quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"ÊXITOS E INSUCESSOS"


“Sei viver em penúria e sei também viver em abundância.”
– Paulo. (Filipenses, 4:12.)



"Em cada comunidade social, existem pessoas numerosas, demasiadamente
preocupadas quanto aos sucessos particularistas,
afirmando-se ansiosas pelo ensejo de evidência. São justamente as
que menos se fixam nas posições de destaque, quando convidadas
aos postos mais altos do mundo, estragando, desastradamente, as
oportunidades de elevação que a vida lhes confere.
Quase sempre, os que aprenderam a suportar a pobreza é que
sabem administrar, com mais propriedade, os recursos materiais.
Por esta razão, um tesouro amontoado para quem não trabalhou
em sua posse é, muitas vezes, causa de crime, separatividade
e perturbação.
Pais trabalhadores e honestos formarão nos filhos a mentalidade
do esforço próprio e da cooperação afetiva, ao passo que os
progenitores egoístas e descuidados favorecerão nos descendentes
a inutilidade e a preguiça.
Paulo de Tarso, na lição à igreja de Filipos, refere-se ao precioso
imperativo do caminho no que se reporta ao equilíbrio,
demonstrando a necessidade do discípulo, quanto à valorização da
pobreza e da fortuna, da escassez e da abundância.
O êxito e o insucesso são duas taças guardando elementos diversos
que, contudo, se adaptam às mesmas finalidades sublimes.
A ignorância humana, entretanto, encontra no primeiro o licor da
embriaguez e no segundo identifica o fel para a desesperação.
Nisto reside o erro profundo, porque o sábio extrairá da alegria e
da dor, da fartura ou da escassez, o conteúdo divino."
("Pão Nosso", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"EU CANTO"

"Eu era triste e só, e minha tristeza era estéril como a do deserto sem oásis e minha solidão era vazia como a da noite sem estrelas.
Mas, hoje, já não sou triste, nem só. Mora comigo a alegria das coisas santas!
O anjo da renovação aproximou-se mansamente de mim e restaurou-me a lira do coração, transformando-me num cantor das belezas eternas.
Abro os olhos e, como numa visão mirífica de sonhos estelares, vejo além do céu das aparências, para trás das últimas fronteiras do mundo sensível, lá onde a realidade assume coloridos e configurações estranhas.
A Natureza, antes ciosa de seus grandes segredos, abre-me agora os arcanos de seus fabulosos tesouros e então posso contemplar o que os olhos mortais jamais puderam ver.
Tudo em torno de mim é esplendor e deslumbramento. Imerso num oceano de luminescências divinas, contemplo o mundo em sua fisionomia interior e eterna.
Tudo é luz!
Surpreso, vejo que eu mesmo sou plasmado na substância da luz.
Estou por cima do espaço e do tempo, situado em outra dimensão da realidade.
Agora compreendo quanta grandeza habita o coração das coisas pequeninas. Ante elas, inclino-me reverente, porque todas são uma mensagem do Grande Mistério, expressão do Pensamento de Deus.
Deixei, lá em baixo, como um resíduo atirado à margem do imenso caudal do tempo, o pobre eu com que ingênuamente eu quisera afirmar minha existência. Hoje, identificado com tudo, sou uma expressão do Impessoal.
Morreram em mim todos os desejos que me atormentavam no cárcere das formas transitórias.
Já não me alucina a paixão da Unidade.
Já não me arrebata a sedução do mistério.
Já não me abrasa a sede do Infinito.
Já não me aflige a nostalgia da Luz.
Já não me consome a saudade de Deus.
Agora sou todo plenitude. Sou uma alma integrada na alma do Todo.
Em meio aos sagrados e fecundos silêncios interiores, eu sinto ressoar, na harpa de meu coração, a música que emana do ritmo de toda Criação.
Por isso, eu canto!"

(Rubens Romanelli)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"O INSTRUMENTO DA PERFEIÇÃO"




"Naquela noite, Simão Pedro trazia à conversação o espírito ralado por extremo desgosto.
Agastara-se com parentes descriteriosos e rudes.
Velho tio acusara-o de dilapidador dos bens da família e um primo ameaçara esbofeteá-lo
na via pública.
Guardava, por isso, o semblante carregado e austero.
Quando o Mestre leu algumas frases dos Sagrados Escritos, o pescador desabafou. Des
creveu o conflito com a parentela e Jesus o ouviu em silêncio.
Ao término do longo relatório afetivo, indagou o Senhor:
— E que fizeste, Simão, ante as arremetidas dos familiares incompreensivos?
— Sem dúvida, reagi como devia! — respondeu o apóstolo, veemente. — Coloquei cada
um no lugar próprio. Anunciei, sem rebuços, as más qualidades de que são portadores. Meu tio
é raro exemplar de sovinice e meu primo é mentiroso contumaz. Provei, perante numerosa
assistência, que ambos são hipócritas, e não me arrependi do que fiz.
O Mestre refletiu por minutos longos e falou, compassivo:
— Pedro, que faz um carpinteiro na construção de uma casa?
— Naturalmente, trabalha — redargüiu o interpelado, irritadiço.
— Com quê? — tornou o Amigo Celeste, bem-humorado.
— Usando ferramentas.
Após a resposta breve de Simão, o Cristo continuou:
— As pessoas com as quais nascemos e vivemos na Terra são os primeiros e mais impor
tantes instrumentos que recebemos do Pai, para a edificação do Reino do Céu em nós mesmos.
Quando falhamos no aproveitamento deles, que constituem elementos de nossa melhoria, é
quase impossível triunfar com recursos alheios, porque o Pai nos concede os problemas da
vida, de acordo com a nossa capacidade de lhes dar solução. A ave é obrigada a fazer o ninho,
mas não se lhe reclama outro serviço. A ovelha dará lã ao pastor; no entanto, ninguém lhe exi
ge o agasalho pronto. Ao homem foram concedidas outras tarefas, quais sejam as do amor e da
humildade, na ação inteligente e constante para o bem comum, a fim de que a paz e a felicidade
não sejam mitos na Terra. Os parentes próximos, na maioria das vezes, são o martelo ou o
serrote que podemos utilizar a benefício da construção do templo vivo e sublime, por intermé
dio do qual o Céu se manifestará em nossa alma. Enquanto o marceneiro usa as suas ferramen
tas, por fora, cabe-nos aproveitar as nossas, por dentro. Em todas as ocasiões, o ignorante
representa para nós um campo de benemerência espiritual; o mau é desafio que nos põe a bondade à prova; o ingrato é um meio de exercitarmos o perdão; o doente é uma lição à nossa
capacidade de socorrer. Aquele que bem se conduz, em nome do Pai, junto de familiares endu
recidos ou indiferentes, prepara-se com rapidez para a glória do serviço à Humanidade, por
que, se a paciência aprimora a vida, o tempo tudo transforma.
Calou-se Jesus e, talvez porque Pedro tivesse ainda os olhos indagadores, acrescentou
serenamente:
— Se não ajudamos ao necessitado de perto, como auxiliaremos os aflitos, de longe? Se
não amamos o irmão que respira conosco os mesmos ares, como nos consagraremos ao Pai
que se encontra no Céu?
Depois destas perguntas, pairou na modesta sala de Cafarnaum expressivo silêncio que
ninguém ousou interromper."
("Jesus no Lar", Neio Lúcio/Francisco Cândido Xavier)

"AMAR A NÓS MESMOS"


 "Amar a nós mesmos não é consagrarmos a vida à exaltação absoluta do corpo de carne que o homem serve de veículo provisório na luta redentora da Terra.
Certo, tanto quanto devemos atenção e assistência a qualquer máquina útil, não podemos relaxar no cuidado que nos merece a vestimenta física, entretanto, não nos cabe centralizar todos os objetivos da existência naquilo que, no fundo, seria a preservação da animalidade.
Amarmo-nos, então, será atendermos ao justo imperativo de nossa habilitação espiritual para a vida eterna.
Nesse sentido, é indispensável aproveitarmos o concurso valioso e eficiente da dor e da luta, do trabalho e do sacrifício, na aquisição de nossas melhores experiências para os círculos mais altos.
A pedra que fugisse ao buril e o vaso que se desviasse do clima asfixiante do forno jamais seriam arrancados do primitivismo agreste aos espetáculos da beleza e da utilidade.
Claro, portanto, que se realmente amamos a nós mesmos, não podemos perder a nossa oportunidade de elevação, através das provas e dos sofrimentos que o estágio curto na Terra nos oferece.
Renúncia é sublimação.
Obstáculo é auxílio.
Trabalho é posse de competência.
Disciplina é sementeira de altos valores espontâneos.
Obediência ao bem é construção do progresso comum.
Escravidão aos deveres da reta consciência é acesso à Vida Superior.
Silêncio é porta para a humildade.
Serviço de hoje aos semelhantes é influência divina amanhã.
Dificuldades bem superadas são bênçãos.
Se buscarmos, desse modo, amar a nós mesmos, saibamos desprezar o contentamento efêmero de algumas horas na carne escura e frágil, valorizando o nosso ensejo de aprender e crescer, com os entraves e sombras, com as dores e aflições do caminho terrestre, porque, purificando a nós mesmos, no sacrifício pelo bem dos outros, mais cedo alcançaremos a áurea da imperecível felicidade."

("Construção do Amor", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)
 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"PASSO DE LUZ"




"Nas tribulações ou discórdias que nos agravem os problemas da vida, recordemos a
necessidade de certo donativo, talvez dos mais difíceis na beneficência da alma: – o
primeiro passo para o reajuste da harmonia e da segurança.
Isso significa para nós um tanto mais de amor, ainda mesmo quando nos vejamos ilhados
no espinheiro vibratório da incompreensão.
*
Por vezes é o lar em tumulto reclamando a tranqüilidade, à face do desentendimento
entre criaturas queridas.
Noutras circunstâncias, são companheiros respeitáveis, em conflito uns com os outros.
Em algumas situações, é o estopim curto da agressividade exagerada nesse ou naquele
amigo, favorecendo a explosão violenta.
Em muitos lances do caminho é o sofrimento de algum coração brioso e nobre, mas ainda
tisnado pelo orgulho a ferir-se.
Nessas horas, quando a sombra se nos estende a vida, em forma de perturbação e
desafio a lutas maiores, bem-aventurados sejam todos aqueles que se decidam ao
primeiro passo da benevolência e da humildade, da tolerância e do perdão, auxiliando-nos
na recomposição do caminho.
*
Onde estiveres, com quem seja, em qualquer tempo e tanto quanto puderes, dá de ti
mesmo esse acréscimo de bondade, recordando o acréscimo de misericórdia que todos
recebemos de Deus, a cada trecho da vida.
Alguém nos injuria?
Suportar com mais paciência.
Aparece quem nos aflija?
Disciplinar-nos sempre mais na compreensão das lutas alheias.
Surgem prejuízos?
Trabalhar com mais vigor.
Condenações contra nós?
Abençoar e servir constantemente.
*
Em todas as situações, nas quais o mal entreteça desequilíbrio, tenhamos a coragem do
primeiro passo, em que a serenidade e o amor, a humildade e a paciência nos garantam
de novo a harmonia do Bem."

(Emmanuel, "Coragem", Espíritos Diversos/Francisco Cândido Xavier)

"AFINIDADE"


"O homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de
substância mental, em grande proporção.
Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que
lhe equilibram a existência.
Em forma de impulsos e estímulos, a alma recolhe, nos pensamentos que atrai, as forças
de sustentação que lhe garantem as tarefas no lugar em que se coloca.
O homem poderá estender muito longe o raio de suas próprias realizações, na ordem
material do mundo, mas, sem a energia mental na base de suas manifestações,
efetivamente nada conseguirá.
Sem os raios vivos e diferenciados dessa força, os valores evolutivos dormiriam latentes,
em todas as direções.
A mente, em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente
para o alto destino que lhe compete atingir.
Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente.
De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos”, a cada instante, projetando, em torno
de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos.
Por isso, quem não se habilite a conhecimentos mais altos, quem não exercite a vontade
para sobrepor-se às circunstâncias de ordem inferior, padecerá, invariavelmente, a
imposição do meio em que se localiza.
Somos afetados pelas vibrações de paisagens, pessoas e coisas que cercam.
Se nos confiamos às impressões alheias de enfermidade e amargura, apressadamente se
nos altera o “tônus mental”, inclinando-nos à franca receptividade de moléstias
indefiníveis.
Se nos devotamos ao convívio com pessoas operosas e dinâmicas, encontramos valioso
sustentáculo aos nossos propósitos de trabalho e realização.
Princípios idênticos regem as nossas relações uns com os outros, encarnados e
desencarnados.
Conversações alimentam conversações.
Pensamentos ampliam pensamentos.
Demoramo-nos com que se afina conosco.
Falamos sempre ou sempre agimos pelo grupo de espíritos a que nos ligamos.

Nossa inspiração está filiada ao conjunto dos que sentem como nós, tanto quanto a fonte
está comandada pela nascente.
Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em
qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental.
Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.
Trabalhar incessantemente é dever.
Servir é elevar-se.
Aprender é conquistar novos horizontes.
Amar é engrandecer-se.
Trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se
aperfeiçoa, entrando gradativamente em contacto com os grandes gênios da imortalidade
gloriosa."
("Roteiro", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)

"ADMINISTRAÇÃO"




"Dá conta de tua administração".
- Jesus. (LUCAS, 16:2).

"Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que realiza na
obra do Supremo Pai, e, simultaneamente, é administrador,
porquanto cada criatura humana detém possibilidades enormes no
plano em que moureja.
Mordomo do mundo não é somente aquele que encanece os cabelos,
à frente dos interesses coletivos, nas empresas públicas ou
particulares, combatendo intrigas mil, a fim de cumprir a missão a
que se dedica.
Cada inteligência da Terra dará conta dos recursos que lhe foram
confiados.
A fortuna e a autoridade não são valores únicos de que devemos dar
conta hoje e amanhã o corpo é um templo sagrado.
A saúde física é um tesouro.
A oportunidade de trabalhar é uma bênção.
A possibilidade de servir é um obséquio divino.
O ensejo de aprender é uma porta libertadora.
O tempo é um patrimônio inestimável.
O lar é uma dádiva do Céu.
O amigo é um benfeitor.
A experiência benéfica é uma grande conquista.
A ocasião de viver em harmonia com o Senhor, com os semelhantes
e com a Natureza é uma glória comum a todos.
A hora de ajudar os menos favorecidos de recursos ou entendimento
é valiosa.
O chão para semear, a ignorância para ser instruída e a dor para ser
consolada são apelos que o
Céu envia sem palavras ao mundo inteiro.
Que fazes, portanto, dos talentos preciosos que repousam em teu
coração, em tuas mãos e no teu caminho? Vela por tua própria tarefa
no bem, diante do Eterno, porque chegará o momento em que o
Poder Divino te pedirá: - "Dá conta de tua administração"."
("Fonte Viva", Emmanuel/Francisco Cândido Xavier)