quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

"O TESTE"

Reunião pública de 11/12/59
Questão nº 469

"Lutando, disseste: «não posso mais».
E ajudaste os que te roubam a fortaleza.
Batido, clamaste: «reagirei».
E amparaste os que te induzem à violência.
Esquecido, gemeste: «estou sozinho».
E ajudaste os que te bloqueiam a confiança.
Caluniado, gritaste: «vingar-me-ei».
E amparaste os que te guiam à crueldade.
Ferido, bradaste: «quero justiça».
E ajudaste os que te furtam a tolerância.
*
Por isso mesmo, asseveras freqüentemente:
— Morro de angústia.
—Enjoei de viver.
—A fadiga me vence.
—Tudo perdido.
—Nada mais a fazer.
Tentando justificar-te, recorres à filosofia de ocasião e repetes rifões e
chavões antigos:
—A dança obedece à música.
—Faço como me ensinam.
—Seja virtuoso quem puder ser.
—Amanhã virá quem bom me fará.
—Tarde demais.
— Fiz tudo.
—Depois eu faço.
—Lavei as mãos.
*
Recorda, porém, que toda dificuldade é teste renovador.
Todos somos tentados na imperfeição
Queixa é fuga.
Impaciência é perigo.
Censura é auxilio ao perseguidor.
Revolta é força que apressa o crime.
Ataque é óleo no fogo.
Desforço é golpe que apaga a luz.
Desespero é chave ao ladrão.
Maltratado, busca o bem.
Injuriado, fala o bem.
Contrariado, procura o bem.
Traído, renova o bem.
Assaltado, conserva o bem.
A única fórmula clara e segura de vencer, no teste contra as influências
inferiores, será sempre, o que for, com quem for e seja onde for, esquecer o
mal e fazer o bem."
("Religião dos Espíritos", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"A LINHA DE CONDUTA"



       "Se as expectativas ansiosas saturaram-nos a alma, saibamos afrontá-las com a calma requerida e a necessária serenidade.
       Não nos desviemos dessa linha de conduta sabendo equilibrar o coração no centro de nossas obrigações sagradas de filhos, esposos e pais.
       Contamos sempre com o auxílio fraterno de benfeitores espirituais em todas as oportunidades e conjunturas renovadoras, a estudar conosco as possibilidades novas e as mudanças benéficas do porvir."

(“Aceitação e Vida”, Margarida/Francisco Cândido Xavier)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

"VANTAGENS OCULTAS"



    "Todos precisamos de reconforto nos dias de aflição.
    Isso é justo.
    Importa, entretanto, observar que a Divina Providência não nos envia dificuldades sem motivo.
    Entendendo-se que o Senhor não nos relega às próprias fraquezas e nem permite venhamos a carregar cruzes incompatíveis com as forças que nos caracterizam, fujamos de buscar a consolação por flor estéril.
*
    Aproveitemos a bonança que surge em nós habitualmente após a tormenta íntima, para fixarmos o valor que a experiência nos oferece.
    Não nos propomos a louvar situações embaraçosas e nem a elogiar os fabricantes de problemas, mas é preciso reconhecer as vantagens ocultas decorrentes das provações que nos visitam.
    Quem conseguiria configurar o abismo a que seríamos arrastados pelos caprichos, aos quais muitas vezes nos entregamos, confiantemente, se a desilusão não viesse despertar-nos?
    Quem poderia medir os espinheirais de discórdia em que chafurdaríamos o espírito, na equipe de trabalho a que pertencemos, se lutas e lágrimas sofridas em comum não nos ensinassem o benefício do entendimento e da união?
**
    Ingratidão, em muitas circunstâncias, é o nome da bênção com que a Infinita Bondade de Deus nos afasta de ambientes determinados, a fim de que a cegueira não nos induza ao desequilíbrio.
    Obstáculo, no dicionário da realidade, em muitas ocasiões expressa apoio invisível para que não descambemos na direção das trevas.
***
    Nossas provas, nossas bênçãos.
****
    Reflete nos males maiores que nos alcançariam fatalmente amanhã, se não fosse o socorro providencial dos males menores de hoje, e reconhecerás que todo contratempo aceito com paciência e serenidade é sempre toque do amor de Deus, alertando-nos o coração e guiando-nos o caminho."
(“Rumo Certo”, Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

domingo, 2 de janeiro de 2011

"DOMINAR E FALAR"

Reunião pública de 4/12/59
Questão nº 904


"Dominas o fogo, escravizando-o à lide caseira.
Burilas a pedra, arrancando-lhe obras-primas.
Conquistas os metais, neles plasmando complicadas expressões de
serviço.
Amansas os animais ferozes, deles fazendo cooperadores na economia
doméstica.
Disciplinas o vapor e o combustível, anulando as distâncias.
Diriges tratores pesados, transfigurando a face da gleba.
Submetes a eletricidade, e glorificas a civilização.
Retiras o veneno de serpentes temíveis, fabricando remédios.
Senhoreias a energia nuclear e começas a alterar, com ela, a fisionomia do
mundo.
Controlas a velocidade, e inicias vigorosa excursão, para além do Planeta.
*
Entretanto, ai de nós! Todos trazemos leve músculo selvagem, muito
distante da educação.
Com ele, forjamos guerras.
Libertamos instintos inferiores.
Destruímos lares.
Empestamos vidas alheias.
Envilecemos o caminho dos outros.
Corrompemos o próximo.
Revolvemos o lixo moral da Terra.
Veiculamos o pessimismo.
Criamos infinitos problemas.
Injuriamos.
Criticamos.
Caluniamos.
Deprimimos.
*
Esse órgão minúsculo é a língua — lâmina pequenina, embainhada na
boca.
Instrumento sublime, feito para louvar e instruir, ajudar e incentivar o bem,
quantas vezes nos valemos dela para censurar e vergastar, perturbar e ferir!...
Governemo-la, pois, transformando-a em leme de paz e amor, no barco de
nossas vidas!
E, alicerçados nas lições do Evangelho, roguemos a Deus nos inspire
sempre a dizer isso ou aquilo como o próprio Jesus desejaria ter dito."
("Religião dos Espíritos", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"NO GRANDE MINUTO"


Reunião pública de 30/11/59
Questão nº 646


"No grande minuto da experiência, disseste, desapontado:
—Só vejo o mal pelo bem.
—Não posso mais.
—Fracassei.
—Agora é parar com tudo.
—Fiz o possível.
—Não me fales mais nisso.
—Estou farto.
—Muito difícil.
—Em tudo é desilusão.
—Sofri que chega.
—Continue quem quiser.
—Ninguém me ajuda.
—Deixa-me em paz.
—Estou vencido.
—Não quero complicações.
—É problema dos outros.
— Não sou santo.
— Desisti.
— Basta de lutas.
Entretanto, sombra vencida é porta de luz maior.
Se os amigos fugiram, continua fiel ao bem.
Se tudo é aflição em torno, não desanimes.
Se alguém te calunia, responde sempre fazendo o melhor que possas.
Se caíste, levanta-te renovado e corrige a ti mesmo.
Não existe merecimento naquilo que nada custa. Todos nós aprendemos e
trabalhamos, dias e
dias, e, às vezes, por muitos anos, para vencer nesse ou naquele grande
momento chamado «crise».
É a vitória na crise que nos confere mais ampla capacidade.
Se pedes roteiro para mirar, recorda o Cristo, na derrota aparente.
Humilhado e batido, supliciado e crucificado, torna ao mundo, em Espírito,
sem que ninguém lhe requeira a volta.
E, materializando-se, divino, entre os mesmos companheiros que o haviam
abandonado, longe de referir-se aos remoques e tormentos da véspera,
recomeça o trabalho, dizendo simplesmente:
— «A paz seja convosco.»"
("Religião dos Espíritos", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"CADA HORA"


Reunião pública de 27/11/59
Questão, nº 721


"Faze de cada hora — um poema de amor.
Renúncia vazia — terra seca.
Oração sem serviço — candeia apagada.
Alegria sem trabalho — flor sem proveito.
Cultura sem caridade — árvore estéril.
Sermão sem exemplo — trovoada sem chuva.
Tribuna sem suor — esquife sonoro.
Inteligência trancada — luz no deserto.
Vida sem ação — enterro lento.
Filosofia sem bondade — conversa vã.
Talento oculto — fonte escondida.
Fé parada — vaso inútil.
Virtude sem movimento — ninho morto.
Lição sem obras — museu de idéias.
Repara os recursos de que dispões:
Pensamento nobre.
Conhecimento superior.
Raciocínio pronto.
Diretrizes claras.
Ouvidos percucientes.
Olhos iluminados.
Verbo fácil.
Movimentos livres.
Mãos seguras. Pés hábeis.
Não te afeiçoes a mortificações improfícuas. Cada criatura, onde passa,
deixa o próprio reflexo.
Só a inércia vagueia no mundo como sombra na sombra.
Tu, porém, deves caminhar, à feição do raio solar, dissipando as trevas.
Cada hora, podes fazer a dor menos amarga.
Cada hora, podes fazer a luta mais construtiva.
Imensos são os males do mundo — não os agraves com o desespero.
Enormes são as mágoas dos outros — não as multipliques com o fel da
reprovação.
Onde estiveres, restaura, conserta, alivia, ampara e desculpa...
Em qualquer circunstância, recorda o Cristo, que passou entre os homens
entendendo e ajudando...
E ainda mesmo quando se viu condenado sem culpa, pelos mesmos
homens aos quais servia, partiu para a morte, perdoando e amando...
Torturado na cruz, mas de braços abertos."
("Religião dos Espíritos", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"PROFESSORES DIFERENTES"




Reunião pública de 16/11/59
Questão nº 290
"Entre familiares e amigos, encontras, na Terra, a oficina do teu
burilamento.
Com raras exceções, todos apresentam problemas a resolver.
Problemas na emoção e no pensamento.
Problemas na palavra e na ação.
Problemas no lar e no trabalho.
Problemas no caminho e nas relações.
Prossegues, assim, junto deles, como quem respira ao pé de múltiplos
instrutores num instituto de ensino.
Muitos reclamam trabalho, lecionando-te paciência, enquanto outros te
ferem a sensibilidade, diplomando-te em sacrifício. Há os que te escandalizam
incessantemente, adestrando-te em piedade, e aqueles que te golpeiam a
alma, com as lâminas invisíveis da ingratidão, para que aprendas a perdoar.
E as lições vão surgindo, à maneira de testes inevitáveis.
Agora, é o esposo que deserta, dobrando-te a carga de obrigações, ou,
noutras circunstâncias, é a esposa que se rebela aos compromissos,
agoniando-te as horas... Hoje, ainda, são os pais que te contrariam as
esperanças, os filhos que te aniquilam os sonhos ou os amigos que se
transformam em duros entraves no serviço a fazer.
Nenhum problema, entretanto, aparece ao acaso, e, por isso, é imperioso
te armes de amor para a luta íntima.
Fugir da dificuldade é, muitas vezes, a idéia que te nasce como sendo o
melhor remédio. Semelhante atitude, porém, seria o mesmo que debandar,
menosprezando as exigências da educação.
Carrega, pois, com serenidade e valor o fardo de aflições que o pretérito te
situa nos ombros, convicto de que os associados complexos do destino são
antigos parceiros de tuas experiências, a repontarem do caminho, solicitando
contas e acertos.
Seja qual for o ensinamento de que se façam intérpretes, roga à Sabedoria
Divina te inspire a conduta, a
fim de que não percas o merecimento da escola a que a
vida te conduziu.
Ainda mesmo em lágrimas, lê, sem revolta, no livro do coração, as páginas
de dor que te imponham, ofertando-lhes por resposta as equações do amor
puro, em forma de tolerância e bondade, auxílio e compreensão.
Recorda que o próprio Cristo, sem débito algum, transitou, cada dia, na
Terra, entre esses professores diferentes do espírito. E, solucionando, na base
da humildade, os problemas que recebia na atitude e no comportamento de
cada um, submeteu-se, a sós, à prova final da suprema renúncia, à qual
igualmente te submeterás, um dia, na conquista da própria sublimação — o
único meio de te elevares ao clima glorioso dos companheiros já redimidos que
te aguardam, vitoriosos, nas eminências da Espiritualidade"
("Religião dos Espíritos", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)