forças ou o
cansaço se te insinue em forma de desânimo, pára um pouco e
refaze-te.
O cansaço é mau conselheiro.
Produz irritação ou indiferença, tomando as energias e exaurindo-as.
Renova a paisagem mental, buscando motivação que te predisponha
ao prosseguimento da tarefa.
Por um momento, repousa, a fim de conseguires o vigor e o
entusiasmo para a continuidade da ação.
Noutra circunstância, muda de atividade, evitando a monotonia
que intoxica os centros da atenção e entorpece as forças.
Não te concedas o luxo do repouso exagerado, evitando tombar
na negligência do dever.
Com método e ritmo, conseguirás o equilíbrio psicológico de
que necessitas, para não te renderes à exaustão.

Jesus informou com muita propriedade, numa lição insuperável,
que “o Pai até hoje trabalha e eu também trabalho”, sem
cansaço nem enfado.
A mente renovada pela prece e o corpo estimulado pela consciência
do dever não desfalecem sob os fardos, às vezes, quase
inevitáveis do cansaço.
Age sempre com alegria e produze sem a perturbação que o
cansaço proporciona."

("Episódios Diários", Joanna de Ângelis/Divaldo Franco)